Jornal Página 3
Coluna
Crônica Semanal
Por João José Leal

Gilmar Mendes, ministro do altar e das flores

Alguns integrantes do STF vêm se conduzindo de modo pouco recomendável. No caso de Gilmar Mendes, até de forma escandalosa. Com freqüência, faz críticas em público sobre outras autoridades da República, emite opiniões sobre processos que tramitam na Corte. Essas manifestações, feitas em frente aos microfones e sob o foco das câmeras televisivas, só contribuem para o descrédito da autoridade moral do Poder Judiciário. Isso fez com que um seu colega, de forma depreciativa, a ele se referisse como sendo “um rapaz”.

Gilmar Mendes esquece que exerce cargo que, conforme prescrição constitucional, exige do seu ocupante uma condição ética fundamental, a reputação ilibada, expressão um pouco fora da lingüística atual e que se refere a uma pessoa intocável, incorruptível, sem mácula. Porisso, tem significado semântico de perfeição humana, o que é muito difícil, senão impossível, de existir. Com isso, quer a Lei Maior que o magistrado da

Suprema Corte, atue com imparcialidade, sabedoria, serenidade e senso de justiça. E, que seja uma pessoa de conduta social discreta e irretocável.

Essa não tem sido a sua conduta, magistrado falastrão que gosta de se exibir nos meios de comunicação, fazendo comentários inconvenientes sobre temas políticos e econômicos, seara que não é da sua competência. Tem feito crítica grosseira, infundada e até injuriosa a autoridades constituídas, como aconteceu em relação ao Procurador Geral da República, que realiza um trabalho sério e eficiente.

Tem, também, a séria questão das liminares concedidas para soltar Jacob Barata Filho, acusado de crime bilionário. O simples fato de mandar soltar um preso envolvido numa poderosa organização criminosa, já seria uma decisão questionável. Afinal, desautorizou a ordem do juiz que vem conduzindo o processo com responsabilidade, dedicação e competência. A decisão de Gilmar Mendes é mais questionável, ainda, porque havia sido ele padrinho de casamento da filha do acusado e deste recebido flores de presente.

Ora, a lei processual diz que é suspeito para atuar no processo o juiz que for amigo íntimo da parte ou que desta receber presentes. É evidente que ninguém apadrinha casamento aos pés do altar se não for amigo íntimo do noivo e da sua família. Também, só recebe flores de presente quem é amigo íntimo ou presta favor ao doador.

Tudo isso indica a evidente suspeição e parcialidade de Gilmar Mendes para atuar no rumoroso processo criminal. Deveria, sim, ter se declarado suspeito e não fez. Ao conceder a ordem de Habeas-Corpus ao pai de sua afilhada de casamento, transformou um grave caso criminal numa escandalosa ação entre compadres.

Escrito por João José Leal, 04/09/2017 às 08h39 | jjoseleal@gmail.com

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