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Coluna
Marisa Fernandes
Por Marisa Zanoni Fernandes

Qual o valor dos profissionais da educação?

Inúmeros caminhos podem ser escolhidos para responder esta pergunta. Entre eles, poderíamos recorrer a nossa memória afetiva e relembrar a vida de estudantes: rapidamente encontraremos uma professora ou um professor que marcou positivamente nossas vidas, que nos ensinou mais do que ler e escrever – deu-nos referências e instrumentos para enfrentar nossos medos, descobrir nossas potencialidades, foi uma inspiração para definir a profissão ou até mesmo foi o ouvido certo para o desabafo, o colo acalentador para choro, a mão segura para os primeiros passos, o ouvido atento e estimulador para as primeiras palavras, a orientação ética para compartilhar brincadeiras, tarefas e convivência coletiva. Sob esta ótica, parece impossível mensurar o valor destes profissionais que apontam caminhos, despertam a sede de aprender, de conviver e se tornam o elo imprescindível de civilidade e de humanidade.

Do ponto de vista econômico: James Heckman prêmio Nobel de Economia (2000), apontou que a educação é crucial para o avanço de um país e, quanto antes chegar às pessoas, maior será o seu efeito e mais barato ela custará. Heckman destaca que tentar sedimentar num adolescente o tipo de conhecimento que deveria ter sido apresentado a ele dez anos antes sai algo como 60% mais caro. Neste horizonte, investir na educação e, fortemente na da primeira infância é economizar!

Os recentes episódios desumanos no sistema carcerário revelam um equívoco irreparável nas políticas de governo: os municípios quadriplicaram seus gastos com segurança, na última década, e mesmo assim as cidades tem se tornado mais violentas. Pesquisa recente mostrou que as prefeituras que investiram em guardas municipais passaram a gastar menos com medidas preventivas mais eficientes, como programas sociais e escolas em tempo integral em bairros, com jovens mais vulneráveis à violência. Portanto, do ponto de vista da eficiência e resultados nas ações para segurança pública, é visível que se reduz a criminalidade com investimento na Educação. Os presídios estão superlotados a um custo muito superior ao que lhe daria dignidade em uma escola integral na infância.

A lógica da política neoliberal e conservadora resistirá a estas observações e, certamente, fará esforços para destacar o “custo” dos profissionais da educação e, assim, enfraquecer ou congelar os investimentos ao argumento da economicidade, contrariando e subestimando as pesquisas e as inúmeras experiências de países que alavancaram seus processos de desenvolvimento justamente porque investiram forte e coerentemente os recursos na educação e, sobretudo, nos seus profissionais.

Apesar da obviedade incontestável que a educação é o caminho mais eficiente para o processo de humanização, ou seja, para melhores índices de saúde, segurança e desenvolvimento econômico e cultural, o caráter do reajuste menor aos educadores de Balneário Camboriú em relação aos outros servidores, denota a política de desvalorização da melhor prática para um governo que quer bons resultados.

Equivoco ou não, o óbvio precisa ser revistado, pois em momentos de crise econômica, ética e moral há uma tendência da tradição hegemônica em precarizar as reflexões e naturalizar, por exemplo, as diferenças que existem entre o que se paga a um professor e demais profissionais com a mesma formação - “os professores brasileiros ganham menos que outros profissionais do setor público do país, bem menos que seus colegas de outros países de renda per capita equivalente, possuem uma estrutura de carreira pouco estimulante a permanecer na profissão.” (PINTO, 2010). O reajuste concedido aos servidores e a diferença nos percentuais (8,77% de reajuste para servidores gerais e 7,64% para o magistério) denota que o governo inicia seu mandato desprestigiando a Educação, o Magistério, pois os índices do Piso Nacional são apenas balizadores do mínimo a ser concedido.

Assim, esperamos novos tempos e novas ideias, com esforços e práticas que revelem cotidianamente o real valor que os profissionais da educação tem para nosso rico município!

Escrito por Marisa Zanoni Fernandes, 19/01/2017 às 13h40 | marisazf@hotmail.com

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