Jornal Página 3
Coluna
Condomínio Garden City
Por Saint Clair Nickelle

Carne Fraca

Depois que disseram para o Sérgio que viram um homem sair sorrateiro, altas horas, de sua casa, ele ficou muito preocupado com seu casamento...

Ladrão não poderia ser, já que nada desaparecera nos últimos dias. Então, só poderia ser uma coisa: um amante.

Mas, refletindo melhor, nos tais últimos dias, não fizera nenhum plantão, nem chegara tão tarde em casa...pensou...pensou...e resolveu perguntar ao vizinho que vira o tal homem. Bateu na casa do seu Atanagildo, que morava no lado oposto a sua casa, do outro lado da Praça Central. O próprio Atanagildo o atendeu.

- Seu Atanagildo, eu sou o Sérgio e moro no outro lado da Praça. Disseram-me que o foi o Senhor que disse ter visto um homem saindo da minha casa, é verdade?

- Infelizmente, é verdade Sérgio. Naquela noite, eu estava com insônia e fui até a varanda de casa, para tomar um ar. No escuro, eu vislumbrei um vulto saindo pela lateral da tua casa.

- E, para onde ele foi, vizinho?

- Apesar do escuro, eu vi que ele entrou pela lateral da casa ao lado da tua. Mas, eu não posso afirmar quem era...

- É muito estranho vizinho... Falo isso porque, ao lado da minha casa, mora o casal, Paulão e Marialba.

- O Senhor lembra que horas isso ocorreu?

- Lá pelas duas horas da madrugada. Eu só não posso afirmar se era ou não teu vizinho, apenas que era um homem.

O Sérgio agradeceu ao seu Atanagildo e saiu pensativo, imaginando tratar-se de algo escuso, mas o quê?

Chegando em casa, tomou coragem e perguntou para a esposa:

- Querida, eu fiquei sabendo que viram um homem saindo aqui de casa, na madrugada de segunda-feira, lá pelas duas horas...Tu sabes alguma coisa?

- Não sei, meu bem! Mas, desde que nós contratamos a Luciléia, como empregada doméstica, que eu ouço o nosso cachorro latir muito de madrugada. Será que ela tem recebido visita de alguém, sem que a gente saiba?

- É, bem possível, querida! Já que o quarto dela tem acesso pela varanda dos fundos, o que permitiria que ela recebesse alguém sem nossa autorização.

- Vou, então, falar com ela...

- Não! Ela poderá negar! O que nós precisamos fazer é preparar um flagrante.

O Sérgio e a Nataly, embuídos de levar a sério seu plano, nada falaram para a Luciléia, pois como ela estava empregada fazia pouco tempo, poderiam cometer alguma injustiça.

Enfim, a noite chegou. Os donos da casa, que costumavam ver televisão na sala-de-estar, desligaram a tv, apagaram a luz e se dirigiram para o quarto, no segundo andar. Procederam, como todas as noites, usando o banheiro da suíte, fazendo todos os barulhos antes de darem boa noite e apagarem a luz do quarto.

Mas, para que seu plano desse certo, já tinham deixado a porta do quarto aberta e, pé ante pé, desceram a escada e aguardaram na cozinha, que dava para a varanda dos fundos.

Os minutos pareciam se arrastar e nada acontecia...até que a luz do quarto da Luciléia se acendeu. O Sérgio e a Nataly, de cócoras, se aproximaram da janela basculante da cozinha e ficaram imóveis...

Passados alguns minutos, depois que a luz do quarto da Luciléia se acendera, um vulto esguio, caminhando com todo o cuidado, chegou à varanda e se aproximou do quarto, abrindo, em ato contínuo, a porta e fechando-a em seguida.

O Sérgio, então, cochichou para a Nataly:

- Eu vou lá em cima, pegar minha arma e desço para darmos o flagrante.

- Sérgio! E, se o homem estiver armado... não seria melhor chamarmos a polícia?

- Pensando bem, acho que tu tens razão. Fica aqui para que o sujeito não escape, tá bem?

- Sim, podes ir! Liga da sacada do nosso quarto, para não te escutarem!

O Sérgio ligou para a polícia, dizendo que um estranho invadira sua residência e que permanecia no interior da casa. Assim que recebera a confirmação da Polícia Militar, ligou para a Portaria do Garden City, informando que haveria uma ação da polícia, já que um sujeito suspeito invadira sua casa. Pediu, ainda, ao porteiro que solicitasse o máximo de cautela da polícia, porque o invasor poderia suspeitar e com isso invalidar o flagrante.

O Sérgio, depois das providências, voltou em absoluto silencio para junto da Nataly.

- E, aí, nada de novo?

- Até agora, não!

- Ligou pra polícia?

- Sim, inclusive avisei a Portaria de que a polícia fora chamada por nós...

- Querida, continua observando que eu vou esperar a polícia lá na frente, tchau!

Não demorou muito e o carro da Polícia chegou. Eles estacionaram longe da casa do Sérgio para não chamar a atenção. Logo, dois policiais de arma em punho, se aproximaram... O próprio Sérgio, os conduziu pela entrada lateral, mas foram surpreendidos pela vizinha, dona Marialba, que bocejando questionou:

- Meu Deus! O que tá acontecendo?

- Dona Marialba, um sujeito invadiu minha casa e a polícia está aqui para prendê-lo...Por favor, fique calma e não faça barulho. Disse-lhe o Sérgio.

Tão logo os policiais chegaram junto ao quarto da empregada, invadiram-no e deram voz de prisão ao meliante invasor.

Tratava-se do vizinho Paulão, que peladão, fazia sexo com a Luciléia...Foi, então, algemado e conduzido até a viatura. No caminho deu de cara com a esposa, Marialba, que partiu pra cima dele, aos socos e bofetões. Um dos policiais, no entanto, tentando conter a esposa traída, advertiu-lhe que, também a prenderia, se ela não parasse de socar o prisioneiro, mas ela, aos gritos, dizia:

- Esse cretino é meu marido! Eu me julgo no direito de surrá-lo!

Sangrando no rosto, o Paulão foi conduzido, pelado, para a delegacia do Bairro Ipanema, onde a Polícia Civil tomaria as providências.

Na delegacia, a única coisa que o Paulão dizia era:

- A carne é fraca Doutor...Eu não resisti aos encantos da Luciléia...

Escrito por Saint Clair Nickelle, 28/03/2017 às 09h28 | sannickelle@gmail.com

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