Jornal Página 3
Coluna
Condomínio Garden City
Por Saint Clair Nickelle

Em busca do paraíso

Corria o ano de 2023 e eu, sentado na minha varanda junto à Praça Central do Garden City, aguardava a chegada do meu irmão Izidoro e da minha cunhada Maria de Lourdes, que foram passar a virada de ano no litoral norte de Santa Catarina.

O meu irmão, estancieiro de Bagé, estava fazendo essa viagem pela primeira vez, porque nunca se dera o deleite de sair de casa e conhecer outras plagas, mas acabou sendo convencido pelos filhos...e até por nós.

Seria um ano atípico, começando pelas eleições presidenciais que, para incredulidade dos investidores e euforia dos ultradireitistas, o Bolsonaro havia emplacado. O Lula e o Palocci continuavam presos, mas em celas separadas, porque já tinham tentado se matar.

Minha paisagem, no entanto, era idílica, deixando em segundo plano as notícias sobre a roubalheira dos políticos, pois as quaresmeiras derramavam flores deslumbrantes para este par de olhos românticos. Chamei minha prenda para, ao meu lado, desfrutar de tanta beleza. Ela veio com aquele chimarrão quentinho, sentou-se e me pegou na mão, dizendo:

- Sinto-me tão feliz por estar ao teu lado e me encantar com a singeleza da natureza...

Concordei, sem nada dizer, mas não pude evitar lágrimas de felicidade...

- Eles estão demorando, será que aconteceu alguma coisa, querido?

- Não! É o trânsito infernal nessa época do ano...logo, logo estarão aqui.

Passaram-se mais alguns minutos e o telefone da Portaria anunciou a chegada do casal visitante.

Depois dos cumprimentos e das acomodações, sentaram para conversar, já que o Gumercindo e a Odete estavam curiosos para saber dessa primeira viagem.

- E, aí! Maria de Lourdes! Aproveitaram bastante?

- Olha, queridos, eu, sinceramente, imaginava outra coisa, mas o Izidoro ficou bem mais frustrado;

- Ué! Mas por quê?

- É muita gente...Nós não estamos acostumados em disputar lugar, ser mal atendidos, pagar verdadeiros absurdos para comer, alugar cadeira e guardassol. Enfim, coisas que os nossos olhos e ouvidos custam a se adaptar. O Izidoro, vocês sabem, gosta daquela nostalgia batendo nas folhas das árvores do campo; de ouvir o canto dos pássaros; do coaxar das rãs quando chove e até o canto do grilo, ao anoitecer. Lá, onde estávamos, a única coisa que se vê, é gente amontoada, quase brigando por um espacinho na praia.

- E, tu Izidoro, não gostou, também?

- Olha, gente, não é possível entender o que tantas pessoas querem fazer naqueles lugares. Aliás, belíssimos, mas numa virada de ano, é uma loucura.

- Foram até Bombinhas?

- Na verdade nós tentamos, não é Maria de Lourdes?

- Sim, querido! Mas eu concordo que foi um suplício.

- Gumercindo! Nós saímos do Hotel às 7h da manhã, pegamos a BR 101, que a essa hora já estava atulhada. Aquela pequena distância, de cerca de 30km, entre Balneário e Porto Belo, nós levamos 6 horas. Tanto é verdade, que acabamos almoçando em Porto Belo, pois já era uma da tarde. Enquanto almoçávamos no Restaurante La Ponte, podíamos observar o trânsito contínuo dos veículos, como se fosse um trem com infinitos vagões. Nos carros, as pessoas demonstravam um olhar cansado, como se tivessem indo para um velório...

Terminamos de almoçar, lá pelas 3 da tarde...olhamos um para o outro e dissemos, quase ao mesmo tempo:

- Vamos adiante ou voltamos? A prudência das mulheres é muito importante nesses momentos, pensei comigo. Ela, então, disse convicta:

- Vamos voltar!

- Foram mais 6 horas de estrada trancada, quando o normal é levar de 30 a 40 minutos.

- Então, nem foram a Bombinhas?

- Fomos, uns dias depois. Mas, o pior vocês não sabem: lá, também, tinha gente saindo pelo ladrão! Acabamos conseguindo chegar à Praia do Mariscal,  depois do meio-dia.

Tava difícil de achar lugar para estacionar, isso que era meio de semana. Por fim, conseguimos estacionar, pagando 30 pila pra um flanelinha, que se achava dono do lugar. Aliás, isso é outra coisa negativa, por aquelas bandas, a exploração do turista.

- Vocês imaginam ter que pagar 50 por uma cadeira e mais 50 pra um guardassol? E, nada de cadeira novinha, não! Aliás, chechelenta, toda manchada, mas o quê fazer? Ficar sentado no chão, não dava; o negócio, meu irmão, era encarar e tentar desfrutar da paisagem.

- Bueno, depoisssss tomamos aqueleeeeee banho gostoso, que acabou compensando tanto trabalho.

- Jantamos, ali mesmo em Mariscal, e saímos para enfrentar a maratona da volta, ou seja, 7 horas de estrada, num interminável para e anda.

- Olha, queridos! Se essa é a forma de diversão do pessoal da cidade, eu tô fora! Mas, sabe como é, se não tivéssemos passado pela experiência, dificilmente, nossos incentivadores descansariam, em especial os filhos e até vocês e a Maria de Lourdes. Com essa, eu acabei  confirmando a minha teoria de que “só se pode sentir feliz, onde você se sinta bem”. E, lá na fazenda, eu tenho certeza está a felicidade, de braços abertos, nos esperando.

E, assim, prevaleceu nosso jeito rural de ser, mais contemplativo do que agitado.

Quem vive nas cidades se beneficia por estar próximo as prestações de serviços, como: hospitais, escolas, rede de mercados, divertimento, principalmente a noite. Outra vantagem, que faz com que as pessoas prefiram a zona urbana, é a oferta de empregos. As desvantagens são os riscos que se corre diariamente: ar poluído, trânsito estressante, barulho em excesso, criminalidade, assaltos, prostituição.

Quem vive no interior ou no campo tem uma vida mais tranquila, porém está longe de todas as vantagens que as cidades oferecem. Enfim, que cada um de nós saiba fazer as escolhas certas e não agir como boiada, como dizia um velho amigo meu:

- Se todo mundo tá indo pra lá, eu vou no sentido contrário!

Escrito por Saint Clair Nickelle, 09/09/2017 às 09h33 | sannickelle@gmail.com

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Momentos inesquecíveis

Corria o ano de 1998, quando o tilintar do telefone, naquela noite de quinta-feira, do mês de julho, me acordou de um cochilo na sala de tv. Corri para atender e, para minha surpresa, era o Kaká, amigo de pouco tempo lá de Balneário Camboriú/SC. Na verdade eu o conheci, circunstancialmente na Praia de Bombas, no verão de 1998. Como vou narrar agora:

Eu estava na casa da minha cunhada Suzete e, eles, a Néia sua mulher e a irmã dela, a Sueli,  passavam o fim-de-semana na casa ao lado. Quando eles estavam na praia, em frente ao conjunto geminado, que minha cunhada veraneava, sentaram numa roda e bebiam vinho branco, muito gelado. Quando a Suzete, com sua cadeira, passou por eles, convidaram-na para fazer-lhes companhia.

Conversa vai conversa vem, eles perguntaram:

- Aquele senhor, que você pintava o cabelo, é seu marido?

- Não! Ele, o Saint Clair, é meu cunhado, que mesmo contrariado, permitiu que eu lhe pintasse o cabelo, pois com isso queria lhe levantar a autoestima.

- Mas, um cara tão bonitão, porque estaria de baixa autoestima?

- Ele ficou viúvo há pouco tempo.

- Coitado! Chama ele aqui para sentar conosco, quem sabe a gente o anima.

- Vou chamá-lo, então, disse a Suzete, mas não sei se ele vai querer vir.

De longe, o Kaká e sua turma, perceberam que eu parecia relutante diante do convite, mas minha cunhada me convenceu. Eu trouxe uma cadeira, me apresentei, fiquei ali na turma, mas falei muito pouco.

A Suzete, no entanto, muito curiosa, perguntou se a Sueli era casada. Quem respondeu foi a Néia:

- Atualmente está solteira, tal qual o teu cunhado.

- Saint Clair, podemos te chamar de San?

- Sim! Fiquem a vontade.

- Você aceita uma taça de vinho?

- Aceito! Brindamos e a conversa se estendeu até o fim da tarde. Por fim chegou a hora das despedidas, mas sem antes trocarmos telefones e o convite do Kaká, para visitá-los em Balneário Camboriú, assim, também procedi, caso eles quisessem me visitar em Porto Alegre. E, foi assim que conheci minha atual esposa...

- Oi Kaká! Que bom te ouvir.

- Sabes, San, nós vamos à Porto Alegre para assistirmos o Show do Ray Konniff, no sábado e, pensamos em te convidar para irmos juntos, topas?

- Acho uma grande ideia. Vocês podem se hospedar aqui em casa, no Garden City, depois eu te passo o endereço pelo celular. Quem vem contigo Kaká?

- Eu a Néia e a Sueli.

- Que boa notícia!

- Quando vocês chegam?

- Sexta-feira pela tarde. San, se for possível reserva os ingressos.

- Deixa que eu faço isso. Vou aguardá-los, então.

Na sexta-feira quando eles chegaram, eu lhes preparei um jantarzinho, com muito vinho e uma surpresa.

- Aqui no Garden City, eu participo de um pequeno grupo de mateada e, antes mesmo de vocês me ligarem para assistir ao show do Ray, nós tínhamos nos programado para irmos, para tanto alugamos uma van com 18 lugares. Como somos onze, vocês podem ir conosco.

- Poxa, San, mas nós também pretendemos, depois do show, darmos um pulo em Nova Petrópolis e, só voltarmos na noite de domingo.

- Pera aí, que não tá  tudo perdido, deixa eu ligar pro Clóvis que está organizando o passeio. Algum tempo depois:

- Kaká, veio tudo a calhar, pois o grupo também tinha pensado nesta ideia. Até fizeram uma reserva no Recanto Suiço, da Dona Margarida, que tal?

O Kaká, perguntou, então, para a Néia e a Sueli, o que elas achavam.

- A ideia parece boa, San, mas será que nós não vamos atrapalhar o grupo, que se conhece há tanto tempo?

- Claro que não! Vai ser muito bom, até porque nós vamos num carro só e, vocês devem imaginar as dificuldades para estacionar no show do Ray.

Saímos do Show, que ocorreu no Teatro da ANRIGS, por volta das 23horas, rumo à Nova Petrópolis, embalados e cantarolando:

Bésame Mucho; Loves is Many Splendored Thing; Somewhere may love; Memory; My Way; Smoke Gets in Your Eyes  

Lá, no Recanto Suiço, Dona Margarida ainda nos esperava acordada, dando-nos às boas vindas e nos encaminhado para os chalés. Por sermos solteiros, eu e a Sueli ficamos em quartos separados, afinal ainda não era hora de intimidades.

Depois do lauto café da manhã, fomos conhecer o Parque Aldeia do Imigrante, ali mesmo em Nova Petrópolis, onde o que encanta é a réplica do povoado dos primeiros habitantes da região. Depois pegamos a RS 235, onde apenas 30km nos separavam de Gramado. Lá chegando, fizemos um tour por toda cidade e paramos no Lago Negro para esticar as pernas nos pedalinhos. Depois fomos visitar o Parque Estadual do Caracol, em Canela, com sua belíssima queda d’água. Na volta a Gramado, como já estava bem frio, tomamos chocolate quente num bar na passarela coberta dos Festivais de Cinema e, quentinhos, decidimos voltar à Nova Petrópolis, pois o Clóvis nos preparara uma surpresa:

- Cantei a Dona Margarida para nos preparar um Fondue, para a noite. Ela me disse que eles já não serviam mais janta, mas nos faria uma exceção.

Chegamos à Nova Petrópolis, por volta das 18h e 30 min. O fondue seria servido as 20h. Lembrei-lhes da precisão de horários dos alemães, para que ninguém se atrasasse.

Banhados, perfumados e bem vestidos lá estávamos nós, exatamente às 20h.

A mesa já estava posta e bastava escolher as bebidas. Pedimos a carta de vinhos e optamos por vinho da região vitivinícola da serra. Alguém sugeriu que fosse da Casa Valduga. A Dona Margarida nos sugeriu o Leopoldina Terroir Merlot. Todos aceitaram. A noite foi maravilhosa, não só pela comida, como pela liberdade de beber vinho de altíssima qualidade, sem se preocupar em ter que dirigir à noite, de volta para o Garden City.

Nos despedimos da Dona Margarida, novamente agradecendo a gentileza de nos preparar o fondue.

Saímos de Nova Petrópolis, por volta das 23h. E durante a viagem, continuamos ouvindo um CD, de ninguém menos, do que a Orquestra de Ray Konniff.

Por volta da meia-noite estávamos em casa. O pessoal do Garden se despediu dos meus amigos, colocando-se à disposição para outros encontros.

Afinal, a vida também é feita de momentos inesquecíveis.

Escrito por Saint Clair Nickelle, 24/08/2017 às 19h40 | sannickelle@gmail.com

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Por que?

Um amigo meu que mora em Balneário Camboriú, na maravilha do litoral norte de Santa Catarina, ao visitar-me, dias desses, no Garden City, se disse abismado com o que ocorre naquela cidade, aparentemente tão organizada.

- Sabe, Gumercindo, eu morei, por mais de 40 anos em Porto Alegre e, nunca vi gente tão indisciplinada, em matéria de desrespeito as leis de trânsito.

Conhecendo os problemas da Capital gaúcha, em especial no que diz respeito ao trânsito, perguntei-lhe:

- Como assim, Carlinhos?

- Eu vou te descrever, em rápidas pinceladas, o que lá ocorre, para que possas traçar um paralelo com Porto Alegre, que é 20 vezes maior.

- Gumercindo, você já viu o canal “MAIS GLOBOSAT”, que tem um programa chamado “ VISTO DE CIMA”?

- Sim e, por sinal, gosto muito.

- Pois, bem, se você comparar Balneário Camboriú com qualquer outra cidade, dos chamados países desenvolvidos, vai perceber que, guardadas as características topográficas, o desenho urbano destinado aos veículos e as pessoas, é praticamente igual, com suas faixas de pedestres, sinais de trânsito, ciclovias, semáforos, etc... No entanto, se as filmagens fossem feitas com câmeras paradas, sobre drones, por exemplo, você constataria que lá, as pessoas e os veículos obedecem rigidamente as regras de trânsito, o que não ocorre nas nossas cidades.

- Será que é falta de educação do nosso povo, Carlos?

- Em grande parte, sim! Mas, eu tenho, também, uma outra explicação que, mais tarde, quero submeter a você.

- Vou te descrever a cidade que hoje moro e, que por sinal, gosto muito, partindo da beira-mar, especificamente da Av. Atlântica, para o interior.

Essa bela Avenida, circundada pela praia e pelos edifícios, praticamente não tem semáforos, em parte porque não tem cruzamentos. O único semáforo é com a Av. Central. Ao longo de sua extensão desembocam 55 ruas e, na Atlântica existem dezenas de faixas de pedestres, em nível elevado. Foram construídas para facilitar a constante travessia das pessoas para a praia e vice-versa. Se você percorrer de carro, da Barra Sul, onde fica o teleférico, até o Pontal norte, vai encontrar crianças, velhos, pais e/ou mães com crianças pela mão, atravessando, de forma perigosa, fora das faixas de pedestres. E sabe porque fazem isso?

- Eu imagino, Carlinhos, que é por falta de educação urbana.

- Em parte, você tem razão, mas se perguntares para as pessoas ouvirás:

- Olha moço! Na faixa de pedestre corre-se mais riscos, porque o primeiro carro para e você começa a travessia, mas o seguinte e as infernais motos não param e os atropelamentos acontecem.

- E, por que fora da faixa de pedestre você acha mais seguro atravessar?

- Simplesmente, porque se escolhe o momento exato que  não vêm veículo algum, o que não acontece na faixa onde uns param e outros não.

- Quanto a questão da educação, posso te afirmar que na Atlântica, teoricamente, circula o pessoal de melhor formação e quiçá maior escolaridade e poder aquisitivo. Gente, inclusive, muito viajada.

Conforme tu vais te afastando da beira-mar, vem, em paralelo a Avenida Brasil que, diferentemente, da Atlântica, tem dezenas de cruzamentos e, neles, quase um semáforo em cada esquina.

- Como as faixas de pedestres, em sua maioria, estão associadas com os semáforos, diminui muito a imprudência dos pedestres e dos motoristas, não por educação, mas por um meio eletrônico que impõe respeito, ou seja, é o olho mágico e controlador invisível do guarda-de-trânsito.

- Depois, também em paralelo, vem a Terceira e a Quarta Avenidas, onde a circulação de veículos é muito intensa, mas como na Brasil, repleta de semáforos, onde pode-se dizer que o conflito entre pedestres e veículos se auto-resolve. A exceção fica por conta das motos e dos condutores de bicicletas.  Os motociclistas, com suas peculiares pressas, são os maiores riscos aos pedestres. E, os ciclistas, talvez só uns 30% utilizam as ciclovias, mas o que complica mais, além de irritar os condutores de veículos motorizados, é o mau uso das faixas de pedestres pelos ciclistas. Eles desconhecem o Código Nacional de Trânsito, o qual lhes dá pleno direito de prioridade nas faixas zebradas, desde que conduzindo a bicicleta pela mão, na condição de pedestres. Além disso, são um permanente risco aos demais pedestres que, na faixa, se defendem das apressadas motos e das bicicletas.

- Agora, nós estamos chegando na Quinta Avenida. Lá, é um Deus nos acuda, porque, mesmo existindo uma ciclovia central, faixas de pedestres e semáforos, ninguém respeita nada. Se você é uma pessoa consciente, e procura uma faixa de pedestres para atravessar as duas pistas e a ciclovia, onde não há semáforo, deve ter muito cuidado, porque os veículos motorizados não param e os ciclistas andam na contramão, fora da ciclovia. Do contrário, você vai conhecer o Hospital Rute Cardoso, mesmo obedecendo as regras de trânsito.       

- Nos bairros, as coisas não mudam muito. Eu lembro de levar e buscar meus netos, na principal escola pública municipal do Bairro Nova Esperança. Em frente da escola há uma faixa de pedestres, mas os alunos saem correndo, ignorando-a, como se tivessem ficado enjaulados durante horas. Só obedecem quando Fiscalizados pela Guarda Municipal. Eu sempre disse aos meus netos que não aceitaria que eles atravessassem fora da faixa. Mas, observando diariamente aquela movimentação, eu notava que alguns professores e mesmo mães com as crianças pela mão, insistiam em ignorar a faixa que lhes era destinada. Certa vez eu perguntei aos meus netos, quem era aquela professora que sempre atravessa aqui, longe da faixa, se desviando dos veículos, perigosamente. Eles disseram:

- É a nossa Orientadora Educacional!      

- Para concluir nossa conversa, Gumercindo, aquilo que eu te falei se a causa é falta de educação, eu te afirmo, com quase absoluta certeza, não é! - É, sim! Vontade de desrespeitar as leis e a certeza de que não haverá punição ou mesmo constrangimento. Essas mesmas pessoas, quando viajam para Londres, Nova Iorque, etc., na condição de pedestres e/ou motoristas, jamais fariam tal coisa lá...POR QUÊ? Lá eles punem no ato.

- Pobre de você se for atropelado fora de uma faixa de pedestre.

- Puxa, Carlinhos! Será que um dia as autoridades vão de fato mudar esse quadro, ou continuar se omitindo?

- E, o pior Gumercindo! É que essa omissão superlota os hospitais públicos.

Escrito por Saint Clair Nickelle, 15/08/2017 às 10h41 | sannickelle@gmail.com

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Bastidores: a verdade nua e crua

O ciúme de Caim diante de seu irmão Abel, ambos filhos de Adão e Eva, deu início, segundo a Bíblia, ao comportamento ganancioso do homem sobre seu semelhante, fazendo com que estranhos e inconfessáveis desejos poluíssem a cabeça de monarcas, religiosos, políticos e até pais e mães...

- Caim! Cadê seu irmão?

- Ué! Ele ainda não voltou?

- Se eu tô te perguntando, é claro que não. Vai procurá-lo, antes que a Eva prepare a janta. Depois de algum tempo, Caim voltou esbaforido:

- Paieeeeeeeeê! Paieeeeê!

- Euuuuuu o encontrei…mas parece que ele tá morto! 

- Venha Caim, vamos até lá! Chegando ao local, onde jazia o corpo de Abel,

Caim sugeriu ao pai que ele pudesse ter sido morto por uma cobra, talvez a mesma da maçã...

- Caim, seu desgraçado! Desde quando cobra mata com uma paulada na cabeça?

- Então, foi algum assaltante pai.

- Como, algum assaltante? Se no mundo somos só eu, você e sua mãe, seu assassino idiota!

Mesmo de barriga cheia de pão e vinho, onde participara da última Ceia de Páscoa, Judas Iscariotes arquitetou a traição de Jesus. Ambicioso, tal qual os políticos de hoje, foi até os príncipes dos sacerdotes e informou que aquele era o melhor momento para executar o plano; para tanto receberia trinta moedas, mas não uma mala com R$ 500.000,00, como pedira, pois sua pretensão era muita futurista para a época. Judas recebeu uma escolta, composta por servos do Sinédrio, guardas do templo, capitães da guarda, alguns soldados romanos. Foram, então, até o horto onde Jesus permanecia com os apóstolos, mas como não sabiam quem era, pediram a Judas que o apontasse:

Ora, aquele que eu beijar, esse é Jesus; prendei-o, e levai-o com segurança.

Entre os judeus, o beijo era uma forma costumeira de saudação. Mas Jesus, que era filho de Deus, portanto, onipresente, logo percebeu que era falsa a saudação do seu discípulo...Depois disso, Judas foi visto na Taberna, pagando bebida para todo mundo...

Caio Júlio César, nascido de uma família patrícia de pequena influência, foi galgando seu lugar na vida pública romana, chegando a ditador absoluto, em 49 a.C. Ele iniciou uma série de reformas sociais e políticas, instituindo o “Bolsa família” para os mais pobres, mas continuou a centralizar o poder e a burocracia do partido dominante. Nos bastidores, os partidos oposicionistas só conspiravam, mas até então não haviam encontrado quem o destituísse, tal era seu poder. Foram falar com seu sobrinho-neto, Caio Otaviano Maia, que todos sabiam, ambicionava o lugar do tio. O Caio sugeriu falar com o mais medíocre e ambicioso senador da república, Mário Júnio Bruto, que por qualquer merreca poderia eliminá-lo. Ele topou, desde que suas dívidas de jogo e beberragem fossem perdoadas. E, assim, o poderoso Júlio César foi assassinado por um senador do baixo clero...

Estamos, agora, na França do século XIII, especificamente, no Vale de Loire, onde foram edificados os mais elegantes e suntuosos castelos da nobreza francesa.

Ao ser convidado para visitar o castelo de Chenanceau, o rei soube dos desvios do seu ministro de finanças, para construir tão belíssima obra. O filho do construtor safado foi desapropriado, sendo o Château entregue ao Rei Francisco I, pelos débitos não pagos à Coroa. No julgamento, o Ministro da Justiça, Sergiô Morrott, condenou o acusado, muito embora ele jurasse inocência até sua morte.

Segundo consta, foi morto pela guarda do Palácio, roubando flores, frutas e verduras nos extensos jardins construídos por Diane de Poitiers, amante do monarca Henrique II…Quando Diane, ficou sabendo dos furtos constantes e de quem o estava praticando, ficou enlouquecida, gritando aos quarto ventos, da torre mais alta do castelo:

- Meus jardins sendo conspurcados por aquelas mãos imundas…Oh! Meu Rei! Quero que todos os jardins sejam replantados…

Nos dias atuais, as coisas não são muito diferentes, pois na casa da dinda ou da mãe Joana, tudo pode acontecer por baixo dos panos, até que alguém se sente estuprado naquele bacanal…Ainda com o “forever” doendo, chama a imprensa…que, por sua vez, ajuda a puxar os lençóis, tornando visíveis as grandes safadezas. Mas, a safadeza é tão bem feita, que qualquer advogado de porta-de-cadeia, livra os meliantes do castigo da punição.

Por isso, tem tanto advogado comemorando nos bares da vida:

- Commoo, diziaaa aquele fi..fi.. ló..so..fo  gre…goo: E logo alguém, sem paciência, completa:

- A Justiça é a vingança do homem em sociedade, como a vingança é a justiça do homem em estado selvagem.

- Falooouuu e disseee, coleegagaaa!

Nos confins de uma calábria, confabulavam uma quadrilha de ladrões comuns, desses que superlotam as cadeias:

- Ô mano! Só trinta e cinco pila prá mim, qual é a tua?

- Pô, cara! Tu ficô só na moita, vigiando os home da lei e qué mais?

- Bão, pelo menos pra o leitinho dos de menor lá de casa.

- Não tá satisfeito, vaza, cara!

- Pro marron e prô banguela deu 50, prá cada…

- Prá euzinho, que mando nessa porcaria toda, deu 80 mango!

- Vamô enchê a cara de trago, mano!

Enquanto isso em Brasília, depois de uma votação complicada no Congresso, deputados recebiam o que lhes fora prometido:

- Dois milhões pro deputado aqui, mais três pro deputado ali...

- Pessoal, vamos apurar a distribuição de benesses, tem mais de 200 deputados na fila...

- Será que não vai faltar grana?

- Claro que não! No Brasil só falta grana para a Saúde, Educação e Segurança, prá nós nunca...

…e, como tinha razão o saudoso Barão de Itararé, quando escreveu:

“Não é triste mudar de ideias; triste é não ter ideias para mudar.”

Escrito por Saint Clair Nickelle, 03/08/2017 às 15h35 | sannickelle@gmail.com

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A crise da indústria automobilística

Naquela manhã de domingo recebemos, para a nossa tradicional mateada no Garden City, um amigo do Sérgio que trabalha numa Montadora em São Paulo. O convite feito pelo nosso parceiro foi aceito, depois de consulta a cada um dos membros natos, porque o assunto, segundo o Sérgio, era de interesse para todos nós e para a economia brasileira.

O tal fulano, de nome William Schmidt, americano de nascimento, mas radicado no nosso país desde 1984, assessor da Associação dos Fabricantes de Automóveis no Brasil, estava em visita a Porto Alegre.

Ele nos contou que a crise econômica brasileira afetou a indústria de um modo geral, mas a de automóveis foi muito acima do esperado. Tanto que nos últimos quatro anos a queda de vendas, em especial dos veículos populares, caiu 30%.

O governo brasileiro, em reunião com a nossa Associação, nos pediu para baratear o preço dos automóveis, mas não abre mão dos impostos, um dos mais altos do mundo.

Nós, então, sugerimos retirar alguns itens obrigatórios, considerando pesquisa encomendada pela nossa Associação. Assim não teríamos os seguintes itens obrigatórios, a não ser de forma opcional:

1. pisca para mudar de faixa ou virar para esquerda ou direita, já que 74% dos motoristas não fazem uso desse item;

2. triângulo de sinalização, pois 83% dos motoristas nem sabem que ele existe;

3. cinto de segurança, já que se constatou que 85% dos acidentados não estavam utilizando esse item;

4. luz de neblina, onde 99% dos motoristas nem sabem ligá-la;

5. estepe, se constatou que 55% não os possuem em seus carros, guardando-os em casa;

6. rádios nos carros, são causa de 61% dos acidentes, quer pelo som altíssimo que impede que o motorista fique atento aos sons obrigatórios de sirenes, apitos dos guardas-de-trânsito, gritos dos transeuntes sobre idosos e crianças em situação de perigo, bem como as brigas entre o motorista e a esposa ou namorada sobre a rádio escolhida;

7. porta-luvas que, por não usarmos mais, se tornou obsoleto e, também, porque alguns motoristas, mesmo dirigindo, teimam em mexer lá, para provar aos demais passageiros, que o item que eles dizem não estar lá, está;

8. espelhos nos quebra-sóis, pois 63% das mulheres retocam a maquiagem com o carro em movimento, causando acidentes;

9. limpador de para-brisa traseiro, onde alguns modelos já o eliminaram;

10. macaco e chave de rodas, onde 79% não sabem onde se encontram nos carros, muito menos utilizá-los;

11. consolo para depositar copos ou latas, comumente usado para bebidas alcoólicas;

12. etc. etc.

Nós, então, perguntamos ao nosso convidado, o quanto a retirada desses itens baratearia o custo dos veículos.

- Por alto, em torno de 30%.

- Mas, Senhor William, isso não seria um tremendo retrocesso para a altíssima estatística de acidentes no Brasil?

- Sinto muito, amigos, mas o problema dos acidentes não são os carros, mas a qualidade dos motoristas, muitos dos quais nem prestam os cursos obrigatórios, alguns até compram as carteiras de habilitação.

- É, infelizmente você tem toda a razão.

- Durante a nossa pesquisa, nós entrevistamos dezenas de milhares de motoristas, desde jovens até idosos, e o que mais nos surpreendeu foram as respostas:

-60% não sabia o significado das faixas pintadas nas estradas e, nem tinham ideia da diferença da contínua e da intercalada. Alguns até responderam que era para a estrada ficar mais bonita;

-quanto às faixas zebradas, alguns disseram que era pra diminuir a velocidade, caso alguma zebra estivesse atravessando;

-o significado das placas oitavadas com borda vermelha em relação à preferencial. Muitos responderam que não sabiam o que era oitavada;

- as placas circulares com o desenho de um “E”, com um “E” e borda vermelha e com uma linha em diagonal cortando-o, era para dizer que o estacionamento seria permitido, desde que você o fizesse de forma oblíqua;

-o triângulo com miolo branco e borda vermelha, que significa dê a preferência, para muitos significava “rotatória em triângulo”;

- Perguntamos o que significava ” mão inglesa”. Alguns perguntaram se ela era diferente da mão brasileira, que tem 5 dedos;

- Meu Deus, William! Vocês devem ter ficado boquiabertos com a falta de conhecimento dos nossos motoristas!

- Para sermos sinceros, até hoje, ainda não acreditamos no que a pesquisa nos revelou...é muito triste!

- Meu caro Willian, eu acredito que no nosso país só se fiscaliza carro estacionado que, mesmo errado, não está oferecendo risco algum, mas os demais itens, esses sim causadores de acidentes, há grande negligência.

- É verdade, Clóvis! Nos falta vergonha na cara e, principalmente, fiscalização consequente. Olha os casos de crianças que morrem em piscinas por falta de fiscalização nos ralos de sucção, quando basta uma tampa ou dispositivo que interrompa automaticamente a sucção.

- E as casas noturnas, então! Depois daquela tragédia da Boate Kiss, em Santa Maria, quantas continuam funcionando de forma precária.

- Willian, só nos resta agradecer a tua presença na nossa mateada e, oxalá, um dia, possamos copiar o que fazem os chamados países sérios.

E, assim, encerrou-se mais uma mateada dos amigos do Garden City, que saíram cabisbaixos, pensando sobre nossas mazelas.

Escrito por Saint Clair Nickelle, 27/07/2017 às 08h00 | sannickelle@gmail.com

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Seu Nonô

Seu Agenor, mais conhecido por Nonô, o mais antigo morador do Garden City, viveu até os 99 anos. Depois de ter sido internado diversas vezes, acabou falecendo em casa, cercado pelos parentes e alguns vizinhos mais íntimos.

Dizem que ele, antes de dar o último suspiro, não havia perdido sua característica de bronqueiro. Enquanto as filhas e os filhos o cercavam no leito de morte, pedindo-lhe que resistisse, ele lembrava, com voz rouca e fraca, a passagem semelhante do presidente do Estado do Rio Grande do Sul por 25 anos, Antônio Augusto Borges de Medeiros que, cercado pelos cupinchas da República Velha, respondia aos apelos dos que o cercavam:

- CORAGEM, CORAGEM, Dr. Borges...

- CORAGEM?...CORAGEM não me falta, o que me falta é AR...

Assim, também, se manifestava o seu Nonô:

- Deixem-me ir embora, eu não aguento mais esta vida sem sentido, em especial nesse país de corruptos em que vivemos.

E, os filhos contestavam:

- Como sem sentido, pai?

- Nós precisamos do senhor vivo...

- Precisam para quê, meu Deus!

- Ora, pai, isso é pergunta que se faça? Nós te amamos.

- Eu sei que vocês me amam, mas eu não amo mais a vida nem o nosso país. - Vocês não imaginam o sofrimento que eu, um velho de 99 anos, passa até para cumprir a rotina diária.

- Mas pai, a gente tem facilitado tudo pro Senhor, inclusive compramos este aparelho de surdez para que  pudéssemos manter um diálogo e saber das suas necessidades.

- Aliás, este aparelho de surdez, para os que não sabiam, foi muito oportuno para saber o que realmente falavam de mim, inclusive de vocês, que esqueciam que eu estava ouvindo. Aproveitei tudo isso para fazer algumas mudanças no meu testamento.

- Credo papai! Isso é coisa que se faça para nós, filhos dedicados, amorosos e presentes?

- É, basta falar em grana, pra vocês ficarem se auto-elogiando, como se eu não soubesse das queixas que vocês fazem quando estão longe de mim.

Os cochichos fora do quarto do seu Nonô eram intensos, principalmente pelas velhas filhas dele, as quais não se conformavam que até na hora da morte o pai pudesse ser tão ranzinza. Os vizinhos mais íntimos ouviam e também cochichavam entre si:

- É, o velho não é fácil!

- Mas, como síndico, foi um exemplo de honestidade...Coisa rara no Brasil.

- Mas, como marido, deixou muito a desejar. Quantas vezes eu ouvi ele brigando com a dona Amália, sua primeira esposa...

- É verdade, eu acho que até batia nela, coitada, que a Deus a tenha...

- A única que suporta o velho é a neta Marcinha, uma santa...

- Santa sim! Quantas vezes ela veio se queixar pra mim dos maus tratos do avô...

- É verdade, nem para aquela santa criatura ele deixava de infernizar...

- Por isso está aí, nesse morre não morre, que Deus me perdoe!

- É, e na hora de morrer, não adianta se arrepender, pedir perdão, com medo do inferno.  

Enquanto os cochichos na sala continuavam, no quarto, seu Nonô continuava seu périplo pré-morte aos filhos que o rodeavam:

- Vocês pensam que levantar todos os dias, lavar o rosto, mijar sentado, alcançar a toalha ou o papel-higiênico é tarefa fácil. Fácil para vocês, que ainda tem alguma vitalidade. Pra um velho, como eu, é um sacrifício medonho e, às vezes, humilhante, como chamar alguém pra sacudir pra mim!

- Credo, papai, como você pode afirmar uma coisa dessas. Nós estamos aqui, e na nossa ausência, a Marcinha o acompanha...

- Acompanha, nada! Vive de fofocas na vizinhança...

- Mas papai, a Marcinha dedicou toda a sua juventude a cuidar do senhor. Tudo bem que ela é um pouco desajeitada e distraída,...

- Acho que, por isso nunca namorou nem casou, mas daí a falar mal dela é inaceitável...

Entre uma tosse e outra, o seu Nonô não deixava de ser ferino:

- É porque vocês não sabem da metade da missa...Ela vive dando em cima dos empregados do Condomínio. Quantas vezes eu tive que pedir para ela entrar, tarde da noite.

- Como assim, dando em cima dos empregados? O senhor sabe que, apesar de seus 40 anos, ela tem idade mental de criança.

- Sim, eu sei, por isso me preocupo, quando ela demora para entrar.

- Outro dia, o guarda noturno veio me avisar que ela estava trepada numa goiabeira.

- Ah! Grande coisa, papai! Aqui no Garden City, com todas essas frutas no pomar, quem não se sente tentado a colher goiabas ou o que quer que seja na época?

- Tá certo? Mas, de vestidinho rodado e sem calcinha de baixo?

- Papai!

- Mas, olha as fotos, minha filha, as goiabas nem apareceram!

- Tiraram fotos?

- A endiabrada fez até pose!

 A tosse e os soluços aumentavam e o seu Nonô pedia:

- O urinol... por favor!

- Aqui está, papai...Acalme-se, que o médico já está chegando!

- Chegando, pra quê? Quem o chamou?

- Ora, fomos nós, papai!

- Então, vocês vão pagar a consulta! Vocês sabem que tá o olho da cara uma consulta em casa!

- Que bobagem, papai, nós fizemos uma “vaquinha” e vai custar só um pouquinho para cada um de nós e outro pouquinho pro o senhor...

- ”Porco cane!” Parem de falar comigo, como se eu fosse um velho idiota! Vocês são um bando de “Pão duro”! Não foi a mim, que vocês puxaram...

Mais um acesso de tosse e soluços e o seu Nonô parecia estar se despedindo...Os filhos se reuniram ao redor de seu leito e dizem ter ouvido suas últimas palavras:

- Se algum de vocês quiser mandar uma mensagem ao diabo, digam-me, agora, pois estou prestes a encontrá-lo”          

Ainda perplexos, os filhos deram-se as mãos, rezando para que Deus, em sua infinita bondade, o perdoasse.

“Vou lhe dizer um grande segredo, meu caro. Não espere o juízo final. Ele realiza-se todos os dias.” Albert Camus.

Escrito por Saint Clair Nickelle, 18/07/2017 às 17h00 | sannickelle@gmail.com

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