Jornal Página 3
Coluna
Dedo na Moleira
Por Waldemar Cezar Neto

É grave a situação

A foto da jornalista Renata Rutes, batida hoje próximo ao meio dia, no centro da cidade, ajuda a explicar nossa decadência turística. 

O Página 3 noticiou hoje que Balneário Camboriú encolheu seu turismo em 22,5% nos últimos cinco anos, segundo dados da secretaria municipal de turismo.

Houve dois questionamentos principais por parte de leitores: 1) o jornal está fazendo política para prejudicar o ex-prefeito Edson Piriquito e 2) usar a quantidade de lixo gerada para estimar a quantidade de pessoas não é correto.

Sobre o ex-prefeito, é necessário que quem comentou saiba que todos os números dessas pesquisas foram coletados durante aquele governo e não no novo, que começou há quatro dias.

Sobre o lixo para estimar quantidade de pessoas, é uma “régua” habitual, assim como consumo de água e energia elétrica.

No caso presente nem interessa se a “régua” está certa ou errada porque ela foi usada em todos os anos pesquisados, portanto seus eventuais desvios podem alterar a quantidade, mas não os percentuais.

Sou dos que acreditam que esta régua está errada, que geramos muito mais lixo por pessoa do que as 750g estimadas pela secretaria municipal de turismo e se eu estiver certo a quantidade de turistas é menor (e até muito menor) do que a da planilha.

No entanto, a discussão sem foco proposta por esses leitores não pode nublar o mais relevante: estamos nos ferrando como destino turístico.

O quadro abaixo, disponível no acervo estatístico do Ministério do Turismo, mostra os turistas argentinos que vieram ao Brasil nos anos de 2004 a 2010.

É fácil observar que em 2004 tínhamos 14,4% de participação e em 2010 já havíamos caído para 7,9%.

 

Depois disso ocorre a tragédia mostrada no quadro abaixo que também está disponível no Mtur.

 

 

 

Este quadro mostra Balneário Camboriú despencando, Florianópolis estabilizada, disparada na liderança estadual e Bombinhas dobrando sua participação -apesar de faltar água e esgoto naquela bela cidade.

Isso é real, o resto é conversa inútil.

A guerra não está perdida, inauguraremos em breve um grande centro de eventos e entraremos no mercado de Cruzeiros na próxima temporada, mas é preciso que as lideranças da comunidade encarem o problema de frente, estamos decadentes, continuamente decadentes.

E essa decadência pode queimar essas novas e talvez últimas oportunidades de nos reinventarmos como destino turístico.

Os motivos são vários, por exemplo a insegurança. Se temos medo que nossos filhos andem nas ruas, como imaginar que os turistas se sintam confortáveis e seguros?

Como acreditar que esses visitantes se sentirão à vontade andando por ruas que cheiram a urina; entrando num mar poluído onde boiam objetos estranhos?

A questão não é política é de sobrevivência da cidade. Ficarmos nos enganando não resolve porque os doentes com diagnóstico mal feito correm mais risco de morrer.

Escrito por Waldemar Cezar Neto, 04/01/2017 às 16h05 | waldemar@camboriu.com.br

publicidade

publicidade

publicidade

publicidade

publicidade

publicidade

publicidade

publicidade

publicidade

Fale Conosco - Anuncie neste site - Normas de Uso
© Desenvolvido por Pagina 3

Endereco: Rua 2448, 360 - Balneario Camboriu - SC | Telefone: (47) 3367-3333 | Email: jornal@pagina3.com.br