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Balneário Camboriú, 03 de Setembro de 2010
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O despertador

Fui dormir pensando que devo aprender a descrever melhor. Produzir mais narração e menos diálogo (tenho pavor daqueles contos que são travessão embaixo de travessão – sempre caio nisso; mas para isso existe teatro, pô!). Então acordei, depois de uns cinco sonhos em que eu estava acordando na minha cama procurando observar como eu acordava. A temperatura do meu corpo, o edredom usado mais como companhia ao meu lado esquerdo do que para me cobrir (mesmo nos dias mais frios eu tenho essa maldita propensão), a posição dos meus braços sempre emaranhando-se ao redor da minha cabeça (costume que ficou de uma criança que tinha medo de ver espíritos). Enfim, isso é um bom exercício. Lá vou eu!

Escrito por Enzo Potel, 02/09/2010 às 14h46 | enzopotel@yahoo.com.br

Eis que leio Flush

Eta livro bom! Mesmo sabendo que esse é um livro de férias, porque a Virginia escrevia “livros que descansam de outros livros”, e Flush descansa do seu livro mais difícil, As Ondas.
As qualidades deste livro passam tão longe de orelhas, contracapas, até mesmo de resenhas. É a história de um cão, é uma história quase real, inspirada nas cartas de amor entre uma poetisa e um poeta famosos do séc XIX. Nessas cartas, Woolf observou que a poetisa Elizabeth Barrett sempre citava a presença do cocker spaniel que ganhou de presente de uma amiga do campo (ou seja: o cachorro conheceu a vida livre no começo da sua filhotice), e como a poetisa tinha sérios problemas de saúde e mal saía do quarto, a vida que a Woolf deu ao cachorro é tão altruísta, é como se ele fosse colocado nas trevas com a obrigação de amar uma pessoa. E ele acaba amando. E não há porque sair de lá.

Escrito por Enzo Potel, 01/09/2010 às 18h30 | enzopotel@yahoo.com.br

Cara ou Curinga

Na vida, eu jogo coisas do passado no presente; na escrita, eu jogo coisas do presente no passado. (com poesia eu nunca fiz isso, mas com prosa é mecanismo básico)

Escrito por Enzo Potel, 01/09/2010 às 17h50 | enzopotel@yahoo.com.br

A Scarlett Johansen...

...não parece um pônei?

Escrito por Enzo Potel, 31/08/2010 às 15h52 | enzopotel@yahoo.com.br

Se colocar uma lona em cima vira um circo; agora, se cercar, vira um hospício

Não simpatizo com aquele skoob. Acho tão fútil, tão quarta-série (“olha o livro que eu to lendo!”, “eu já li mais livros que você!”). As discussões são mais superficiais que meu pai, ou minha mãe,  interrompendo palestrante de centro espírita - os dois têm esse ponto em comum: adoram erguer o braço na platéia e dizer que a vida depois da morte não é assim não! 

Escrito por Enzo Potel, 31/08/2010 às 04h55 | enzopotel@yahoo.com.br

A Porta Negra

Numa sala de oitava série, minha professora de Filosofia falou sobre um reino muito distante, onde um rei chamou um escravo e disse:  “Eu te dou duas opções: continuar escravo até o último dia da sua vida ou A Porta Negra. O que você prefere?” Mesmo apavorado com o que iria encontrar, o escravo optou pela Porta Negra. Caminhou até ela e abriu. Era a liberdade.

Escrito por Enzo Potel, 29/08/2010 às 02h01 | enzopotel@yahoo.com.br
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