Jornal Página 3
Coluna
Frente & Verso
Por Daniele Sisnandes

Que semana!

Atenção, alerta de #opinião

Que semana! Picos de contestação e uma montanha-russa de tolerância .

Tivemos diretor da prefeitura chamando arte de rua de vandalismo, liminar para “cura gay”, proibição de livre manifestação e quando achávamos que abriríamos uma cerveja gelada no fim da sexta-feira, um vereador da situação esquenta o clima se posicionando contra uma decisão do próprio governo. Caracas, que semana, que prazer vivenciá-la!

Não existe alegria alguma em testemunhar o ódio, repudio veementemente a intolerância, mas não podemos perder a esperança do debate e isso sim, faz as coisas valerem a pena.

A cólera encontrou no Facebook um meio de proliferação, é um fato. Por outro lado, tem sido através das redes que estranhos têm reforçado um coro de décadas por liberdade, espaço e representatividade. Não precisamos ir longe, nossas questões estão logo ali.
 

E gente, são questões humanas! A dra Céres escreveu um texto tão coerente essa semana que me deu esperança em meio ao tiroteio. Lembrou sobre nos importarmos mais com a nossa própria vida e felicidade, em vez de apontar alvos. Pra quê mirar no alheio?

Respeito muito a fé, mas os fanáticos (abanadores de bandeira e religiosos) me fazem questionar o mistério da crença, da “ideologia” travestida de escudo.

Nego, nego e nego novamente concordar com o retrocesso: três ou quantas vezes forem necessárias. Nego silenciar frente a perguntas sem resposta, aos “mistérios”, aos argumentos para a insensatez. Eles não existem, são embustes!

Esse mundo já viveu seus dias sombrios, agora chega, bora acordar!

 

Escrito por Daniele Sisnandes, 23/09/2017 às 01h50 | danikahc@gmail.com

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Ainda há tempo

A negatividade é uma arte maldita própria do ser humano e tem sido aprimorada nesses tempos “sociais”. Gente, como estamos intolerantes!

Com o tempo me tornei uma pessoa vigilante do humor, do poder das reações e do impacto da postura otimista frente às dificuldades. Pode parecer algo óbvio, mas não é. A maioria de nós tem a negatividade como resposta automática e nem percebe. E como se não fosse suficiente externar oralmente, agora achincalhamos nas redes sociais.

Isso eu também já fiz, por isso, falo com propriedade. O próprio Facebook lembra o teor dos meus comentários ao longo da breve trajetória na rede e eu admito com muito orgulho que mudei baseada em muitos fatores.

Há uns anos, uma colega jornalista e amiga querida que me atentou pra isso numa madrugada em que nos encontramos na porta de um boteco da orla. Ela abriu meus olhos para o meu tom e ainda disse com cara de gatinho, “miga, não pega bem”.

Muita água rolou desde então. Muita autocrítica, altos e baixos na vida e resolvi manter o direito de ficar calada.

Quando silenciamos e patrulhamos a nós mesmos, a voz do entorno ganha espaço. E nesta função em que estamos de produtores de conteúdo e moderadores, lidamos diariamente com vozes que gritam, travam guerras, amam e odeiam em breves períodos de tempo.

Teve uma época em que chegamos a criar uma editoria chamada “Quem se importa?” aqui no jornal, uma abordagem irônica para publicar pautas de variedades da agência, muitas sobre celebridades. Tudo amplamente criticado e igualmente lido. Um dos paradoxos dessa vida cibernética.

Nos dividimos na tarefa de ler os comentários. É pesado. No começo não lia porque me afetava...a agressividade, o deboche, o sarcasmo...entretanto aprendi também com isso. Apesar de não concordar, aprendi a não sofrer com o problema alheio e não querer que todos pensem da minha maneira. Tirei essa lição da web e levei para a vida.

Todo dia temos algum assunto que atrai mais atenção e invariavelmente cria certa polêmica. Pode ser uma proposta como a construção de um dog park, uma notícia policial sem a foto do “meliante” escancarada ou uma professora agredida dentro de sala de aula.

Recortes. Mesmo que contextualizados, são recortes. Julgar as coisas isoladamente não melhora o mundo e o pior é que essa é uma postura coletiva que se espalha feito vírus.

Mudar podemos, melhorar podemos. "As pessoas não são más, elas só estão perdidas", canta Ciolo. Se ainda estamos por aí, é porque ainda há tempo, eu acredito também. Sigamos em frente!

Escrito por Daniele Sisnandes, 22/08/2017 às 18h44 | danikahc@gmail.com

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26 anos de histórias

Coluna publicada no JP3 impresso de julho, em homenagem aos 26 anos do jornal, completados nesta quarta-feira  (26).

A gente que conta histórias o tempo todo muitas vezes não percebe a própria. Nas últimas semanas preparamos com tanta dedicação essa edição especial pelo aniversário da cidade que no final faltou espaço para falarmos do nosso próprio aniversário: o Página 3 está completando 26 anos de circulação ininterrupta!

Eu também estou de aniversário aqui na casa. Esse é meu décimo inverno nesta redação calorosa, mas parece que foi ontem que cheguei sem saber por onde começar.

Peguei a última edição daquela glamurosa versão tabloide. O jornal saía todos os sábados, enorme e só com a capa colorida. As coisas foram mudando, o mundo vira do avesso em 10 anos...a gente também. Porém, foram os hábitos que mais se transformaram.

Com os anos fomos tentando imprimir no papel um comportamento que não lhe cabia: textos menores e mais dinâmicos. Primeiro para agradar o leitor apressado e depois para dar conta de tanta informação, eita década conturbada!

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Em janeiro de 2017, o Página 3 assumiu uma grande mudança: passou a ter edição impressa apenas uma vez ao mês com reportagens especiais e todos os esforços e atenções se voltaram para o bem-sucedido noticiário online. Novos tempos e mesmo assim ouvimos muitos lamentos (ainda ouvimos).

Rupturas são doídas, costumamos resistir até o limite. Entretanto, assim como nos relacionamentos cansados, rever um conceito pode fazer tão bem! Hoje, na sétima edição desta nova fase, podemos dizer que o Página 3 evoluiu.

Em meio a uma crise de leitura, a casa floresceu para uma nova forma de escrever a história. O impresso do mês é sempre uma vitória, um degrau vencido.

Privilégio fazer parte da equipe em todo esse tempo e crescer junto. A universidade é uma base maravilhosa, mas o dia a dia de uma redação de um jornal como o Página 3 é vivência e isso ninguém tira ou consegue ensinar.

Nesses 10 anos trabalhei sentada entre dois monstros do jornalismo, apaixonados um pelo outro e pelo que resolveram fazer da vida. Dona Marlise e o Marzinho não só deram suporte como incitaram o voo de quem passou por aqui, felizes os que aproveitaram como eu.

Os ensinamentos não vêm em lições didáticas, mas na observação diária das posturas, bandeiras e ousadias.

Fazer jornalismo (e manter um jornal) em meio a uma época de crises, seja moral, econômica ou de leitura é mais que um desafio. Conseguir fazer a diferença e requalificar-se continuamente sem perder a ternura, é resistência. Vida longa família, vamos em frente, com muita gratidão.

Feliz 26!

Lembranças e resgates:

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edições (48) edições (41) quatro anos

Escrito por Daniele Sisnandes, 26/07/2017 às 05h25 | danikahc@gmail.com

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Falta de timing

A prefeitura anda ruim de timing. Já são sete meses de governo e as coisas continuam demorando pra “desenrolar” na divulgação de informações. O último exemplo disso foi a programação de aniversário da cidade.

Primeiro a demora. Não foi simples, mas o Página 3 conseguiu furar o cerco e largou no dia 24 de junho na edição impressa, as primeiras informações sobre a programação. Na semana seguinte tentou complementar o material e encontrou dificuldades porque ainda não estava finalizada.

A programação começou no sábado (1º) com diversas atividades, porém até o final da tarde de sexta-feira o município não havia se atentado para a divulgação da programação completa.

Nós na redação ficamos catando release por release pra ver o que era programação e o que não era. Para facilitar a vida do leitor, fizemos uma matéria com a programação toda para o final de semana e divulgamos no site. 

Na segunda-feira um release com a programação dentro de um arquivo zipado foi publicado. Nossa equipe retirou o material do pdf e transformou em uma tabela para fácil acesso no nosso site.

Depois vi que a prefeitura publicou novamente esse release em um novo formato, sem a tabela, mas em texto, separando as atividades por setores. Também publicou só ontem (3) a arte dos 53 anos de BC, no site e nas redes.

O serviço público deve ser um perrengue danado, cheio de burocracias e outras coisas para vencer, porém datas comemorativas acontecem todo ano, quer mude o governo ou não, dava pra se programar para informar o cidadão. Não pensem que isso não interessa, pois foi um dos assuntos mais clicados dos últimos dias, envolve esforço e recursos públicos e é para o povo.

Venho compartilhar isso aqui para que o público entenda como funciona os bastidores da informação. É complicado, nem sempre as próprias fontes têm os dados ou são autorizadas a fornecer. Fica o cidadão sem saber, fica a gente tendo que correr um monte para conseguir uma informação que é de interesse do município ser divulgada!

Agora a prefeitura está finalizando uma licitação de agência de publicidade, vão ser R$ 3 milhões para os próximos 12 meses, fico me perguntando se não seria interessante investir internamente no setor de comunicação. 

Tem um monte de agências de assessoria na região que fazem um trabalho primoroso na divulgação de eventos, podiam ser procuradas para uma consultoria talvez, ou quem sabe um apoio entre colegas. Esses profissionais chegam na redação com as fontes, ligam, buscam espaço de forma cordial. Isso garante muita divulgação espontânea e seria uma mão na roda para quem anda trabalhando no limite prudencial nas despesas, não acham? Continuo sem entender a forma desse setor trabalhar. Sei lá, entende...vamos em frente.

Escrito por Daniele Sisnandes, 04/07/2017 às 14h20 | danikahc@gmail.com

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Sejamos sinceros sobre a amizade

Dia desses estava eu pensando sobre amigos, amizades e momentos. Sobre essa dinâmica intensa que é o amor fraterno e a parceria.

Amizade é como amor, pode ser forrada de uma aura romântica e distante ou pode ser verdadeira e de carne e osso. O segundo modo não tem manual, expectativa, planejamento.

Mas por que colocar em cheque uma coisa simples e boa como uma amizade? Porque refletir faz bem.

Acho que como muitos dos amigos leitores me iludi por muito tempo com o modo romântico de amizade.

Inebriei-me com uma fantasia criada pela minha própria mente. Não que tenha havido promessas, quando me decepcionei (e foram muitas vezes) a culpa foi toda minha porque a expectativa era minha, não do outro.

Isso é uma coisa que a gente só aprende com o tempo e mesmo sabendo, vez ou outra cai na armadilha novamente.

A amizade não se trata de doação ou resiliência, é uma troca, nem sempre clara, entretanto ainda sim uma via de duas mãos.

Mantemos uma amizade quando vemos naquela relação algo que some, pode ser a companhia, alguém pra dividir a conta do bar ou um sonho. A única coisa certa é que é uma via é de mão dupla.

Haverá horas que o equilíbrio estará abalado, alguém precisará mais do que pode oferecer em troca e isso é natural, por algum tempo. Não faz sentido seguir pra sempre carregando alguém ou se sentindo sugado. 

Nem sempre as regras vão ser claras e expostas na mesa, talvez por isso surja a desilusão, o afastamento, a preguiça de insistir.

Às vezes tento resgatar na memória o motivo de deixar o espaço se alargar entre tanta gente legal que vai passando pela vida. Aí lembro das pequenas birras e grandes desculpas para deixar para depois. A gente se esforça pouco pela amizade e taí uma coisa que vale a pena. Que tal resgatar algo bacana que ficou prá trás? 

Escrito por Daniele Sisnandes, 17/06/2017 às 22h09 | danikahc@gmail.com

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Apaixonados pelo ódio

Já percebeu como a gente anda reclamando de tudo o tempo todo?

A previsão não agrada, faça chuva ou faça sol. O corte novo de cabelo do vizinho, a roupa da apresentadora do jornal. A notícia mal começa a ser lida e já estamos esbravejando.

Nem chegamos a clicar no link da matéria do jornal e nos achamos no direito de tecer toda sorte de comentários maldosos e ofensivos.

Brigamos, nos degladiamos com estranhos, enfurecidos no trânsito e por trás de telas...aonde foi parar nossa tolerância?

O direito sobrepõe o respeito, aliás, saudades do respeito - elemento antiquado quase em desuso.

Na hora de exprimir a opinião há mesmo tanta necessidade de grosseria gratuita?

Ser crítico O TEMPO TODO não nos credencia. Não parecemos mais inteligentes, parecemos ursos famintos domados por puro instinto.

Quem acompanha a repercussão de comentários em notícias como nós percebe um movimento massivo, mas o que nos causou esse comportamento é um mistério. Desaprendemos o diálogo e acho que pode ser ainda pior, não consideramos o direito do pensamento diferente.

Estar imerso nisso é o mais fácil, é só seguir o fluxo. Já tentar ir na direção contrária...é complicado no entanto não é impossível.

Gente, o Brasil está passando uma crise absurda que nos afetou em muitos sentidos, especialmente econômico e moral, agora não podemos usar os fatores externos como justificativa para lavarmos as mãos sobre nossas ações.

Buscar uma forma melhor de passar os dias sem tanto ódio é um desafio diário que merece o esforço. Elogie alguém, faça algo por você e descurta páginas e pessoas que te incomodam. Saia do caminho mais congestionado (no sentido literal e figurado).

Cada um sabe das pequenas coisas que trazem grandes chateações. Escolher desviar ou mudar a forma de enfrentá-las pode ter reflexos bons para nós, para quem convive conosco e lá na frente, na sociedade que tanto queremos.

Vamos em frente!

Escrito por Daniele Sisnandes, 08/05/2017 às 19h30 | danikahc@gmail.com

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