Jornal Página 3
Coluna
Condomínio Garden City
Por Saint Clair Nickelle

Outono, estação de mudança

O verão, pouco a pouco, cedia lugar ao outono que, com muita chuva, não conseguia atenuar aquele calor grudento. As plantas com seus verdes sem qualquer sinal de pó, mostravam matizes distintos, desde o verde intenso até o amarelo/avermelhado, sinalizando que as plantas caducas já começam a perder as folhas. Algumas árvores, despudoradas, ficavam completamente nuas... mesmo assim as fofoqueiras de plantão não “pegavam no pé” delas!

Do ponto de vista cultural, o outono é uma estação que inspira beleza, mas também a melancolia, por isso sempre foi considerada tempo de mudança. O outono não é apenas folhas secas no chão...é uma estação em crise existencial. Uma hora está quente, cheia de amor para dar. Outra hora está triste e fria.

O seu Gumercindo, em sua tradicional cadeira preguiçosa, estava na varanda esperando a visita de seu irmão e cunhada que, trariam sua sobrinha Gerusa para prestar concurso público em Porto Alegre. Mas não deixava de admirar a beleza da paisagem outonal do Garden City, tal qual imortalizou o pintor holandês Vincent Van Gogh em sua famosa obra “Paisagem de Outono”, de 1853.

O tilintar do telefone interrompeu seu devaneio, era da Portaria, anunciando a chegada do Izidoro, dona Maria de Lourdes e da filha Gerusa. Vinham de Bagé, onde lá residiam desde sempre. O Izidoro, assim como o Gumercindo, eram pessoas tradicionais da sociedade bageense, mas o irmão, por ter permanecido na lida do campo, tinha evoluído muito pouco em termos de comportamento familiar, não admitindo nem discutir os novos valores, em especial dos jovens.

O filho mais velho, Gabriel, não suportando os ditames do pai, logo que pode, se mandou de Bagé, indo morar no Rio de Janeiro, onde hoje exerce a profissão de modelador de alta costura. Faz muitos anos que não visita o pai, mas morre de saudade da mãe e da irmã!

Depois dos efusivos abraços, todos entraram para se acomodar e saborear a comida da dona Odete, famosa pela qualidade de sua culinária.

Durante o almoço, não faltaram as perguntas sobre os parentes, seus filhos, amigos e, também, quem havia falecido. Falaram, também, das perspectivas de casamento da Gerusa, já com 21 anos de idade. O seu Izidoro pigarreou e disse que a filha não tinha namorado, que ele soubesse, E, mudou o rumo da prosa:

- Ela é muito estudiosa, sabe Gumercindo! E nós esperamos que se saia bem nesse concurso para o Banco do Brasil. Tu bem sabe, como tá difícil pra essa juventude conseguir emprego e, se ela passar, estará feita para o resto da vida. Esse é o nosso sonho, meu e da Maria de Lourdes.

- Concordo contigo, Izidoro! Não tá nada fácil pra ninguém. Eu vejo pelo Clóvis e a Soledade, que mesmo sem filhos, às vezes precisam da nossa ajuda financeira.

- Gumercindo! Eu agradeço a gentileza de hospedar a Gerusa, mas nós vamos voltar amanhã pra Bagé, pois o olho do dono é que engorda o gado!

- Tudo bem, meu irmão! Fica tranquilo, que faremos tudo para que a Gerusa se sinta em casa, e realize o teu sonho de passar no concurso!

À noite, na cama, o casal confabulava sobre a sobrinha e os planos do Izidoro:

- E, aí meu bem! O que tu achou da situação?

- Eu penso que teu irmão é cego, e o pior, quer determinar a vida da filha, como tentou fazer com o Gabriel.

- Acho que tu tem razão! O Gabriel acabou se afastando da família, depois que o pai começou a desconfiar de sua masculinidade e tratar-lhe mal. Agora, tenta fazer o mesmo com a Gerusa...

- E, afinal de contas, não sei ainda se essa guria se identifica como mulher ou como homem..

- É verdade! De feminina ela não tem quase nada.

- E o Gabriel brigou com o pai porque este lhe negou pagar um curso de moda. A irmã, no entanto, poderia até comandar a fazenda da família. É determinada e tem poder de liderança, tal qual o pai.

- Mas como fazer teu irmão enxergar, Gumercindo? Seria ele, capaz de aceitar a diversidade sexual e de gênero dos filhos?

- Tô aqui pensando com meu primeiro botão do pijama, e não faço ideia...

Enfim, o sono chegou e os anfitriões acabaram dormindo.

No outro dia, enquanto preparavam o café, a tia e a sobrinha, conversavam:

- Então, Gerusa! Está decidida a virar funcionária de um grande Banco?

- Olha, tia Odete, vou te falar em segredo...na verdade, é mais um sonho do pai do que meu, mas tu sabe que ele pouco escuta a gente. Eu sonho em viver como o Gabriel, longe das limitações do pai e da mãe e da própria comunidade preconceituosa, onde vivemos. Pode ser, no entanto, que o concurso e um emprego me dê a oportunidade de mudar de vida...

- Fica tranquila, filha, eu sei muito bem como teu pai é dominador e totalmente cego para os anseios de vocês e da própria Maria de Lourdes.

- Que bom tia, que posso me abrir pra ti...

- Claro! Sempre que tu precisar, estarei aqui e serei tua confidente. Não te preocupa, vou manter segredo absoluto, pode confiar querida...

- Obrigada, tia! Quer um cigarro?

- Não! Deixei de fumar há muito tempo.

Os dias se passavam e, a Gerusa seguia prestando as provas do concurso. Cada dia, no entanto, estava mais encafifada... a tia, muito atenciosa, não lhe dava espaço para uma prosa de verdade. Mas a tia, que não é boba, abriu o jogo:

- Querida! Tu gostaria de me falar alguma coisa muito pessoal, que talvez não consiga com tua mãe?

- Sei lá tia!! KKKKK

- Eu, desde sempre, acho... não consigo me comportar como as outras gurias da minha idade...não gosto de maquiagem e nem sinto atração alguma por babaquices femininas. Nem sei por que tô falando disso agora...

- Tudo bem, Gerusa...

- Todos somos especiais, individuais uns dos outros.

- O difícil é ser aceita por teu pai e por tua mãe...

- Sei disso, tia!

- Estou disposta a encarar minha maneira de ser, afinal a vida é minha...não posso viver uma fantasia que os outros querem que eu viva.

- Assim é que se faz a diferença, querida...encare de frente teu modo de ser e procure ser feliz, afinal a questão de gênero é uma construção social e não uma genitália.

- Você é inteligente! Tem tudo para construir um futuro brilhante…

- Obrigado, tia! A Senhora me deu uma baita força…obrigada de coração!

Escrito por Saint Clair Nickelle, 12/04/2017 às 10h36 | sannickelle@gmail.com

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Ironia da curiosidade

Naquela mateada de domingo, o mais esperado era o Sérgio, nosso parceiro de chimarrão, principalmente depois que o Paulão, seu vizinho lindeiro, foi preso por invadir sua casa de madrugada.
Todos estavam curiosos para saber dos pormenores, porque além de reincidente, em se tratando de domésticas, o Paulão e a Marialba, sua esposa, já haviam aprontado um profundo desgosto ao Sérgio e a Nataly, logo que os dois foram residir no Garden City.
Quando o Sérgio chegou, ficamos conversando assuntos diversos, esperando, é claro, que ele tomasse a iniciativa de comentar o ocorrido. Falamos da corrupção em todo o pais, onde a Polícia Federal tem trabalhado como nunca. Agora foram os Conselheiros do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro que, mesmo ganhando salários fantásticos, aceitaram se locupletar com propinas, tudo para fazer “vistas grossas” em contratos que eles tinham obrigação funcional de analisar. Aliás, ao se assistir qualquer jornal televisivo, se chega a triste conclusão de que o Brasil parece não ter mais jeito, ou como escreveu Mário Sérgio Cortella e Clóvis de Barros Filho no livro “Ética e Vergonha na Cara”.
Onde eles dizem:

“Jogar lixo no chão, colar na prova, oferecer dinheiro em troca de algum benefício – todos esses são comportamentos que podem ser facilmente percebidos em nosso dia a dia, quase como se fossem situações corriqueiras e típicas da cultura brasileira. Mas de que maneira isso se reflete na formação de crianças e jovens? A corrupção estaria mais próxima de nossa vida cotidiana do que gostaríamos de supor? ”

- Excelente livro, cujo título diz tudo, meus amigos...

Os olhares, novamente, se voltaram para o Sérgio, mas ele apenas pediu mais um mate. O Clóvis, então, falou, quebrando o silêncio cheio de expectativas:
- Vocês viram a diferença de tratamento da ex-primeira dama do Rio, Adriana Anselmo, que junto com o seu marido ladravaz, Sérgio Cabral, tiraram do Estado, já quase falido, milhões de reais em propinas, apenas porque pode pagar bons advogados, foi beneficiada com prisão domiciliar. Já uma ladrazinha, com três filhos dependentes dela, inclusive um com autismo, condenada a 8 anos de prisão, não pode receber o benefício de prisão domiciliar, porque a Juíza do caso não foi sensível ao pedido da condenada por “merreca”.
- Olha pessoal! São tantos casos, de discriminação entre as pessoas, regidas pela mesma Constituição e pelas mesmas leis, onde os privilégios só se destinam às autoridades corruptas, aos donos do poder econômico e aos poderosos em geral que, só resta acreditar que quem fica preso, são os pobres


Mais uma parada para reflexões, com a cuia girando de mão em mão...e, o Sérgio nada...
_O que vocês acharam da nova seleção brasileira de futebol?
- Bom! Depois que se botou um técnico, tudo começou a mudar...
_Por quê? Antes não tinha técnico?
_Não! Apenas um fantoche indicado pela CBF...
_Agora, não! Temos alguém que entende de futebol, foi técnico de clube e, além disso usa todos os meios tecnológicos para avaliar o desempenho dos jogadores no Brasil e no exterior. Afinal, não se monta uma seleção, quer seja de futebol ou outra modalidade, sem levar em conta a performance do atleta e, o mais importante, sua efetiva contribuição ao projeto do técnico.
Porque seleção não é um amontoado de craques, como fizeram alguns falsos técnicos, mas constituída de jogadores que vão efetivamente cumprir um papel naquele projeto.
_Seria a mesma coisa que o elenco de um filme ou novela?
_Exatamente, seu Gumercindo!
_Imagina o projeto de um filme, onde você escolhe os atores mais famosos. Provavelmente, redundará em fracasso. Cada ator ou atriz desempenha melhor certos papéis e, por isso, são escolhidos. Assim deve ser uma seleção. É o que o Tite, vem fazendo.
_É verdade! E não é de graça que ele classificou o Brasil para a copa da Rússia, com tanta antecedência.

E, a morena continuava circulando de mão em mão, mas o Sérgio continuava calado e pensativo...
_E o nosso síndico, pessoal?
_Até agora não se propôs a fazer nenhuma obra faraônica, o que é muito bom nestes tempos difíceis.
_Pessoal! Vocês viram o que os Procuradores Federais, na Operação Lava Jato, descobriram o quanto o PP se beneficiou com as propinas da Petrobrás?
_Mais de 2 bilhões e 300 milhões...
- Vocês se dão conta do que poderia ter sido feito com essa montanha de dinheiro?
_Meu Deus! Essa gente deveria ser fuzilada pelo dano causado ao país...
_Infelizmente nossas leis ainda os beneficiam e, talvez, nada seja devolvido aos cofres públicos.

E o chimarrão corria solto, mas nada do Sérgio esclarecer os acontecimentos que culminaram com a prisão do Paulão.
_Luiz Paulo, meu grande vizinho e exemplar delegado!
_Ora, exagero teu! Além do mais, já tô aposentado há quase uma década, meu caro vizinho!
_Mas, pela tua larga experiência profissional, qual foi o crime que o Paulão cometeu?
_Violação de domicílio. Art. 150 do Código Penal, ou seja: Entrar ou permanecer, clandestina ou astuciosamente, ou contra a vontade expressa ou tácita de quem de direito em casa alheia ou em suas dependências.
- E, aí Sérgio, o que tu tens a nos dizer?

O Sérgio pigarreou, e estava começando a narrativa, quando ouviu a Nataly chamar-lhe pelo nome:
- Sérgio! Tua mãe no telefone!
- Corre, que é interurbano! 

Escrito por Saint Clair Nickelle, 04/04/2017 às 10h07 | sannickelle@gmail.com

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Carne Fraca

Depois que disseram para o Sérgio que viram um homem sair sorrateiro, altas horas, de sua casa, ele ficou muito preocupado com seu casamento...

Ladrão não poderia ser, já que nada desaparecera nos últimos dias. Então, só poderia ser uma coisa: um amante.

Mas, refletindo melhor, nos tais últimos dias, não fizera nenhum plantão, nem chegara tão tarde em casa...pensou...pensou...e resolveu perguntar ao vizinho que vira o tal homem. Bateu na casa do seu Atanagildo, que morava no lado oposto a sua casa, do outro lado da Praça Central. O próprio Atanagildo o atendeu.

- Seu Atanagildo, eu sou o Sérgio e moro no outro lado da Praça. Disseram-me que o foi o Senhor que disse ter visto um homem saindo da minha casa, é verdade?

- Infelizmente, é verdade Sérgio. Naquela noite, eu estava com insônia e fui até a varanda de casa, para tomar um ar. No escuro, eu vislumbrei um vulto saindo pela lateral da tua casa.

- E, para onde ele foi, vizinho?

- Apesar do escuro, eu vi que ele entrou pela lateral da casa ao lado da tua. Mas, eu não posso afirmar quem era...

- É muito estranho vizinho... Falo isso porque, ao lado da minha casa, mora o casal, Paulão e Marialba.

- O Senhor lembra que horas isso ocorreu?

- Lá pelas duas horas da madrugada. Eu só não posso afirmar se era ou não teu vizinho, apenas que era um homem.

O Sérgio agradeceu ao seu Atanagildo e saiu pensativo, imaginando tratar-se de algo escuso, mas o quê?

Chegando em casa, tomou coragem e perguntou para a esposa:

- Querida, eu fiquei sabendo que viram um homem saindo aqui de casa, na madrugada de segunda-feira, lá pelas duas horas...Tu sabes alguma coisa?

- Não sei, meu bem! Mas, desde que nós contratamos a Luciléia, como empregada doméstica, que eu ouço o nosso cachorro latir muito de madrugada. Será que ela tem recebido visita de alguém, sem que a gente saiba?

- É, bem possível, querida! Já que o quarto dela tem acesso pela varanda dos fundos, o que permitiria que ela recebesse alguém sem nossa autorização.

- Vou, então, falar com ela...

- Não! Ela poderá negar! O que nós precisamos fazer é preparar um flagrante.

O Sérgio e a Nataly, embuídos de levar a sério seu plano, nada falaram para a Luciléia, pois como ela estava empregada fazia pouco tempo, poderiam cometer alguma injustiça.

Enfim, a noite chegou. Os donos da casa, que costumavam ver televisão na sala-de-estar, desligaram a tv, apagaram a luz e se dirigiram para o quarto, no segundo andar. Procederam, como todas as noites, usando o banheiro da suíte, fazendo todos os barulhos antes de darem boa noite e apagarem a luz do quarto.

Mas, para que seu plano desse certo, já tinham deixado a porta do quarto aberta e, pé ante pé, desceram a escada e aguardaram na cozinha, que dava para a varanda dos fundos.

Os minutos pareciam se arrastar e nada acontecia...até que a luz do quarto da Luciléia se acendeu. O Sérgio e a Nataly, de cócoras, se aproximaram da janela basculante da cozinha e ficaram imóveis...

Passados alguns minutos, depois que a luz do quarto da Luciléia se acendera, um vulto esguio, caminhando com todo o cuidado, chegou à varanda e se aproximou do quarto, abrindo, em ato contínuo, a porta e fechando-a em seguida.

O Sérgio, então, cochichou para a Nataly:

- Eu vou lá em cima, pegar minha arma e desço para darmos o flagrante.

- Sérgio! E, se o homem estiver armado... não seria melhor chamarmos a polícia?

- Pensando bem, acho que tu tens razão. Fica aqui para que o sujeito não escape, tá bem?

- Sim, podes ir! Liga da sacada do nosso quarto, para não te escutarem!

O Sérgio ligou para a polícia, dizendo que um estranho invadira sua residência e que permanecia no interior da casa. Assim que recebera a confirmação da Polícia Militar, ligou para a Portaria do Garden City, informando que haveria uma ação da polícia, já que um sujeito suspeito invadira sua casa. Pediu, ainda, ao porteiro que solicitasse o máximo de cautela da polícia, porque o invasor poderia suspeitar e com isso invalidar o flagrante.

O Sérgio, depois das providências, voltou em absoluto silencio para junto da Nataly.

- E, aí, nada de novo?

- Até agora, não!

- Ligou pra polícia?

- Sim, inclusive avisei a Portaria de que a polícia fora chamada por nós...

- Querida, continua observando que eu vou esperar a polícia lá na frente, tchau!

Não demorou muito e o carro da Polícia chegou. Eles estacionaram longe da casa do Sérgio para não chamar a atenção. Logo, dois policiais de arma em punho, se aproximaram... O próprio Sérgio, os conduziu pela entrada lateral, mas foram surpreendidos pela vizinha, dona Marialba, que bocejando questionou:

- Meu Deus! O que tá acontecendo?

- Dona Marialba, um sujeito invadiu minha casa e a polícia está aqui para prendê-lo...Por favor, fique calma e não faça barulho. Disse-lhe o Sérgio.

Tão logo os policiais chegaram junto ao quarto da empregada, invadiram-no e deram voz de prisão ao meliante invasor.

Tratava-se do vizinho Paulão, que peladão, fazia sexo com a Luciléia...Foi, então, algemado e conduzido até a viatura. No caminho deu de cara com a esposa, Marialba, que partiu pra cima dele, aos socos e bofetões. Um dos policiais, no entanto, tentando conter a esposa traída, advertiu-lhe que, também a prenderia, se ela não parasse de socar o prisioneiro, mas ela, aos gritos, dizia:

- Esse cretino é meu marido! Eu me julgo no direito de surrá-lo!

Sangrando no rosto, o Paulão foi conduzido, pelado, para a delegacia do Bairro Ipanema, onde a Polícia Civil tomaria as providências.

Na delegacia, a única coisa que o Paulão dizia era:

- A carne é fraca Doutor...Eu não resisti aos encantos da Luciléia...

Escrito por Saint Clair Nickelle, 28/03/2017 às 09h28 | sannickelle@gmail.com

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Ainda é possível acreditar nas pessoas?

Quando o Clóvis nos convidou para a nossa tradicional mateada de domingo, todos compareceram, inclusive os dois ausentes na do carnaval. Depois dos fraternais abraços, o seu Gumercindo nos questionou:

- Vocês viram na Internet a história contada por Igor Bezerra, aquele que tinha um primo chamado, Tales, lembram? Morou no Garden City há uns dois anos atrás, mais ou menos...

- Sim, o Tales, um pernambucano muito simpático, que morou na casa 10, no segundo acesso, depois se mudou.

- O que tem ele, seu Gumercindo?

- Pois a história que ele conta merece ser lida e comentada, porque prova que ainda existem pessoas capazes de gestos admiráveis. Somos vítimas dos políticos em geral e da corrupção descarada deles com empresários, com isso se perdeu toda confiança na capacidade de ser honesto no nosso país. Como a corrupção institucional tem o dom de permear as atitudes das pessoas, acabamos por descrer no ser humano, como se estivéssemos todos doentes e incuráveis.

O seu Gumercindo leu, então, a carta escrita pelo Igor, publicada no facebook, onde ele relata ter vivido uma história ímpar no carnaval de Petrolina, Pernambuco. Conta que ao retornar ao seu carro, constatou que o vidro dianteiro, do passageiro, estava aberto, e em cima do banco um bilhete, escrito à mão, que dizia:

“Boa noite
pegamos seus pertences
pra ninguém roubar
amanhã liga, que devolveremos.”

Levaram tudo, celular, óculos novo, 2 camisas, comida, documentos do carro, perfume. Indignado com o ocorrido e a safadeza do ladrão em deixar aquele bilhete, foi para casa muito triste. Chegando em casa, percebeu que seus pais estavam acordados, pois haviam ligado para ele e quem atendeu foi um cara estranho. Ele, então, se identificou, disse morar em Juazeiro e que estivera no carnaval em Petrolina, com a namorada e sua mãe. E, aí repetiu a história do vidro aberto...Ele marcou um encontro com o Igor na igreja católica do centro de Juazeiro. Desconfiado, por imaginar tratar-se de um golpe, convidou dois amigos para o acompanharem. Lá chegando, esperou junto ao carro para que o estranho o encontrasse. Minutos depois um rapaz com a namorada e a mãe chegaram, viram o carro e se aproximaram do Igor, devolvendo-lhe todas as suas coisas. Ainda admirado daquele gesto, o Igor ofereceu-lhe uma recompensa que foi recusada. A mãe do rapaz ainda lhe disse: “vá e faça isso por outra pessoa”

- Que história linda, seu Gumercindo!

- Diante da realidade que vivemos, parece história da carochinha.

- É, pra já, Luiz Paulo.

E, a morena continuou passando de mão em mão, enquanto o silêncio dizia tudo, tal qual a composição de Simon e Garfunkel: the sound of silence.

- Vocês viram aquele clube sueco, o IF Elfsborg, que decidiu que só vai contratar jogadores que não simulem faltas, jogadas desleais, tudo em nome da ética desportiva.

- É, eu também vi na televisão essa reportagem...

- Mas, no Brasil, onde o Congresso Nacional quer institucionalizar a corrupção, jamais veremos isso acontecer...

- A não ser que consigamos expulsar da vida pública esses bandidos que tomaram de assalto o Brasil...

- Eu espero, sinceramente, que os Procuradores Federais, que hoje constituem a operação Lava Jato, consigam botar na cadeia esse bando de safados...

- Não vai ser fácil, com tanta grana rolando de forma escusa, eles contratam as melhores bancas de advogados...

- Infelizmente, é verdade...

- Mais um mate Clóvis!

- É pra já, Sérgio!

- Mas, seu Gumercindo, o que o senhor achou da atitude da dona Gertrudes?

- Olha San, não me surpreendeu, pois essa é a atitude da maioria das pessoas...há uma espécie de insensibilidade em relação aos problemas do próximo...As pessoas, hoje, estão mais egoístas e egocêntricas...pouco se lixando para as necessidades dos outros. Na verdade, nós só nos sensibilizamos com as desgraças que ocorrem longe de nós, onde nosso lamento não se traduz em ação concreta. Isso, enfim, alivia nossa culpa.

- Tens razão amigo, a mídia também tem ajudado a banalizar a desgraça, fazendo com que assistamos passivos...

- Mas, seu Gumercindo, quando o senhor decidiu acolher o mendigo, teve essa atitude, convicto de que ele era merecedor?

- Não! Resolvi ajudar o homem, apenas por ser mendigo...um homem necessitado que não estava ameaçando ninguém, mas que havia entrado, sem permissão, num território minado pelo medo. Aqui, como em qualquer condomínio, morre-se de medo dos pobres, dos pedintes, enfim, dos desvalidos que a sorte esqueceu.

- O Clóvis nos disse que o senhor justificou sua atitude, com uma frase:

“...Fiz, porque odeio a pobreza, não o pobre... ”

- Sempre me preocupei em não cair nas armadilhas da vida, em especial as que tratam da discriminação entre as pessoas que tem e as que não tem posses, como se isso decidisse o seu único mérito... Eu gosto muito dos livros do Augusto Cury, eles me fazem refletir sobre essas questões, como o Vendedor de Sonhos...Trata a história de um homem conhecido por “vender sonhos”, onde Cury nos faz refletir sobre a importância que as pessoas dão para os bens materiais, enquanto ignoram totalmente os verdadeiros valores da vida: a alegria, a honestidade, o amor e a paz.

Na verdade, eu tenho pena de pessoas que agem como a dona Gertrudes, pois quem se propõe a fazer o bem, também o faz para si mesmo. É, esse sentir-se em paz e feliz, que agora me diferencia da minha vizinha.

E assim, aquela mateada encerrou o dia, deixando-nos pensativos sobre o significado da vida, das nossas atitudes e da coragem para mudar o mundo.

Escrito por Saint Clair Nickelle, 21/03/2017 às 10h06 | sannickelle@gmail.com

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Discriminação

Naquela manhã de final de inverno, onde nas frutíferas o sol atravessava discretamente as folhas e o perfume das flores das laranjeiras e das bergamoteiras se propagava pelo ar, algo inusitado ocorreu no Condomínio, tendo circulado entre os moradores, como uma tentativa de assalto.

Não se sabe como, mas um mendigo acabou entrando no Garden City, a despeito de todo o aparato de segurança. Como todo mundo sabe, nenhum condomínio permite a entrada de mendigos, pregadores religiosos, vendedores ambulantes, etc. tudo em nome da SEGURANÇA, sinal dos tempos, onde os que tem patrimônio temem perder qualquer coisa.

Mas, enfim, o tal mendigo passou pela Praça da frente e logo foi avistado por uma moradora, dona Gertrudes, que cedo cuidava de seu jardim. Ela horrorizada disse aos gritos:

- Vou chamar a segurança, seu invasor!

O mendigo ficou tão assustado que não conseguia se mexer...Esta cena, no entanto, foi observada por um morador que fazia sua caminhada matinal, que resolveu interferir, dizendo:

- Vizinha, não precisa chamar a segurança, eu conheço este senhor. Na verdade ele veio me visitar. A sua aparência de mendigo é porque ele é uma pessoa doente, pode ficar tranquila.

O morador, então, diante da perplexidade da vizinha e do próprio mendigo, passou-lhe a mão no ombro e o conduziu até sua casa.

Lá chegando, ofereceu o banheiro de serviço e, entregando-lhe uma toalha e chinelos, pediu-lhe que tomasse um banho, enquanto providenciava roupas limpas para que se vestisse.

O mendigo, sem dizer palavra, só obedecia. Até então, não entendia patavina, mas seguiu fazendo tudo que o morador lhe pedia.

Depois do banho demorado, o morador alcançou-lhe roupas limpas, ensacando as surradas e mulambentas que ele usava. Ao sair do banheiro, o mendigo parecia outra pessoa. Cheirava bem e as roupas e a barba feita lhe deram um estilo decente de pessoa comum. O morador o elogiou, dizendo-lhe:

- Meu nome é Gumercindo e o seu qual é?

- Eu até já esqueci, pois todos me chamam de mendigo ou bebum e até de ladrão. Mas, eu não sou ladrão, não, senhor! De mendigo e bebum eu não reclamo, porque sou mesmo.

- Tudo bem!, Eu vou tomar café, você gostaria de me acompanhar?

- Gostaria...

O seu Gumercindo, então, convidou-o a entrar na cozinha e serviu o café com manteiga, geleia e pão quentinho. O mendigo, bem desajeitado, comeu como se nunca tivesse comido na vida. Pediu para repetir e foi atendido.

- Como você chegou nesta situação, amigo?

- Quando eu era moço, eu tinha emprego, uma família e morava numa casa alugada, mas a sorte não me ajudou. Perdi a família num incêndio que me deixou louco. Fui internado num manicômio, perdi o emprego e lá passei muitos anos. Depois consegui fugir e fui morar na rua.

Estou morando na rua faz vinte anos. Antigamente, era mais fácil ganhar comida nas casas, mas agora que não se pode entrar nos prédios, só com autorização, ficou muito difícil. O que nos salva, a mim e tantos outros moradores de rua, é a bondade de algumas pessoas. Ando maltrapilho e fedido, pois não tenho onde tomar banho ou lavar a roupa. Eu sei que causo nojo, mas o que fazer? Eu estudei até o segundo grau, mas com a internação no hospício as minhas chances de conseguir emprego desapareceram.

- E, no inverno, como você consegue se agasalhar? O que nos salva é o aconchego dos amigos de rua, os quais se amontoam para não congelar e, é claro, uma cachacinha.

Enquanto o seu Gumercindo tratava com toda humanidade aquele estranho sem nome, na Portaria do Condomínio um pequeno tumulto agitava a vida dos que passavam. Sob o comando da dona Gertrudes, o próprio síndico, o porteiro e o responsável pela segurança, queriam saber onde se escondera o mendigo, nesta altura chamado de ladrão perigoso.

O síndico telefonou para a casa do Clóvis, genro do seu Gumercindo, alertando-o de que o ladrão pudesse estar na casa do seu sogro, conforme relatara a dona Gertrudes.

O Clóvis, então, muito preocupado depois da tentativa de sequestro do sogro, pegou o carro, uma espingarda de caça e foi até a casa do Gumercindo.

Tão logo chegou, de arma em punho, cumprimentou o estranho bem vestido e abraçou o sogro, dizendo-lhe:

- Que bom que o Senhor está bem, pois lá na Portaria há um pequeno tumulto incitado pela dona Gertrudes.

- Tumulto, Clóvis, mas por quê?

- Dizem que um ladrão passou pela Portaria, sem ser visto...

O seu Gumercindo, então, pediu ao genro que sentasse e, em poucas palavras narrou o que acontecera. O Clóvis, que conhecia bem a bondade do sogro, logo entendeu que o estranho era o tal mendigo. Inteirado, perguntou ao sogro:

- Por qual razão fez isso, meu sogro?

- Por que odeio a pobreza, não o pobre.

- Como vamos tirá-lo daqui sem causar-lhe constrangimento ou até prisão?

Seu Gumercindo pensou e sugeriu:

- Como tu estás de carro aqui, pega o meu amigo e leva para fora do Condomínio. Se, te perguntarem se falaste comigo, diz que sim. E, se quiserem saber quem é o estranho, diz que é um amigo meu...

Seguindo a orientação do sogro, lá se foi o Clóvis, enfrentar o tumulto na Portaria. Tão logo parou o carro, o síndico veio falar-lhe:

- Bom dia Clóvis e bom dia senhor. Como tu deves estar sabendo, a dona Gertrudes avistou um ladrão dentro do Condomínio e, ela afirma que o teu sogro conversou com ele e depois se dirigiram para a Praça central.

- Olha, eu acabei de passar na casa do meu sogro e está tudo bem.

- É, mas a dona Gertrudes disse que o teu sogro protegeu o ladrão.

- Eu tenho certeza que se ele tivesse feito isso, me contaria, portanto acho que tem gente neste Condomínio vendo fantasmas!

O síndico, diante da declaração firme do Clóvis, voltou a cumprimentar o passageiro e se despediu, pedindo desculpas pelo incômodo. Dizem que a dona Gertrudes teve um ataque de fúria, depois que o síndico pôs em dúvida sua denúncia.

"No caso de homens como eu, cumpre medí-los não pelos raros momentos de grandeza em sua vida, e sim pela quantidade de poeira que juntam nos pés no decurso da viagem da vida.Mohandas Karamchand Gandhi, 1869-1948."

Escrito por Saint Clair Nickelle, 14/03/2017 às 10h16 | sannickelle@gmail.com

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O cruzeiro dos pecados capitais

Quando a nossa nova vizinha, Suzana, que trabalha na TURISMUNDO, ofereceu uma vantagem imperdível, se conseguíssemos formar um grupo de 30 pessoas para um Cruzeiro pelo navio Costa Fascinosa, foi como mosca no mel. Em um único dia, já estava formado o grupo.

A viagem sairia de Santos/SP, dia 24 de fevereiro de 2017, fazendo o trecho sul, até Buenos Aires e, na volta, com parada em Montevideo.

Fretamos um ônibus da empresa Turissul e, dia 23 de fevereiro, um alegríssimo grupo de vizinhos partiu para aquela primeira aventura marítima num Cruzeiro de luxo.

A ansiedade era total, pois muitos não tinham a menor ideia de como seria viajar num transatlântico, com cerca de 3.500 hóspedes e uma tripulação de 1.500.

Chegamos em Santos, dia 24, lá pelas 8h de uma manhã ensolarada, onde milhares de pessoas desembarcavam do magnífico Costa Fascinosa, o qual nos receberia a partir do meio-dia.

Diante do maravilhoso navio, nossa expectativa fez desaparecer o cansaço da viagem de ônibus. Com nossas malas, devidamente etiquetadas, só nos restava preencher os formulários de embarque, despachar as malas e aguardar o desembarque dos passageiros que fizeram a costa brasileira.

Enfim, chegou a hora do embarque. Agora, já sem as malas, quem estava devidamente etiquetado, éramos nós que, em fila e boca nas orelhas, seguíamos a multidão em direção ao interior do Fascinosa. Passando por um controle rigoroso, em especial nossas bagagens de mão, fomos nos dirigindo a ponte 2, onde nossas cabines nos aguardavam. Nem todos ficaram no mesmo corredor. Alguns nas cabines ímpares e outros nas pares. Felizmente, nossa patota da mateada, ficou no mesmo corredor, o que facilitaria nossa comunicação. Depois de acomodarmos nossas bagagens de mão e guardar os pilas no cofre da cabine, saímos para almoçar na ponte 9. Como o navio possui 11 pisos, procuramos nos informar sobre os elevadores. A Camareira, nos disse para procurar a placa escrita “exit” e encontrar o hall de elevadores. Daí, subimos e fomos procurar o rango. Lá, milhares de famintos, circulavam como moscas tontas. Alguns mais afoitos, já com pratos cheios, procuravam mesas vazias. Nós, bons observadores, resolvemos procurar primeiro uma mesa que acomodasse nosso grupo de 6 pessoas.. Só, então, fomos fazer os pratos, deixando alguém para garantir a privacidade da mesa escolhida. Eu e o seu Gumercindo ficamos na mesa, observando aquele formigueiro, de famintos. Alguns, muito exagerados, enchiam tanto os pratos, como se o ato de se servir fosse uma única vez. Teve um vivente que encheu tanto o prato que parte da salada caiu, isso fez uma senhora escorregar e se estatelar ao chão. Eu e o Gumercindo corremos para auxiliá-la, levantando-a do chão. Enquanto praticávamos esse gesto de solidariedade, o causador da tragédia e sua família de esfomeados ocupou nossa mesa. Pensei em brigar pelo nosso direito adquirido, mas o seu Gumercindo, com aquela fleuma de homem do campo, me segurou, dizendo:

- Deixa pra lá amigo! A gula é um desejo insaciável, e você não vai cometer o descontrole da ira... Vamos encontrar nossos parceiros e dizer que estamos procurando nova mesa.

Nosso primeiro almoço foi frugal. Primeiro a salada, depois um assado de chuleta de porco e, por fim, sobremesa de diversos sabores.

A tarde, logo após o almoço e antes de zarparmos, todos os passageiros deveriam vestir os salva-vidas, que estavam nas cabines, e se dirigir para o deck dos escaleres onde, após um sinal sonoro, todos deveriam aprender a fechar o salva-vidas ao corpo, bem como familiarizar-se com o apito de comunicação e o tipo de roupa a ser usada, caso houvesse necessidade de evacuação do navio.

Passado o treinamento, o qual deixou alguns companheiros do Garden um pouco apreensivos, já que veio à nossa cabeça o ocorrido com o Titanic.

O Titanic, foi pensado para ser o navio mais luxuoso e mais seguro de sua época, gerando lendas que era supostamente “inafundável”.

Nossa cena (jantar) foi programado para ocorrer no deck 3, no Ristorante Otto e Mezzo. Como nos programamos para o primeiro turno, às 19h e 30min, nosso grupo lá estava devidamente bem vestidos, pois no jantar não haveria aquela corrida maluca por comida dos gulosos. Nem bem tínhamos sentado e colocado o guardanapo ao colo, chegou a Walquíria apavorada, chorando copiosamente:

- Eu não acho o Sebastião...Depois do treinamento ele sumiu, já pedi ajuda ao comandante, mas até agora nada.

Sensibilizados com a choradeira da Walquíria prometemos, após o jantar, ajudá-la a procurar seu marido muito embora soubéssemos da arrogância do Sebastião.

Nossa primeira cena foi deliciosa e servida com todo o requinte: antipasti, primo piato e secondo piato, e por fim a sobremesa.

Para acompanhar o jantar, pedimos vinho italiano, pois só tinha dessa nacionalidade.

Terminado o jantar, nos dirigimos para o Teatro Bel Ami, onde assistiríamos o ESPETÁCULO SEASONS OF LOVE, Show acrobático com Gloria e Romain, by Adagio Productions.

Apesar do controle, nosso desejo à luxúria começou a se manifestar...

- E, agora pessoal, o que vamos fazer? Perguntou o Clóvis.

- Que tal encararmos o Piano Bar Blue Velvet, na ponte 5 Aída, onde Dario e Roberto tocam músicas suaves e de bom gosto?

Todos concordaram e, lá fomos nós...

No caminho encontramos a Walquíria, que continuava procurando pelo Sebastião.

- Nós vamos para a ponte 5, ouvir música, mas te prometemos ficar de olho atento. Se, o encontrares, por favor nos comunica.

Depois de um dia puxado pela viagem de ônibus, pela experiência do primeiro dia no Costa Fascinosa, bateu o sono e o cansaço. Lá pela meia-noite fomos dormir, ainda comentando o desaparecimento do Sebastião.

Depois de dois dias de cruzeiro, o Sebastião foi encontrado pelos oficiais do navio. Perguntado o que tinha ocorrido, ele respondeu:

- Eu me perdi... esqueci se a minha cabine era do lado ímpar ou par. Depois eu comecei a procurar pelos meus amigos, mas foi em vão. Fui para a ponte nove e bebi todas no bar da piscina. Acabei dormindo dentro de um escaler. No outro dia foi a mesma coisa e voltei a dormir num escaler. Felizmente vocês me acharam...

O comandante italiano, fez questão de dar-lhe uma solene mijada em público:

- Sei un irresponsabile, quasi ucciso sua moglie spaventato. Gli ho dovuto cacciare dalla nave, ma ti darò un'altra possibilità.

Escrito por Saint Clair Nickelle, 07/03/2017 às 16h15 | sannickelle@gmail.com

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