Jornal Página 3
Coluna
Condomínio Garden City
Por Saint Clair Nickelle

Natal

Quando o síndico, seu Gumercindo, decidiu que naquele ano se faria uma Festa de Natal na Praça Central do Garden City, muita gente achou desnecessário, pois entendiam que cabia a cada família essa iniciativa.

Apesar dos contrários, muitos se mobilizaram e botaram mãos à obra. O plano previa uma grande árvore, pinheiro naturalmente, que seria iluminado com luminárias coloridas, confeccionadas com garrafas pets. No caramanchão seria montada uma manjedoura, onde os jovens escolhidos fariam a representação de um presépio vivo na véspera de Natal. Das 20h e 30 min às 22h, sob músicas natalinas, os jovens artistas, representando José e Maria, cuidariam do menino Jesus no berço de palha. Depois, receberiam os três Reis Magos que, com suas oferendas de ouro, incenso e mirra adorariam o menino–rei. O público poderia assistir até sentado, já que a Administração do Condomínio providenciaria cadeiras, a serem dispostas em forma de auditório.

Antes de se inaugurar a celebração natalina, houve até um concurso para a escolha dos jovens que representariam Maria e José, Belchior, Baltasar e Gaspar.

Muitos se candidataram, o que exigiu constituição de um júri, de tal sorte que os escolhidos tivessem tempo para que a Diretora Artística, dona Clarice, pudesse ensaiá-los, bem como decorar as falas que seriam ditas na apresentação.

Para a escolha, foram confeccionadas, com antecedência, as roupas dos personagens, que seriam usadas durante a apresentação do Presépio Vivo.

Assim, durante a escolha, cada grupo de cinco jovens usariam as roupas ao estilo dos personagens, para que ninguém se sentisse prejudicado. O júri, composto por três moradores, sob a presidência da dona Clarice, definiu a noite de 17 de dezembro, para a escolha dos cinco jovens.

Na noite aprazada, três grupos de jovens se apresentaram para o júri. Após cada apresentação e respectiva troca de roupas, o júri se reuniu para decidir. A dificuldade encontrada pelo júri decorreu da própria forma como foi organizada a apresentação, pois os candidatos formaram equipes antes de se inscrever. Os jurados, no entanto, não levaram isso em conta, escolhendo a jovem que melhor representaria Maria e, assim por diante, o José e os três reis magos.

Para o papel de Maria foi escolhida a Ritinha que, por ser mãe de um menino, o Jonas, agora com 4 meses, poderia representar o menino Jesus. O Julinho, agora esposo da Ritinha, foi selecionado para o papel de José. A escolha dos jovens para representar os Reis Magos não gerou qualquer problema, tendo que no caso do Baltasar tendo sido selecionado o jovem Mathias, por ser de cor negra.

Claro que a escolha gerou um certo desconforto entre os candidatos, mas nada que invalidasse a seleção dos jovens.

Os jovens escolhidos, então, passaram a receber as orientações da dona Clarice, de tal sorte que na noite de inauguração não houvesse falha.

Os jovens que não foram selecionados, sob a liderança do Vinicius, resolveram que participariam da representação, como uma forma de complementar a cena do Presépio Vivo. Segundo os quais, surpreenderiam o público e a dona Clarice.

Enfim, chegou a véspera do Natal. A Praça Central toda enfeitada e iluminada começou a receber os moradores e convidados para a primeira celebração natalina do Garden City.

Às 20h e 30 min, a Manjedoura estava às escuras e o caminho que levava até ela foi repentinamente iluminado ao longe. Sob a luz, em formato de estrela, um burrico puxado por José, transportava Maria grávida. Conforme se aproximavam da manjedoura a luz, que seguia iluminando o casal, parou na entrada. José, então, ajudou Maria a descer com cuidado e os dois se encaminharam para o seu interior, que estava vazia de pessoas, apenas com alguns animais que dormiam. A luz da Estrela se apagou. Passados alguns minutos, ela voltou a acender e iluminar o interior da Manjedoura. Sob a luz, um berço improvisado acolhia um menino recém nascido...Era Jesus. Maria e José o acalentavam, encantados.

Enquanto o público admirava a cena, em silêncio, viu-se aproximar da Manjedoura três figuras solenes, vestindo roupas coloridas, esvoaçantes e turbantes, típicas dos persas. Nas mãos, traziam presentes para o menino que sonharam representar uma nova era.

Como uma luz divina que iluminava o berço viram a criança de seus sonhos. A alegria tomou conta dos três, que caíram de joelhos e beijaram o chão.

Os Reis Magos ofereceram três presentes ao menino Jesus...O ouro, por representar a realeza, o incenso, usado nos templos, para simbolizar a oração que chega a Deus...E a mirra, resina antisséptica usada nos embalsamentos.

Foi um momento de extrema sensibilidade que, em silêncio, encantou a todos.

Passado aquele momento mágico do nascimento, ouve-se ao longe muita música, são pastores com crianças, que se dirigiam ao local do nascimento. Eram os jovens que haviam participado do concurso, mas não foram selecionados. Vestiam roupas típicas da época e conduziam uma ovelha para bem representar suas atividades.

Como se tivesse sido programado, aproximaram-se da Manjedoura, com seus cânticos e instrumentos musicais improvisados como câmbalos, alaúdes, pífaros, pandeiros e tambores.

Conforme foram chegando perto da Manjedoura, pararam a música e foram se ajoelhando para reverenciar o menino Jesus.

Dona Clarice, que não programara aquela encenação, ficou perplexa pela iniciativa dos jovens e, ao mesmo tempo, encantada com o encaixe perfeito no conjunto da obra.

O público, que até então se mantivera passivo, explodiu em gritos e aplausos... Depois, correu para abraçar os atores e cumprimentar dona Clarice que, mais uma vez, deu show de organização teatral.

Aquele momento em que todos se abraçavam foi, sem dúvida alguma, a melhor confraternização de Natal já feita no Garden City. O seu Gumercindo, que teimou em realizá-la, não pode conter as lágrimas, acabou chorando abraçado aos familiares.

Escrito por Saint Clair Nickelle, 20/12/2016 às 10h33 | sannickelle@gmail.com

publicidade





publicidade

publicidade

publicidade

publicidade

publicidade

Fale Conosco - Anuncie no Página 3 - Normas de Uso
© Desenvolvido por Página 3

Endereço: Rua 2448, 360 - Balneário Camboriú - SC | Telefone: (47) 3367-3333 | Email: jornal@pagina3.com.br