Balneário Camboriú, 21 de Maio de 2013
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Ex pressão

Brasileirismos

Ele mora em Belo Horizonte há um ano e meio, tempo suficiente para listar 65 "diferenças" dos brasileiros em relação aos franceses. A lista de Olivier Teboul, 29, está repercutindo bastante nas redes sociais, talvez porque demonstre excelente percepção, uma leve ironia, e um conhecimento óbvio sobre um povo que tantas vezes, literalmente não se enxerga.

 

A lista é grande, caso canse, não leia : )
(e contém erros de gramática - isso ele não listou, mas poderia, afinal nosso português é uma suruba linguística):

 

Aqui são umas das minhas observações, as vezes um pouco exageradas, sobre o Brasil. Nada serio.

 

  1. Aqui no Brasil, tudo se organiza em fila: fila para pagar, fila para pedir, fila para entrar, fila para sair e fila para esperar a próxima fila. E duas pessoas ja bastam para constituir uma fila.
  2. Aqui no Brasil, o ano começa “depois do Carnaval”.
  3. Aqui no Brasil, não se pode tocar a comida com as mãos. No MacDonalds, hamburger se come dentro de um guardanapo. Toda mesa de bar, restaurante ou lanchonete tem um distribuidor de guardanapos e de palitos. Mas esses guardanapos são quase de plastico, nada de suave ou agradável. O objetivo não é de limpar suas mãos ou sua boca mas é de pegar a comida com as mãos sem deixar papel nem na comida nem nas mãos.
  4. Aqui no Brasil todo é gay (ou ‘viado’). Beber chá: e gay. Pedir um coca zero: é gay. Jogar vólei: é gay. Beber vinho: é gay. Não gostar de futebol: é gay. Ser francês: é gay, ser gaúcho: gay, ser mineiro: gay. Prestar atenção em como se vestir: é gay. Não falar que algo e gay : também é gay.
  5. Aqui no Brasil, os homens não sabem fazer nada das tarefas do dia a dia: não sabem faxinar, nem usar uma maquina de lavar. Não sabem cozinhar, nem a nível de sobrevivência: fazer arroz ou massa. Não podem concertar um botão de camisa. Também não sabem coisas que estão consideradas fora como extremamente masculinas como trocar uma roda de carro. Fui realmente criado em outro mundo…
  6. Aqui no Brasil, sinais exterior de riqueza são muito comuns: carros importados, restaurantes caríssimos em bairros chiques, clubes seletivos cujos cotas atingem valores estratosféricas.
  7. Aqui no Brasil, os casais sentam um do lado do outro nos bares e restaurantes como se eles estivessem dentro de um carro.
  8. Aqui no Brasil, os homens se vestem mal em geral ou seja não ligam. Sapatos para correr se usam no dia a dia, sair de short, chinelos e camiseta qualquer e comum. Comum também é sair de roupas de esportes mas sem a intenção de praticar esporte. Se vestir bem também é meio gay.
  9. Aqui no Brasil, o cliente não pede cerveja pro garção, o garção traz a cerveja de qualquer jeito.
  10. Aqui no Brasil, todo mundo torce para um time, de perto ou de longe.
  11. Aqui no Brasil, sempre tem um padre falando na televisão ou na radio.
  12. Aqui no Brasil, a vida vai devagar. E normal estar preso no transito o dia todo. Mas não durma no semáforo não. Ai tem que ser rápido e sair ate antes do semáforo passar no verde. Não depende se tiver muitas pessoas atrás, nem se estiverem atrasados. Também é normal ficar 10 minutos na fila do supermercado embora que tenha só uma pessoa na sua frente. Ai demora para passar os artigos, e muitas vezes a pessoa da caixa tem que digitar os códigos de barra na mão ou pedir ajuda para outro funcionário para achar o preço de um artigo. Mas, na hora de retirar o cartão de credito, ai tem que ser rápido. Não é brincadeira, se não retirar o cartão na hora, a mesma moça da caixa que tomou 10 minutos para 10 artigos vai falar agressivamente para você agilizar: “pode retirar o cartão!”.
  13. Aqui no Brasil, os chineses são japoneses.
  14. Aqui no Brasil, a música faz parte da vida. Qualquer lugar tem musica ao vivo. Muitos brasileiros sabem tocar violão embora que não consideram que toquem se perguntar pra eles. Tem músicos talentosos, mas não tantos tocam as musicas deles. Bares estão cheios de bandas de cover.
  15. Aqui no Brasil, a política não funciona só na dimensão esquerda – direita. Brasil é um pais de esquerda em vários aspectos e de direita em outros. Por exemplo, se pode perder seu emprego de um dia pra outro quase sem aviso. Tem uma diferencia enorme entre os pobres e os ricos. Ganhar vinte vezes o salario minimo é bastante comum, e ganhar o salario minimo ainda mais. As crianças de classe media ou alta estudam quase todos em escolas particulares, as igrejas tem um impacto muito importante sobre decisões politicas. E de outro lado, existe um sistema de saúde publico, o estado tem muitas empresas, tem muitos funcionários públicos, tem bastante ajuda para erradicar a pobreza em regiões menos desenvolvidas do país. O mesmo governo é uma mistura de política conservadora, liberal e socialista.
  16. Aqui no Brasil, e comum de conhecer alguem, bater um papo, falar “a gente se vê, vamos combinar, ta?”, e nem trocar telefone.
  17. Aqui no Brasil, a palavra “aparecer” em geral significa, “não aparecer”. Exemplo: “Vou aparecer mais tarde” significa na pratica “não vou não”.
  18. Aqui no Brasil, o clima é muito bom. Tem bastante sol, não esta frio, todas as condicões estão reunidas para poder curtir atividades fora. Porem, os domingos, se quiser encontrar uma alma viva no meio da tarde, tem que ir pro shopping. As ruas estão as moscas, mas os shopping estão lotados. Shopping é a coisa mais sem graça do Brasil.
  19. Aqui no Brasil, novela é mais importante do que cinema. Mas o cinema nacional é bom.
  20. Aqui no Brasil, não falta espaço. Falam que o pais tem dimensões continentais. E é verdade, daria para caber a humanidade inteira no Brasil. Mas então se tiver tanto espaço, por que é que as garagens dos prédios são tão estreitos? Porque existe até o conceito de vaga presa?
  21. Aqui no Brasil, comida salgada é muito salgada e comida dolce é muito doce. Ate comida é muita comida.
  22. Aqui no Brasil, se produz o melhor café do mundo e em grandes quantidades. Uma pena que em geral se prepare muito mal e cheio de açúcar.
  23. Aqui no Brasil, praias bonitas não faltam. Porem, a maioria dos brasileiros viajam todos para as mesmas praias, Búzios, Porto de Galinhas, Jericoacoara, etc.
  24. Aqui no Brasil, futebol é quase religião e cada time uma capela.
  25. Aqui no Brasil, as pessoas acham que dirigir mal, ter transito, obras com atraso, corrupção, burocracia, falta de educação, são conceitos especificamente brasileiros. Mas nunca fui num pais onde as pessoas dirigem bem, onde nunca tem transito, onde as obras terminam na data prevista, onde corrupção é só uma teoria, onde não tem papelada para tudo e onde tudo mundo é bem educado!
  26. Aqui no Brasil, esporte é ou academia ou futebol. Uma pena que só o futebol seja olímpico.
  27. Aqui no Brasil, existe três padrões de tomadas. Vai entender porque…
  28. Aqui no Brasil, não se assuste se estiver convidado para uma festa de aniversário de dois anos de uma criança. Vai ter mais adultos do que crianças, e mais cerveja do que suco de laranja. Também não se assuste se parece mais com a coroação de um imperador romano do que como o aniversário de dois anos. E ‘normal’.
  29. Aqui no Brasil, nõ tem o conceito de refeição com entrada, prato principal, queijo, e sobremesa separados. Em geral se faz um prato com tudo: verdura, carne, queijo, arroz e feijão. Dai sempre acaba comer uma mistura de todo.
  30. Aqui no Brasil, o Deus esta muito presente… pelo menos na linguagem: ‘vai com o Deus’, ‘se Deus quiser’, ‘Deus me livre’, ‘ai meu Deus’, ‘graças a Deus’, ‘pelo amor de Deus’. Ainda bem que ele é Brasileiro.
  31. Aqui no Brasil, cada vez que ouço a palavra ‘Blitz’, tenho a impressão que a Alemanha vai invadir de novo. Reminiscência da consciência coletiva francesa…
  32. Aqui no Brasil, pais com muita ascendência italiana, tem uma lei que se chama ‘lei do silencio’. Que mau gosto! Parece que esqueceram que la na Itália, a lei do silencio (também chamada de “omerta”) se refere a uma pratica da mafia que se vinga das pessoas que denunciam suas atividades criminais.
  33. Aqui no Brasil, se acha tudo tipo de nomes, e muitos nomes americanos abrasileirados: Gilson, Rickson, Denilson, Maicon, etc.
  34. Aqui no Brasil, quando comprar tem que negociar.
  35. Aqui no Brasil, os homens se abraçam muito. Mas não é só um abraço: se abraça, se toca os ombros, a barriga ou as costas. Mas nunca se beija. Isso também é gay.
  36. Aqui no Brasil, o polegar erguido é sinal pra tudo : “Ta bom?”, “obrigado”, “desculpa”.
  37. Aqui no Brasil, quando um filme passa na televisão, não passa uma vez só. Se perder pode ficar tranquilo que vai passar mais umas dez outras vezes nos próximos dias. Assim já vi “Hitch” umas quatro vezes sem querer assistir nenhuma.
  38. Aqui no Brasil, tem um jeito estranho de falar coisas muito comuns. Por exemplo, quando encontrar uma pessoa, pode falar “bom dia”, mas também se fala “e ai?”. E ai o que? Parece uma frase abortada. Uma resposta correta e comum a “obrigado” e “imagina”. Imagina o que? Talvez eu quem falte de imaginação.
  39. Aqui no Brasil, todo mundo gosta de pipoca e de cachorro quente. Não entendo.
  40. Aqui no Brasil, quando você tem algo pra falar, é bom avisar que vai falar antes de falar. Assim, se ouvi muito: “vou te falar uma coisa”, “deixa te falar uma coisa”, “é o seguinte”, e até o meu preferido: “olha só pra você ver”. Obrigado por me avisar, já tinha esquecido para que tinha olhos.
  41. Aqui no Brasil, as lojas, o negócios e os lugares sempre acham um jeito de se vender como o melhor. Já comi em em vários ‘melhor bufe da cidade’ na mesma cidade. Outro superativo de cara de pau é ‘o maior da América latina’. Não costa nada e ninguém vai ir conferir.
  42. Aqui no Brasil, tem uma relação ambígua e assimétrica com a América latina. A cultura do resto da América latina não entra no Brasil, mas a cultura brasileira se exporta la. Poucos são os brasileiros que conhecem artistas argentinos ou colombianos, poucos são os brasileiros que vão de ferias na América latina (a não ser Buenos Aires ou o Machu Pichu), mas eles em geral visitaram mais países europeus do que eu. O Brasil as vezes parece uma ilha gigante na América latina, embora que tenha uma fronteira com quase todos os outros países do continente.
  43. Aqui no Brasil, relacionamentos são codificados e cada etapa tem um rótulo: peguete, ficante, namorada, noiva, esposa, (ex-mulher…). Amor com rótulos.
  44. Aqui no Brasil, a comida é: arroz, feijão e mais alguma coisa.
  45. Aqui no Brasil, o povo é muito receptivo. E natural acolher alguem novo no seu grupo de amigos. Isso faz a maior diferencia do mundo. Obrigado brasileiros.
  46. Aqui no Brasil, o brasileiros acreditam pouco no Brasil. As coisas não podem funcionar totalmente ou dar certo, porque aqui, é assim, é Brasil. Tem um sentimento geral de inferioridade que é gritante. Principalmente a respeito dos Estados Unidos. To esperando o dia quando o Brasil vai abrir seus olhos.
  47. Aqui no Brasil, de vez em quando no vocabulário aparece uma palavra francesa. Por exemplo ‘petit gâteau’. Mas para ser entendido, tem que falar essas palavras com o sotaque local. Faz sentido mas não deixa de ser esquisito.
  48. Aqui no Brasil, tem um organismo chamado o DETRAN. Nem quero falar disso não, não saberia por onde começar…
  49. Aqui no Brasil, dentro dos carros, sempre tem uma sacola de tecido no alavanca de mudança pra colocar o lixo.
  50. Aqui no Brasil, os brasileiros se escovam os dentes no escritório depois do almoço.
  51. Aqui no Brasil, se limpa o chão com esse tipo de álcool que parece uma geleia.
  52. Aqui no Brasil, a versão digital de ‘fazer fila’ e ‘digitar codigos’. No banco, pra tirar dinheiro tem dois códigos. No supermercado, o leitor de código de barra estando funcionando mal tem que digitar os códigos dos produtos. Mas os melhores são os boletos pra pagar na internet: uns 50 dígitos. Sempre tem que errar um pelo menos. Demora.
  53. Aqui no Brasil, o sistema sempre ta “fora do ar”. Qualquer sistema, principalmente os terminais de pagamento de cartão de credito.
  54. Aqui no Brasil, tem um lugar chamado cartório. Grande invenção para ser roubado direito e perder seu tempo durante horas para tarefas como certificar uma copia (que o funcionário nem vai olhar), o conferir que sua firma é sua firma.
  55. Aqui no Brasil, parece que a profissão onde as pessoas são mais felizes é coletor de lixo. Eles estão sempre empolgados, correndo atrás do caminhão como se fosse um trilho do carnaval. Eles também são atletas. Tens a energia de correr, jogar as sacolas, gritar, e ainda falar com as mulheres passando na rua.
  56. Aqui no Brasil, pode pedir a metade da pizza de um sabor e a metade de outro. Ideia simples e genial.
  57. Aqui no Brasil, no tem agua quente nas casas. Dai tem aquele sistema muito esperto que é o chuveiro que aquece a agua. Só tem um porem. Ou tem agua quente ou tem um débito bom. Tem que escolher porque não da para ter os dois.
  58. Aqui no Brasil, as pessoas saem da casa dos pais quando casam. Assim tem bastante pessoas de 30 anos ou mais morando com os pais.
  59. Aqui no Brasil, tem três palavras para mandioca: mandioca, aipim e macaxeira. La na franca nem existe mandioca.
  60. Aqui no Brasil, tem o numero de telefone tem um DDD e também um numero de operadora. Uma complicação a mais que pode virar a maior confusão.
  61. Aqui no Brasil, quando encontrar com uma pessoa, se fala: “Beleza?” e a resposta pode ser “Jóia”. Traduzindo numa outra língua, parece que faz pouco sentido, ou parece um dialogo entre o Dalai-Lama e um discípulo dele. Por exemplo em inglês: “The beauty? – The joy”. Como se fosse um duelo filosófico de conceitos abstratos.
  62. Aqui no Brasil, a torneira sempre pinga.
  63. Aqui no Brasil, no taxi, nunca se paga o que esta escrito. Ou se aproxima pra cima ou pra baixo.
  64. Aqui no Brasil, marcar um encontro as 20:00 significa as 21:00 ou depois. Principalmente se tiver muitas pessoas envolvidas.
  65. Aqui em Belo Horizonte, e a menor cidade grande do mundo. 5 milhões de habitantes, mas todo mundo conhece todo mundo. Por isso que se fala que BH é um ovo. Eu diria que é um ovo frito. Assim fica mais mineiro. 
Escrito por Caroline Cezar, 21/05/2013 às 09h00 | carol.jp3@gmail.com

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Por um mundo melhor

A médica Eleanor Luzes, do Rio de Janeiro, estará em Brusque no fim de semana compartilhando seus saberes em dois eventos: um curso que ela ministra na sexta com o nome de  "Novos Horizontes no Tratatamento com Bebês", que é particular; e a palestra gratuita no sábado, "O Desenvolvimento e o Investimento Parental no Início da Vida e os Reflexos no Ser Humano Adulto/ Programação Emocional".

 

Eleanor é uma cientista e estudiosa do comportamento humano há mais de 20 anos, e foca sua atenção no início da vida, desde a concepção de um embrião, envolvendo gestação, nascimento e os primeiros anos de vida, fases primordiais para o desenvolvimento integral do ser humano e que interferem positiva -ou negativamente- para o resto da vida.

 

Existem inúmeros videos no youtube que mostram um pouco do trabalho que ela desenvolve, compartilho esse aqui, do TEDx Rio:

 

 

 

A “Jornada sobre o desenvolvimento humano e assistência humanizada à mulher e à família no início da vida” trará ainda outros excelentes profissionais que se destacam pela postura consciente em relação à essa fase. É um evento gratuito, aberto e que qualquer pessoa interessada em viver num mundo melhor pode participar. Veja a programação detalhada aqui nesse link.

Escrito por Caroline Cezar, 15/05/2013 às 09h37 | carol.jp3@gmail.com

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Mais escolha, menos protocolo

Um dos filmes que mais gostei no festival de cinema tem quatro minutos; Em Segundo/ Las Segundas, que nesse minúsculo tempo e reduzido espaço -uma floresta, três ou quatro mulheres, que pouco se mexem- e várias narrativas se cruzando, vai levantando verdades sobre a condição feminina.

 

Bem pontuado e direto, uma frase chamou mais atenção: "não é porque tem útero que tem que ser mãe". Entre outras exigências, como ser prendada, caprichosa, delicada, frágil, esposa, e também, magra, eficiente, trabalhadora, elegante, capacitada, competitiva; talvez essa, a de ser mãe porque nasceu menina, é a mais inconsequente.

 

Porque gera outro ser, outra vida, a partir da conformidade com os padrões e não de um desejo consciente. "Ah, você foi feita pra isso, toda mulher nasceu". Não, o aparelho reprodutor feminino foi feito pra isso, mas ele é conduzido por alguém que tem sonhos, desejos, ambições e preferências, que podem ser diferentes de embalar um bebê por no mínimo um ano da vida, exercitar a entrega, se doar, dar carinho, estar inteira, no momento presente, fazendo uma coisa só.

 


A sociedade, essa que exige, não enxerga que o amor é peça fundamental na construção de qualquer sujeito, e filhos que são gerados por "compromisso", por "fazer tudo certinho", por "estar na hora", não serão amados o suficiente; pode até acontecer, mas falta tempo para o amor". Você tá me ofendendo, é óbvio que amo meu filho, mas não posso ser duas, tenho que trabalhar, tenho que deixar com alguém, tenho que botar na creche, tenho minha vida, tenho outras coisas pra fazer, preciso sair, preciso me cuidar, preciso tempo pra mim, a carreira não pode esperar, compro um brinquedo, um vídeo game, uma babá formada em Harvard que vende o próximo desejo, e a vida segue tranquila, ele não tem do que reclamar, como vai dizer que não é uma criança feliz que tem tudo? Desculpas e demais desculpas que derivam da falta de escolha.

 

Semana passada eu estava num restaurante, e vi um casalzinho novo, tipo vinte e poucos anos, almoçando com a família. Contei: eram nove na mesa; todos absolutamente dando palpites de quando a menina devia engravidar. Ela, sem jeito e simpática, ficava dando desculpa atrás da outra; "ah, a gente precisa se estabilizar"; "queremos segurança"; "quero terminar os estudos também"; e uns devaneios do tipo, "mas como vou comprar do bom e do melhor, porque quero um carrinho McLaren" (o que seria isso?). E do outro lado, a inquisição: "mas esperar até quando, uns 24 no méximo né?" - Tipo, DANDO PRAZO!- Porque se passar disso fica velha... e se ficar esperando e planejando nunca vai ter..."

 

Talvez fosse importante esperar... Esperar se estabilizar EMOCIONALMENTE, porque dinheiro minha gente, é o de menos pra ter filho óquei? Não nesse mundinho doente que só pensa no enxoval e esquece do primordial, que é você ter consciência de si mesmo, de suas emoções, de tudo que vem quando se bota barriga. Como você nasceu? Você ganhou amor da sua mãe? Como era quando você era bebê? Sua mãe trabalhava o tempo todo? E suas avós, como era o trato naquela época? Você não é uma semente trazida pelo vento, é uma árvore que tem raízes, que vão influenciar positiva ou negativamente sobre todas suas relações. Se você não se vê e não se conhece, como vai ser quando repassar esses registros que tão sabe lá aonde dentro de você?

 

Pra ser uma mulher inteira você não precisa ser nada disso que querem que você seja; não precisa casar, nem ser mãe, nem ser frágil, nem delicada. Pode ter voz grossa, usar qualquer tipo de roupa, experimentar o quanto quiser, ser qualquer coisa, sem o prefixo "apesar de" usado quando nascemos com o cromossomo Y. Pra ser inteira você precisa fundamentalmente ter consciência de sua condição feminina, muito além do estereótipo. Precisa manter sua natureza em alerta pra quando tentarem te empurrar pra algum desses papéis ridículos que, disfarça aqui, disfarça ali, perduram por séculos. Precisa saber dizer, "quem manda aqui sou eu".

Escrito por Caroline Cezar, 10/05/2013 às 11h01 | carol.jp3@gmail.com

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O rabequeiro mais lindo...

É Jorge, desenhado por Enrique Díaz, em "Noites de Reis"*. Filme sensível, sobre o tempo e a forma de lidar com a dor, cada qual à sua maneira. A mãe e a filha (Bianca Byington e Raquel Bonfante) também estão ótimas e a sincronia entre os três atores foi perfeita. "A rabeca é mais antiga que o violino, você sabia?" Eu sabia! E adoro ver a cultura popular elevada ao posto que merece, de destaque. Linda ambientação pro drama, muita brincadeira e poesia em forma de repente pra passar o recado. Valeu!

 


"Você sabe que o tambor não é só um pele colado em cima de um pedaço de madeira, não sabe? O tambor é feito de uma árvore, com a pele de algum animal, um cavalo, ou um boi. Por isso cada um é único, cada um tem seu jeitinho".
(Jorge falando sobre a vida com a filha). 


* O filme abriu a terceira edição do CINERAMA.BC. 

Escrito por Caroline Cezar, 01/05/2013 às 07h45 | carol.jp3@gmail.com

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Vem gente! @CineramaBC

 

Começa nessa terça em Balneário a terceira edição do CINERAMA.BC. Pra quem gosta de cinema e arte é imperdível MESMO! Nos outros anos uma programação de primeira linha com muita gente boa e interessante aportou por aqui, eu acompanhei bem de perto e amei. Mas ainda achei que faltou muita gente, gente que conheço bem, mais ou menos ou pouco, mas sei que não perderia um evento desses por nada. Até dá pra entender, porque geral fica com preguiça, um pouco desconfiada, não sabe se é picaretagem, se é quente, quem faz, como faz... Porque tá cheio de "eventos culturais", "festivais" meio meio né? Sem selo de qualidade, sem referência, que a gente vai na fé e depois se arrepende... Só te digo: pode acreditar!


Dá um ânimo extra receber aqui na cidade o que a gente sempre tinha que ir buscar fora. Concentrado assim, com uma sequência de filmes, curtas, médias e longas; oficinas, debates com os próprios diretores e envolvidos com a obra, intervenções artísticas nas ruas... aí fica perfeito.
Já tem bastante gente envolvida, mas ainda uma porção que pode somar, de um jeito ou de outro. Não só como público, mas contribuindo com idéias, sugestões, diversão e arte, apoios, enfim... o negócio engrenou e vai embora... e tô sabendo que tem um monte de artista escondido por aí. Vamo chegar junto povo! Ninguém vai se arrepender.

 

Vê a programação completa aqui.

 


Dica: O ingresso custa R$ 16,00 (meia R$ 8,00), mas dá direito não só a um filme, e sim a um curta, um longa, palestra, debate e todo burburinho. Também existem as sessões gratuitas, começando com a abertura na praça, com arte, filme, festa e tudo. Você também pode ligar solicitando um ingresso gratuito; pode comprar a credencial pros cinco dias por valor promocional; pode parar lá na porta e contar sua história; pode tentar trocar por um serviço; ou seja: NÃO DEIXE de ir por causa de grana. Quem quer de verdade arruma um jeito. Recomendo!

Escrito por Caroline Cezar, 29/04/2013 às 08h17 | carol.jp3@gmail.com

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Bom dia BC! #fotografia

 

Foto de hoje da linda e super observadora Fabi Loos, amiga querida e colega de coluna aqui no Expresso.

 

 

Escrito por Caroline Cezar, 23/04/2013 às 08h03 | carol.jp3@gmail.com

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