Jornal Página 3
Coluna
Frente & Verso
Por Daniele Sisnandes

As lições de Alok

No sábado fui ver o Alok tocar na Barra Sul. Eu já toquei bastante em festas por aí e faço questão de ouvir outros caras tocando, a gente sempre aprende alguma lição. Ontem aprendi várias.

Fomos como a grande maioria das pessoas: a pé e prontos para uma isoporzinho em família. Tinha gente de todo tipo, idade, classe social. Gente de fora, muitos turistas, gringos e moradores indo em grupo animados pela Atlântica. Bem democrático, mas ao chegarmos lá, percebemos que a massa mesmo não era o público alvo.

O trio era estático e virado para as embarcações no Rio Camboriú, as caixas também. Não teve trio passando pela Barra Sul nem caixas espalhadas para que todos pudessem acompanhar como foi divulgado pela prefeitura.

Quem deu uma lição de sensibilidade foi o Alok. Aquele rapaz é o maior DJ do Brasil no momento e arrastou uma multidão pra vê-lo tocar. Apesar de a organização do evento só posicionar as caixas e o palco para o rio, o Alok tocou para todos. Virou, chamou a galera que estava na areia, na rua, no molhe. E o povo respondeu, foi um belo show.

Mas no chão não foi bem assim. Havia poucas lixeiras, poucos banheiros químicos (muitas filas) e pelo menos no local onde eu fiquei não vi circulação de guardas ou policiais, só no fim.

As outras lições do evento e pós-evento, quem deu foi a realidade.

Deixar o trânsito seguir até onde foi, foi uma péssima decisão. O certo seria fechar o acesso de carros e esperar o povo dispersar para liberar o tráfego, como acontece no ano novo e dá certo. Ponto.

Entre os vários relatos de confusão, o pior foi que no fim da festa um carro atropelou uma pessoa na ciclofaixa. Ele foi perseguido, fugiu, mas o carro foi depredado.

O vandalismo foi absurdo, mas será que não poderia ter sido evitado se carros não tivessem sido liberados em um evento com circulação de tanta gente? Se as forças de segurança estivessem mais presentes na dispersão?

O poder público precisa contrabalançar os interesses do público e do privado para que as parcerias continuem acontecendo, mas sem causar ônus ao público, porque o espaço é das pessoas, respeitá-las é o mínimo. Respeitar-se também.

Escrito por Daniele Sisnandes, 19/02/2017 às 11h33 | danikahc@gmail.com

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Números e armadilhas

Essa semana produzindo material para o setor comercial nos deparamos com quase 600 mil páginas lidas em janeiro e aqueles números ficaram na cabeça por um tempo.

Há alguns anos trabalhamos com o monitoramento das métricas aqui no Página 3 Online. Mas não usamos os números para estampar aleatoriamente, nem os usamos para coletar cliques a qualquer custo.

O mundo está tomado por gente querendo seu lugar ao sol e a internet não é diferente. Digo isso para lembrar que fazer jornalismo nesse cenário conturbado é um desafio constante.

As tentações flertam com quem monitora a audiência. Jornais disputam atenção com informação de todo o tipo, dos catioríneos, vídeos engraçados ao sensacionalismo descarado.

Aqui na casa aproveitamos os números para entender o leitor, seus hábitos, monitorar suas preferências sim, mas sem cair na armadilha de ser pautado por temas sem relevância.

Aliás, é esse um dos grandes desafios do jornalismo de agora.

A postura pela produção (e não copia e cola, que fique claro) de conteúdo relevante tem que continuar falando mais alto nos noticiários da web.

É isso que vai garantir o jornalismo de hoje e do amanhã. Vamos em frente!

Escrito por Daniele Sisnandes, 17/02/2017 às 00h48 | danikahc@gmail.com

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Prelúdio

Trabalhar com jornalismo em tempos de avalanches constantes de informação e cólera cibernética cansa um pouco o vivente. Talvez por isso tenha demorado tanto para desengavetar essa coluna, mas chega de espera. Como sempre aconselhamos os colunistas novos a apresentarem suas ideias no primeiro post, lá vamos nós.

Sou gaúcha, mas vivi minha infância na formosa Ibirama/SC e há 19 anos moro em Balneário Camboriú. Filha de mãe professora e de pai que amava a música e os livros, não cai longe do pé.

Me apaixonei primeiro pela escrita, depois pela música. Na adolescência uni os dois e descobri o zine, as letras de protesto, as bandas de punk rock. Não havia dúvida na escolha pelo jornalismo.


Deixei o hardcore pela música eletrônica, virei DJ e toquei muito por aí. Mas me acidentei na estrada e resolvi focar no jornalismo. Entrei no Página 3 em 2007 como estagiária, pouca prática, com os olhos inocentes e muito idealismo.

Tive sorte. Encontrei mestres (pacientes) que compartilhavam da mesma visão sobre o mundo e fui aprendendo a ferro e fogo com as experiências do dia a dia. Virei colega e aprendi que ainda tinha muito a aprender.

Me realizei repórter, mas nunca hesitei em olhar lá na frente, em abraçar a causa. Fizemos muito em equipe, nos reinventamos várias vezes. Quando dei por mim (não lembro bem, mas acho que faz uns quatro anos) era editora do Online, o bem-sucedido noticiário da casa. Não tinha ideia do que seria e foi. E é.

Neste ano completo uma década de Página 3. São 10 anos de parceria completa, de aprendizado além da pauta. Mas como disse no começo, o dia a dia cansa os românticos e achei que estava ficando algo por dizer.

Já que estamos em clima de recomeço, com novo jornal, novas dinâmicas de trabalho e um novo ano...vou por aqui esquecer um pouco o quadrado dos leads e das técnicas pra papear sobre o que fica de fora, jornalismo (ou não), amor e música. Que seja frente e verso. Todos convidados.

Escrito por Daniele Sisnandes, 08/02/2017 às 23h27 | danikahc@gmail.com

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