Jornal Página 3
Coluna
Crônica Semanal
Por João José Leal

Dragão Armado

Estava caminhando na praia de Balneário Camboriú e me deparei com uma cena preocupante. Quinze jovens, não sei se algum adolescente, todos em pé, mãos para trás, trajando bermuda ou calção e camiseta, enfileirados, um ao lado do outro. Não estavam fazendo exercícios físicos nem de contemplação esotérica. Estavam, sim, sob a mira de dois fuzis, sendo revistados por mais dois guardas municipais, esses que vemos fardados e empertigados, armados e cheios de aparelhos ciborguianos, a desfilar pelas calçadas desta cidade balneária.

Não vi o começo da operação, ocorrida próxima das 10h da manhã, de sexta feira. Assim, não sei qual foi o critério utilizado para selecionar, dentre tantos veranistas que já se encontravam na praia, as pessoas selecionadas para a revista feita de forma tão ostensiva. Também não fiquei para ver o que aconteceu ao final. Não sei se alguém foi preso e se a draconiana operação teve algum sucesso em termos de prevenção da delinquência, se é que esta era o objetivo da acintosa ação policialesca.

Parece que a guarda municipal armada vem agindo dessa forma, com certa frequência. Ao menos, já assisti duas vezes a essa mesma cena, em menos de um mês. E só caminho na praia aos finais de semana.

Não há dúvida de que todos querem viver em paz. De forma expressa, diz a Constituição Federal que a segurança coletiva é dever do Estado e direito de todos. Aliás, ninguém desconhece que a segurança está entre as prioridades reivindicadas pela maioria dos brasileiros. Em consequência, se queremos viver em segurança, temos que apoiar qualquer ação policial. Mas, sempre que necessária, razoável e realizada em conformidade com a lei.

A meu ver, as operações realizadas na praia, em meio aos banhistas, pela Guarda Municipal Armada de BCamboriú, não são necessárias nem eficientes para prender criminosos. Com certeza, ali não estão os bandidos da cidade. Ao ser executada com o uso de fuzis, ostensivamente apontados e engatilhados, a ação policialesca se torna chocante e assustadora porque realizada em local de entretenimento, em meio a milhares de famílias reunidas com suas crianças, numa atividade de puro lazer.

A ação da Guarda é, desnecessária, também, porque indiscutivelmente perigosa. No caso de tentativa fuga de um desses "selecionados" para revista, é razoável prever que o guarda armado dispare o fuzil, em meio aos banhistas. E não é absurdo prever que, por erro, algum veranista se transforme em vítima desse tipo de ação policial.

Está aí uma questão que não pode ser ignorada pela nova administração municipal.

O Dragão precisa ser controlado!

Escrito por João José Leal, 11/01/2017 às 14h45 | jjoseleal@gmail.com

publicidade





publicidade

publicidade

publicidade

publicidade

publicidade

Fale Conosco - Anuncie no Página 3 - Normas de Uso
© Desenvolvido por Página 3

Endereço: Rua 2448, 360 - Balneário Camboriú - SC | Telefone: (47) 3367-3333 | Email: jornal@pagina3.com.br