Jornal Página 3
Coluna
Mãe na Roda
Por Caroline Cezar

Vamos olhar para a educação?

Uma vez assisti um vídeo que me marcou muito: uma família transformou a casa onde morava em uma espécie de "oficina": lá eles ensinavam as pessoas a separar os lixos, produzir compostagem orgânica para adubar a terra e produzir alimentos em pequenos espaços urbanos. Dali surgiu todo tipo de atividade, passaram a ir às escolas, agregaram os cuidados ecológicos a gestações, partos, bebês, falavam de alimentação e nutrição, descanso e atividade, sustentabilidade.

Mas o que mais me impressionou -e me impressionou muito- é que apesar de chamarem-se "Morada da Floresta", eles estavam no centro de São Paulo. A casa -parecida com um prédio de dois andares- em cima era toda verde, e lembrava um oásis no cinza predominante. Parecia que aos poucos tudo ia ficando mais colorido por volta, porque amor contamina.

 *

Às vezes a gente olha em volta e acha que está tudo errado, nada inspira, nada tem jeito e com isso somamos para piorar aquilo que não gostamos. Perdemos grandes oportunidades de melhorar o cenário do qual fazemos parte - e indo embora ou não, continuamos fazendo parte. Olhar com atenção já ILUMINA e ficando claro podemos somar no nosso dia a dia pequenas atitudes que geram grandes mudanças.

 

* Nessa quarta-feira vamos falar sobre educação! Mãe, pai, tia, irmão, profe, dire, tio da cantina, estudante, avós, vizinhos, políticos, PESSOAS. Fazemos o convite para que você nos ajude a Olhar Para a Educação. Queremos discutir maneiras simples de melhorar o quadro e adequá-lo mehor a nossa realidade, por uma humanidade mais fraterna. Na CDL de Balneário Camboriú, às 19h30, nesse dia 2 de dezembro. Todos são muito importantes, a troca enriquece e engrandece! Vem!

 

 

Escrito por Caroline Cezar, 01/12/2015 às 08h14 | carol.jp3@gmail.com

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Precisamos prestar mais atenção às mães do mundo

"Mais de 30 pessoas também ficaram feridas depois que Amer al-Fahr, de 16 anos, detonou cerca de 5kg de explosivos em meio ao movimentado mercado de Carmel.

A organização Frente Popular para Liberação da Palestina assumiu a responsabilidade pelo ataque.

"É imoral mandar alguém tão jovem", disse a mãe do adolescente, Samira Abdullah, de 45 anos.

"Eles deveriam ter mandado um adulto que entende o significado de suas ações."

O garoto, que vivia no campo de refugiados de Askar, é um dos mais jovens homens-bombas palestinos.

Seu pai, Abdel Rahim, de 53 anos, contou que o adolescente o acordou na segunda-feira de manhã pedindo dois shekels (cerca de R$ 1,20) antes de sair.

"Dois shekels, isso é o que meninos pedem. Não é dinheiro para homens", disse Rahim.


Sempre que escuto sobre ataques terroristas, homem bomba, penso nas mães das vítimas. De todas as vítimas: as que foram atacadas e as que atacaram. Se nossos filhos estão no mesmo mundo, no mesmo plano, na mesma época, são todos vítimas do mesmo sistema.

Fica muito fácil lutar pela redução da menoridade penal quando não é o meu filho que vai ser preso. Quando não é meu ou seu filho que foi aliciado e agora precisará conviver com bandidos ainda mais 'encantadores'.

Me pergunto quanta dor e angústia vivencia uma 'mãe de bandido'.

Oremos por estas mães. Que encontrem algum conforto!

Por uma humanidade mais fraterna.
Paz e Bem. 

 

 

 


"Cada jovem convertido em assassino ou em qualquer ameça para a sociedade foi, - há bem pouco tempo- uma criança desesperada por amor.
O que os governos poderiam fazer a nível coletivo? Existem dois níveis de ação. A ação externa e a curto prazo seria aguentar as conseqüências de termos nos intrometido em outros povos a fim de se apropriar de seus recursos , embora muitas vezes justificado por supostas intenções de paz e a ação interna. A mais longo prazo seria apoiar cada mãe e cada família para que elas possam proteger, amar e apoiar cada criança nascida, sabendo que, durante esses anos esta em jogo não somente o bem-estar futuro do indivíduo mas a paz da humanidade inteira.

O Que cada um de nós pode fazer? Amar nossas crianças. É o que cada um de nós adultos temos que aprender se queremos viver em um mundo de paz."

Laura Gutman

Escrito por Ana Paula Góis, 18/11/2015 às 07h22 | conviteecia@hotmail.com

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Yoga como Semente de Paz

Sentados em roda, no chão de uma sala de aula, um grupo de crianças aprende a respirar, relaxar e estar em si, ouvindo sobre não-violência, paz e consciência. De maneira simples e objetiva, como é a conversa com crianças, enumeraram juntos alguns preceitos do yoga, pura filosofia e autoconhecimento. Depois compõem uma mandala de flores e falam sobre a luz interior que todo mundo possui, fazendo a saudação ao sol e poses que lembram nomes de bichos e formas da natureza.

Sementes de Paz - Yoga na Educação, é o nome do trabalho desenvolvido por Emília Plit em Balneário Camboriú. Ela levou a prática milenar para dentro das escolas, como uma atividade extra-curricular, não por isso menos importante. A professora tem a ideia de expandir o projeto em 2016 propondo workshops de meditação para professores, a fim de ensiná-los a usar a ferramenta todos os dias em sala.  


 

Emi, você ensina yoga para crianças. O que você aprende com isso?
R - Principalmente aprendo a me conectar com a minha própria criança interior. Sinto que uma criança é como um papel em branco onde todo mundo vai escrevendo alguma coisa, com o tempo não tem mais espaço para a própria criança escrever o que ela quer, e o Yoga nos ajuda a conseguir ver aquele papel branco novamente e escrever ou desenhar o que sentimos no coração.

Você usa uma linguagem acessível para falar de coisas essenciais, como luz interior, auto-conhecimento, voz do coração - foi difícil adaptar sua fala para conseguir tocar as crianças?
R - Não, para mim falar simples é fácil, ainda mais quando falamos em temas do nosso ser interior, todos somos iguais. Claro que às vezes tem uma questão cultural que nos diferencia e não nos entendemos (pois sou da Argentina), mas conversando a gente sempre se entende, e todas as aulas eles me ensinam alguma brincadeira ou palavra que não conhecia.

Vivemos em uma sociedade extremamente consumista e ocupada. Como você acha que isso se reflete nas crianças?
R - Tem muito o que ser falado sobre este tema, pois tem uma linha que divide o necessário do excessivo que para a sociedade atual é difícil de distinguir. O problema nasce quando acreditamos que as coisas vão nos dar felicidade, elas dão conforto, mas nós podemos ser felizes sem elas. Agora, ser feliz sem contato amoroso acho bem difícil. Tudo o que nós precisamos é amor. Qualquer pessoa (criança e adulto) que viva num lar consumista e ocupado vai se sentir vazia, mesmo tendo tudo o que ela quer materialmente (o que nunca vai ser suficiente). É um ciclo vicioso, que só pode parar trazendo consciência às eleições que fazemos, e tentando de que tudo o que fazemos seja uma expressão de amor.

Que ferramentas você indicaria para os pais e cuidadores utilizarem no dia a dia em busca de maior conexão com os pequenos?
R - Se desconectar para se conectar (rsrs). Sei que não é tarefa fácil. O primeiro passo é, como disse antes, a consciência no que eleger. Desligar os aparelhos que te consomem tempo, para sentir e se conectar com as pessoas que te rodeiam, é uma escolha. Tratar eles com respeito, amor e paciência é fundamental. Depois existem muitas técnicas a serem usadas: Respirar, cantar, rir, pintar mandalas, dançar, passear na natureza, meditar. Dedicar um tempinho, por minimo que seja, todos os dias aos pequenos, pode ajudar em grandes proporções, beneficiando tanto eles quanto nós mesmos.

 


Mais sobre Emi:
O primeiro contato oficial que Emi teve com Yoga foi aos 17 anos, mas quando ainda criança já tinha sido encantada com a prática ao ver a sua mãe praticando com um livro da Indra Devi (grande mestre de Yoga). Formou-se como professora de Yoga na Costa Rica no começo de 2012 e desde então tem se tornado uma incansável pesquisadora do tema e aplica a filosofia à sua vida no dia a dia. Atualmente está executando o Projeto Semente de Paz o qual tem o intuito de facilitar o acesso à prática de Yoga às crianças, levando-a às escolas. Para mais informações o contato é (47) 9722-9589 ou projeto.sementedepaz@gmail.com.

Escrito por Caroline Cezar, 16/11/2015 às 07h45 | carol.jp3@gmail.com

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Nunca ajude uma criança...

"MÃÃEIN, QUERO COLHÊR!"

A tradução para a frase arrastada da bebê de dois anos, que protesta batendo a mão da perna como quem diz "poxa vida", é "MÃE, EU QUERO ESCOLHER".

Ela estava reivindicando a autonomia plena na hora de se servir de um picolé caseiro. Era ela quem queria escolher o que ia comer: a cor do palito, a cor do picolé, e se era o da direita ou da esquerda.

Outra sentença muito utilizada por esse bebê é "NÃO ADJUDA MÃEIN, MADU ADJUDA". Madu é ela mesma, ou seja, ela está pedindo "ME DEIXE FAZER SOZINHA". Quando conclui a tarefa, comemora: "Aaaah, Madu fez". "Aaahh, Madu conseguiu". "Aaaah, Madu já sabe".
Às vezes não consegue e diz: "AGORA SIM" (você pode me ajudar, porque agora sim estou precisando).

 

Maria Montessori orienta: 'NUNCA AJUDE UMA CRIANÇA NUMA TAREFA QUE ELA SE SENTE CAPAZ DE FAZER'.

Veja bem: que ELA se sente capaz de fazer.
Não importa se ela é realmente capaz, se ela concluirá da maneira "certa" ou fará "tudo errado": aqui o que vale é o processo. A tentativa. A coragem. A vontade. A iniciativa. O desenvolvimento de habilidades. A percepção.

De preferência fique invisível e finja que não está vendo. Se for solicitado, esteja pronto, mas limite seus comentários, e não seja tão rápido e categórico nas respostas. Incentive a intuição, adie o que você acha, dê o tempo para a criança pensar e tomar suas conclusões sobre as coisas.

É fácil ver mães e pais de filhos adultos dizendo: "isso você não sabe", "você nunca conseguiria", "você não é capaz", então já imaginou no início da vida? Por isso que vemos crianças de três anos que não sabem levar uma colher à boca, ou vestir um chinelo: a incapacidade não é da criança, é dos pais da criança.

Incapacidade de ter paciência e confiar e principalmente incapacidade de realmente acreditar na capacidade infantil.

Assim como muitos médicos acham que estão salvando uma mulher que sabe parir e um bebê que sabe nascer "ajudando" no nascimento, "acabando com isso logo" intervindo no processo de um jeito ou outro -com bisturis, induções sintéticas, empurrões, puxões- a mãe e pai acham que estão ajudando o filho a caminhar, se vestir, se alimentar, brincar, pensar, concluir.

Nos dois exemplos o que falta é PACIÊNCIA e CONFIANÇA. Paciência pra que tudo aconteça no seu tempo e CONFIANÇA de que tudo acontecerá a seu tempo. Quanto menos interferência melhor. Faça-se esse desafio e passe a observar como você não é tão sagaz quanto a sabedoria da natureza. 

Escrito por Caroline Cezar, 13/11/2015 às 09h59 | carol.jp3@gmail.com

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"Quem Manda Aqui?"

Acabou de ficar pronto "Quem Manda Aqui?", um livro sobre política, realizado por quatro autores jovens, a partir de oficinas com crianças. Todo o processo de realização -desde a ideia à captação de recursos via financiamento coletivo- foi feito de forma democrática e aberta, um "processo de embolo coletivo de ideias", definiu Pedro Markun, que é um dos autores e trabalha no Laboratório Hacker. As oficinas para o segundo livro já estão acontecendo e Pedro conversou com a reportagem sobre esse trabalho de empoderamento infantil e social.

 

"Quem manda aqui" fala da capacidade de, desde muito cedo, avaliar, discernir, se posicionar… Fala da liberdade e autonomia da criança, enquanto ser social e concreto, e não um algo-que-virá-a-ser. O que despertou sua vontade de falar nisso? Filhos? Situação da criança? Situação do país? Nossas escolas?
A necessidade de falar de política com crianças e de encontrar maneiras de fazer isso... vem com certeza do momento que minha filha nasceu. Eu que sempre gostei e trabalhei com isso, me peguei pensando em como é que eu ia contar essas coisas pra ela; e que temos pouquissimo repertório e experiências sobre isso. Mas o livro de fato surgiu da colaboração. A Paula Desgualdo, uma amiga querida, estava um dia em casa e me perguntou se eu nunca tinha tido vontade de escrever um livro... eu disse que sempre, mas que não sabia escrever. E aí naquele momento ela resolveu que ia escrever o livro comigo e ele nasceu... com a colaboração do André Rodrigues e da Lari, dois ilustradores incriveis que abraçaram o projeto com força desde o nascedouro - juntos viramos autores. :)

 

O livro aborda questões de opressão e violência de forma simples e tranquila, com um foco objetivo. Como alcançar tamanho grau de simplicidade? A ajuda das crianças tem que peso nesse sentido?
A gente não sabia direito o que ia ser o livro. Partimos de bem poucas premissas... a maior delas a de que a gente ia ouvir francamente as crianças antes de começar a ter nossas próprias ideias do que é que devia ser o livro. Uma das primeiras decisões que tomamos foi a de tomar muito cuidado para que o livro trouxesse mais perguntas que respostas, para que ele tivesse muito espaço em branco (e pouco texto) pra deixar os pais trabalharem com as crianças os conteúdos do livro. A gente pensou cada página, cada personagem... com um propósito, uma provocação... mas a ideia foi deixar isso mesmo de maneira bem suave para que cada um se apropriasse conforme o seu interesse e olhar.

 

Você concorda que 'Nenhum problema social é tão universal quanto a opressão da criança', como colocou Maria Montessori? 
Acho que não. Tem vários outros problemas bem universais... e que tem várias sociedades que tratam a criança com mais respeito do que a nossa sociedade ocidental cristã (pra ficar no raso)... mas obviamente concordo que é um puta problema social, pelo menos pra gente.

 

Sobre nosso modelo de escolas, o que você pensa?
Acho um problema pior e mais generalizado do que a opressão com as crianças.
Ainda não sei como falar sobre escola com a minha filha. Acho que vou ter que escrever um livro sobre isso qualquer hora...

 

Como acontecem as oficinas? Como é o processo de escolher o que vai ser publicado?
A segunda oficina, Democracia Brincante, já está acontecendo.
Essa coisa de escolher o que vai ser publicado foi uma questão pra gente... logo no início a gente não sabia direito 'como' ia ser o aproveitamento do material no livro final. E no fim a gente decidiu que não precisava usar nada 'diretamente'. Tem coisas, ideias, traços que aparecem no livro. Mas é que a gente vê autoria de um outro jeito né? Então o livro tudo foi uma escolha dos meninos que fizeram oficina e nossa também... não dá muito pra apontar o que é que veio deles, o que veio da Paula, da Lari, do André... eu pelo menos sinto isso e esse sentimento me dá uma certa segurança de que a gente fez um processo legal e aberto.

 

O que teremos daqui pra frente como continuação do projeto?
Ainda é cedo pra martelar qualquer coisa na pedra... e como o processo passa por essa conversa/oficina com as crianças, nunca dá pra gente antecipar tudo. Mas estamos trabalhando com a ideia de um livro que fale sobre democracia e eleições - focado mais nas confusões desse nosso processo louquíssimo que rola de 2 em 2 anos e através do qual a sociedade moderna resolveu se relacionar com a política.


Que dicas práticas você daria para quem lida com crianças no dia a dia, para que sejam mais livres e responsáveis por suas escolhas?
Sejam mais livres e responsáveis por suas escolhas! Mas se quiser algo menos subjetivo... escute a criança como você escutaria aquele professor provocativo da universidade. Aquele que você escuta com bastante atenção, porque sempre acha que ele vai falar algo genial, mas que escuta com atenção redobrada porque ele volta e meia joga com as palavras e com as ideias para te provocar e se você estiver desatento... cai :)

 

Leia o livro (abaixo na versão on line) e saiba mais sobre o projeto aqui:

 

 
Escrito por Caroline Cezar, 05/11/2015 às 08h19 | carol.jp3@gmail.com

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Brincar com menos

Toda criança precisa brincar e cada uma brinca do seu jeito.... umas gostam de correr, outras gostam de jogar bola, algumas preferem jogos de montar e outras preferem jogar tudo no chão! Será?

Vivemos em uma sociedade cheia de 'coisas'. Muita coisa pra todo lado. Coisa de todo tipo. muitos objetos, muitas roupas, muitos brinquedos, muito barulho, muitos eletrônicos, muitos muitos. O brincar da criança prepara ela para a vida adulta. É através do brincar que ela experimenta sensações e situações que vivenciará no mundo adulto, mas em casas e escolas com muito estímulo fica difícil vivenciar um dia leve.

Tente imaginar:
"Você trocou os armários da sua cozinha por dois grandes baús, onde você guarda todos os seus utensílios e alimentos. Um grande baú com utensílios: talheres, copos, xícaras, panelas, panos, potes plásticos, descascadores, vasilhas, toalhas de mesa, etc, e outro com todos os alimentos: secos e molhados, temperos e bebidas. Seu estômago avisa que está na hora de começar a cozinhar e você resolve fazer um macarrão, algo que você considera simples. Você abre o baú e está tudo ali dentro, tudo que você precisa dentro de um enorme baú encostado na parede! Você abre a caixa e começa a procurar uma faca. Tá muito difícil, você não acha, começa a ficar nervosa porque a fome está apertando e resolve virar a caixa no chão da cozinha. Agora sim! Você achou a faca, mas a panela foi soterrada. Aí você espalha bem toda aquela bagunça para poder visualizar melhor e encontra não a sua panela, mas aquela meia que estava perdida fazia uns tempos... resolve tirar ela dali, levar para a lavanderia e quando volta não lembra mais o que estava procurando. Senta, olha mais uns objetos que nem lembrava que tinha e aparece a panela. Mas agora você está no outro lado da cozinha, longe do fogão e da pia... para chegar lá, passa por cima de toda a tralha, alguma coisa se quebra, outra te machuca, mas você está com fome e determinada a fazer seu macarrãozinho. Não desiste. Agora você está na frente da pia, com a faca, a panela e sem o macarrão (mas pra que era a faca mesmo?). Começa a pensar onde estaria o macarrão, e lembra que tem outra caixa, cheia de alimentos e temperos. Então você abre outra caixa, a primeira ainda está espalhada no chão, mas você tem fome e precisa achar o macarrão para continuar o seu almoço. O baú está cheio de coisas, o macarrão não está na sua visão, mas bem em cima está o arroz e você acha mais simples preparar o arroz mesmo... atravessa as tralhas com o arroz na mão e quando chega na pia vê que não separou o lavador de arroz. Vira para aquela pilha enorme de utensílios jogados no meio de sua cozinha e ao longe vê uma televisão ligada na frente de um sofá com um pacote de bolachas ao lado. Seus olhos brilham, sua boca saliva, seu corpo pede pelo descanso no sofá... Agora você está satisfeita, sentada no sofá, comendo bolachas e assistindo seu programa favorito."

Conseguiu imaginar? É isso que acontece com uma criança que tem muitos brinquedos. É muito difícil focar a atenção em alguma coisa quando tem muita coisa junta.

 

A criança deve ter poucos (bem poucos) brinquedos e eles devem ser guardados de forma ordenada para que a criança possa escolher com o que vai brincar sem distrações. Na infância fazemos ligações muito importantes e num ambiente desordenado fica muito difícil estabelecer estas conexões.

Para crianças mais atentas e focadas:
1- Desligue a televisão;
2- Se livre das tralhas e excessos de brinquedos (se você não consegue organizar mentalmente quantos e quais brinquedos seu filho tem, ele tem brinquedos demais, doe!);
3- Separe os brinquedos por tipo;
4- Livre-se da tão famosa CAIXA DE BRINQUEDOS;
5- Opte por brinquedos feitos de materiais orgânicos como madeira, pano e papelão. Brinquedos que precisam de pilha e que produzem sozinhos sons e movimentos não são inofensíveis, roubam a criatividade de seu pequeno, prefira não tê-los;
6- Permita que seu filho seja criança. Crianças brincam com qualquer coisa, utensílios de casa são ótimas opções;
7- Mantenha um ambiente ordenado e prefira cores que remetam lugares calmos e naturais;
8- Observe mais e interfira menos.

Paz e bem!

Por uma humanidade mais fraterna.

Escrito por Ana Paula Góis, 29/10/2015 às 06h24 | conviteecia@hotmail.com

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