Jornal Página 3
Coluna
Frente & Verso
Por Daniele Sisnandes

Sejamos sinceros sobre a amizade

Dia desses estava eu pensando sobre amigos, amizades e momentos. Sobre essa dinâmica intensa que é o amor fraterno e a parceria.

Amizade é como amor, pode ser forrada de uma aura romântica e distante ou pode ser verdadeira e de carne e osso. O segundo modo não tem manual, expectativa, planejamento.

Mas por que colocar em cheque uma coisa simples e boa como uma amizade? Porque refletir faz bem.

Acho que como muitos dos amigos leitores me iludi por muito tempo com o modo romântico de amizade.

Inebriei-me com uma fantasia criada pela minha própria mente. Não que tenha havido promessas, quando me decepcionei (e foram muitas vezes) a culpa foi toda minha porque a expectativa era minha, não do outro.

Isso é uma coisa que a gente só aprende com o tempo e mesmo sabendo, vez ou outra cai na armadilha novamente.

A amizade não se trata de doação ou resiliência, é uma troca, nem sempre clara, entretanto ainda sim uma via de duas mãos.

Mantemos uma amizade quando vemos naquela relação algo que some, pode ser a companhia, alguém pra dividir a conta do bar ou um sonho. A única coisa certa é que é uma via é de mão dupla.

Haverá horas que o equilíbrio estará abalado, alguém precisará mais do que pode oferecer em troca e isso é natural, por algum tempo. Não faz sentido seguir pra sempre carregando alguém ou se sentindo sugado. 

Nem sempre as regras vão ser claras e expostas na mesa, talvez por isso surja a desilusão, o afastamento, a preguiça de insistir.

Às vezes tento resgatar na memória o motivo de deixar o espaço se alargar entre tanta gente legal que vai passando pela vida. Aí lembro das pequenas birras e grandes desculpas para deixar para depois. A gente se esforça pouco pela amizade e taí uma coisa que vale a pena. Que tal resgatar algo bacana que ficou prá trás? 

Escrito por Daniele Sisnandes, 17/06/2017 às 22h09 | danikahc@gmail.com

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Apaixonados pelo ódio

Já percebeu como a gente anda reclamando de tudo o tempo todo?

A previsão não agrada, faça chuva ou faça sol. O corte novo de cabelo do vizinho, a roupa da apresentadora do jornal. A notícia mal começa a ser lida e já estamos esbravejando.

Nem chegamos a clicar no link da matéria do jornal e nos achamos no direito de tecer toda sorte de comentários maldosos e ofensivos.

Brigamos, nos degladiamos com estranhos, enfurecidos no trânsito e por trás de telas...aonde foi parar nossa tolerância?

O direito sobrepõe o respeito, aliás, saudades do respeito - elemento antiquado quase em desuso.

Na hora de exprimir a opinião há mesmo tanta necessidade de grosseria gratuita?

Ser crítico O TEMPO TODO não nos credencia. Não parecemos mais inteligentes, parecemos ursos famintos domados por puro instinto.

Quem acompanha a repercussão de comentários em notícias como nós percebe um movimento massivo, mas o que nos causou esse comportamento é um mistério. Desaprendemos o diálogo e acho que pode ser ainda pior, não consideramos o direito do pensamento diferente.

Estar imerso nisso é o mais fácil, é só seguir o fluxo. Já tentar ir na direção contrária...é complicado no entanto não é impossível.

Gente, o Brasil está passando uma crise absurda que nos afetou em muitos sentidos, especialmente econômico e moral, agora não podemos usar os fatores externos como justificativa para lavarmos as mãos sobre nossas ações.

Buscar uma forma melhor de passar os dias sem tanto ódio é um desafio diário que merece o esforço. Elogie alguém, faça algo por você e descurta páginas e pessoas que te incomodam. Saia do caminho mais congestionado (no sentido literal e figurado).

Cada um sabe das pequenas coisas que trazem grandes chateações. Escolher desviar ou mudar a forma de enfrentá-las pode ter reflexos bons para nós, para quem convive conosco e lá na frente, na sociedade que tanto queremos.

Vamos em frente!

Escrito por Daniele Sisnandes, 08/05/2017 às 19h30 | danikahc@gmail.com

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O primeiro passo é a mulher que dá

A cada ano que passa reavaliamos o espaço da mulher, como ela é vista, se é valorizada em sociedade, no mercado de trabalho. Mas esquecemos, no entanto, de perguntar como nós mesmas estamos nos tratando.

Quando meninas, a maioria de nós cede às pressões dos grupos para fazer parte. Sofremos ou somos alvo de bullying, começamos a corrida atrás dos estereótipos, perdemos individualidade. Ser original ou diferente da revista pode ser motivo para o isolamento e geralmente não é isso que queremos.

A lista só aumenta com o tempo: é a busca por um amor surreal, por um padrão de beleza em que não nos encaixamos. É o consumismo, são os relacionamentos e hábitos que não nos fazem bem, a maternidade romantizada, as jornadas triplas de trabalho para dar conta.

Cada realidade tem a sua coleção de fatores indecentes responsáveis por infelicidade, ciclos viciosos e falta de amor próprio.

Parar e se ouvir em meio a esse turbilhão de pressões é difícil, é dificílimo às vezes, muitas de nós não conseguem por uma vida inteira, mas esse é o primeiro passo para a valorização que tanto buscamos lá fora. Mães, filhas, jovens ou idosas, sempre há tempo de reconhecer o sagrado feminino presente em cada uma de nós.

Nascemos com o poder de transformação, de dar vida e alento. Mas para ajudar o outro, precisamos estar inteiras e a mudança precisa partir de nós. Do resgate pelos nossos gostos, auto-estima, deixar de lado o que fomos condicionadas com a peleia da vida e redescobrir o que realmente gostamos e desejamos.

Muitas vezes essa busca vai levar ao rompimento com uma rotina que estávamos acostumados. Pode doer, parecer impossível, dará vontade de desistir.

A autossabotagem é um armadilha da mente para evitar mudanças num suposto equilíbrio das coisas. Ela vai gritar, porém é possível escolher ouvir o coração.

Aproveitar o sexto sentido, o apoio de quem lhe quer realmente bem, independente das suas escolhas. Compartilhar, porque engolir os sapos sozinha é uma atitude tóxica.

As transformações vão começar a aparecer internamente, no espelho, no olhar do outro, no espaço no mundo. Depois de mudar a si mesmas, conseguimos mudar qualquer coisa, mas o primeiro passo é a mulher que dá. Avante irmãs!

Escrito por Daniele Sisnandes, 07/03/2017 às 23h12 | danikahc@gmail.com

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Carnaval e tolerância

Eu não gosto de Carnaval. E não é pela festa em si nem pela música, é por não concordo com a cultura de que se pode tudo nesta época.

É só buscar “mulher” e “carnaval” no Google pra encontrar uma avalanche de notícias sobre assédio, polícias fazendo operações especiais para atendimento de mulheres por causa de violência, é um absurdo!

Mas não é por não concordar com criminosos que se aproveitam da festa, que posso desmerecê-la.

O Carnaval mal começou e meu feed já foi dominado por protestos xiitas. Tem quem odeie o movimento, tem quem xingue tal vertente, tem quem achincalhe o amigo que vai pra folia e tem coisas bem mais graves como o preconceito e a incitação à violência. Tem de tudo, mas tem pouco respeito.

Hoje em dia está bem fácil odiar, de longe, através das telas dos smartphones. A gente trabalha com isso, sabe que a intolerância anda gritando nas redes sociais.

Pode parecer legal com o amigo que compartilha o desgosto, ou pode parecer só um direito de expressão mesmo, mas não contribui para mudar as coisas.

A festa está estabelecida, a cultura enraizada, o Carnaval não vai acabar. O cara que curte axé ou sertanejo não vai mudar de opinião porque viu nas redes uma ofensa contra ele. Esse mundão não precisa de mais rixas, já basta a política, o futebol, a crise, o vizinho barulhento.

A gente podia aproveitar para exercer a tolerância, o respeito, abrir a cabeça e escapar do fundamentalismo sacana. Não é querer ser caga-regra, é que nossos tempos estão precisando!

Que cada um curta os próximos dias fazendo e ouvindo o que realmente gosta, mas sem esquecer dos direitos dos demais. Votos de um bom Carnaval para todos.

Escrito por Daniele Sisnandes, 24/02/2017 às 18h35 | danikahc@gmail.com

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As lições de Alok

No sábado fui ver o Alok tocar na Barra Sul. Eu já toquei bastante em festas por aí e faço questão de ouvir outros caras tocando, a gente sempre aprende alguma lição. Ontem aprendi várias.

Fomos como a grande maioria das pessoas: a pé e prontos para uma isoporzinho em família. Tinha gente de todo tipo, idade, classe social. Gente de fora, muitos turistas, gringos e moradores indo em grupo animados pela Atlântica. Bem democrático, mas ao chegarmos lá, percebemos que a massa mesmo não era o público alvo.

O trio era estático e virado para as embarcações no Rio Camboriú, as caixas também. Não teve trio passando pela Barra Sul nem caixas espalhadas para que todos pudessem acompanhar como foi divulgado pela prefeitura.

Quem deu uma lição de sensibilidade foi o Alok. Aquele rapaz é o maior DJ do Brasil no momento e arrastou uma multidão pra vê-lo tocar. Apesar de a organização do evento só posicionar as caixas e o palco para o rio, o Alok tocou para todos. Virou, chamou a galera que estava na areia, na rua, no molhe. E o povo respondeu, foi um belo show.

Mas no chão não foi bem assim. Havia poucas lixeiras, poucos banheiros químicos (muitas filas) e pelo menos no local onde eu fiquei não vi circulação de guardas ou policiais, só no fim.

As outras lições do evento e pós-evento, quem deu foi a realidade.

Deixar o trânsito seguir até onde foi, foi uma péssima decisão. O certo seria fechar o acesso de carros e esperar o povo dispersar para liberar o tráfego, como acontece no ano novo e dá certo. Ponto.

Entre os vários relatos de confusão, o pior foi que no fim da festa um carro atropelou uma pessoa na ciclofaixa. Ele foi perseguido, fugiu, mas o carro foi depredado.

O vandalismo foi absurdo, mas será que não poderia ter sido evitado se carros não tivessem sido liberados em um evento com circulação de tanta gente? Se as forças de segurança estivessem mais presentes na dispersão?

O poder público precisa contrabalançar os interesses do público e do privado para que as parcerias continuem acontecendo, mas sem causar ônus ao público, porque o espaço é das pessoas, respeitá-las é o mínimo. Respeitar-se também.

Escrito por Daniele Sisnandes, 19/02/2017 às 11h33 | danikahc@gmail.com

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Números e armadilhas

Essa semana produzindo material para o setor comercial nos deparamos com quase 600 mil páginas lidas em janeiro e aqueles números ficaram na cabeça por um tempo.

Há alguns anos trabalhamos com o monitoramento das métricas aqui no Página 3 Online. Mas não usamos os números para estampar aleatoriamente, nem os usamos para coletar cliques a qualquer custo.

O mundo está tomado por gente querendo seu lugar ao sol e a internet não é diferente. Digo isso para lembrar que fazer jornalismo nesse cenário conturbado é um desafio constante.

As tentações flertam com quem monitora a audiência. Jornais disputam atenção com informação de todo o tipo, dos catioríneos, vídeos engraçados ao sensacionalismo descarado.

Aqui na casa aproveitamos os números para entender o leitor, seus hábitos, monitorar suas preferências sim, mas sem cair na armadilha de ser pautado por temas sem relevância.

Aliás, é esse um dos grandes desafios do jornalismo de agora.

A postura pela produção (e não copia e cola, que fique claro) de conteúdo relevante tem que continuar falando mais alto nos noticiários da web.

É isso que vai garantir o jornalismo de hoje e do amanhã. Vamos em frente!

Escrito por Daniele Sisnandes, 17/02/2017 às 00h48 | danikahc@gmail.com

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