Jornal Página 3
Coluna
Ex pressão
Por Caroline Cezar

Mudança, interna

"Precisamos de tremenda energia para provocar uma mudança psicológica em nós mesmos como seres humanos, porque vivemos por muito tempo num mundo de faz-de-conta, num mundo de brutalidade, violência, desespero, angústia. Para viver humanamente, sensatamente, a pessoa tem que mudar. Para provocar uma mudança em si mesmo e, consequentemente, na sociedade, a pessoa precisa desta energia radical, porque o indivíduo não é diferente da sociedade – a sociedade é o indivíduo e o indivíduo é a sociedade. E para produzir uma mudança necessária, radical na estrutura da sociedade – que é corrupta, imoral – tem que haver mudança na mente e no coração humano." Krishnamurti

 

 

"Los partidos, son partes. El país es un todo. No promulgar la división. Luchar por la unión. La politica está obsoleta. Basta de odio." Alejandro Jodorowsky

 

Escrito por Caroline Cezar, 15/03/2015 às 23h56 | carol.jp3@gmail.com

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Amor e espiritualidade, na prática

Estávamos todas numa roda, conversando sobre a palestra que uma delas fez sobre amor e espiritualidade dia desses. Alguém comentou que teve dificuldade de se concentrar, achou agitado, porque havia uma criança lá atrás que não parava de chorar. Aquilo estava irritando muito, ainda mais porque a mãe não saía, não fazia nada e a criança berrava cada vez mais.


O choro manifesta algo que não está bem e sempre, indiscriminadamente, deve ser acolhido. Olhar pro choro, trazer pra perto, e depois, só depois e talvez, tentar entender. Ninguém deve, nunca, engolir o choro, e muito menos, mandar um outro fazê-lo, principalmente se esse outro for alguém que está em formação importante de caráter e valores essenciais. Choro é algo que precisa sair, um manifesto, um desabafo. Chorar é direito universal.

Essa conversa se estendeu com a professora explicando, da forma mais amorosa possível, que escutou também a criança, e que no momento pediu por ela e que deviam todos, irritados que estivessem, fazer o mesmo, porque força coletiva é mais força, seja ela de amparo ou de repulsa. Se ali estávam, mãe nervosa e filho choroso, numa palestra sobre amor e espiritualidade, que lição maior poderia haver sobre o tema do que uma irritação coletiva seguida por um amparo coletivo? O ensinamento verdadeiro nos pega de surpresa e nem sempre conseguimos enxergar a tempo o chamado, a prova real que está ali, bem na frente do nariz enquanto nossos ouvidos se esforçam para ouvir palavras ao vento.


Bem no dia seguinte li um texto que estava popular na internet sobre exatamente o mesmo tema: crianças que choram, sociedade que repele. Ali tinha um ditado africano extremamente belo:


“É PRECISO TODA UMA ALDEIA PARA CRIAR UMA CRIANÇA”.

Oferecer um copo de água, uma cadeira, uma chave como brinquedo (ou um brinquedo como chave), uma distração qualquer, uma mão, um braço. Um olhar de carinho, ao invés de olhar pra trás com a cara feia exigindo atitude, que normalmente se traduz num sacolejo, numa palmada, uma comparação com o fulaninho comportado, ou uma outra repreensão pública e vergonhosa qualquer.


Estamos todos por um mundo melhor, e um mundo melhor é aquele que tem olhar compassivo com crianças, e com os pais das crianças e -importante-, com os que se irritam com as crianças também. Estão tantos tão perdidos, tão afastados de si, é difícil dar conta, não ser engolido, não agir por impulso e no automático. Se você consegue ver, ajude. Se não consegue, peça ajuda.

 


Foto Zé Verzola/ via Simone Fortes

 

Texto originalmente publicado na coluna Ex pressão do Página3 impresso de 29 de novembro de 2014

Escrito por Caroline Cezar, 05/12/2014 às 10h51 | carol.jp3@gmail.com

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Sempre se fazendo

“Sim, ele mudou, mas eu lembro dele assim e assado quando era adolescente. Um pouco da essência, do que tu era quando tinha lá seus 13, 14 anos, sempre fica. Claro que a gente evolui, mas a essência é a mesma”.

Escutei e fiquei pensando.

Que às vezes a gente evolui, e às vezes a gente involui achando que tá evoluindo.
Monta um mosaico tão encaixadinho de si mesmo que até a gente acredita. “Como é colorido! Como brilha!”
Nos apaixonamos pela nossa imagem, pela nossa vida documentada com fotos, frases e compartilhamentos nas redes sociais, tudo harmonicamente ligado, ovacionado pelos comentários de “como vocês são lindos”, “como você faz perfeito”, “que vida maravilhosa você tem”.

E quando dizemos pra nós que “agora encontramos a verdade” ferrou de vez. Porque a mentira fantasiada de verdade é das mais difíceis de ser descoberta. Estamos satisfeitos ali. Literalmente cruzamos as pernas no tapetinho e dizemos OM, nos travestimos de paz. É grave.


Conhecimento não é pra tornar ninguém superior a ninguém. Conhecimento não exclui, agrega. Conhecimento é para integrar, lembrar que fazemos parte de algo maior. Talvez a palavra nem seja conhecimento e sim sabedoria, porque não estamos falando de informação, estudo, inteligência, apesar de tudo isso estar embutido. Estamos falando de afinação, sincronia, auto-olhar, busca, algo que não acaba nunca, que está sempre se fazendo, que não é dito, só sentido. Conhecimento é pra lembrar que quanto mais a gente tem, mais ignorante a gente fica. Mais a gente sabe que não sabe.

Montar uma peça bem montada de nós mesmos só faz carregar um peso absurdo, porque morre a espontaneidade, morre a naturalidade e morre a humildade. Morre a abertura para ser ouvinte, para querer saber, pra continuar caminhando. E quando isso morre, o que mais faz sentido?

Deixo com vocês uma carta que tem a cara feia e tem um nome feio, mas serve muito para refletir:

 

EXAUSTÃO
O homem que vive através da consciência mental e torna pesado. Aquele que vive com consciência permanece leve. Por quê? - porque um homem que tem apenas algumas idéias a respeito de como se deve viver, naturalmente se torna pesado. Ele se sente obrigado a carregar consigo seu caráter. Esse caráter é como uma armadura: é a sua proteção, sua segurança. Toda a sua vida está investida nesse caráter. E ele sempre reage às situações através desse caráter, nunca diretamente. Se você lhe faz uma pergunta a resposta é pré-fabricada. Esse é um sinal de uma pessoa “pesada”- ela é enfadonha, estúpida, mecanizada. Ela pode ser um bom computador, mas não é um homem. Você provoca e ela reage de uma maneira bem definida. A reação é previsível, ela é um robô.
O homem verdadeiro age de maneira espontânea. Se você lhe faz uma pergunta, obtém uma resposta e não uma reação. Ele abre o coração para sua pergunta, expõe-se a ela, responde a ela…

Comentário
Eis aqui o retrato de uma pessoa que esgotou toda sua energia vital nos esforços que fez para manter em funcionamento sua enorme e ridícula máquina de imagens pessoas de importância. Ela esteve tão ocupada “mantendo as partes ligadas entre si” e “assegurando-se de que tudo funcionava bem”, que se esqueceu de descansar de verdade. Sem dúvida esse personagem não pode permitir-se qualquer distração. Deixar de lado suas obrigações para dar um passeio na praia poderia significar o desmantelamento de toda a sua estrutura. A mensagem dessa carta não é, entretanto, apenas a respeito de um viciado em trabalho. Ela se refere a todas as maneiras pelas quais criamos rotinas seguras, porém contrárias à natureza, que conseguem manter longe de nós tudo que é caótico e espontâneo. A vida não é um negócio a ser administrado, é um mistério a ser vivido (…)

(Texto da carta: O Tarô Zen, de Osho)

Texto originalmente publicado na coluna Ex pressão do jornal Página3 impresso, em 22 de novembro de 2014.

Escrito por Caroline Cezar, 28/11/2014 às 10h16 | carol.jp3@gmail.com

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Horta urbana; ou; Esperança

A horta urbana mais linda. Toda verde, toda viva, toda cheia de flor.
Cuidada por uma senhorinha de idade avançada, que usa chapéu e os dois pés no chão.

Ali tem capricho, tem cuidado, tem esperança. Ali tem firmeza no propósito.

Pode ser que em volta só haja concreto. Pode ser que more um monte de gente empilhada, e que muitos não saibam o nome do vizinho. Pode ser que o dia passe e eles não vejam. Pode ser que alguns se sintam como o gato sentado na sacada, achando lá fora um mundo impossível. Pode ser que nunca tenham plantado, nunca tenham colhido. Que achem que comida nasce em prateleiras e dentro de plásticos. Que o lixo some na porta mágica, que os dejetos evaporam com a descarga. Pode ser que não se importem e que tenham escolhido viver assim. Ou nada disso.
A horta urbana me faz feliz, sempre que estou por ali páro pra contemplar. Discretamente, fico observando aquela senhora, aquela solitude, aquele silêncio, perdido na cidade. O cachorro, fiel companheiro, a água molhando as plantas de manhãzinha e fim de tarde, a resposta da natureza. Um ritual sagrado cotidiano, no meio do corre, do meio dos prédios, no meio da pressa.


Quantas vezes esquecemos do que somos em decorrência do local onde estamos, das coisas que nos cercam? Quantas vezes falamos o que não pensamos, praticamos o que não acreditamos, nos comportamos como seres distantes de nós mesmos, separados do Todo?
Ter consciência e estar em si é o que me lembra aquela horta: dia após dia, e apesar do ritmo externo, cavocar a terra, dar água, mudar de lugar o que precisa ser mudado, podar, limpar, observar a luz e as sombras. Momento presente, fazer o que tem que ser feito, e isso é muito. Isso é tanto, isso é dar o melhor pro mundo: uma pessoa em si alimenta todo o seu redor.

 

 

 

“Natureza é uma força que inunda como os desertos.” Manoel de Barros

Escrito por Caroline Cezar, 21/11/2014 às 10h58 | carol.jp3@gmail.com

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Entrega

 

Tava na cidade, toda atrapalhada, toda em dúvidas. Nitidamente um sintoma da síndrome da roça, umas quinze opções de não-sei-se-faço e a predominante vontade de voltar pra casa e assar um pão antes do dia se ir.

 

O lado caxias querendo cumprir o que se propôs, que até agora se resumiu a visitar a amiga…pra que mercado, pra que banco, pra que lista de itens… Isso tudo só embaralhando mais a cabeça. Vamos praticar, esse era o topo da lista. Disciplina, disciplina Caroline… mas... será mesmo que é o que preciso hoje? Tô com fome. Tô fora de casa há horas. Quero sair da cidade. E o bebê? Vamos praticar, decisão tomada pela segunda vez. Tem o trânsito, tem entrar na rua errada, tem mais confusão.

 

Atrasada uns vinte minutos, rondei a porta, cogitei, desisti quando escutei todo o silêncio e a concentração de um grupo que saiu de casa pra isso. Tá tudo certo, cestlavie, plantio e colheita, você nem sabia se ia casar ou andar de bicicleta, toma uma água, senta um pouco, volta a si e vai embora.

 

Lá estou dando o tempo quando vejo Maria, no auge de sua meia dúzia de anos, toda trabalhada na sapequice, me dando aquela analisada onde tava escrito “e aí perdida?” (eu rio)

 

- Maria! Você tá aí é? Quanto tempo menina! (tentando evitar o bordão “você cresceu” com o apertão nas bochechas, mas consciente que sim, a gente fica igual às tias).

- Oi. Mas quem é você mesmo?

(Por um instante lamento a ausência e queria fazer mais parte; no instante seguinte comemoro e vejo que faço totalmente parte. Quem quer que ela me reconheça é meu ego, mas meu coração tá aqui, em total presença com ela e com sua verdade, o que é mais lindo. Quanto tempo tem num instante?)

- Eu sou aquela tia que tem vários filhos, uma é bebê, você se lembra? Eu sou amiga da mamãe, que te conhece desde que você tava dentro da barriga.

- Ãããhn tá. (vulgo “grandes coisa”).

 

Saiu andando.

 

Continuei o assunto corriqueiro de halls de entrada. Me cansei, dei uma volta, caí na sala de Maria, com uma casinha muito bem montada, um filtro dos sonhos gigante e um tapete azul esticado no chão. Deus, o yoga que eu precisava, toda a inocência e a pureza do mundo, um espaço vazio, menos gente, menos outros, e uma facilitadora mestra e despida de qualquer tem-que-ser.

 

- Ah, com licença Maria, eu posso ocupar esse espaço um pouquinho?

- Ah claro, você veio fazer yoga?

- Sim, eu vim.

- Ah, pode fazer sim. Você quer uma ajuda? Olha, faz essa postura aqui do macaco.

- Ah, ok, faço sim.

- Ahãm, você parece uma macaca MESMO. Agora faz essa aqui, da árvore. (...)  E agora essa aqui, como é mesmo o nome? Ai, como é mesmo… (saiu da sala, deu uma volta)… A postura da mamãe! A mamãe adora essa postura, ela sempre faz, vamos chamar de postura da mamãe.

- Hm, eu também gosto dessa, eu gosto muito (comemorando internamente a perfeita definição para natarajásana, a postura de Shiva como dançarino cósmico - dança, equilíbrio, quatro braços, tudo a ver com mamães!).

E ela continuou guiando: - Vamos fazer juntas… Coloca a mão aqui ó, isso, muito bem, você também sabe essa. Vamos mostrar pra mamãe quando ela sair da sala.

 

Já estou totalmente satisfeita e agradecida pelo atraso, pelas dúvidas e por voltar a mim dessa forma, mas ela ainda tem mais a oferecer:

 

- Vamos tirar uma cartinha. (não era uma pergunta, era uma afirmação). Ela embaralha o tarô, retira uma pra si, ABUNDÂNCIA, e me oferece outra, “Cura Planetária”.

Emocionante, mas disfarço, deito, ela apaga a luz. Passam uns minutos e ela me diz:

 

- Bom né? Mas agora acabou, você pode ir. Você poderia pendurar o tapete ali por favor?

(Eu adoro o jeito que ela encerra a coisa, neutra, educada, desapegada, sem espaço pra divagações. Obedeço, agradeço.)

- Sim Maria. Obrigada pela aula. Dá um beijo na sua mãe.

- Obrigada também. Como é mesmo seu nome? Você tem o mesmo cheiro da Dedé, aquela outra que teve bebê.

- E você é uma ótima farejadora mocinha.

 

Minha lista estava cumprida, e naquele dia, ao invés da disciplina escolhi a entrega. Todo resto veio de brinde.

  

(Ilustração do Respire Blog, via Kika Teixeira)

Texto originalmente publicado na coluna Ex pressão do Página3 impresso, em 18 de outubro de 2014

Escrito por Caroline Cezar, 10/11/2014 às 15h05 | carol.jp3@gmail.com

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Estamos todos exagerando

 

Entre as opções do lugar, expostas em uma placa na rua, uma me chamou atenção: “musicalização para bebês”.

 

(Pera. Que diacho é isso agora senhor. O que será que chamam de bebê? Já senta, por favor, me digam que já senta. E o que seria a tal musicalização? Música é que nem Deus, onde Ele não está?)

 

Bater palmas, assobiar, lavar louça, usar os pés, sacudir caixa de fósforos, solfejar, brincar com o corpo, isso pra nem falar do que vem de lá de fora. Todos os sons, todos os ritmos, a voz maravilhosa da mãe, não importa em que tom, desde que esteja repleto de amor, a melhor música. Bebê devia ficar com a mãe. Devia ficar no peito.

 

Não é uma crítica isolada a tal lugar, tal pessoa, tal método. A partir da observação rasa de uma placa fiquei pensando em outras coisas mais além. Podem haver projetos lindos e ricos envolvendo música e bebês, porque afinal, ideal é ideal, e mundo real é outra coisa. A sociedade está montada desse jeito e nesse caso, são bem vindas idéias que enriqueçam os dias das crianças órfãs e das outras não tão órfãs. Enriquecer e não substituir. Somar e não trocar. Aproximar e não afastar. Fortalecer o vínculo.

 

Bebê devia ficar com a mãe, ficar no peito, não ter compromisso e ter contato com música e eartes em geral. E mãe, mãe é gente, precisa de ajuda, de compreensão, de apoio, doação não é tão simples quanto parece. Doar dinheiro é. Doar sopa é. Doar tempo, corpo, alma, amor, peito, não é. E temos aí, duas doenças sociais: crianças abandonadas e/ou adotadas por inúmeros compromissos e mães isoladas e carentes nos centros urbanos. Que espécie de filho elas vão criar? Que espécie de adulto eles vão se tornar? Precisa olhar pra isso, porque isso é base.

 

A ciência explica que filhote humano é filhote até três anos de idade, mas na prática dá meia dúzia de passos não é mais bebê, “já é criança” e “independente”. Já pode ir na aula de dança, equitação, mandarim e colônia nas horas vagas, porque temos que aprender a ser produtivos e mente vazia é coisa do tibinga. A escola nem se fala, o quanto antes, para “aprender a socializar, conviver com outras crianças, dividir”. Porque já não tem mais criança na rua. Porque os parquinhos, “ãhn, que parquinho?”, vizinho, “ãhn, que vizinho?” (O cara ali, da caixa ao lado. O que sai de manhã e volta à noite, que nem nós).

 

Tá todo mundo com pressa. E nesse ritmo, perdem-se coisas essenciais numa fase de construção. O direito de ficar em casa. O direito de ter pai e mãe. O direito de BRINCAR. O direito de ser LIVRE. O espaço vazio. A ausência de estímulos. O acaso. O vento. A chuva. O frio e o calor. A fome, antes de comer. O sono, antes de ser sedado. A alegria. A tristeza. O direito de ficar triste. De chorar. De experimentar. De ficar em paz. De ser acolhido. O direito à palavra, escrita, falada, dita e não dita. O direito à palavra ouvida. O olhar. Andar a pé pra ir a nenhum lugar, só andar.

 

Tudo é agendado, programado, planejado.

 

Contagem regressiva pro nascimento, local, data, hora e signo devidamente escolhidos por um -ou mais- adultos, numerologia que indica sucesso na vida. Faltam 10 dias, faltam 5 dias, falta meia hora, tira a foto. Um dia, trinta visitas, dois dias, mais 30. Três dias, ida ao médico. Quatro dias, exames de última geração. Dez dias, ensaio new born. Quinze dias, primeiro passeio no shopping. Um mês, festinha com bolo de chantilly e mesa de doce. Dois meses, festinha. Três meses, exposição dos sapatinhos e lacinhos. Quatro meses, look do dia pra ir na creche, mamãe precisa trabalhar (e voltar à boa forma, e ir no salão, dar um up no visú etc etc). Cinco meses, já se interessa por tudo, merece um tablet. Seis meses, festinha e contagem regressiva para a grande festa de comemoração do primeiro ano, como passa rápido! Dia das Crianças. Natal. Coelhinho. Shopping. Loja. Roupa. Brinquedo que liga, apita, toca música, treme. Barulho, barulho, ruído, luz que acende, luz que apaga.

 

Exagero? Estamos todos exagerando, achando que isso é normal. Comum NÃO É normal. Falta uma conexão mais profunda com a vida, com os filhos e com as relações de maneira geral. Falta um comprometimento com a infância, conosco, e com a verdade. Não podemos encarar a vida como uma página de facebook, com recortes de momentos lindos, e não enxergar a mediocridade do cotidiano. A coisa toda está montada para ficar fácil, quase automática, cômoda, bonitinha, mas pra beneficiar quem? E o que se perde, o que se sacrifica?

 


                                                                                                                                                                     BANKSY

 

“¡Qué poco cuesta construir castillos en el aire, y qué cara es su destrucción!” (François Mauriac)

 

Escrito por Caroline Cezar, 15/10/2014 às 22h04 | carol.jp3@gmail.com

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