Jornal Página 3
Coluna
Crônica Semanal
Por João José Leal

Dia da Criança e Telefone Celular

Na quinta-feira, além do feriado em homenagem à santa padroeira do Brasil, foi comemorado, também, o Dia da Criança.

Não sei porque criaram um dia especial para a criançada. Quem tem filhos ou netos pequenos, sabe muito bem que eles precisam e são merecedores de carinho, atenção e cuidados especiais todos os dias.

A verdade é que, até os anos de 1960, não se comemorava a data. Foram os donos das fábricas e lojas de brinquedo, com a força da propaganda comercial, que criaram esse costume de se presentear os filhos amados.

Há mais de um mês, os meios de comunicação estão a fazer propaganda dos mais incríveis objetos de desejo dos caras de anjo e muitos pais são colocados em saia justa, diante da extravagância dos regalos pedidos.

Neste tempo de ludismo eletrônico, sem livro de cinderela, sem brinquedo de pau ou de lata, imagino o bilhete de um garoto de sete anos:

“Kerido Pae, amanhan é dia da criansa. Axo que sou um bom garoto. Pesso de prezente um telefone celular, como aquele dos meus amigos".

É possível que grande parte da garotada preferiu verbalizar o pedido. É mais fácil, direto, rápido e criança sempre quer a coisa resolvida na hora.

Além disso, a linguagem escrita está cada vez mais difícil, abandonada e maltratada.

Na forma oral ou escrita, pedidos mil devem ter sido feitos a pais corujas e os lojistas mais que satisfeitos com as vendas para atender aos caprichos dos pequenos anjos.

Quantos brinquedos eletrônicos estarão fazendo a alegria, mesmo que efêmera, da criançada? Não se sabe. Para os pais, a alegria e felicidade dos filhos não tem preço.

Tudo muda. Afinal, o processo histórico não pode parar. Mas, nunca pensei ver criança de sete anos, rejeitar a boneca ou a bola para desejar um telefone celular, esse aparelho esperto que vive colado à palma da mão dos adolescentes, dos adultos e do pessoal da terceira idade, porque a velhice também merece viver conectada.

Agora, o time estará completo. Nossas crianças passarão o tempo de suas tenras existências de celular na mão. Não usarão o aparelho para falar com seus pais ou amiguinhos, mas o olhar estará vidrado na telinha mágica. Seus pequenos e ágeis polegares estarão a comandar foguetes, espaçonaves e as armas mais destruidoras de uma guerra virtual, no campo dos jogos cibernéticos.

Não sei como acabará essa guerra do futuro.

Escrito por João José Leal, 13/10/2017 às 07h43 | jjoseleal@gmail.com

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