Jornal Página 3
Coluna
Ex pressão
Por Caroline Cezar

Potencializando a conexão #entrevista Thaís Andrade

Potencializar o feminino e a conexão com a natureza e os ciclos é a proposta do workshop A Sabedoria Ancestral do Útero*, que a terapeuta Thaís Pires de Andrade traz para Balneário Camboriú no último final de semana de abril. Thaís, que tem transitado entre Brasil, Europa e Índia, aprendendo e ensinando, utiliza ferramentas do Yoga, Ayurveda, Shamanismo, Dança Terapia e Arte, para trabalhar práticas antigas de reconexão e presença. A terapeuta concedeu entrevista direto de Portugal, confira:

 

P - Thaís, você estuda, pratica e ensina diversas ferramentas de auto-conhecimento desde muito nova. Todas levam ao mesmo lugar? O que essa experiência te mostra?
R -
Que sim, todas levam ao mesmo lugar: ao descobrimento da realidade que somos a causa e consequência de tudo o que experimentamos. Antes de sermos mulheres, mães, filhas, amantes, somos seres divinos, alma, essência, potência, deus, deusa, todo este universo, somos a própria eternidade. Dentre as várias coisas que a experiência me mostra, acho que a principal é que quando temos esta visão mais real de quem somos, ou em outras palavras, quando estamos ancorados na espiritualidade/sabedoria, tudo o que vivenciamos -seja agradável ou desagradável para o nosso ego-, é recebido como um presente, um ensinamento, uma oportunidade de desenvolvimento e evolução da nossa consciência. Nós estamos aqui para Ser.

P - O que te levou por esse caminho, ainda menina?
Thaís -
Acredito que o contato íntimo com a Natureza. Eu nasci em São Paulo em um esquema de vida altamente urbano, encarcerado. Felizmente após a separação de meus pais, minha mãe decidiu revolucionar a vida e se mudar para Santa Catarina para realizar um antigo sonho de vida com mais Vida. Lembro claramente que no primeiro ano morando em Cabeçudas-Itajaí parecia que todos os dias eu estava de férias, lembro a sensação de liberdade e expansão que eu sentia no corpo, a felicidade que eu sentia ao ver o nascer do sol e o horizonte. Espontaneamente, intuitivamente, fui mudando meus hábitos de vida para hábitos mais naturais e percebendo mudanças radicais acontecendo, não somente físicas, mas psicoemocionais, o que hoje eu talvez chamaria de cura. Então, subitamente me vi dentro de uma sala de Yoga com uma prancha de surf debaixo do braço (algo inacreditável para uma “patricinha de São Paulo”), a Natureza falava claramente comigo, o Mar era meu templo. Frequentemente quando as pessoas me perguntavam confusas eu dizia: “a Natureza é minha religião”.

P - Com o tempo você foi voltando seu trabalho para as mulheres. O que fez tomar essa direção?
Thaís -
Certamente foi o nascimento do meu filho, Rudra. Eu já era instrutora de Yoga, estava há um ano fazendo um curso livre de Ayuveda ao mesmo tempo cursando Naturologia na faculdade, e me descobri grávida. No inicio foi um choque terrível, eu era muito nova, estava focada nos estudos e queria viajar o mundo, em especial passar um bom tempo na Índia. No entanto, aceitei e agradeci o desafio da maternidade e como sempre mergulhei de cabeça. Queria o processo de gestar e parir o mais natural possível, então comecei a pesquisar dentro do Yoga e Ayurveda quais seriam os cuidados mais adequados, as práticas, e o significado mais profundo por detrás da maternidade. Felizmente eu já morava no sul da ilha de Florianópolis, um núcleo que considero mesmo há 7 anos atrás bem maduro para as questões que eu buscava. Encontrei um universo e me apaixonei, o que incluía um grupo de parto domiciliar. Mesmo contra a vontade de tudo e de todos eu estava mais do que certa de que era isso que eu e meu filho queríamos – um parto domiciliar. Foi uma grande luta, mas eu venci coroando com a experiência mais fantástica da minha existência até o momento. Tudo o que eu lia sobre Samadhi, Iluminação, Ascenção da Kundalini, etc., foi o que eu vivi naquele momento eterno. Após isso eu jurei a mim mesma que era isso o que eu queria fazer da minha vida – apoiar mulheres. No início eu achava que esse apoio era somente durante a gestação, parto, mas isso foi sendo moldado com o tempo, com a minha trajetória de vida como mulher, terapeuta e ser humano. Hoje esse “apoio” tem uma conotação mais abrangente.

P - O Sagrado Feminino está em alta. Hoje, com muita frequência, ouvimos falar em 'curar o útero', 'plantar o sangue', bençãos e rituais femininos, que na verdade são tradições ancestrais que foram sumindo na sociedade frenética de consumo. Como você vê essa questão e como trazer esse termo "sagrado feminino" realmente como uma mudança interna de crenças e valores e não apenas superficialmente, como uma muda de roupa, um novo estereótipo?
Thaís -
Eu vejo esse modismo (como muitos outros dentro da linha “natural”) como um “ensaio” para o equilíbrio. Na Vida existem alguns princípios e um deles eu sinto, é a balança. Se pendemos muito para um lado a tendência é irmos para o extremo outro a fim de compensar. Leva tempo para encontrarmos o caminho do meio, ou em outras palavras, leva tempo para transformarmos a compensação (que é uma forma inconsciente de equilíbrio) em um equilíbrio genuíno, que não é estático nem rígido, mas sim flexível e com adaptações mais suaves e conscientes.

Então vejo dois lados. Sim, existe um lado positivo, porque isto mostra um contra-movimento, um movimento que simboliza uma busca por equilíbrio; uma conscientização de que o que estamos vivendo na pele feminina e em todos os nossos relacionamentos (inclusive com a Terra) não é mais sustentável. É a partir dai, das constantes frustrações que vivemos e estamos vivendo que mais e mais mulheres estão buscando e tendo acesso a informações ligadas a uma nova forma de viver, estão desenterrando legados importantes para a cura do feminino como um todo. Mas, como você bem colocou na pergunta – até onde estamos dispostas a verdadeiramente sair da zona de conforto da superficialidade e in-corporar estas mudanças? Porque a mudança verdadeira é a que está no princípio, ou seja, na intenção por detrás da ação (seja a de falar ou a de fazer algo a respeito). Não, não adianta nada falarmos ou adotarmos práticas “exóticas e ancestrais” se a nossa mentalidade continua a mesma, “só para nos livrarmos rapidamente de mais um desconforto” e não encararmos algumas verdades com consciência e maturidade. Esta é a grande diferença entre informação e sabedoria; a sabedoria reestrutura toda a sua forma de Ser.

P - E o lado negativo?
Thaís -
...é o lado que distorce estas valiosas pérolas de sabedoria para serem usadas com fins manipuladores e egoístas. Há muitos milênios, há muitas gerações estamos sendo submetidas a essa herança predadora do patriarcado, e isso faz com que tenhamos esta mentalidade extremamente arraigada em nós, independente de sermos homens ou mulheres, e independente de estarmos no movimento do sagrado feminino (que propõe justamente a quebra disto!). Então é muito comum encontrar máscaras, desculpas e mais uma forma comercial de business com o rótulo de sagrado feminino; é muito comum encontrar mulheres que lideram círculos de mulheres competindo e puxando o tapete umas das outras igualzinho no mundo corporativo; muito comum encontrarmos mulheres vendendo técnicas ancestrais sagradas que ao invés de libertar e trazer autonomia, fazem das outras mulheres ainda mais reféns. Sim, há de se ter muita consciência e honestidade para com os valores que carregamos em nossos corações, dos padrões que repetimos e quais as verdadeiras intenções por detrás das nossas ações. Mas ao fazer esse exame é muito importante não nos julgarmos, porque então a tendência é reprimir ou projetar tudo isso no outro e é bem aí que o caos começa. Somente quando acolhemos tudo o que vem é que podemos realizar a grande alquimia – transformar o chumbo em ouro, o veneno em néctar, ignorância em sabedoria. Este é o grande ensinamento que o sagrado feminino trouxe para mim, me permitir mergulhar e saber acolher a minha própria sombra como uma Mãe – com amor incondicional.

P - Qual é sua principal referência?
Thaís -
Para mim, a referência/autoridade de Sagrado Feminino sempre foi e sempre vai ser a Natureza. Acredito que para que possamos realmente ancorar esta energia em nossas Vidas é preciso estar conectada com Ela. Quando estamos conectadas com Ela, estamos conectadas com nós mesmas, com nossa própria natureza, pois este é o convite sutil que Ela sempre nos faz. Ao observar seus movimentos, reconhecemos os nossos; ao respeitar suas leis, nos respeitamos; ao reconhecer sua grandeza, reconhecemos que também temos esta grandeza, uma grandeza que pressupõe autoridade, ou seja, eu tenho toda a autoridade para saber e fazer aquilo que é melhor melhor para mim! Eu confio na minha intuição, confio nas sensações do meu corpo, confio na Vida; eu ouço aquilo que meu corpo pede, eu acolho tudo que vêm, assim como eu questiono tudo aquilo que me é imposto – aquilo que já vem formatado, mastigado, pronto para ser engolido. Isto não significa que não possamos estar vulneráveis e confusas, que não possamos pedir ajuda, mas a primeira reação, deve ser a de olhar para dentro e observar a dinâmica interior. Precisamos urgentemente recuperar e desenvolver o nosso instinto. Precisamos urgentemente acreditar na nossa sabedoria, e no caso das mulheres, a sabedoria se encontra no corpo.

P - Você reuniu muitas tradições num workshop que traz o círculo de mulheres, a dançaterapia, oráculo, e outras ferramentas práticas para trabalhar questões internas. O que ele desperta e como dar continuidade ao processo?
Thaís -
Na verdade apesar de parecer que reúno muitas tradições de sabedoria, a base é uma só – o xamanismo. O xamanismo é a primeira e mais antiga pratica espiritual da humanidade, uma prática que vem de nossos ancestrais e que reflete tanto a sua cosmologia, quanto uma modalidade de cura. Esta prática foi a que deu origem a todas as formas de religião e todas as formas de medicina que conhecemos. Então na verdade o xamanismo é uma prática transcultural, mas que pode ter variações na sua forma devido o contexto ambiental/geográfico/cultural de cada povo. Por exemplo a dança, o canto, a arte, as ervas, o oráculo, os rituais foram estabelecidos no xamanismo como poderosos elementos de cura e transformação, mas no entanto diversas tradições fazem uso destes elementos com linguagens distintas.

Em relação ao workshop é difícil falar o que desperta de forma tão absoluta, porque cada mulher tem um processo muito particular. Ouço mulheres falando de auto aceitação, de conexão umas com as outras, de libertação, de cura profunda, de aumento na auto estima, na criatividade etc., mas o que posso dizer é que a minha intenção é a despertar a consciência de toda a potencialidade que está presente em nosso ciclo menstrual (que abarca todo o ciclo sexual feminino e não somente o período do sangramento). O ciclo feminino é uma poderosa ferramenta de cura e transformação em todos os níveis da nossa existência, e é por isso que neste contexto eu uso o termo “a prática espiritual da menstruação” (um termo que li pela primeira vez nos escritos da minha professora Jane Collings). A espiritualidade, como mencionei antes, não é algo místico inalcançável, mas o fato de termos uma atitude sagrada perante algo. Esta prática abrange também uma conexão especial com a Lua, com a Terra e com as outras mulheres. Durante o workshop experimentamos muitas destas práticas, que variam em duração e complexidade, no entanto para dar continuidade ao processo, ao final do curso todas recebem uma apostila com várias orientações e sugestões, pois as possibilidades são inesgotáveis. Precisamos ser livres, confiar na nossa intuição e criar também nossos próprios “rituais”.

 

"...verdadeiramente existe um fluxo na Vida e nós precisamos fluir com este. Quando fluímos estamos leves, felizes, cheias de energia; não há esforço, pois é algo natural, estamos indo a favor do movimento e então o fluxo se torna uma espiral ascendente"

 

P - O que muda no dia a dia? O que acarreta a falta desse conhecimento interno no dia a dia e nas relações?
Thaís -
A nossa vida e a vida de todos que estão ao nosso redor é baseada e influenciada pelo ciclo menstrual, quer tenhamos consciência disso ou não. Então a mudança pode se dar em diferentes aspectos, como por exemplo uma melhora dos sintomas menstruais, alivio da TPM, uma vida sexual mais plena, uma melhor relação com seu corpo, mais presença, mais consciência das escolhas, mais saúde, mais fertilidade, melhora nas relações, o resgate da sua autoridade interna. O que acarreta esta falta de consciência? Bom, muitas vezes quando estamos nos referindo ao ciclo feminino usamos o termo ciclo/fluxo não é mesmo? Não é toa... por que verdadeiramente existe um fluxo na Vida e nós precisamos fluir com este. Quando fluímos estamos leves, felizes, cheias de energia; não há esforço, pois é algo natural, estamos indo a favor do movimento e então o fluxo se torna uma espiral ascendente, por que a Vida definitivamente não é linear. Quando estamos contra o fluxo, há muito esforço, cansaço, perda de energia, falta de sentido, tristeza, depressão e assim por diante na espiral descendente. Então o ciclo menstrual é a referência perfeita para nós mulheres nos conectarmos com esse fluxo de Vida, de abundância, de evolução; a referência perfeita para entendermos os princípios básicos da existência, pois em verdade o ciclo é a verdadeira metáfora do movimento natural da Vida. Vida, inclui tudo, desde a concepção até a morte. 

P - Grande tabu, que interfere na capacidade de mudança durante a vida.
Thaís -
Sim, o movimento natural da Vida também inclui a morte e nosso ciclo também nos ensina isso. Saber morrer, por mais paradoxal que pareça, é a chave da Vida. É o néctar. É o que nos ensina a viver plenamente a nossa vida e as nossas relações a cada instante, por que tudo muda o tempo todo! Então este é um convite para estarmos muito presentes no viver, por que num piscar de olhos as pessoas foram embora, a paisagem mudou, meu corpo se transformou, os filhos cresceram, as flores brotaram, aquilo que eu gostava já não gosto mais...Cada momento é sagrado e quando passamos a ver e viver a Vida com estes olhos há uma gigantesca mudança em nosso dia-a-dia e em nossas relações.

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* A Sabedoria Ancestral do Útero, workshop de dois dias (29 e 30 de abril), acontece no espaço FloreSer, na Rua Suiça, em Balneário Camboriú. As inscrições são antecipadas. Todas as informações sobre o evento podem ser encontradas aqui nesse link, ou pelo email paramaroelo@gmail.com.

Escrito por Caroline Cezar, 30/03/2017 às 08h04 | carol.jp3@gmail.com

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Exercício

Sublinharia tantos trechos dessa fala que prefiro colocar o vídeo inteiro, para que talvez você caia aqui e encontre o seu recado. Controle não aproxima, afasta. Espaço é fundamental. E tem tanta coisa em nós que nem sabemos!

 

Escrito por Caroline Cezar, 14/06/2016 às 09h35 | carol.jp3@gmail.com

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Dica prática: "ISSO ME FAZ FELIZ?"

Recebi aqui essa dica prática e achei muito útil! Realmente a perguntinha "ISSO ME TRAZ ALEGRIA?" vira um mantra poderoso pra gente perceber que carregamos muito mais do que precisamos. A vida com leveza é mais fácil (por mais que no início pareça muito mais difícil), e as mudanças ficam mais tranquilas, porque parece que a gente nem tem tanto a perder. Aí é que tá a coisa: essa mania de achar que "escolher é perder", enquanto que escolher pode ser ganhar: ganhar liberdade, ganhar ineditismo, ganhar espaço, ganhar surpresas. Vida previsível e controlada é aparentemente 'segura', mas se perde a essência.

Pra estar no fluxo precisa disposição.

Use as dicas práticas da Marie e da Jout Jout e da Fab como aliadas e faça a perguntinha-base pra todas as coisas da vida.

E vai! Vai com fé!

 

Escrito por Caroline Cezar, 30/12/2015 às 08h42 | carol.jp3@gmail.com

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O Menino e O Mundo!

 

 

 

Dica linda pra crianças, pais, famílias, avós, jovens, velhos, e qualquer um de qualquer idade e jeito: "O Menino e o Mundo", de Alê Abreu, Sessão Corujinha que está em cartaz no Festival Internacional Cineramabc até essa quinta-feira*.

Todos os outros filmes são exibição única, as sessões infantis repetem (e são gratuitas). Eu assisti e fiquei surpresa com a qualidade da obra, um filme único, esteticamente maravilhoso e socialmente muito crítico! Um dedo na ferida pintado a giz de cera que mostra de forma simples e bela a força do capitalismo selvagem, as linhas de produção, o consumo excessivo, a destruição do patrimônio natural, a cidade engolindo as pessoas e as pessoas virando máquinas até perderem lugar pras máquinas de fato.

O menino da aldeia e da vida simples muito cedo perdeu os pais para o sistema, mas manteve viva a saudade e a semente plantada: amor, afeto, música e beleza, que nos momentos mais críticos sempre se mostrava pulsando. Há sempre um contraponto e isso é muito feliz! Há sempre um jeito de espiar pelo caleidoscópio colorido, com suas formas mutantes e alegres, há como passear pelo mundo cinza e manter-se firme e atento, é possível dançar, deixar fluir e assim contribuir minimamente (?, mas nem tão mínimo) para que novas sementes continuem e continuem a ser plantadas. Fé na humanidade!

O Festival está todo muito bom, mas achei importante dizer que esse filme está longe de ser apenas para o público infantil. E que ele está lindamente costurado ao resto da programação pela curadoria da Bárbara Sturm, que trouxe essa temática do simples e da crítica de inúmeras formas nessa quinta edição do Cineramabc. Super aproveitem!

 

* Próximas sessões do filme "O Menino e o Mundo":
> dia 03/06, às 9h e 14h; no Teatro Municipal.
> dia 04/06, às 14h; no Cine Itália.

 

Escrito por Caroline Cezar, 02/06/2015 às 21h16 | carol.jp3@gmail.com

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Galeano eterno #amor

Morreu Eduardo Galeano, uruguaio, cidadão do mundo, contribuição eterna. 

Longas caminhadas, observações, futebol e América Latina são tags que funcionariam aqui, mas sobretudo AMOR. 

 

Escrito por Caroline Cezar, 13/04/2015 às 11h53 | carol.jp3@gmail.com

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Professor Hermógenes


Caroline Cezar
 

Lembro que nesse dia, num encontro em Mariscal, o Professor Hermógenes passou grande parte do seu tempo como palestrante contando piada. Simples e divino pra quem lê as entrelinhas (e pra quem não lê também). Nesse mesmo outubro de 2007 tivemos a sorte de desfrutar sua companhia em dois eventos em Balneário Camboriú, onde ele concedeu longa entrevista ao Página3. Reeditamos pra republicar*: conteúdo atemporal, pessoa atemporal, que dedicou maior parte de seu tempo (dos 94 anos mais de 60 ao yoga) doando-se e ensinando o caminho do bem. Amo essa foto, com o efeito sem-querer captando a essência fora-do-tempo que ficou pra sempre na memória. Valeu profe!

(*A entrevista completa será publicada sábado pelo Página3).

 

P - Tem alguma coisa que o senhor não fez que gostaria de fazer?

R - Ser médico, tocar violino... nada disso eu consegui até agora. Gostaria de pegar onda, não pego. Na próxima encadernação quem sabe. Gostaria de perguntar a Jesus o que ele gostaria de ter ensinado e não ensinou. Porque ele disse, muita coisa mais teria para dizer, mas não teve tempo. Ele quis dizer, mas não conseguiu dizer diretamente, disse muita coisa vestida de palavras. As verdades mais sublimes, mais etéreas, essas verdades escapam ao poder da palavra humana... e Jesus não disse tudo. E isso, que ele não disse, me parece que é mais rico que ele disse. Posso estar enganado. 

 

Escrito por Caroline Cezar, 17/03/2015 às 22h02 | carol.jp3@gmail.com

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