Jornal Página 3
Coluna
Ex pressão
Por Caroline Cezar

Pois olhe!

Ó, às vezes vem coisa legal da escola (hihi):

Davi apresentou em casa o eucalipto arco-íris. Não conhecia e achei demais! 
Já pensou que quanto mais a gente sabe, mais ignorante fica?*

 

Se alguém tem uma muda tô querendo!



Muito avatar!
Nesse link tem um monte de coisa sobre ela.

 


*
"Quanto mais a gente conhece sobre as coisas, mais a gente desconhece também, mais perguntas surgem, e essa questão tá ligada profundamente com a questão de quanto a gente pode conhecer do mundo. Esse oceano do desconhecido, que em princípio é infinito... mesmo que o conhecimento humano aumente com o tempo a gente nunca vai poder conhecer tudo... Então nossa visão de mundo é necessariamente incompleta, e a gente tem que viver com essa sabedoria: que nunca vai poder ter uma visão completa do mundo, o que não nos torna menos humanos, na verdade nos torna mais humanos, e menos deuses". (Marcelo Gleiser, em Eu Maior)

 

Escrito por Caroline Cezar, 19/02/2014 às 22h34 | carol.jp3@gmail.com

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Escola é pra aprender o quê?

Deu um nervoso atípico esse início de ano letivo: o calor excessivo, -sem intenção de soar lamentosa e repetitiva-, somado à jornadas de amamentação, cuidados caseiros e exercício materno em três diferentes faixas etárias potencializou os questionamentos internos. A mente como um furacão. O que resta senão respirar e sair de si para analisar mais a frio o que passa?


Tem os agravantes, mas sim, deve ter algo errado, não podem ser só efeitos colaterais do tempo e esforço. Porque dá trabalho, mas trabalho a gente guenta, cansa, mas do cansaço se refaz, o problema é quando a coisa vai para um lado que a gente não acredita.


Faz anos que não entendo o mecanismo. Pra que raio de taxa de matrícula se os filhos já estão matriculados, desde pequenininhos, na mesma escola? E se tem um motivo plausível, por que dão esse nome que não explica pra que serve esse dinheiro? Essa é só a primeira taxa, de muitas que se seguem depois, e todo ano tem reajuste de tantos por cento. De taxas, mas não de postura.


É louvável que ainda se usem livros para estudar, mas há anos que me pergunto o que faço com os livros do ano passado -livros não, “apostilas”, que na sua maioria devem ir em toneladas para o lixo comum nos finais de anos. Alguém se pergunta o que se faz afinal com as apostilas de seiscentos reais? São caros os livros das escolas, mais caros que os livros de verdade e que não são usados nas pesquisas -para isso temos o google?


As cantinas das escolas, em sua maioria, vendem coisas que não comemos em casa. Os amigos da escola, em sua maioria, têm hábitos que não temos em casa. Na escola se pratica o desperdício, o consumo, a comparação, a segregação, a competição. Os uniformes escolares são vendidos apenas em um ou dois “pontos de venda” por preços exorbitantes. Me dá aqui esse quarentão que faço três camisetas bordadas.


As apresentações escolares pedem dinheiro para mais roupa, mais enfeite, e algumas vezes até para entrada dos pais no recinto. As homenagens são baseadas em comprar alguma coisa inútil pra dar a alguém entediado. As campanhas solidárias são sempre tão pobres, “traga um presente em bom estado, nem veja a quem oferece e continue esbanjando o ano inteiro; sem culpa”.


Pouco se fala em reutilizar. Pouco se ensina a usar o que tem. Nunca se fala em não ter. Nada se conversa, porque precisa dar toda matéria. Pra que perder tempo com o que não cai no vestibular?


Os estacionamentos escolares, DIARIAMENTE, são o pior retrato que se pode ver de uma falta de educação explícita e escancarada, de pais que não se importam em mostrar na prática o quanto estão se lixando para a teoria das boas maneiras em sociedade que as escolas ensinam nas suas aulas de atravessar na faixa.


Conviver com o diferente é enriquecedor, mas será que essa convivência não está muito baseada no sentido mais raso da palavra, no tem-que-ter? A menina, que pouco circula nos shoppings teve um mini-chilique porque não queria entrar na escola com a mochila “velha”. Não queria usar as canetinhas “velhas”. Não queria usar as coisas “velhas” porque todas as amigas têm as coisas da moda. Ela tem oito anos!!


Em quanto a escola, com suas listas homéricas, colabora para a formação de valor do que realmente importa? E os pais, o quanto colaboram, ao comprar tudo novo a cada ano, de preferência pagando o triplo porque tem personagem na capa? Será que não seria saudável uma reflexão coletiva, baseada menos em consumo e mais em essência? Como se educa para o amor? Como fazer o conteúdo valer a pena?


Eu sei que existe escola pública. Onde falta o uniforme, falta o material, falta o professor, que ganha mal e não é valorizado (na particular é?). Falta respeito, porque cargo de confiança é costa-quente. Falta vaga, se não acordar na madrugada. Mas e na escola particular, que sobra tudo? O que é pior?

 

Não é intenção pichar a escola porque ela só é mais um retrato da sociedade. A sociedade que não se preocupa em pagar caro porque quer um lugar para despejar os filhos e “ter um pouco de paz”. Mas esse retrato soa tão evidente, me sinto inconformada, me inquieto. Pra mim não tá bom não.

Escrito por Caroline Cezar, 19/02/2014 às 07h33 | carol.jp3@gmail.com

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Ei, palhaço!

 "...o circo é um espetáculo que desafia à lei da gravidade, as pessoas voam, se equilibram em cima de um fio, jogam sete objetos pro ar, fazem aparecer e desaparecer coisas, corpos perfeitos...

 

O palhaço tá ali por quê?

 

O palhaço é aquele que cai... É aquele que erra... É aquele que tá ali pra dizer 'tu é humano. Tá? Tem lei da gravidade. Tá?'

 

O que que faz o palhaço derrubar tudo? O que que faz ele bater a cabeça na parede, o que faz ele cair no buraco? Ser quem você é...

 

Eu sou aquilo lá...e tenho que ser o que os outros querem que eu seja, aí estou indo pra lá, me chamam e eu derrubo o microfone, esbarro na moça…Isso é a palhaçaria... o erro...a imperfeição, a aceitação da sua inadequação...

 

Eu sou inadequado, e agora? Vai deprimir? ou vai rir?"

(trechos de entrevista com Márcio Líbar no documentário Eu Maior, e tem mais ali embaixo)

 

 

Segunda-feira, 17 agora, começa o curso de palhaçaria em Itajaí, com meu amigo Charles aí de cima e olha que linda proposta: "Acreditamos em superar os limites comuns através da arte e em melhorar as relações com sinceridade. MANIFESTE O RISO! SEJA QUEM VOCÊ É!"

 

Sou a favor!

As aulas acontecem todas as segundas à noite. Informe-se na Casa de Cultura Dide Brandão.

 

 


Mais aqui do Eu Maior:
 

Escrito por Caroline Cezar, 14/02/2014 às 08h27 | carol.jp3@gmail.com

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Mais atenção, menos tensão!

Utilidade pública circulando no facebook; pegaí!


"Para refletir!! Se você acha que é mais “espiritual” andar de bicicleta ou usar transporte público para se locomover, tudo bem, mas se você julgar qualquer outra pessoa que dirige um carro, então você está preso em uma armadilha do ego. Se você acha que é mais “espiritual” não ver televisão porque mexe com o seu cérebro, tudo bem, mas se julgar aqueles que ainda assistem, então você está preso em uma armadilha do ego. Se você acha que é mais “espiritual” evitar saber de fofocas ou noticias da mídia , mas se encontra julgando aqueles que leem essas coisas, então você está preso em uma armadilha do ego. Se você acha que é mais “espiritual” fazer Yoga, se tornar vegano, comprar só comidas orgânicas, comprar cristais, praticar reiki, meditar, usar roupas “hippies”, visitar templos e ler livros sobre iluminação espiritual, mas julgar qualquer pessoa que não faça isso, então você está preso em uma armadilha do ego. Sempre esteja consciente ao se sentir superior. A noção de que você é superior é a maior indicação de que você está em uma armadilha egóica. O ego adora entrar pela porta de trás. Ele vai pegar uma ideia nobre, como começar yoga e, então, distorcê-la para servir o seu objetivo ao fazer você se sentir superior aos outros; você começará a menosprezar aqueles que não estão seguindo o seu “caminho espiritual certo”. Superioridade, julgamento e condenação. Essas são armadilhas do ego". 

? Mooji

Escrito por Caroline Cezar, 05/02/2014 às 10h51 | carol.jp3@gmail.com

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Lixo?

O que você chama de lixo também é relativo!
 




ps: agradecimento ao Felipe Dillda pela lembrança!

Escrito por Caroline Cezar, 04/02/2014 às 17h49 | carol.jp3@gmail.com

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Festa oca

Estávamos compartilhando uma receita de bolo quando minha amiga comentou que a fulana de tal fez a festa da filha pequena e gastou coisa como 35 mil dinheiros. Ficamos fazendo e refazendo cálculo e não conseguimos entender de que maneira uma criatura consegue chegar nessa cifra. Nem servindo caviar com champanhe e contratando o show da Galinha Pintadinha fecha. E pensa num excesso: de comida, plástico, flores mortas. De coisa que vai fora.


Uma vez eu li um artigo comentando sobre essas festas estratosféricas para as crianças filhas das “celebridades” (e gente, vem vamos comentar o adjetivo please). Eu achei que a repórter ia descer a lenha mas na verdade ela escrevia como se isso fosse um exemplo, um sinal de afeto e reconhecimento pelo valor que o filho tem: quanto maior a festa (e toda a ostentação e desperdício) maior a importância do rebento. Tinha uma foto das duas filhas: uns sete anos, gêmeas, com vestido rosa de gala -iguais- e uma maquiagem tão pesada que parecia concurso de miss. Fiquei pensando nas horas de salão, na prova da roupa, no estresse, nos tem-que-fazer e nas justificativas caso alguém contestasse essa balbúrdia: “ah, elas adoram, elas que querem”. Óquei, 'elas querem', mas a pergunta é: como elas foram parar ali, completamente ridículas naquela fantasia de mundo romântico, irreal e patético que a mamãe ensinou como glamouroso e ideal? Vale lembrar que esse mundo não se restringe somente aos ricos, também se estende aos novos ricos, aos classe média e aos pobres, que querem a festa que apareceu na revista e gastam o que podem e o que não podem, porque dá pra estender em 12 prestações. Com juros bem altos.


Pode falar aí que cada um cada um, cada cabeça uma sentença, mas eu discordo em caixa alta. Não vivemos isolados e criar gente num padrão desses é uma violência, um abuso à própria natureza do sujeito e um decréscimo à sociedade.


A festa é só uma janelinha, um retrato superlativo dessa criação oca e sem valores, ou melhor, com valores distorcidos, distanciamento e falta do essencial desde sempre. Ensaios “new born”, que colocam bebês de “até quinze dias no máximo” dentro de um estúdio com pau de luz na cara representam bem a necessidade de ostentar aparência. Veste de bichinho pra tirar foto, mas esquece dos instintos mais básicos, como proteger a cria de uma interferência desnecessária e incômoda como essa.


Ih, mas antes já teve o pacote completo: o super chá de bebê, o super quarto de princesa, as compras excessivas em Miami, as muitas idas em lojas, as dezenas de ultrassons e exames, a coisarada-que-precisa mas que na verdade não serve pra nada -carrinho com freio à disco, babá eletrônica, cadeira que treme, chupeta, mamadeira, esterilizador de mamadeira, protetor de mamadeira, capinha térmica de mamadeira (!!!), berço, protetor de berço - muito lixo que custa caro. E olha o distanciamento aí de novo. Não dá pra se encontrar com tanto ruído, praticamente impossível.


Recebi aqui essa semana do baby center: “bebê fez dois meses, já dá pra passear no shopping”. OI? Por “conhecidência” (salve os neologismos infantis) no mesmo dia minha bebê de dois meses -que antes de ir no shopping já tomou banho de chuva, banho de mar e banho de rio- deu a primeira gargalhada da vida.

 


"Mami, cancela o ensaio new born?"



Texto publicado na Ex pressão impressa do dia 25 de janeiro de 2013.

Escrito por Caroline Cezar, 31/01/2014 às 10h50 | carol.jp3@gmail.com

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