Jornal Página 3
Coluna
Mãe na Roda
Por Ana Paula Góis

É que a televisão me deixou burro muito burro demais...

 ...e agora eu vivo dentro dessa jaula junto dos animais!"

A SBP- Sociedade Brasileira de Pediatria lançou um manual para ajudar pais e pediatras a controlar a relação das crianças com a tecnologia. Então passou no fantástico. A reportagem começou assim: Quais são os limites para uma convivência saudável entre pais, filhos, celulares e tablets?

Me animo sempre quando vejo uma reportagem sobre a infância, mas assim que começa, fico triste por quem está assistindo sem filtro.
Falaram nos computadores, mas não falaram das tevês. Falaram em quanto tempo pode ser usado, mas não falaram das consequências, das contra indicações. Por que pode uma hora por dia? O que acontece com quem ultrapassa este limite? Quais são os danos aceitados como inofensivos pela SBP? Que tipo de pesquisas fizeram? Entrei lá e li a cartilha... vi que não tem estudo, tem pesquisa por amostragem a respeito do uso. Mas sobre o dano, a perda, ninguém por lá pesquisou.
E quando o pediatra diz que uma hora por dia é aceitável todo mundo fica feliz porque é bom ter um 'especialista' endossando minha forma de agir.

Vejo uma preocupação crescente quanto ao uso da tecnologia dos celulares e tablets, mas um desleixo quando se fala em tevê.
Crianças pequenas, passivas, expostas a conteúdos repetitivos diariamente. Sendo educadas e recebendo valores da galinha pintadinha e de qualquer personagem que seja colorido e engraçado.

Sabe-se há muito tempo que o cérebro humano se desenvolve pelo movimento e que é muito difícil se desenvolver na inércia.
Desde muito pequenos, ensinamos nossas crianças que ver tevê é bom. Achamos lindo quando nossos pequenos ficam paradinhos, assistindo o 'filminho' e assim vamos criando uma raça menos criativa, mais passiva, mais cansada e mais conivente com o sistema.

Não estou aqui falando que a pepa pig acaba com o cérebro, nem que os transformers vão deixar sua criança mais violenta. Estou dizendo que retardam o desenvolvimento do cérebro do seu pequeno gênio. E quanto mais cedo a criança começa com este hábito, maiores os danos; mais a criança fica dependente; maiores serão as birras; mais dificuldades você terá para que sua criança participe da vida em família.

O dia a dia anda corrido, a vida anda passando com pressa, as crianças crescendo muito rápido. Elas vão para escola durante o dia, dormem durante a noite, sobra pouco (bem pouco) tempo para passar com a família. São duas ou três, ou quem sabe cinco horas diárias que temos para passar valores, para nos relacionarmos, fortalecermos vínculos. Não é justo nem conosco, nem com eles, que estas poucas horas sejam divididas com a TV, com o tablet, com o celular. Desliga a tevê e senta no chão, dá uma caminhada na rua (as noites estão lindas e quentes), e lê uma história...

A criança vai crescer e vai ter tempo pra você, se você teve tempo (real) pra ela... Vai saber os limites do corpo e da mente e vai transpô-los se preciso for, se viu você fazendo isso. Sempre antes de ligar a tevê ou oferecer o celular se pergunte se é mesmo necessário e se achar mesmo necessário, veja junto, não permita que a tecnologia seja um agente separador entre você e seu filho. A criança precisa de você e a infância e a inocência precisam ser protegidas! Cuide e proteja a infância.

Leia a cartilha na íntegra, leia a pec na íntegra, tire suas próprias conclusões, mas por amor ao mundo, saia da caixa, mude o padrão, para de aceitar receitas prontas... não é porque sempre foi assim que sempre vai ter que ser!

Um pedacinho da cartilha: "Criar tempo para ser pai, mãe, avô, avó, tio/ tia, madrinha/padrinho sem o uso das tecnologias. Planejar as refeições sem qualquer uso de equipamentos na mesa. Planejar atividades de finais de semana ou férias fora e longe do wifi ou de computadores e celulares ou limite o tempo de uso para 1-2 horas/ dia para todos. Praticar atividades ao ar livre e em contato com a natureza, prevenção da saúde física e mental/comportamental de todos da família."

"Oh! Cride, fala pra mãe
Que tudo que a antena captar
Meu coração captura
Vê se me entende
Pelo menos uma vez
Criatura!
Oh! Cride, fala pra mãe!"

Por uma humanidade mais fraterna. Paz e Bem!

Escrito por Ana Paula Góis, 16/11/2016 às 14h56 | conviteecia@hotmail.com

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