Jornal Página 3
Coluna
Mãe na Roda
Por Ana Paula Góis

As crianças precisam de tapa na bunda!

Este é o título de uma matéria que tem sido compartilhada por alguns amigos nesta semana.

Fiz um comentário quando vi a primeira vez: "Não sei onde a terapeuta aprendeu que limites e castigos são a mesma coisa. Limite é uma coisa e castigo é outra. Criança precisa de carinho e exemplo. Se a família é amorosa, dispõe de tempo PRA criança (que não é igual a tempo COM A criança) os limites acontecerão no dia a dia e os exemplos (verdadeiros e interiores) formarão o caráter. Ajuda muito, entendermos crianças como pessoas. Trocar a palavra "criança" por a palavra "esposa" ou " marido" na leitura de textos sobre criação ajuda muito no esclarecimento de algumas dúvidas... começa pelo título: "as esposas estão precisando de tapa na bunda". Não importa a idade, pessoa é sempre pessoa!". Copiei e colei quando vi a segunda, me calei quando vi a terceira e a quarta, e no quinto compartilhamento resolvi escrever um pouco mais.

Queridos pais, eu entendo que às vezes se sintam frustados ou limitados. Entendo que às vezes gostariam que seus filhos fossem mais obedientes e disciplinados. Entendo também que às vezes se sintam ofendidos ou 'desafiados' pelo seu pequeno 'anjinho', mas não consigo entender o que lhes dá o direito ou o dever de bater em um outro ser humano.
Dói muito na criança e dói muito nos pais.

Fica difícil pra mim conceber que alguém acredite que educação e 'tapa na bunda' em algum momento possam andar juntos... Procura no 'google', chama os 'cientistas' ou experimenta ouvir o seu coração, o seu instinto mais profundo e vê se agressão e educação andam juntos em algum lugar do planeta.

Se você acha que precisa (e que pode) bater no seu filho para educá-lo, provavelmente você apanhou. Nossa sociedade aceita e aceitou muita coisa como normal, mas não é por que dizem que é normal, que devemos aceitar.

Povos considerados civilizados não se agridem. Povos considerados educados não se agridem.
Precisamos parar de segregar os grupos. Crianças são pessoas como nós e não podem ser corrigidas com agressões.

NÃO! NÓS, PESSOAS, NÃO PRECISAMOS DE TAPA NA BUNDA. PRECISAMOS DE BONS EXEMPLOS.

Aos que defendem a agressão, peço que me esclareçam algumas dúvidas... Com quantos anos a pessoa deve começar a apanhar e com quantos anos a pessoa deixa de ser criança e vira adulto? Quem decide os motivos pelos quais ele deve apanhar? E qual a medida certa? Quando o pai acha que dois tapas servem e a mãe acha que só um beliscão já tá bom, o que fazemos? Quando seu filho cresce e continua aprontando depois de casar, podemos transferir a função de 'corrigir' com uns tapinhas para a esposa? E quando ele desobedece a profe e você não está lá para corrigir, a profe pode ficar com esta tarefa de educar com agressão? E quando você tiver mais um filho, o mais velho vai poder bater no mais novo para dar limites?

Criança precisa de exemplo, de pessoas ao seu redor que se conheçam e que estejam dispostas a mudar por elas. Tapa é explosão e não educação. Não muda ninguém e não faz ninguém mais feliz. Se você se sente amado porque apanhou, quem sabe seja hora de rever seu conceito de amor, de relacionamento... Nossa infância segue conosco pra sempre, porque se trata de nossa auto-construção.

Toda vez que você tiver vontade de bater no seu filho, se questione antes, se tranque no banheiro, saia correndo, feche a porta e fique um pouco no escuro, respire, conte até 68, se questione mais uma vez, se pergunte o que ele está aprendendo com isso. Isso está me aproximando ou me afastando dele? É mesmo para o bem dele? Eu estou calmo e sereno para tomar esta decisão? Estou nervoso ou de cabeça fria?

Geralmente tapas e agressões são explosões momentâneas que deixam todo mundo triste e frustrado - agredido e agressor.
Para educar nossos filhos, precisamos olhar para eles, mas olhar para nós mesmos também. Os defeitos que encontramos neles, estão, ou em algum momento estiveram em nós. A gente vê neles e conserta em nós, simples assim.... se quer bater em alguém, procure alguém que possa te dar um abraço amoroso, tenho certeza que a vontade passa num instante!

Por uma humanidade mais fraterna, e mais amorosa, e mais feliz, e mais realizada, e menos agressiva,
Paz e bem!

Escrito por Ana Paula Góis, 03/11/2016 às 09h14 | conviteecia@hotmail.com

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