Jornal Página 3
Coluna
Crônica Semanal
Por João José Leal

A tragédia da Chapecoense

Com seu nome de origem indígena, a próspera Chapecó, a conhecida capital da agroindústria catarinense, viveu a grande tragédia de sua história.

Ocorreu longe, bem distante da casa de cada um, nas barrancas da cordilheira andina.

Mas, aterrorizadora e angustiante porque a morte não respeita distância nem fronteiras na sua implacável função de levar a dor e o sofrimento aonde quer que se encontre um coração enlutado pela perda do filho, do pai, da esposa, do irmão ou de um amigo.

Mesmo longe, acontecida em meio às trevas, à chuva e nas alturas andinas, a notícia do desastre aéreo voou célere, mais rápida que avião, nas ondas da mídia eletrônica e das redes sociais. Logo, chegou às terras que um dia pertenceram à tribo do Índio Condá para enlutar toda uma comunidade e atingir a nação brasileira mergulhada nas trevas de uma grave crise que, agora, começa a mostrar toda a sua força, todas as suas dolorosas conseqüências.

E, assim, na semana passada, os meios de comunicação não falaram mais da polêmica eleição de Donald Trump, da morte de Fidel nem da situação econômica e política nacional. Tragédia, catástrofe, fatalidade, desastre, dor e sofrimento foram as palavras mais pronunciadas, escritas e escutadas, num discurso uníssono e repetitivo focado no acidente aéreo ocorrido nas cercanias da longínqua e bela Medellin, a cidade que um dia já esteve nas mãos do mais perverso traficante e que se transformou na cidade da solidariedade e fraternidade .

Nunca, antes, na história do esporte mundial, havia ocorrido desastre dessa dimensão em vidas humanas. A imprudência criminosa de um piloto acabou com o sonho da Chapecoense, uma equipe do interior deste país que havia demonstrado, no embate de cada disputa e de cada vitória, ser capaz de chegar ao topo do futebol sulamericano e lançar mão da cobiçada taça, feito só alcançado pelos grandes e tradicionais clubes do futebol deste nosso pobre continente da banda oriental das Américas.

A gloriosa trajetória da Chapecoense foi para sempre interrompida, levada nas asas de uma tragédia aérea que ceifou a vida de 71 pessoas, jornalistas, dirigentes desportivos e, praticamente, toda a equipe do clube que levou nome da cidade para o Brasil e, agora, para mundo.

O sonho acabou sem a disputa final, em gramados do embate desportivo. Mas, a Chapecoense não terminou derrotada. Pela bondade solidária dos hermanos de Medellin, foi ela simbólica e fraternalmente reconhecida como a grande campeã do certame. Respaldando o belo exemplo de solidariedade, a Conmebol concedeu-lhe o título de campeã da Copa Sulamericana de 2016. Um título marcado pela tragédia, que custou dezenas de vidas para ficar gravado na história do futebol mundial.
 

Escrito por João José Leal, 06/12/2016 às 11h58 | jjoseleal@gmail.com

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