Jornal Página 3
Coluna
Condomínio Garden City
Por Saint Clair Nickelle

Férias

Durante muitos anos, enquanto meus filhos ainda eram pequenos, passávamos férias no Arroio do Sal, à época, distrito de Torres. Lá a felicidade era tipicamente sueca, ou seja o conforto ficara em Porto Alegre e, no improviso, acomodávamos nove adultos e oito crianças numa casinha acanhada, com um único banheiro. Aqui uma pequena explicação se faz necessária, pois foram os radialistas brasileiros, durante a Copa do Mundo de Futebol, em 1958, na Suécia, que constataram que os suecos costumavam passar férias em casas sem conforto algum para que ao voltar para a cidade valorizassem mais o que fora deixado.

A água era extraída de um poço abissínio, constituído por um tubo de extremidade pontiaguda, dotado de perfurações acima desta extremidade e introduzido em camadas de solo de dureza moderada. A água devia ser bombeada no muque e, para beber, devia ser fervida.

Não tínhamos refrigerador e o meu sogro, muito inventivo, utilizava uma gaiola com telinha tipo mosquiteiro para guardar salame, manteiga, aproveitando o frescor da noite.

Do desconforto nunca nos queixávamos, pois a praia de areias brancas e muitos cômoros fazia nossa alegria todos os dias.

A água do mar das praias do sul são sempre geladas e, dizem os mais velhos, faz bem pra saúde.

Para entrar na água era um verdadeiro ritual. Primeiro o choque térmico nos pés, depois molhávamos os pulsos, e as canelas, aí abaixávamos e era a vez do pescoço e do rosto, por fim, aos pulos, adentrávamos ao mar feito golfinhos, pulando para fora e mergulhando. Bom, depois de meia-hora o corpo se acostumava e ficava muito gostoso. O terrível é que quando estávamos no meio do ritual vinha um sacana e jogava água nas nossas costas a qual, aquecida do sol, parecia tortura da Santa Inquisição, onde devíamos confessar fazer bruxaria. Nossa vontade mesmo era afogar nosso algoz

As praias do sul tem outra característica, são muito piscosas, onde abundam peixes de escama como papa-terras e corvinas, peixes de couro como arraias e bagres. Outra abundância que as vezes incomodava nossos banhos eram os siris, dentro d´água e, fora, os moçambiques (pequeno artrópode marinho, bivalve) e mariscos brancos.

O Duda, meu sobrinho, foi o que mais demorou para entrar no mar, pois para entrar na água tinha que passar pelos moçambiques, que se desenterravam naquela parte da areia onde a água se espuma. Mesmo com nosso constante incentivo de “vem Duda, vem, a água está morna”, mesmo assim ele fugia desesperado.

Nem todos os dias o mar estava adequado para o banho e principalmente para as crianças. Muito embora fizesse muito calor em janeiro, quando a bandeira estava vermelha ou preta ninguém se arriscava a enfrentar o mar revolto, só quando estava amarela ou branca, esta última uma raridade.

Vi muitos afogamentos com bandeira vermelha, com a preta só não ocorria porque os banhistas tinham que ficar em cima dos cômoros onde o mar, mesmo violento e lavando toda aextensão de praia, não nos alcançava.

 

 

Perto do meio-dia uma ordem de retirada devia ser obedecida e, mesmo com a choradeira das crianças, rumávamos para casa.

Parecíamos um bando de refugiados carregando cadeiras, esteiras de palha, guarda-sóis, pazinhas, baldinhos e crianças chorando sendo arrastadas.

Ao passar pelos hotéis que ficavam entre o mar e nossa casa, o Torres, o Vargas e o Trieste, nossa fome aumentava com aquele cheiro gostoso de comida caseira, mas não podíamos almoçar lá, era muito caro para nossas parcas economias.

A hora do almoço era uma zorra, primeiro comiam as crianças e depois os adultos, mas o Zé, meu concunhado, sempre achava um jeito de contrariar a regra, permitindo que o Roger ou o Régis sentassem no seu colo enquanto comíamos. Aparentemente nada demais, mas os dois pimpolhos ficavam enchendo o saco quando o Zé lhes permitia alcançar os bolinhos de arroz contados, dois para cada adulto.

Depois do almoço sentávamos na varanda para esperar o vendedor de puxa-puxas e rapadurinhas de leite. Quando ele chegava era um regalo para os adultos e as crianças. Jamais consegui provar, em tempos atuais, gostosuras como aquelas.

Com o passar do tempo, o comércio foi se sofisticando, embalavam em papel celofane, mas o sabor ficou perdido no passado ou talvez nosso paladar tenha ficado mais exigente.

Depois da sobremesa, aos adultos era servido um cafezinho feito pela Zinha, uma preta velha que trabalhava na casa do meu sogro.

Durante a tarde, enquanto as crianças brincavam na frente da casa, nós tirávamos aquela sesta embalados pela bucólica monotonia das praias pequenas.

Ao final da tarde comprávamos dois pães d’água de meio quilo cada um. Ele vinha quentinho e embalado em papel manteiga. Sua casca crocante era disputadíssima. Presenciei algumas brigas das mulheres que disputavam as pontas crocantes daqueles apetitosos pães. Café com leite pão e manteiga antecipavam nossa janta de postas de papa-terras fritos.

Os peixes, já trazíamos eviscerados da praia, bastava temperá-los e passá-los na farinha de mandioca ou trigo. Nossa janta, as vezes, era feita a luz de lampião, não por sofisticação, mas porque às 22h acabava a luz. Nessa época a energia elétrica provinha de um gerador a diesel.

Antes da janta, dávamos banho primeiro nas crianças, depois os adultos que, em fila, discutiam quem estava mais queimado do sol. Lembro-me de queimaduras homéricas que só deixavam a gente dormir passando vinagre para aliviar. Ficávamos com cheiro de carne temperada.

Antes da luz acabar ainda jogávamos um poquerzinho ou pontinho só por brincadeira, mas mesmo assim alguns arranca-rabos eram constantes, quando alguns prometiam nunca mais jogar cartas, mas na noite seguinte começava tudo de novo. Afinal não havia muito o que fazer naquele ermo distante da capital e do Garden City.

Depois que esse tempo nos deixou apenas com as lembranças é que demos o verdadeiro valor, onde a felicidade não estava no meio rústico da casa e da praia, mas em nossas cabeças. Éramos felizes e não sabíamos.

 

Muitos anos depois passei algumas férias em casa, por não haver coincidência entre as férias das crianças e a minha, mas isso já é outra história...

Escrito por Saint Clair Nickelle, 04/07/2016 às 09h57 | sannickelle@gmail.com

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Confraternização

Nos primórdios do Garden City os moradores, que eram poucos, procuravam se reunir ou nas suas casas ou na Praça Central em busca de confraternização e de estabelecer laços de vizinhança.

Esse procedimento foi muito saudável no início onde a euforia encobria as particularidades, mas aos poucos e naturalmente elas apareceram. Num grupo heterogêneo a participação será sempre voluntária, diferentemente da participação na família que é obrigação. Mesmo na família que possui os parentes de sangue e os agregados, as vezes há atritos, imaginem então num grupo cuja unidade é morar no mesmo condomínio. Algumas pessoas tendem a não respeitar limites, principalmente quando a bebida alcoólica rola solta e os freios sociais se afrouxam.

Eu lembro bem do primeiro churrasco promovido pela recém empossada administração do Garden. O local escolhido foi o caramanchão da Praça Central.

Todos os moradores e convidados, em especial os que estavam construindo mas ainda não moravam lá, deveriam trazer carne, bebidas, cadeiras e isopores. A festa de confraternização ficou agendada para o primeiro domingo de maio. O síndico, seu Luiz Paulo, ficou encarregado de improvisar uma churrasqueira com tijolos e montar uma mesa grande, utilizando tábuas e cavaletes de uma obra próxima. O Clóvis, mais conhecido como Coquinho, por sua tradição campesina, afinal era filho de Bagé, foi nomeado churrasqueiro oficial.

No dia aprazado bem cedo o Coquinho, pilchado como manda a tradição, já estava mateando junto com os funcionários do Garden, o Elias e o Galeão, os quais davam os últimos retoques para o caramanchão receber dignamente os convidados. O Coquinho, grande contador de causos, acabou casando com a Soledade, filha do seu Gumercindo, estancieiro de Bagé. Depois de muito rodar mundo a fora, como ele mesmo contava, acabou casando e vindo morar no Garden City, dizendo estar cansado de sua vida mundana.

Depois das 10h o pessoal começou a chegar, trazendo suas carnes, salsichões e é claro, muita cerveja.

O Coquinho esperou todos chegarem para organizar as carnes e o que seria servido de aperitivo, enquanto isso os funcionários do Garden Elias e Galeão, este último que não gostava de ser chamado( vem cá...), preparavam o fogo.

Experiente churrasqueiro, o Coquinho, separou o braseiro para as carnes que precisavam permanecer mais tempo ao fogo das que serviriam de tira-gosto, que devem ficar prontas primeiro.

Com muita música a animação dava gosto de ver e ouvir. As crianças corriam pra lá e pra cá, mas sem qualquer supervisão, já que os responsáveis estavam mais interessados em brindar com geladas espumantes. Aí começou o primeiro atrito quando o Coquinho ralhou com um piá, o Eliseu, que na brincadeira de pega-pega, trombou com a churrasqueira desmanchando parte dela, queimando a carne de alguns espetos que caíram sobre as brasas. A mãe do Eliseu quis tirar satisfação e só não piorou as coisas porque o marido, mesmo um pouco alto, a conteve.

 

 

O Coquinho falou para o Luiz Paulo que só continuaria a assar se as crianças não circulassem perto da churrasqueira. O Luiz Paulo, então, temendo pela perda do churrasqueiro e pelo fracasso iminente da festa, pediu silêncio e falou:

- Senhoras e Senhores, solicito que os pais não permitam que seus filhos corram perto da churrasqueira, porque além do perigo o seu Clóvis não continuará assando se as crianças continuarem a correr em torno dela.

Ouviu-se alguns sussurros de contrariedade, principalmente daquela mãe do piá arteiro. Diante disto o Clóvis, pela evidente desconsideração, pediu a palavra e disse:

- Apesar do meu amigo Luiz Paulo ter me honrado com o convite para organizar o churrasco, eu, diante das evidências de contrariedade de alguns, estou me retirando, quem quiser que assuma o meu lugar... E foi embora com sua tralha.

O clima ficou pesado ,mas o marido da mãe protetora, o Sebastião, acabou assumindo a churrasqueira.

Quando ele começou a servir o tira-gosto, as reclamações aumentaram:

- Meu Deus está cru e sem sal...

- O meu está queimado...

- O meu é puro sal...

O Sebastião, sentindo que a cerveja já o impedia de dar continuidade a qualidade do assado, perguntou ao Galeão se ele, que não bebera, poderia assumir a churrasqueira. O Galeão, na condição de funcionário do Condomínio, por obrigação acabou aceitando, embora soubesse nunca ter feito churrasco.

A festa, ou melhor, a bebedeira continuou movimentando a turma que comentava a rabugice do Coquinho e da sua implicância com as crianças.

Duas horas depois a fome bateu forte nos convidados que sentaram em torno da grande mesa, pedindo que o rango fosse servido.

O Galeão, com a ajuda do Elias, começou a servir levando, espeto por espeto, os assados, mas tão logo a pessoa se servia, vinha acompanhada de reclamação. A primeira a reclamar foi a dona Simone, esposa do José:

- Credo esta carne tá crua e um carvão por fora...

Logo em seguida foi a vez da dona Walquíria, esposa do Sebastião, mãe do Eliseu:

- Eu trouxe picanha e só me serviram costela que, além de dura, é pura pelanca.

- Eu gosto mal passada e esta que em serviram mais parece uma sola de sapato...

O Galeão coitado, com todas aquelas reclamações, estava apavorado. Perguntou ao síndico se ele sabia de alguém que poderia substituí-lo. O Luiz Paulo, naquela altura, já pressentindo o desastre, procurou o seu Agenor, Nonô para os íntimos, e perguntou-lhe:

- Por favor seu Agenor será que o Senhor poderia assumir a churrasqueira e salvar nossa confraternização?

Seu Agenor, que não é bobo, respondeu:

- Olha Luiz Paulo, nesta altura da festa com o álcool no comando das mentes e a carne já praticamente queimada, eu não vou me arriscar a receber desaforos. A única solução é tu assumires ou, na pior hipótese, encerrar a festa.

O Luiz Paulo, dando uma de Pôncio Pilatos, bradou:

- Pessoal, não temos mais churrasqueiro e, se alguém quiser se servir que o faça diretamente na churrasqueira e, além disso, eu estou retirando o meu time.

 

 

Alguns moradores, por aparentarem mais sociabilidade, criticavam os mais contidos, ignorando o respeito a privacidade alheia, mas isso já é outra história... 

Escrito por Saint Clair Nickelle, 23/06/2016 às 11h21 | sannickelle@gmail.com

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Festa Junina

 A primeira Festa Junina do Garden City estava prevista para ser em julho já que não houve consenso durante o mês de junho.

Era sábado e a preparação começou cedo com os funcionários montando a estrutura do fogueirão, enquanto condôminos entusiasmados fixavam as bandeirinhas entre as árvores. Algumas dessas espécies vegetais, como as amoreiras e pereiras, que ficavam mais perto de onde estava sendo montada a fogueira, pareciam temer pela sua integridade, mas nada falaram como é de seu temperamento vegetal.

A única informação oficial alardeada pelo arauto da administração foi:

- TRAGAM ALGO PARA COMER E BEBER.

Lembro-me de uma história que ouvi sobre uma cidade da serra gaúcha que, em priscas eras, resolveu instituir a sua primeira festa do vinho, já que era grande produtora vitivinícola. O Prefeito Municipal convocou todos os produtores e estabeleceu com os mesmos uma cota per capita de vinho. A contribuição destinava-se a encher uma enorme barrica de madeira que seria erguida na praça central da cidade que, no dia aprazado, seria inaugurada e propiciaria uma solene degustação do precioso líquido para todos os visitantes.

Um colono mais sovina pensou em colocar água em vez de vinho imaginando que isso não seria notado, afinal no meio de dezenas de litros sua contribuição passaria despercebida.

No dia da inauguração o Prefeito e as autoridades fizeram discursos solenes, antecipando o gesto simbólico de saborear a primeira taça de vinho da produção local. Ao som do Hino da cidade o Prefeito posicionou sua taça e abriu a torneira da grande pipa que, para sua surpresa, foi enchida de ÁGUA.

Bem essa história, guardadas as devidas proporções, parece ter acontecido aqui no Garden em sua primeira Festa Junina, porque todos os participantes só trouxeram pipoca para comer e quentão para beber. Era pipoca que não acabava mais, mas nenhuma rapadurinha, pinhão, batata doce assada, bolo de amendoim, bombocado, cocada, como é de praxe neste tipo de festa.

Mas enfim, como festa é festa, a criançada se esbaldou comendo pipoca, enquanto os adultos só no quentão, afinal a noite estava fria e era preciso um aquecimento interno.

A fogueira foi acesa sob uma barulheira infernal de fogos de artifício, fazendo com a passarada que dormia sossegada voasse a esmo, totalmente desorientada.

Enquanto as crianças brincavam e comiam pipocas, os adultos bebiam todas.

O seu Pompílio, já alcoolizado, procurou o síndico e balbuciou algo assim traduzido:

- O autoridadeeee...é ververdade que pupular a fogueira di São João dá sortiii?

- Olha seu pompílio se dá sorte ou não, eu não sei, mas no seu caso não aconselho que o faça porque pelo álcool que o Senhor está exalando, pode acontecer de virar uma tocha humana.

- Euu...bêbadoo...mas issooo é uma cacalúnia...

Seu Pompílio saiu cambaleando e caiu pela terceira vez em cima de uma gorda que, enfurecida, lhe deu um solene empurrão fazendo-o se estatelar em cima de uma bacia de pipoca. Foi tanta pipoca sobre o gambá que ele mais parecia o Yeti, homem das neves do Himalaia.

 

Só as crianças se divertiam adequadamente, ora dançando quadrilha ora fazendo carreirinha e os adultos dê-lhe quentão.

Não sei por que mas a combinação de pipoca e quentão não agradou os mais exigentes e entre um e outro a maioria optou mesmo pela cachaça, misturada com vinho suave, canela, cravo e gengibre.

O seu Pompílio , depois de cair pela quarta vez em cima da mesma gorda, foi carregado pela dona Gertrudes, sua terceira esposa, sob protesto, porque afirmava querer pular a fogueira, mas com a ajuda de mais dois vizinhos acabou chegando em casa para curar a ressaca.

Os mais fofoqueiros queriam transformar a festa em reunião do Condomínio, falando mal da administração que não soube organizar a festa. O síndico ao ouvir as acusações partiu para o revide, acusando-os de línguas de trapo que só sabem criticar e não se esforçam para ajudar. Com dedo em riste apontou para a mulher do Sebastião, a Walquíria que era tida como a fofoqueira mor, dizendo-lhe;

- A senhora que se acha A RAINHA DA COCADA PRETA devia era cuidar mais da sua vida, do seu marido traído e de seu filho, arruaceiro e delinquente que incomoda todos os condôminos e o próprio síndico.

O Sebastião que emborcava mais um quentão correu em direção ao síndico para acertar-lhe uma chifrada, mas como estava podre de bêbado, acabou acertando de novo aquela gorda do seu Pompílio. A irmã da gorda, uma gordona de dois metros de altura por dois de largura, partiu prá cima do Sebastião e desferiu-lhe potente gravata que, só não matou o homem porque o Miguel, Promotor de Justiça, determinou o fim da luta declarando-a vencedora. O Sebastião, coitado, acabou estirado embaixo do caramanchão até o outro dia, quando os funcionários do Garden o encontraram mijado e vomitado. Dizem as más línguas que os excrementos não foram produzidos por ele...

Ainda bem que os deixa disso acalmaram os ânimos e a festa pode ser terminada, com todos dando-se as mãos e cantando em volta da fogueira que, a essa altura, só restavam brasas.

Alguns ainda tentaram pular a fogueira e o Valdir, como sempre muito ousado, disse que caminharia sobre as brasas. Foi logo tirando os tênis e sob protesto de sua esposa Celena, acabou correndo e atravessou o braseiro. Sob aplausos de viva o Valdir, nosso verdadeiro herói, ele se contorcia de dores nos pés. Dizem que ele ficou mais de um mês sem poder calçar, muito menos jogar futebol.

Ninguém mais ousou qualquer loucura, muito embora alguns ainda continuassem a chamar o “hugo”, enquanto outros mijavam, regando as pobres árvores envergonhadas. O síndico, então, diante de tanta insensatez declarou encerrada a primeira Festa Junina do Garden City.

 

Nem sempre as relações de vizinhança foram respeitosas como se espera de pessoas que buscam morar em condomínios, mas isso já é outra história...

Escrito por Saint Clair Nickelle, 10/06/2016 às 13h29 | sannickelle@gmail.com

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Arroio do Sal

O Garden City era um paraíso para se morar e curtir a natureza, os esportes coletivos e algumas convivências. Mas, tirar férias no Arroio do Sal, era a melhor coisa do mundo, pelo menos para nossa família.

A viagem era uma verdadeira aventura, saíamos cedinho para não pegar o congestionamento da estrada estadual, via Glorinha, sentindo o cheiro e o gostinho dos sonhos de Santo Antônio. Lá, fazíamos nossa parada obrigatória para tomar café e comer aqueles tradicionais sonhos. Depois seguíamos até Terra de Areia pela BR101. Então, pegávamos uma estrada de chão batido que nos levava até Curumim e depois pelo mar completaríamos o percurso. Para ingressar nas areias do Atlântico, no entanto, deveríamos acertar as esteiras que, posicionadas na parte fofa do areal, não nos permitiam atolar. Não foram poucas as vezes que atolamos aí. Quando isso acontecia, descia todo mundo para diminuir o peso e ajudar a escavar junto as rodas. Nessas horas maldizíamos veranear tão longe, mas bastava desatolar e lá estávamos de novo sorrindo e cantando. Chegando em Figueirinha já avistávamos o Arroio do Sal que, com seus cômoros gigantes, pareciam nos dar boas vindas.

A chegada era uma festa, pois nem sempre éramos os primeiros a chegar. Quase sempre meu sogro e minha sogra vinham antes, com a Zinha e o Renato, seu filho. Depois ficávamos a espera do José e da Simone, com seus filhos Regis, Roger e Flávia, os quais vinham de São Paulo. E, por fim, o Luiz e a Suzete e seus filhos Eduardo, Diego, Rodrigo, Ricardo e Giovana.

Depois de acomodar tanta coisa e tanta gente, podíamos relaxar e gozar as maravilhas do Atlântico sul.

Ir a praia, como era costume, só pela manhã. A tarde era destinada ao descanso e aos jogos de cartas.

Depois do café da manhã, preparado pela Zinha, arrumávamos as crianças e organizávamos todas as tralhas que deveriam ser levadas à praia. Saíamos, quase sempre juntos e, tão logo pisávamos nas areias brancas e escaldantes observávamos qual era a cor da bandeira. Se fosse preta ou vermelha, nossas recomendações eram para que as crianças não entrassem na água. No entanto, se fosse amarela ou branca podiam tomar banho a vontade.

Estendíamos as esteiras de palha, montávamos os guardas sol, as cadeiras de praia e as sacolas com os brinquedos das crianças.
Meu sogro, sempre que ia entrar na água pedia para as filhas cuidarem seus óculos, de lentes multifocais varilux. Mas, naquela manhã, a Simone e a Sandra se distraíram e sentaram em cima do varilux, quebrando-o ao meio.

- Meu Deus! Como vamos contar para o pai, comentaram as duas.

Depois de muito pensar, e como o meu sogro estava voltando do banho de mar , o esperaram calmamente, depois de ter preparado a forma de contar-lhe o desastre. Ele chegou, comentando como a água estava boa, que não dava nem vontade de sair. Sentou na sua cadeira e após alguns minutos deu um grito:

- MEUS ÓCULOS!?

E elas sorrindo, continuaram olhando-o, cada uma com uma metade do varilux no rosto.

- MEU DEUS! O que aconteceu com meus óculos?

- Pai, a gente nem precisa dizer-te que, acidentalmente, quebramos teus óculos, mas felizmente foi só o aro, pois as lentes estão intactas.

Inconformado, meu sogro só se acalmou quando a Simone disse que o José o consertaria, já que ele tinha fama de “Macgyver”, daquela série de televisão americana exibida na década de 1980 a 1990. Aceita a sugestão, eu e o José voltamos para casa só para colar os óculos.

Tão logo chegamos em casa, o José põs-se a preparar araldite e, com minha ajuda para segurar na posição adequada, procedeu ao conserto. Não ficou aquela maravilha óptica, mas poderia ser usado, pelo menos até o fim do veraneio. Antes de entregá-lo ao sogro tivemos o cuidado de colocá-lo sobre o carro do Luiz, que era o último no estacionamento ao lado da casa e estava sob o sol, o que facilitaria a secagem. Depois da operação para salvar os óculos, voltamos para a praia

Mas, naquele dia parecia que nada daria certo. O luiz que não ficara sabendo de nada dos óculos, de repente estava apavorado, tentando acalmar o Duda, seu filho, que fora atacado por uma mãe d’água e estava aos gritos de dor. A mãe d’água ou água viva, muito comum nas nossas praias tem tentáculos providos de células urticantes, capazes de provocar sérias queimaduras em seres humanos.

Como a queimadura pegou toda a perna e parte da coxa do Duda, o Luiz achou prudente levá-lo para o postinho de saúde, voltando para casa.

A Suzete, que não fora a praia naquela manhã, ao ver o Luiz chegar com o Duda aos prantos, teve um ataque histérico. O Luiz apavorado não sabia mais se atendia a esposa ou o filho. Porém, considerando a urgência do filho, pegou seu carro e dirigiu até o Posto de Saúde. Lá, adequadamente atendido, pai e filho voltaram para casa para atender a Suzete.

Nesta altura, todos nós já tínhamos voltado da praia, aguardando o retorno dos dois e acalmando a Suzete, a qual tinha o hábito de fazer cenas teatrais.

Mas, enfim os dois voltaram, e o ferido já estava até sorrindo, para tranquilidade da Suzete e de todos nós.

No entanto, apesar daquele grande susto, quando parecíamos ter saído do pesadelo, tudo começou de novo quando meu sogro perguntou pelos óculos.

- Meu Deus! Exclamou o José. Os óculos estavam em cima do carro do Luiz. Claro que com a pressa os óculos, que também estava ferido, foi até o postinho e, mesmo não sendo atendido, deve ter caído pelo caminho.

Refizemos a pé o trajeto do carro e nada dos óculos. A noite já estava chegando e eu tive a ideia de fazer uns cartazes anunciando a perda dos óculos varilux, bem como da necessidade da sua recuperação, pois pertencia a uma pessoa idosa.

O primeiro lugar que colocamos os cartazes foi no cinema, já que muita gente ali se concentrava a noite.

Com a saída da primeira sessão noturna, lá estávamos nós perto dos cartazes. Felizmente, nossa estratégia deu certo, quando uma senhora nos perguntou se era aquele os óculos que havia achado. Em uníssono, respondemos:

- SIM! SIM! SÃO ESSES OS ÓCULOS DO MEU SOGRO.

- Muito obrigado Senhora. Disse eu, beijando-lhe as mãos.

O dia iniciara mal, mas acabou tudo bem para a felicidade geral da família…

Alguns vizinhos meus desdenhavam dos que gostavam de fazer churrasco de modo particular, como eu. Diziam que o correto era fazer de modo coletivo, envolvendo sempre a vizinhança, mas isso já é outra história...

Escrito por Saint Clair Nickelle, 01/06/2016 às 10h32 | sannickelle@gmail.com

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Passarinhos

 Nossas manhãs no Garden City eram paradisíacas, ora pela cantoria dos pássaros ora pelo perfume das flores que invadiam nossos sentidos se espreguiçando.

Minha casa ficava na esquina do acesso cinco, sobre um terreno que se elevava do chão uns três metros. Esse promontório permitiu que eu a projetasse em três níveis. No nível mais baixo ficava a entrada principal e as salas de estar, a íntima e o lavabo. No segundo nível, saindo para o pátio, a sala de jantar, a copa e a cozinha e no terceiro os dormitórios.

Para permitir a entrada principal no primeiro nível e ao mesmo tempo conservar um cactos mandacaru, que ficava na parte alta do terreno, eu projetei um muro de pedras que separava o caminho de acesso à casa ao local onde aquela magnífica cactácea estava. No térreo desse muro de pedras foi plantada hera (uma planta trepadeira do gênero Hedera), que aos poucos cobriu aquele muro. Como o muro deveria deixar escorrer a água que se acumulasse na calçada junto do cactos, foram deixados alguns vazios entre as pedras onde plantamos rabo-de-gato que, com seu colorido avermelhado enfeitavam a entrada.

No Garden City haviam muitos cambacicas, também conhecidos como sebinho ou papa-banana, pássaro pequeno azul, preto e amarelo. Pois um casal de sebinhos fez ninho num dos rabo-de-gato que eu descobri por acaso. Logo avisei toda a família para que tivessem o maior cuidado com o ninho e os três ovinhos que lá estavam.

Os dias passaram e logo dos ovinhos eclodiram três pequenos sebinhos que eram cuidados pela mãe passarinha e por todos nós. Temíamos que algum gato os pudesse pegar dada a vulnerabilidade do local do ninho.

A noite estava quente e eu fui até a janela para abri-la e respirar o ar da madrugada, quando percebi que a sebinho voava desesperada ao redor do ninho. Logo avistei um gato preto e branco que, de cima do muro, tentava alcançar o ninho. Desci, abri a porta da frente, chegando a tempo de enxotar o algoz preto e branco. Mas, o felino não foi totalmente embora ficou espreitando entre as árvores do pomar. Voltei para a cama, pensando no que poderia fazer para salvar aquela pequena família alada. Aí tive uma ideia que, no primeiro momento, me pareceu brilhante diante da possibilidade e quase certeza de que o gato voltaria: deslocar o ninho para o cactos que, com seus espinhos, não permitiria a aproximação daquele gato asqueroso. Foi o que fiz.

Levantei-me, novamente, desci para a entrada da casa e me pus a retirar o ninho com todo o cuidado. Fui tão cauteloso que a própria passarinha nem saiu do ninho. Voltei para o interior da casa e pela porta da cozinha acessei a zona do cactos. Lá, munido de  uma pequena escada escolhi uma bifurcação espinhenta e, com todo o cuidado, para não me espetar e nem os filhotes, depositei o ninho em segurança. Voltei para a cama e dormi sossegado.

Durante o café da manhã e antes de sair para trabalhar verifiquei se estava tudo bem. Sim, estava tudo como planejara salvar os filhotinhos. Minha satisfação era que nem guri de bombacha nova.

No trabalho contei minha noite heroica, tendo recebido muitos elogios pela minha atitude ecológica. 

 

Voltei para casa tarde, já que lecionava também a noite. Fui logo perguntando pelos passarinhos. Pelas caras percebi que havia algo de errado, então, perguntei:

- E aí pessoal, porque essas caras de tristeza? Foi meu filho Michel quem respondeu:

- Pai por quê o Senhor tinha que interferir na natureza?

- Como assim, meu filho? Eu fiz tudo para salvar os filhotes daquele gato.

- Pois é pai, os filhotes morreram assados.

_Como assim?

- O local que tu colocaste o ninho bateu sol direto toda a tarde e torrou os filhotes, disse-me minha esposa também desolada. 

- Meu Deus! Como que não pensei nisso. Abracei todos e pedi desculpas.

A natureza tem suas peculiaridades, por isso que devemos pensar muito antes de altera-la.

Essa história foi longe e, na Escola em que minha esposa lecionava, uma colega ofereceu-lhe um canário belga, recém emplumado, para compensar a atitude frustrada da família de sebinhos. Deu-lhe, inclusive com a gaiola.

Muito embora, fôssemos contra a engaiolar passarinhos, quando ela chegou com aquela gaiola e o emplumado passarinho amarelo e branco, as crianças ficaram encantadas e pediram para ficar com ele. Não pudemos negar aquele pedido entusiasmado e o adotamos. Deram-lhe o nome de woodstock, o mesmo do passarinho do Charlie Brown e parceiro do cãozinho Snoopy.

Naquela época já veraneávamos em Bombas, Santa Catarina. E, no primeiro verão, lá fomos nós com todas as tralhas e, é claro, com o woodstock.

As crianças se encarregaram de cuidar da gaiola e do canário belga que, a esta altura, já era adulto e lindo.

Num final de tarde, não sei como, o Michel ao limpar a gaiola deixou o woodstock escapar. Foi uma choradeira...Procuramos por tudo, mas nada de encontra-lo. Com o cair da noite suspendemos nossas buscas, prometendo retoma-la pela manhã. Antes porém de irmos dormir eu deixei a portinha da gaiola aberta e coloquei alpiste fresquinho.

Na manhã seguinte, para nossa surpresa, lá estava o woodstock na gaiola fazendo sua refeição. Felizmente, ele voltou por se tratar de pássaro criado em cativeiro.

As vezes vínhamos só nos fins de semana e, nessas ocasiões, decidimos não trazer o woodstock, para não correr o risco de deixa-lo escapar novamente. Deixávamos ele no lavabo, com a gaiola coberta e bastante água e alpiste.

Num desses fins de semana, quando de nossa volta, a primeira coisa que sempre fazíamos era ir saudá-lo e tirar a capa da gaiola. Entramos no lavabo e a gaiola estava no chão, a capa rasgada e só penas amarelas para todos os lados. Um gato entrou pela janela semiaberta e o devorou. Provavelmente aquele preto e branco.

Decidimos nunca mais ter qualquer passarinho.

 

O meu sogro usava óculos varilux e num dia de praia no Arroio do Sal, aconteceu de causarmos a sua perda, mas isso já é outra história...       

Escrito por Saint Clair Nickelle, 24/05/2016 às 15h55 | sannickelle@gmail.com

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Cancelamento da linha telefônica

Naquele ano foi eleito síndico o Administrador de Empresa Reinaldo Soares, morador recente do Garden mas que possuía um currículo de pós-doutorado em Tecnologia da Informação na Harvard University, de Cambridge, Massachutts, Estado Unidos.

Na Assembleia que o elegeu foram tantos os elogios dos seus vizinhos que o outro candidato, Neron Torquato da Silva, desistiu de concorrer minutos antes do Presidente colocar o assunto em votação. Acho que o Neron fez bem, pois poderia sair de lá mais em baixa do que a afastada “Presidenta” Dilma.

Foi o novo síndico que instituiu o Whatsapp como meio de comunicação entre os moradores, criando dois grupos distintos: membros da Diretoria e comunidade em geral. Ficou, também, estabelecido que as comunicações entre os membros da comunidade em geral se restringiriam a assuntos do Condomínio, em especial os que envolvessem segurança, serviços e trânsito.

Antes de instituir o novo modelo de comunicação, o síndico, precisava desativar o telefone fixo da Portaria, o qual, até então, era o único meio da Portaria se comunicar com as casas. Na verdade ele encarregou o síndico anterior que o havia colocado na Portaria, pela familiaridade com que tratara o assunto em sua gestão. O Luiz Paulo aceitou o encargo e pediu 24horas para desativar a linha 32481075.

Lembro-me bem do Luiz Paulo contando o que ele passou para cumprir o encargo;

- Primeiro eu liguei para a OLÁ, operadora do telefone, onde uma voz feminina me atendeu, dizendo:

- Senhor obrigado por ligar para a OLÁ, e é um prazer imenso ouvi-lo, por favor qual o seu problema?:

- Eu quero desativar a linha 32481075...

- Senhor esse problema será resolvido por outro atendente. O Senhor desligue, ligue novamente e peça o ramal 15...Tenha um bom dia.

- Liguei novamente e pedi ramal 15 e mais uma voz feminina me atendeu:

- Senhor obrigado por ligar para a OLÁ, é um prazer imenso ouvi-lo, por favor qual é o seu problema?

- Moça, por favor, eu represento O Condomínio Garden City e preciso desativar o telefone 32481075.

- O assunto é cancelamento da linha Senhor?

- Sim!

- Aguarde um momentinho Senhor.

Duas horas depois, quando o Luiz Paulo não aguentava mais ficar com o fone na orelha, uma voz masculina disse:

- Senhor Luiz Paulo, poderia por gentileza informar o motivo do pedido de cancelamento da linha.

- Acontece que o novo síndico do Garden City delegou-me esse encargo, já que a Assembleia do Condomínio decidiu desativar a linha 32481075 por não ser mais necessária.

- Senhor Luiz Paulo, precisamos receber uma cópia dessa decisão para darmos prosseguimento ao seu pedido.

 

 

- Meus Deus! Até isso é necessário!

- Sim é imprescindível.

- Tudo bem vou providenciar, até breve.

O Luiz Paulo procurou o síndico e a ata da tal assembleia foi concluída para que se pudesse tirar a cópia e envia-la para a OLÁ. Como foi enviada por SEDEX, imaginou-se que em 24 h já tivesse chegado. Levou 12 dias para que eles confirmassem o recebimento. O Luiz Paulo então ligou para saber a resposta:

- Bom dia aqui quem fala é o Luiz Paulo a respeito do cancelamento da linha telefônica 32481075.

- Senhor obrigado por ligar para a OLÁ, um momentinho que estaremos passando para o setor competente. Um hora depois:

- Senhor qual é o seu problema?

- O cancelamento do telefone 32481075.

- A telefonista deve ter direcionado errado, por favor desculpe-me, um momentinho que estarei redirecionando a ligação.

- NÃO! NÃO! NÃO!

- O que o Senhor disse?

- NADA...NADA...NADA!

- Senhor qual é o seu problema?

- O CAN CE LA MEN TO DA LIN HA TELE FÔ NI CA 32 48 10 75...grrrr...grrrr...

- Senhor eu ouvi uma rosnada está tudo bem?

- SIM... ES TÁ TU DO BEM. Já esgotado o Luiz Paulo reuniu mais um pouquinho de paciência e recebeu nova informação:

- Por gentileza, o Senhor fala chinês?

- NÃO, POR QUÊ?

- É que a OLÁ terceirizou o Serviço de Cancelamento com uma empresa chinesa THU SHI FODD, e os atendentes só falam chinês, mas se o Senhor falar fluentemente o inglês podemos dispor de um tradutor.

- O QUÊ? VOCÊS TÃO BRINCANDO COMIGO...GRRRR...GRRRR...COFF...COFF...

- Calma Senhor, por favor você é um cliente importante para a OLÁ, estaremos facilitando a sua conversa com a THU SHI FODD.

Tossindo e espumando incontrolavelmente o Luiz Paulo teve um ataque de nervos, caiu ao chão com uma convulsão típica de um epilético que, se não era, acabou ficando. Acudido pelo síndico que estava acompanhando a ligação o Luiz Paulo foi encaminhado ao Pronto Socorro Cruz Azul e sedado.

Passados alguns dias o Luiz Paulo teve alta, voltou para casa e está bem, quer dizer bem...bem não, pois toda vez que toca um telefone ele entra em surto novamente...coitado.

O síndico, por fim, desistiu de cancelar a linha telefônica que ficou apenas desativada. Como vingança eles não estão pagando a taxa mínima, esperando que a OLÁ venha cobrá-los.

 

Enquanto os cachorros já possuíam regras rígidas para andar pelo Garden City, os gatos, por sua vez, continuavam incontroláveis, mas isso já é outra história...

Escrito por Saint Clair Nickelle, 17/05/2016 às 16h21 | sannickelle@gmail.com

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