Pensar literatura como portas, não como escadas. Nunca um Dan Brown vai te levar a um Borges. Se eu não gosto de Henry James eu não preciso ler mil autores para alcançar aquele homem: o leitor maduro se encontra no mesmo nível que todos os autores maduros – rotulados como gênios ou não. E linguagens literárias lhe atraem como um paladar que muda de repente: ninguém precisa aprender a gostar de raiz-forte. A vida não-intelectual do leitor é obviamente quem também lhe dita o que toca e o que não toca. Então se traição para mim nunca foi um dilema (ou seja: nunca foi vida), eu não preciso achar Dom Casmurro genial. Eu não preciso alcançar Machado de Assis. Genialidade não deve nem precisa ser unânime. É claro que o exemplo ali do Dom Casmurro foi superficial e eu precisava escrever outro texto sobre as camadas de um livro, sobre as inúmeras maneiras que ele tem de nos pegar. Sem falar que às vezes uma obra é algo tão novo na nossa vida, tão estranho, que somente uma primeira leitura (feita com desgosto ou ausência de sentir) é a única vivência necessária para que na releitura a gente descubra que tal obra é inteiramente nós. A leitura quando é boa continua na cabeça. Já li muito livro tomando banho.
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