Jornal Página 3
Coluna
Mãe na Roda
Por Caroline Cezar

Você apóia o afastamento ou o vínculo?

Participamos da Feirinha Permacultural Nova Oikos falando sobre assuntos relacionados ao gestar, nascer, criar e se recriar - porque ter um filho é uma chance realmente considerável de olhar para nós mesmos.

Focamos na exterogestação, na necessidade de manter o bebê junto ao corpo da mãe por meses e meses após o parto; e na criação sem fraldas, ou ao menos, olhar e entender esse uso automático das fraldas que todos fazem sem se perguntar por quê.

Acordei pensando que esquecemos de citar uma palavrinha mágica que tem fundamental importância nessas práticas: APOIO.

Uma mãe precisa de APOIO.

A sociedade de consumo está montada de tal jeito que favorece o afastamento e o enfraquecimento dos vínculos.

Olhe em volta: o que uma gestante 'precisa' seguindo a cartilha? Fazer compras, ir ao médico quinze vezes, trocentos exames, comprar bebê conforto, comprar babá eletrônica, comprar carrinho, comprar cadeirinha que treme, comprar móbiles que acendem a luz, comprar centenas de roupas, comprar sapatos (gente, bebê não anda); comprar muitas e muitas fraldas da marca tal; comprar o quarto de luxo, reservar a vaga na maternidade, consultar o especialista em cabalah e mais vários tem-que-ter. No que todas essas COISAS colaboram para o fortalecimento do vínculo mãe e bebê? 

Na realidade, uma gestante, que logo se tornará uma recém mãe, precisa de TEMPO. De PAZ. DESCANSO. REFLEXÃO. CONSCIÊNCIA. APOIO, muito muito APOIO.

Ela precisa ser auxiliada nas tarefas de casa, ela precisa de um parceiro que a entenda e a respeite, inclusive suas dificuldades e seus tempos, ela precisa de outras mulheres ao seu redor, ela precisa de pessoas próximas, realmente disponíveis, pra ajudá-la a manter a ordem no seu entorno para que ela possa SIM se dedicar a estar inteira pro seu bebê. Ela não precisa de gente se metendo na sua vida ou dando palpites, mas precisa muito de pessoas que incentivem sua confiança e sua sabedoria interna. Ela não precisa que olhem pro peso do seu bebê, mas precisa muito que lhe tragam um bom alimento e lavem a louça antes de ir embora. Tudo o mais, toda aquela imensa lista de coisas caras pra comprar e filas de lojas e estresse com dinheiro, deixa pra lá. Não precisa nada disso.

Bebê precisa da mãe, o tempo todo, disponível. Bebê precisa do corpo da mãe, por muito tempo, muito tempo mesmo. Bebê precisa de amor. Uma mãe precisa muito de amor e apoio. Ela está criando o futuro da humanidade. É uma atividade sacrossanta. É Deus na Terra.

Se tem uma mãe por perto de você -e sempre tem- saiba que ela precisa muito do seu apoio. A sociedade inteira precisa saber disso, é uma tarefa coletiva, é um repensar de todos. O que você, direta ou indiretamente, está apoiando? O afastamento? Ou uma criação consistente e consciente? Como esssa mãe pode estar mais inteira para estar com esse filho? 

Escrito por Caroline Cezar, 20/12/2015 às 09h09 | carol.jp3@gmail.com

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Fruta + água = sorvete

Chegou verão e temos na manga uma receita super saudável que ajuda muito a vida - muito ativa na primavera também :)

é prática;
é barata;
é rica em saúde;
uma alegria só.

Nossas crianças adoram e quando nada mais resolve chama o sorvetinho que fica tudo uma beleza. 

Elas também são voluntárias no fazer e isso é pura vivência: um salve pras crianças na cozinha!

 

Vamos à receita mais simples de todas:

banana + água
liquidifica
põe em forminhas - de 1,99 ou cubinhos de gelo.

pronto!

Você também pode fazer:

banana + cacau + melado
banana + morango
banana + abacaxi + hortelã
nhame + qualquer fruta.

O nhame e a banana são espessantes naturais e deixam aquela consistência mais cremosa, mas você pode optar por água, suco de limão ou água de coco pra bater com a fruta de sua preferência. Use frutas orgânicas (principalmente se for morango ou essas de casca fina e/ou porosa). E se for adoçar, mel ou melado (aqui em casa não adoçamos quase nunca e fica ótimo).

Nhame tem a vantagem de ser um repelente natural -de dentro pra fora. A Bela Gil popularizou a dica, e é super verdade.

Outra boa pedida são os smoothies (aqui chamamos de "creminho" ou "sorvetinho"): para isso congelamos bananas, morangos, mangas e abacaxis, em pedaços. Bateu a vontade escolhe a combinação e bate com um pouco de água. Costumamos usar folhas de hortelã ou menta, e polvilhar granola. Melhor lanchinho!

Picolé industrializado, cheio de açúcar e corante, gorduras...pra que? Não faz sentido. Use a criatividade e faça do verão uma delícia nutritiva!
 

Escrito por Caroline Cezar, 14/12/2015 às 17h54 | carol.jp3@gmail.com

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Vamos olhar para a educação?

Uma vez assisti um vídeo que me marcou muito: uma família transformou a casa onde morava em uma espécie de "oficina": lá eles ensinavam as pessoas a separar os lixos, produzir compostagem orgânica para adubar a terra e produzir alimentos em pequenos espaços urbanos. Dali surgiu todo tipo de atividade, passaram a ir às escolas, agregaram os cuidados ecológicos a gestações, partos, bebês, falavam de alimentação e nutrição, descanso e atividade, sustentabilidade.

Mas o que mais me impressionou -e me impressionou muito- é que apesar de chamarem-se "Morada da Floresta", eles estavam no centro de São Paulo. A casa -parecida com um prédio de dois andares- em cima era toda verde, e lembrava um oásis no cinza predominante. Parecia que aos poucos tudo ia ficando mais colorido por volta, porque amor contamina.

 *

Às vezes a gente olha em volta e acha que está tudo errado, nada inspira, nada tem jeito e com isso somamos para piorar aquilo que não gostamos. Perdemos grandes oportunidades de melhorar o cenário do qual fazemos parte - e indo embora ou não, continuamos fazendo parte. Olhar com atenção já ILUMINA e ficando claro podemos somar no nosso dia a dia pequenas atitudes que geram grandes mudanças.

 

* Nessa quarta-feira vamos falar sobre educação! Mãe, pai, tia, irmão, profe, dire, tio da cantina, estudante, avós, vizinhos, políticos, PESSOAS. Fazemos o convite para que você nos ajude a Olhar Para a Educação. Queremos discutir maneiras simples de melhorar o quadro e adequá-lo mehor a nossa realidade, por uma humanidade mais fraterna. Na CDL de Balneário Camboriú, às 19h30, nesse dia 2 de dezembro. Todos são muito importantes, a troca enriquece e engrandece! Vem!

 

 

Escrito por Caroline Cezar, 01/12/2015 às 08h14 | carol.jp3@gmail.com

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Precisamos prestar mais atenção às mães do mundo

"Mais de 30 pessoas também ficaram feridas depois que Amer al-Fahr, de 16 anos, detonou cerca de 5kg de explosivos em meio ao movimentado mercado de Carmel.

A organização Frente Popular para Liberação da Palestina assumiu a responsabilidade pelo ataque.

"É imoral mandar alguém tão jovem", disse a mãe do adolescente, Samira Abdullah, de 45 anos.

"Eles deveriam ter mandado um adulto que entende o significado de suas ações."

O garoto, que vivia no campo de refugiados de Askar, é um dos mais jovens homens-bombas palestinos.

Seu pai, Abdel Rahim, de 53 anos, contou que o adolescente o acordou na segunda-feira de manhã pedindo dois shekels (cerca de R$ 1,20) antes de sair.

"Dois shekels, isso é o que meninos pedem. Não é dinheiro para homens", disse Rahim.


Sempre que escuto sobre ataques terroristas, homem bomba, penso nas mães das vítimas. De todas as vítimas: as que foram atacadas e as que atacaram. Se nossos filhos estão no mesmo mundo, no mesmo plano, na mesma época, são todos vítimas do mesmo sistema.

Fica muito fácil lutar pela redução da menoridade penal quando não é o meu filho que vai ser preso. Quando não é meu ou seu filho que foi aliciado e agora precisará conviver com bandidos ainda mais 'encantadores'.

Me pergunto quanta dor e angústia vivencia uma 'mãe de bandido'.

Oremos por estas mães. Que encontrem algum conforto!

Por uma humanidade mais fraterna.
Paz e Bem. 

 

 

 


"Cada jovem convertido em assassino ou em qualquer ameça para a sociedade foi, - há bem pouco tempo- uma criança desesperada por amor.
O que os governos poderiam fazer a nível coletivo? Existem dois níveis de ação. A ação externa e a curto prazo seria aguentar as conseqüências de termos nos intrometido em outros povos a fim de se apropriar de seus recursos , embora muitas vezes justificado por supostas intenções de paz e a ação interna. A mais longo prazo seria apoiar cada mãe e cada família para que elas possam proteger, amar e apoiar cada criança nascida, sabendo que, durante esses anos esta em jogo não somente o bem-estar futuro do indivíduo mas a paz da humanidade inteira.

O Que cada um de nós pode fazer? Amar nossas crianças. É o que cada um de nós adultos temos que aprender se queremos viver em um mundo de paz."

Laura Gutman

Escrito por Ana Paula Góis, 18/11/2015 às 07h22 | conviteecia@hotmail.com

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Yoga como Semente de Paz

Sentados em roda, no chão de uma sala de aula, um grupo de crianças aprende a respirar, relaxar e estar em si, ouvindo sobre não-violência, paz e consciência. De maneira simples e objetiva, como é a conversa com crianças, enumeraram juntos alguns preceitos do yoga, pura filosofia e autoconhecimento. Depois compõem uma mandala de flores e falam sobre a luz interior que todo mundo possui, fazendo a saudação ao sol e poses que lembram nomes de bichos e formas da natureza.

Sementes de Paz - Yoga na Educação, é o nome do trabalho desenvolvido por Emília Plit em Balneário Camboriú. Ela levou a prática milenar para dentro das escolas, como uma atividade extra-curricular, não por isso menos importante. A professora tem a ideia de expandir o projeto em 2016 propondo workshops de meditação para professores, a fim de ensiná-los a usar a ferramenta todos os dias em sala.  


 

Emi, você ensina yoga para crianças. O que você aprende com isso?
R - Principalmente aprendo a me conectar com a minha própria criança interior. Sinto que uma criança é como um papel em branco onde todo mundo vai escrevendo alguma coisa, com o tempo não tem mais espaço para a própria criança escrever o que ela quer, e o Yoga nos ajuda a conseguir ver aquele papel branco novamente e escrever ou desenhar o que sentimos no coração.

Você usa uma linguagem acessível para falar de coisas essenciais, como luz interior, auto-conhecimento, voz do coração - foi difícil adaptar sua fala para conseguir tocar as crianças?
R - Não, para mim falar simples é fácil, ainda mais quando falamos em temas do nosso ser interior, todos somos iguais. Claro que às vezes tem uma questão cultural que nos diferencia e não nos entendemos (pois sou da Argentina), mas conversando a gente sempre se entende, e todas as aulas eles me ensinam alguma brincadeira ou palavra que não conhecia.

Vivemos em uma sociedade extremamente consumista e ocupada. Como você acha que isso se reflete nas crianças?
R - Tem muito o que ser falado sobre este tema, pois tem uma linha que divide o necessário do excessivo que para a sociedade atual é difícil de distinguir. O problema nasce quando acreditamos que as coisas vão nos dar felicidade, elas dão conforto, mas nós podemos ser felizes sem elas. Agora, ser feliz sem contato amoroso acho bem difícil. Tudo o que nós precisamos é amor. Qualquer pessoa (criança e adulto) que viva num lar consumista e ocupado vai se sentir vazia, mesmo tendo tudo o que ela quer materialmente (o que nunca vai ser suficiente). É um ciclo vicioso, que só pode parar trazendo consciência às eleições que fazemos, e tentando de que tudo o que fazemos seja uma expressão de amor.

Que ferramentas você indicaria para os pais e cuidadores utilizarem no dia a dia em busca de maior conexão com os pequenos?
R - Se desconectar para se conectar (rsrs). Sei que não é tarefa fácil. O primeiro passo é, como disse antes, a consciência no que eleger. Desligar os aparelhos que te consomem tempo, para sentir e se conectar com as pessoas que te rodeiam, é uma escolha. Tratar eles com respeito, amor e paciência é fundamental. Depois existem muitas técnicas a serem usadas: Respirar, cantar, rir, pintar mandalas, dançar, passear na natureza, meditar. Dedicar um tempinho, por minimo que seja, todos os dias aos pequenos, pode ajudar em grandes proporções, beneficiando tanto eles quanto nós mesmos.

 


Mais sobre Emi:
O primeiro contato oficial que Emi teve com Yoga foi aos 17 anos, mas quando ainda criança já tinha sido encantada com a prática ao ver a sua mãe praticando com um livro da Indra Devi (grande mestre de Yoga). Formou-se como professora de Yoga na Costa Rica no começo de 2012 e desde então tem se tornado uma incansável pesquisadora do tema e aplica a filosofia à sua vida no dia a dia. Atualmente está executando o Projeto Semente de Paz o qual tem o intuito de facilitar o acesso à prática de Yoga às crianças, levando-a às escolas. Para mais informações o contato é (47) 9722-9589 ou projeto.sementedepaz@gmail.com.

Escrito por Caroline Cezar, 16/11/2015 às 07h45 | carol.jp3@gmail.com

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Nunca ajude uma criança...

"MÃÃEIN, QUERO COLHÊR!"

A tradução para a frase arrastada da bebê de dois anos, que protesta batendo a mão da perna como quem diz "poxa vida", é "MÃE, EU QUERO ESCOLHER".

Ela estava reivindicando a autonomia plena na hora de se servir de um picolé caseiro. Era ela quem queria escolher o que ia comer: a cor do palito, a cor do picolé, e se era o da direita ou da esquerda.

Outra sentença muito utilizada por esse bebê é "NÃO ADJUDA MÃEIN, MADU ADJUDA". Madu é ela mesma, ou seja, ela está pedindo "ME DEIXE FAZER SOZINHA". Quando conclui a tarefa, comemora: "Aaaah, Madu fez". "Aaahh, Madu conseguiu". "Aaaah, Madu já sabe".
Às vezes não consegue e diz: "AGORA SIM" (você pode me ajudar, porque agora sim estou precisando).

 

Maria Montessori orienta: 'NUNCA AJUDE UMA CRIANÇA NUMA TAREFA QUE ELA SE SENTE CAPAZ DE FAZER'.

Veja bem: que ELA se sente capaz de fazer.
Não importa se ela é realmente capaz, se ela concluirá da maneira "certa" ou fará "tudo errado": aqui o que vale é o processo. A tentativa. A coragem. A vontade. A iniciativa. O desenvolvimento de habilidades. A percepção.

De preferência fique invisível e finja que não está vendo. Se for solicitado, esteja pronto, mas limite seus comentários, e não seja tão rápido e categórico nas respostas. Incentive a intuição, adie o que você acha, dê o tempo para a criança pensar e tomar suas conclusões sobre as coisas.

É fácil ver mães e pais de filhos adultos dizendo: "isso você não sabe", "você nunca conseguiria", "você não é capaz", então já imaginou no início da vida? Por isso que vemos crianças de três anos que não sabem levar uma colher à boca, ou vestir um chinelo: a incapacidade não é da criança, é dos pais da criança.

Incapacidade de ter paciência e confiar e principalmente incapacidade de realmente acreditar na capacidade infantil.

Assim como muitos médicos acham que estão salvando uma mulher que sabe parir e um bebê que sabe nascer "ajudando" no nascimento, "acabando com isso logo" intervindo no processo de um jeito ou outro -com bisturis, induções sintéticas, empurrões, puxões- a mãe e pai acham que estão ajudando o filho a caminhar, se vestir, se alimentar, brincar, pensar, concluir.

Nos dois exemplos o que falta é PACIÊNCIA e CONFIANÇA. Paciência pra que tudo aconteça no seu tempo e CONFIANÇA de que tudo acontecerá a seu tempo. Quanto menos interferência melhor. Faça-se esse desafio e passe a observar como você não é tão sagaz quanto a sabedoria da natureza. 

Escrito por Caroline Cezar, 13/11/2015 às 09h59 | carol.jp3@gmail.com

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