Jornal Página 3
Coluna
Mãe na Roda
Por Caroline Cezar

Primeiro em você

Escutei esses dias e fez todo o sentido: "quando disparar o alerta, bota a máscara em você primeiro. Aí, talvez, você possa ajudar o outro".
A regra do oxigênio no avião é clara, mas na vida real, esquecemos de estar em nós e passamos os dias reagindo. Automático.
Tomar oxigênio não é só respirar, e sim respirar, pra acolher. Acolher sem julgar, seja lá que emoção surgir, inclusive as que não deveríamos ter, segundo a cartilha.

O que eu sinto quando meu filho se joga no chão do supermercado?
Não sei! Porque estou muito preocupado com a cara feia da mulher na fila; com o outro debochando, com aquela lá me exigindo uma atitude, com meu marido fingindo que não é com ele, com todo esse meu entorno, com o que eu deveria estar fazendo, com o que eu fiz errado, com as vidas passadas, com a lua em câncer que me deixou abalada.

Ah, é pra entrar na bolha e não dar bola pros outros? Não, eu posso ver tudo isso ao meu redor, mas não posso esquecer que tudo que vejo está partindo do meu ponto de vista. E não preciso ficar atrelada aqui, esse acontecimento é uma graça que recebi e uma porta de entrada pra mim mesma. Olho, reconheço, e então me reconheço.

Corta. Volta pro chão do mercado. Vê tudo. Mergulha na sensação. O que EU sinto realmente? Vergonha? Estou com vergonha. Estou em dúvida. Desespero. Com culpa. Medo. Raiva, muita raiva. Encontra o que é e vai na emoção: estou com raiva, estou com raiva, raiva, raiva… Mas investe na neutralidade absoluta: sem julgar! Ao contrário do que imaginamos a raiva não vai aumentar se eu reconhecer, vai diminuir. Então pronto, sem achar que sim ou que não, sem devia ou não devia, percebo que É ISSO. É raiva. Está tudo bem sentir. Aquilo vira uma distração construtiva, e de repente, do nada, ou do tudo, surge a ação. Uma ação que não parte mais daquela estagnação, e sim de um re conhecimento, um acolhimento, de sentir verdadeiramente que tudo está perfeitamente bem. Minha ação partiu de um novo lugar, onde eu ampliei meu ponto de vista, não é só mais uma reação motivada por um sentimento repetido e recorrente.

É um exercício e um treino e a gente fica melhor no que treina mais. Se treinarmos repetir, ficamos patinando em círculos. E perdendo tempo, achando que estamos na "busca", perguntando pros outros o que a gente faz, o que a gente sente, qual a regra pra crianças que se jogam no chão... Perdemos a escuta e principalmente a auto-escuta. Vamos partir do princípio que cada um é singular? E como eu posso fazer algo pelo outro se nem sei o que sinto? Se no chilique da criança de dois anos, me comporto como se tivesse dois anos, "explicando", tagarelando, sacudindo? Provável que quando a gente tinha aquela idade alguém disse que não é bom ter raiva, que deus tá vendo, que ia apanhar, que assim sou feio e nunca mais vão brincar comigo. Muito difícil que algum adulto tenha botado a máscara e tenha conseguido lidar com as próprias coisas, olhando pra nossa raiva de maneira neutra, talvez perguntando: 'Você está com raiva fulaninho? - Siiiiiiiiim. - Você está com muita raiva? - Siiiiiiim. - Acontece (abraça e abraça e abraçar nunca é demais).

O que torna tudo muito difícil é a resistência, o não deveria sentir isso, não poderia sentir aquilo, isso não devia estar acontecendo, "raiva? eu não estou com raiva!", que vai fermentando esse gatilho automático de forma poderosa. E aí voltamos para aquele lugar de transferir a responsabilidade, de ah, posso até ter ficado com raiva, mas foi porque você fez tal coisa. Como se a raiva brotasse de algum lugar de fora pra me atingir e não de alguma coisa parada dentro de mim. A raiva pode ser esse acionador da nossa estupidez, do nosso automático, mas pode ser um importante tomador de decisões, um motivador voraz, um passo certeiro, porque na base, tudo é energia, quem dá o tom pras coisas somos nós e nossa interpretação. Antes, sempre precisa ir pra esse lugar de acolhimento. Quer que a criança pare de chorar, de berrar, de rolar no chão? Acolhe ela em você, a sua criança. Depois põe a máscara no outro (provável que todo aquele entorno no mercado esteja precisando muito de oxigênio).

Eu acabo sempre olhando pra fora e pensando o que eu devia fazer pra salvar o outro, ou como posso fazer pra ser uma mãe melhor, uma filha melhor, uma mulher melhor, uma neta melhor, uma cidadã melhor, mas só estou fingindo que faço algo, porque desse lugar comum não posso agir, apenas reagir.

Texto publicado na edição impressa do Jornal Página 3, em 09 de julho de 2016

Escrito por Caroline Cezar, 21/07/2016 às 08h09 | carol.jp3@gmail.com

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A competição é o início da guerra

 "As pessoas falam de paz, mas ninguém educa para a paz. As pessoas educam para a competição e a competição é o início da guerra."

Meu filho quebrou o pé bem quebrado, o que lhe impossibilitou de ir à escola. Neste tempo todo que não frequentou o colégio, ficou em casa, deitado com o pé pra cima. Depois de dois meses vendo ele com o pé pra cima, minhas certezas sobre o sistema atual de ensino estar falido, só aumentaram.

Não consigo entender quem conseguiu convencer uma sociedade inteira, que passar 4 horas por dia, sentado atrás de um colega e de costas para outro, sem poder conversar com os que estão do lado, fazendo tudo igual ao que eles fazem, é bom pra alguém.

Quando nos convenceram que alguém pode decidir que horas devemos ir ao banheiro, se temos ou não sede, se podemos falar ou não? E que este tirano ditador, que decide por mim, deve ser chamado de mestre e seguido como exemplo? (que fique claro que amo e respeito os profes... estou falando é do sistema!)

Procuro viver e ensinar meus filhos que só se chega a algum lugar de mãos dadas. Que fila é só pra passar em passagem apertada e mesmo assim de mãos dadas para ter apoio se cair. A escola atual, anda na contramão desta vertente. Lá não se dá as mãos para aprender, para contribuir coma sociedade. Lá se estuda para o vestibular e quanto mais o meu colega estuda, pior pra mim, pois se eu quiser ganhar a vaga que estamos disputando, preciso estudar mais que ele!

Sempre que vejo as imagens de galinhas na granja esperando para serem abatidas não me compadeço das galinhas, me compadeço de nós, seres humanos, que aprendemos desde muito cedo (cada vez mais cedo) que o mundo é competitivo. Que temos que sentar enfileirados e tirar notas cada vez melhores.

Este universo de competições e provações (a escola tradicional) nos permeia durante toda nossa infância e adolescência e por vezes é o único termômetro que os pais têm sobre o desenvolvimento dos filhos. Se vai bem na escola, tá tudo bem, se vai mal na escola, alguma coisa está errada.

Somos na escola, como as galinhas são na granja: preparados para o abate! E, como somos preparados para isso, depois de abatidos (quem sabe pela profissão que dá mais dinheiro) estamos preparados para sermos os abatedores. E então, na qualidade de adultos preparados e abatidos pelo sistema, seguimos abatendo, enfileirando, massacrando e fabricando tudo em série desde galinhas até seres humanos.

Por menos galinhas nas granjas, por uma humanidade mais fraterna!

Escrito por Ana Paula Góis, 18/07/2016 às 07h31 | conviteecia@hotmail.com

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SUFICIENTE

 

"Se você já está tentando construir, todos os dias, em todos os momentos de sua vida, um lar pacífico, se está partindo para uma linha de disciplina positiva, se acredita na elevação da personalidade infantil em um ambiente no qual não sofra nenhum tipo de violência… Se você acredita em tudo isso para a criança, precisa acreditar em tudo isso para o adulto. Se você acredita em uma vida sem violência para o seu filho, precisa acreditar em uma vida sem violência para você. Se você deseja que seu filho ame a si mesmo e consiga lidar com seus erros e se perdoar, você precisa desejar isso para você mesmo. Permitir isso para você mesmo, talvez seja mais adequado.

(...)Vivemos em uma cultura de nunca o suficiente. Tudo o que fazemos é pouco perto do que achamos que deveríamos conseguir fazer. Perto do que somos levados a acreditar que precisamos ser capazes de fazer. Nós não trabalhamos o suficiente, não ganhamos o suficiente, não ficamos tempo suficiente com nossos filhos, não nos alimentamos bem o suficiente, não economizamos o suficiente, não curtimos a vida o suficiente, não nos arriscamos o suficiente, não somos tranquilos o suficiente. A lista é infinita, e nos fere a cada dia. Nos leva o sono das noites e a tranquilidade das manhãs, repõe tudo com stress, ansiedade, medo. A insegurança resultante de não sermos o suficiente nos aterroriza tanto que precisamos vestir uma armadura contra ela. Essa armadura nos protege dos ferimentos. Mas também nos protege do amor. E essa armadura nos protege da compaixão. Vinda dos outros, para os outros, ou de nós para nós mesmos." 

Trecho do excelente texto SUFICIENTE, de Gabriel Salomão, que você lê completo aqui nesse link. Recomendamos muito!

Escrito por Caroline Cezar, 12/07/2016 às 07h22 | carol.jp3@gmail.com

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"Comer é um gesto autônomo"

A frase da mulher ficou rodando na cabeça.
Depois que assimilei, tudo que entendia por "introdução alimentar" caiu por terra. Percebi que não era a protagonista, e aí foi possível deixar fluir.

O saber nos dá a volta, acreditamos que se nos informamos direitinho tudo vai funcionar. A teoria é perfeita, tudo encaixa, é possível planejar os mínimos detalhes e ainda se achar o bom da boca. "Eu sei o que é melhor pra meu filho, eu sei quando ele deve comer, e quando deve começar, e ele vai fazer de tal jeito -complete com alguma sigla da moda-. Isso é fofo, muito americano, mas na prática não funciona.

O saber é importante para dar uma direção, provocar reflexões, mas cada caminho é individual.

Já tinha filho faz tempo. E achava que tinha sido bem livre toda essa construção. Mas sempre temos a desconstruir.

A caçula começou pelas bananas. Na verdade, a casca das bananas. Quando vi, ela estava com uma na mão, roendo de ponta cabeça. Logo pensei: "livre, mas nem tanto, isso pode fazer mal". Esse "livre mas nem tanto" me acompanha e volta e meia aparece.

Resolvi deixar pra ver no que dava. Ela comeu um tanto daquela casca. Fiquei olhando, de longe e consegui ver outra coisa. Parecia que ela ia experimentando com uma sabedoria ancestral, instintiva, meio bicho, muito filhote, e ao mesmo tempo cuidadosa, curiosa, sem nenhuma pressa ou ausência. Ela realmente experimentava com todo corpo, todos os sentidos conectados. Momento presente, momento maravilhoso. Não tive coragem de interromper.

Foram muitas cascas de banana. Sem veneno, banana do quintal, ficava só vendo até onde ia. Percebi que era muito mais fácil para um bebê segurar banana com casca, e assim ia, um pouco de casca, um pouco de fruta. Opa, casca também é fruta! Só essas conclusões rebuscadas, o auge do simples (risos).

Pesquisei receitas com casca de banana. Propriedades da casca da banana. Utilidades da casca da banana. Descobri maravilhas. A partir da iniciativa de um bebê de uns cinco meses que foi deixado livre, mas tanto. Livre tanto, porque livre-nem-tanto é pouco. Somos possibilidades.
Dali pra frente começou a brincadeira.

A partir dela, e de suas iniciativas, eu pesquisava em mim o que tinha de inexplorado, ou o que estava parado numa gaveta. Eu tinha medo. Eu desconfiava da sabedoria dela. Eu achava que estava sendo irresponsável às vezes. Eu sabia pouco sobre bananas. Eu ficava na dúvida. Colecionava condicionamentos, de todas as formas, conteúdos, larguras e profundidades.

Mas na experiência isso rapidamente desaparecia.

Toda vez que ela propunha, a partir da própria ação, algo inesperado, novo, inédito, eu tentava segurar minha reação e observar. Sem cara. Sem boca. Sem julgamento. Sem "aaaah, você está comendo", ou "aaaah, você comeu com casca". Sem "cuidado, você vai morrer engasgada". Confiança plena.

Fazia tanto tempo que eu não era livre tanto. E já ia treinando outra.

Começamos a olhar para a experiência da família à mesa. Quando surgia um impulso de "isso não pode", refletíamos sobre bebê ser gente, ser integrante, e como seria desagradável alguém chegar em casa e receber um "não é pra você". O que não era saudável pra um não era pro outro, como isso podia melhorar? Olhamos para nossas opções e nossa integralidade. Pra como essa prática ia se alargando pra casa da vó, pras tias, pra cesta de Páscoa da bisa que vinha com ovos de codorna. Pra pequenos cotidianos que faziam todo mundo pensar junto, amar junto, olhar para as atitudes individuais e coletivas. Açúcar é pior ou melhor que discussão à mesa? Restrição é mais traumático que bala de goma? Vamos de abundância ou vamos de escassez? Engatinhando íamos encontrando nosso centro, experimentando sensações muito novas.

Mesmo com toda oferta e apetite da família, mesas postas, almoços longos, o bebê só queria experimentar e brincar com a comida. "Mas que coisa, hora de comer não é hora de brincar!" Uai! Por acaso tem hora de brincar? E por acaso, comer exige seriedade? Não podemos estar descontraídos e relaxados? Não pode rir, fazer piada? Mas distrair pra encher a pança, vale?

E a fase durou um ano, leite do peito como base, experimentações de todo tipo com comida. O dia todo. Chão sujo. Brincadeira, investigação, reflexão. Cansaço. Em momentos de crise aparecia o livre-nem-tanto xingando a mãe e dizendo que essa criança vai ficar desnutrida, irresponsável, tá brincando com coisa séria. Mas clareava o dia e vinha a disposição, a alegria de viver, a energia evidente das novidades. Saúde é mais que ausência de doença e sim, dá pra medir gente pelo tanto de alegria. Deixa outros gráficos e pesos e medidas pra lá.

Naturalmente o interesse pelo prato foi aumentando, e nossa segurança em relação a isso ficando mais inteira, e de boa, todo mundo come. Se está doente e precisa ficar três dias sem comer, respeita-se. Se o corpo acha que precisa direcionar essa energia pra outra coisa, assim é. Se está zangado e não tem vontade de abrir a boca, jejua. Comer é um ato voluntário. Comer é prazeroso. Comer é sábio. Comer livre-tanto, agir livre-tanto, é revolucionário, e ser revolucionário não é levantar bandeira, é só o ato de confiar em si mesmo. A verdadeira conexão.


* A mulher autora dessa frase é Fabiolla Duarte, que ministra o Colher de Pau aqui em BC nos dias 1 e 2 de julho, a convite de Amaroelo. As provocações dela foram fundamentais nessa construção de liberdade! É uma alegria que ela esteja aqui. Recomendamos! 

Escrito por Caroline Cezar, 29/06/2016 às 10h05 | carol.jp3@gmail.com

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"Quem pariu Mateus que embale"... Será?

A humanidade caminha junta e evolui junta. Porém para que a vida evolua, para que continuemos crescendo como seres humanos e como animais, é necessário que a espécie evolua. E, para que a espécie evolua, o conhecimento é transferido de geração para geração sem que nós possamos interferir nisso. Quer seja da nossa vontade ou não, cada bebê que nasce já nasce com o conhecimento de uma humanidade inteira e, a partir deste conhecimento adquirido vai desenvolver novos conhecimentos e sendo assim, se tudo correr bem, será mais 'esperto' que seus pais.

Precisamos parar de olhar para nossos filhos como bebês ou crianças ou adolescentes. Precisamos olhar para nossos filhos como a nossa evolução. Como sementes de versões mais evoluídas de nós mesmos. Não estou falando do meu olhar para o meu filho e sim do meu olhar para todos os filhos. Uma vez que somos humanidade, que formamos um grupo, não existe meu filho ou teu filho, existem nossos filhos. A humanidade caminha junto e é obrigação de cada um de nós, pais ou não, olhar para cada criança como uma semente transformadora dotada da melhor seleção genética que a natureza pode fazer.

Assim, confiando na capacidade da raça humana, e nos entendendo e aceitando como um grupo, cuidaremos de cada filho, de cada criança de maneira excepcional. Não é o filho dela que ela carrega nos braços. Não é pelo filho dela que ela trabalha tanto. Não é pelo filho dela que ela parou de trabalhar fora. Não é pro filho dela que ela oferece doces no lugar de histórias. Não é o filho dela que está sendo espancado ou que está espancando, é o nosso filho!

Pequenos gestos como oferecer uma carona para uma mãe que ainda vai longe, respeitar a individualidade de cada criança, contar boas histórias, conversar, dar bons exemplos, oferecer companhia, dar uma ajuda financeira, conhecer uma escola, são gestos que ajudarão a formar uma sociedade mais justa, mais humana e mais amorosa.

Você faz o que pode pelo seu filho? Você se esforça para que não lhe falte nada? Você o protege do frio, do calor e da fome? Faça também pelo filho do vizinho! E se você não tem filhos, faça pelo meu. Cada um de nós, pais, mães, amigos, conhecidos e desconhecidos é responsável por cada criança. Assim como reciclamos nosso lixo, plantamos uma árvore, usamos nossa bicicleta, tudo pelo nosso planeta, cuidemos também das nossas crianças.

Porque não é sobre os meus filhos, é sobre os nossos filhos, os filhos da humanidade!

Por uma humanidade mais fraterna!
Paz e Bem.

Escrito por Ana Paula Góis, 14/06/2016 às 09h27 | conviteecia@hotmail.com

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Humanizar não é pouca coisa e vai muito além da sala de parto!

Para mudar o mundo precisamos:

Empoderarmo-nos de amor ao próximo;
Respeitar os nascimentos;
Mais gestações conscientes e menos por acidente;
Libertarmo-nos do patriarcado;
Mais ocitocina natural;
Conectarmo-nos a nós mesmos;
Compreender que o que realmente necessita um bebê não se compra;
Percebermo-nos mamíferos;
Amar a nós mesmos;
Criar com apego;
Paternar;
Cuidar de nossos filhos;
Restaurar o paradigma original;
Ver em cada criança o mundo inteiro que necessita ser amado;
Re-evolucionar;
Nutrir os lares;
Ressuscitar a mãe que matou o patriarcado;
Libertar os filhos das próprias sombras;
Fortalecer a paz desde o útero;
Informar-se e educar-se para escolher com liberdade;
Por a vida no centro;
Gestar;
Parir!

tradução livre. autor desconhecido.

Escrito por Ana Paula Góis, 06/06/2016 às 10h30 | conviteecia@hotmail.com

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