Balneário Camboriú, 17 de Maio de 2012
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Dedo na Moleira

A Lei do Nelson

Prédio desabar em regiões sem terremotos é coisa rara, mas acontece. Aqui em Balneário Camboriú já tivemos um caso assim, nas antigas, com vários mortos.
 

 

O que mais derruba prédio, depois de terremoto, é problema estrutural, seja por erro no projeto, sobrecarga na estrutura ou desgaste estrutural.
 

 

Acho que podem ter sido dois desses fatores somados que derrubaram edifícios ontem no Rio de Janeiro, sobrecarga e desgaste. Achômetro, só isto.
 

 

Naquela região a verticalização é antiga, foi o centro político e boêmio da capital do país, os grandes edifícios da Cinelândia começaram a ser construídos nas décadas de 1930/1940. Alguns desses edifícios abrigavam famosos prostíbulos o que parece bem adequado porque ficavam próximos à prostituição política dos ministérios, grandes empresas públicas e do Congresso Nacional.
 

 

Dois ou três anos atrás estive lá com minha filha e ficamos hospedados num hotel bem antigo, o anexo do Serrador que foi todo reformado e hoje pertence a uma dessas redes. O prédio ao lado, o principal do Hotel Serrador, na época estava sendo “descascado”, operários deixaram-no só na estrutura para uma reforma geral. O Serrador já foi o hotel mais famoso do Brasil.
 

 

Cai-cai de edifício se combate com legislação e fiscalização. Legislação prevendo vistorias periódicas e a fiscalização para exigi-la. Duvido que no Rio de Janeiro qualquer dessas coisas funcione.
 

 

Aqui em Balneário Camboriú temos uma legislação moderna, elaborada pelo ex-vereador Nelson Nitz -que é construtor- com apoio e colaboração do CREA, Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia. Prevê a vistoria periódica e, para edifícios já com certa idade, um exame inicial cujos prazos já venceram há tempos.
 

 

Também duvido que funcione. A lei municipal tem um detalhe salgado, imputa aos síndicos a responsabilidade se as vistorias não forem realizadas.
 

 

O Brasil funciona por leite derramado, só ganhamos legislação contra incêndios depois das grandes tragédias em São Paulo; o governo carioca decidiu fiscalizar instalações de gás quando explodiu um restaurante no Centro no ano passado.
 

 

Pode ser que o desabamento de agora leve os governos estaduais e municipais a se preocuparem com a integridade estrutural de edifícios. Tenho visto alguns aqui em Balneário Camboriú que só de passar na frente já dá medo.

Escrito por Waldemar Cezar, 26/01/2012 às 08h45 | waldemar@camboriu.com.br

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