Jornal Página 3
Coluna
Condomínio Garden City
Por Saint Clair Nickelle

Bastidores: a verdade nua e crua

O ciúme de Caim diante de seu irmão Abel, ambos filhos de Adão e Eva, deu início, segundo a Bíblia, ao comportamento ganancioso do homem sobre seu semelhante, fazendo com que estranhos e inconfessáveis desejos poluíssem a cabeça de monarcas, religiosos, políticos e até pais e mães...

- Caim! Cadê seu irmão?

- Ué! Ele ainda não voltou?

- Se eu tô te perguntando, é claro que não. Vai procurá-lo, antes que a Eva prepare a janta. Depois de algum tempo, Caim voltou esbaforido:

- Paieeeeeeeeê! Paieeeeê!

- Euuuuuu o encontrei…mas parece que ele tá morto! 

- Venha Caim, vamos até lá! Chegando ao local, onde jazia o corpo de Abel,

Caim sugeriu ao pai que ele pudesse ter sido morto por uma cobra, talvez a mesma da maçã...

- Caim, seu desgraçado! Desde quando cobra mata com uma paulada na cabeça?

- Então, foi algum assaltante pai.

- Como, algum assaltante? Se no mundo somos só eu, você e sua mãe, seu assassino idiota!

Mesmo de barriga cheia de pão e vinho, onde participara da última Ceia de Páscoa, Judas Iscariotes arquitetou a traição de Jesus. Ambicioso, tal qual os políticos de hoje, foi até os príncipes dos sacerdotes e informou que aquele era o melhor momento para executar o plano; para tanto receberia trinta moedas, mas não uma mala com R$ 500.000,00, como pedira, pois sua pretensão era muita futurista para a época. Judas recebeu uma escolta, composta por servos do Sinédrio, guardas do templo, capitães da guarda, alguns soldados romanos. Foram, então, até o horto onde Jesus permanecia com os apóstolos, mas como não sabiam quem era, pediram a Judas que o apontasse:

Ora, aquele que eu beijar, esse é Jesus; prendei-o, e levai-o com segurança.

Entre os judeus, o beijo era uma forma costumeira de saudação. Mas Jesus, que era filho de Deus, portanto, onipresente, logo percebeu que era falsa a saudação do seu discípulo...Depois disso, Judas foi visto na Taberna, pagando bebida para todo mundo...

Caio Júlio César, nascido de uma família patrícia de pequena influência, foi galgando seu lugar na vida pública romana, chegando a ditador absoluto, em 49 a.C. Ele iniciou uma série de reformas sociais e políticas, instituindo o “Bolsa família” para os mais pobres, mas continuou a centralizar o poder e a burocracia do partido dominante. Nos bastidores, os partidos oposicionistas só conspiravam, mas até então não haviam encontrado quem o destituísse, tal era seu poder. Foram falar com seu sobrinho-neto, Caio Otaviano Maia, que todos sabiam, ambicionava o lugar do tio. O Caio sugeriu falar com o mais medíocre e ambicioso senador da república, Mário Júnio Bruto, que por qualquer merreca poderia eliminá-lo. Ele topou, desde que suas dívidas de jogo e beberragem fossem perdoadas. E, assim, o poderoso Júlio César foi assassinado por um senador do baixo clero...

Estamos, agora, na França do século XIII, especificamente, no Vale de Loire, onde foram edificados os mais elegantes e suntuosos castelos da nobreza francesa.

Ao ser convidado para visitar o castelo de Chenanceau, o rei soube dos desvios do seu ministro de finanças, para construir tão belíssima obra. O filho do construtor safado foi desapropriado, sendo o Château entregue ao Rei Francisco I, pelos débitos não pagos à Coroa. No julgamento, o Ministro da Justiça, Sergiô Morrott, condenou o acusado, muito embora ele jurasse inocência até sua morte.

Segundo consta, foi morto pela guarda do Palácio, roubando flores, frutas e verduras nos extensos jardins construídos por Diane de Poitiers, amante do monarca Henrique II…Quando Diane, ficou sabendo dos furtos constantes e de quem o estava praticando, ficou enlouquecida, gritando aos quarto ventos, da torre mais alta do castelo:

- Meus jardins sendo conspurcados por aquelas mãos imundas…Oh! Meu Rei! Quero que todos os jardins sejam replantados…

Nos dias atuais, as coisas não são muito diferentes, pois na casa da dinda ou da mãe Joana, tudo pode acontecer por baixo dos panos, até que alguém se sente estuprado naquele bacanal…Ainda com o “forever” doendo, chama a imprensa…que, por sua vez, ajuda a puxar os lençóis, tornando visíveis as grandes safadezas. Mas, a safadeza é tão bem feita, que qualquer advogado de porta-de-cadeia, livra os meliantes do castigo da punição.

Por isso, tem tanto advogado comemorando nos bares da vida:

- Commoo, diziaaa aquele fi..fi.. ló..so..fo  gre…goo: E logo alguém, sem paciência, completa:

- A Justiça é a vingança do homem em sociedade, como a vingança é a justiça do homem em estado selvagem.

- Falooouuu e disseee, coleegagaaa!

Nos confins de uma calábria, confabulavam uma quadrilha de ladrões comuns, desses que superlotam as cadeias:

- Ô mano! Só trinta e cinco pila prá mim, qual é a tua?

- Pô, cara! Tu ficô só na moita, vigiando os home da lei e qué mais?

- Bão, pelo menos pra o leitinho dos de menor lá de casa.

- Não tá satisfeito, vaza, cara!

- Pro marron e prô banguela deu 50, prá cada…

- Prá euzinho, que mando nessa porcaria toda, deu 80 mango!

- Vamô enchê a cara de trago, mano!

Enquanto isso em Brasília, depois de uma votação complicada no Congresso, deputados recebiam o que lhes fora prometido:

- Dois milhões pro deputado aqui, mais três pro deputado ali...

- Pessoal, vamos apurar a distribuição de benesses, tem mais de 200 deputados na fila...

- Será que não vai faltar grana?

- Claro que não! No Brasil só falta grana para a Saúde, Educação e Segurança, prá nós nunca...

…e, como tinha razão o saudoso Barão de Itararé, quando escreveu:

“Não é triste mudar de ideias; triste é não ter ideias para mudar.”

Escrito por Saint Clair Nickelle, 03/08/2017 às 15h35 | sannickelle@gmail.com

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