Jornal Página 3
Coluna
Crônica Semanal
Por João José Leal

Lula e Bolsa-Banqueiro

Confesso que custei a acreditar. Mas, está nas redes sociais e nos jornais. A bilionária herdeira de um banqueiro suiço, Roberta Luchsinger, está com pena da pobreza de Lula da Silva, depois do bloqueio de quase 10 milhões de reais, nas contas do ex-presidente. Chamou a imprensa para dizer que vai ajudá-lo, com dinheiro e valiosos objetos. A rica benfeitora se diz da esquerda, é filiada ao PC do B e está pensando em ser candidata a deputada federal,em Minas Gerais.

A promessa parece pra valer. Roberta já pediu uma reunião com Lula. Quer entregar-lhe, pessoalmente, um cheque de 91 mil reais, valor da mesada mensal que recebia do avô-banqueiro, falecido no mês passado. Como se vê, é mais uma esquerdista que vive sem trabalhar, usufruindo do capital alheio. Seu avô trabalhou, acumulou riqueza e ela se beneficia, aqui no Brasil, dos prazeres da vida burguesa. Mas, por diletantismo ou diversão, quer experimentar o sabor da aventura política.

Acompanhando a moda dos bastidores da política brasileira, o cheque irá numa valiosa mala Rimowa, recheada com relógio Rolex, de 100 mil; anel de diamantes de 145 mil; sandália de 3 mil; vestido da Gabbana de 30 mil; bolsa Chanel de 32 mil e uma bandeja de prata, com brasão da família. Roberta acha que esses objetos poderão ser leiloados e render mais de 400 mil reais. É possível, mas não vai ser fácil. Lula e sua companheira Dilma quebraram o país e a crise econômica é grande.

Ninguém desconhece que Lula já está com o pé na estrada, repetindo sua ladainha de perseguido pelas elites e injustiçado pelo juiz Sérgio Moro. Assim, qualquer ajuda financeira é bem vinda, já que dinheiro desviado da Petrobrás e de outras empresas públicas, não chegam mais aos cofres do PT, pelas mãos de grandes empreiteiros.

No entanto, Lula está num dilema. Se não aceitar a oferta, fica desfalcado financeiramente para continuar sua campanha presidencial. Se aceitá-la, perde o falacioso discurso de perseguido das elites brasileiras. Além do mais, se aprovada a lei de financiamento público da próxima campanha eleitoral, uma formal candidatura de Lula poderá ser facilmente impugnada, por ter sido feita antes do período eleitoral e financiada com recurso privado, ironicamente, oriundo de um banco suiço.

Roberta critica o "ódio exacerbado contra o PT" e reconhece que "virou moda chamar Lula de ladrão". Porém, acredita que ele "foi bom para os pobres e também para os ricos". Quanto a estes últimos, os grandes banqueiros e empreiteiros não podem reclamar dos tempos dos governos petistas.

Se a tragédia se repetir e Lula voltar à presidência, Roberta poderá ser a próxima presidente do Banco Central.
 

Escrito por João José Leal, 17/08/2017 às 11h17 | jjoseleal@gmail.com

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