É por isso que quando Buda atingiu a iluminação e as pessoas perguntavam a ele: “O quer você conseguiu?”, ele dizia: “Não consegui nada. Só perdi algo”.
OSHO

EL GRECO
O esposo do senhor Martin Couto passava o dia inteiro andando com um carrinho de bebê vazio ao redor de casa. Vez ou outra Julian ia até a cadeira de vime na varanda, abria a volumosa bolsa do bebê (de um estofado azul e verde clarinho), e voltava para perto do carrinho chacoalhando uma mamadeira bem cheia. Então, depois que o bebê já estava atracado à borracha, Julian voltava a se abanar com leque perante o barulho das cigarras no calor insuportável de Alegre.
O senhor Martin passava o dia cuidando das fazendas, mas nessa tarde estava na barbearia procurando assumidamente uma ajuda. Além do barbeiro, dois conhecidos estavam no local, e ouviram preocupados tudo o que sr. Couto tinha a dizer.
“Ele quer um filho, mas eu não sei como dar um para ele.”
“Por que vocês não adotam?”
“O Julian não aceita; quer o que ele chama de o fruto real do nosso amor. Ele matou o pug na semana passada – na banheira, terrível. Disse que não quer um prêmio simbólico pelos nossos cinco anos de união. E vocês não imaginam como já foi difícil convencer o Julian a casar comigo só no civil...”
“É, difícil, né.”
Diante da praça central da cidade, com o pequeno jardim e o corredor da garagem, a casa possibilitava um grande L para que Julian pudesse passear seguramente com a criança. Quando o sol não estava muito forte, Julian até se arriscava: jogava a bolsa do bebê num ombro, prendia o leque fechado debaixo do outro e ia empurrando o carrinho até a padaria. Na farmácia, as senhoras mais desavisadas acabavam por jogar o pescoço para dentro do carrinho e retiravam dali um rosto pasmo. Julian resplandecia como se ainda fosse gestante:
“Aluísio é o nome dele, vai fazer cinco meses daqui duas semanas.”
Por isso que Julian ficava até feliz com a presença de algumas crianças risonhas que apareciam grudadas às grades amarelas do portão da casa durante o dia. Os adultos, mais afastados, permitiam-se rir do riso dos menores. O senhor Martin aparecia na varanda humilhado e ordenava a Julian que colocasse imediatamente o carrinho para dentro da garagem.
“Se o Aluísio ficar cheio de brotoejas, quem vai passar pomada é você!”, dizia Julian que, indignado, retirava o bebê do carrinho e, dando palminhas na bunda de Aluísio para que continuasse a dormir, entrava na casa. Martin observava por uma última vez seus algozes e empurrava o carrinho até os fundos, descendo a porta da garagem.
No domingo eu vi um homem sem uma perna vendendo brinquedos no semáforo. Agilmente, de carro em carro, de muletas. Pensei: só a Flannery é capaz de colocar uma pessoa dessas num texto.
“O que não é familiar é facilmente observado. Nós nos tornamos cegos para o que é familiar. Não resta a necessidade de ver uma pessoa familiar.
Por exemplo, feche seus olhos e tente se lembrar do rosto de sua mãe – e você verá como é difícil fazer isso. Você consegue se lembrar com facilidade do rosto de uma atriz, mas quando fecha os olhos e tenta ver o rosto de sua mãe, ele vai começar a desaparecer. Os traços do rosto dela logo ficarão misturados; é difícil captar sua imagem. Você viu seu rosto tantas vezes, de tão perto, mas nunca olhou para ela com uma mente atenta. A proximidade se torna falta de familiaridade.”
Osho
Como o Scar é fantástico, néam? Imagina se o Simba crescesse daquele jeitinho arrogante – teríamos um rei tão fútil, tão prepotente. Outra coisa, olha como na essência o Simba é uma bostinha: não bastou chegar à idade adulta para perceber que ele não era culpado pela morte do pai. Ele precisou ouvir da boca do Scar, para então alterar a própria consciência. E se o Scar nunca tivesse revelado? E se a vida nunca tivesse permitido o Scar revelar? Hein? Hein? Quanta doença psicossomática. Olha o altruísmo aí, gente!
Queria ter todos os livros do Osho, mas não tenho pressa. Um livro dele veio até mim e comprei na hora: “Guerra e Paz Interior – ensinamentos do Bhagavad Gita”. Ver Osho narrando uma guerra... vocês não tem noção do que é. A gente vai sublinhando tanto que no final o lápis ganha o controle e eu to também desenhando na página – diamantes, labirintos. Isso que o Bhagavad Gita não me toca! Mas nas mãos do Osho, tudo vira Osho.
”Uma pessoa que está ansiosa para a guerra não toma cuidado em ver se o oponente também está ansioso ou não. Uma pessoa que está ansiosa para a guerra está cega. Ela nunca olha no inimigo. Ela somente projeta o inimigo. Ela não quer olhar para inimigo – de fato, qualquer um que ela encontre é um inimigo para ela.”
“Se uma pessoa má é autoconfiante, apesar de sua maldade ela pode ser transformada a qualquer momento, porque uma qualidade muito cristalizada de bondade esconde-se no fundo: a qualidade da autoconfiança.”
“Apenas aqueles que não param para pensar como Bheema ou Duryodhana, ou que estão em um estado de não-pensamento como Krishna, podem lutar em uma guerra. A reflexão, o pensar, é um estágio entre os dois. (...) O homem de não-pensamento é aquele que, percebendo a futilidade de pensar, foi além dele.”
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