Certa vez o monge disse,
enquanto caminhava
por um zoológico
com seu mestre:
“nada tem realmente importância”.
Por descuido de um dos
funcionários
um urso escapou da jaula
e correu imediatamente
para atacar o monge.
O mestre saiu correndo e gritou:
“me diga agora se nada tem
realmente importância!”,
mas foi obrigado a olhar
para trás.
O monge estava plácido
enquanto era devorado
pelo urso.
"As pessoas que fizeram a literatura brasileira do século 20 não imaginavam que sua obra pudesse ser lida por negros. Não imaginavam que os negros iriam à escola um dia, que seriam universitários, que seriam intelectuais. Escrevi um artigo sobre Monteiro Lobato que me causou um problema tremendo, porque eu disse que sua obra era completamente imprestável, apesar de ser genial. Tenho um grande amigo que é negro, e sua filha negra estuda numa escola onde pegaram para ler o Monteiro Lobato. E, ali, ela leu que a negra é beiçuda e burra. A Tia Anastácia é caracterizada assim. Aí, me responderam ao artigo dizendo que aquilo era um absurdo, porque, para compreender um livro, eu tinha que contextualizá-lo historicamente. Aí, eu pergunto: você vai contextualizar historicamente um livro para uma criança negra de sete anos, que estuda numa escola de padrão alto onde todos os seus colegas são brancos? Vai pegar um livro que diz que a negra é burra, feia e fedorenta - que é como a Emília se refere à Tia Anastácia - e vai querer contextualizar isso historicamente? Esse livro é imprestável para ser usado numa sala de aula."
ALBERTO MUSSA NO PAIOL LITERÁRIO DO RASCUNHO. TUDO AQUI.
me deixe fora dos seus planos.
E "Santa Catarina", meu conto preferido do Panetone e que encerra o livro, está no Culture-se. Se se tratasse de um livro levemente esquizofrênico, seria Panetuno. Gosto também!
e um suspiro.
Discurso para entrada no Paraíso:
"estou com a mesma roupa de ontem. Não me julgue."
ou
"Isso é uma narrativa. Não espere que eu seja eu."
Às vezes eu penso que a gente deveria viver no mínimo seiscentos anos, para aproveitar as coisas que compreendeu. Mas aí eu me vejo com seiscentos anos e percebo que gostaria de seis mil anos; então, volto para cá. Trinta anos, idade em que a natureza já começa a desligar algumas funções do nosso corpo, é tempo de sobra para não se repetir. É um presente poder recomeçar tão logo.
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