Jornal Página 3
Coluna
Crônica Semanal
Por João José Leal

Inglaterra sai da União Europeia

Na sexta-feira passada, o mundo globalizado foi sacudido pela surpreendente decisão do povo inglês, que votou para sair União Europeia. O resultado do plebiscito está sendo comparado a um violento furacão, a um “estrondoso sismo” no discurso da imprensa midiática, sempre focado na linguagem sensacionalista. Para muitos analistas, as graves consequências econômicas e políticas geradas pela saída do Reino Unido poderão abalar os alicerces desse extraordinário modelo supranacional de convivência entre povos distintos e unificador de Estados independentes.

Passado o impacto dos primeiros dias, tudo indica que a Inglaterra será a grande perdedora. A Escócia já fala em nova consulta popular para sair do Reino Unido e se manter integrada aos demais países europeus. A saída dos escoceses será um duro golpe para a Inglaterra, que caminharia ainda menor para o seu isolamento político e econômico. Assim sendo, como explicar o voto majoritário pela Brexit?

A explicação mais repetida atribui o voto pela saída ao forte sentimento xenófobo da população inglesa mais velha e conservadora, contrária à presença de tantos trabalhadores estrangeiros em seu país. Para esses britânicos saudosos do grande império perdido, a imigração estrangeira ameaça os empregos e os valores da sociedade inglesa. Não admitem que que a população europeia não está crescendo e que, porisso, precisa de mão de obra estrangeira. Foi um voto marcado por um discutível sentimento nacionalista e pelo medo de que os estrangeiros acabem com o modo de vida britânico.

Penso, no entanto, que há uma outra explicação, mais difusa e imensurável. Está no fato de que, numa democracia, as escolhas populares nem sempre são tomadas pela maioria da população, mas por uma maioria, às vezes escassas, representada pelos que foram votar, decidindo por conta dos omissos. Assim, embora democráticas, nem sempre são as mais acertadas. Isto a experiência histórica tem demonstrado ao logo dos séculos. Prova desta assertiva pode ser vista nas eleições de lideranças políticas, que nem sempre são as melhores e que, muito menos, fazem o melhor para atender aos interesses da nação.

No caso do plebiscito inglês, seguramente, a decisão pela Brexit não foi tomada pela maioria da população britânica e, sim, por uma relativa maioria dos que foram às urnas para votar. Dessa forma, embora democrática, não foi a mais acertada, opinião que ganha cada vez mais adeptos. A maioria da sociedade inglesa parece que, hoje, se manifesta arrependida da decisão de sair da UE.

Como a Inglaterra é uma nação politicamente civilizada, ficou um exemplo, para nós, brasileiros. O primeiro-ministro David Cameron reconheceu que foi derrotado em sua campanha pela permanência do Reino Unido na União Europeia e anunciou que vai renunciar. Com seriedade e muita responsabilidade política disse que “o país exige uma nova liderança". No Brasil, renúncia só com impeachment e levianas acusações de golpe de Estado. 

Escrito por João José Leal, 29/06/2016 às 13h20 | jjoseleal@gmail.com

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Telefone Celular e educação moderna

Assim como a narrativa bíblica, com o Velho Testamento baseado num catecismo-linha dura de tempo implacável para o fiel e com seu Novo Testamento e uma nova ética cristã, pregando o perdão, a caridade e o amor ao próximo, assim também a história da educação pode ser dividida em dois momentos históricos. O do ensino ministrado com base numa disciplina rigorosa, aluno sujeito a castigos severos, tempo sem escola para todas as crianças, muitas trabalhando desde cedo, outras querendo sentar num banco escolar, sem educação insculpida como direito na Carta Constitucional, tempo, enfim, em que professor da escola primária era cidadão visto com admiração, exercendo a atividade docente com autoridade e respeito.

Hoje, parece que tudo mudou, embora existam ainda muitas crianças sem escola e muitas escolas em condições precárias, mais parecendo pardieiros. É o tempo que estamos vivenciando, este tempo pósmoderno de tanta mudança, muitas para nos deixar no mesmo lugar, com nossas incertezas, angústias e contradições, tempo em que se pratica um ensino sem lugar para proibições, professor sem autoridade, vista como estigma da opressão odiosa, aluno colocado na redoma impenetrável da doutrina da proteção integral.

Pois, foi numa dessas escolas de tanta liberdade, numa cidade perdida no interior de Sergipe, que um professor foi levado à barra do tribunal por ter retirado um telefone celular das mãos de um aluno, que preferia escutar música em vez dos ensinamentos da disciplina ministrada. Adolescente, contou do aval materno para ir à justiça pleitear danos morais para reparar o seu “sentimento de impotência, de revolta e o enorme desgaste físico e emocional,” causado pela “ação autoritária” e odiosa do professor.

Como nem todo juiz comunga das ideias trazidas pelos novos ventos da pedagogia da liberdade sem limite, a ação foi julgada improcedente. A sentença veio na forma de um justo manifesto de desagravo e de homenagem ao professo, especialmente, aos professores do ensino médio e fundamental. Para o juiz sergipano Eliezer Siqueira, a docência que “sempre foi considerada um sacerdócio, hoje, parece um carma”. Porisso, sentenciou que, num país que virou as costas para a Educação, é preciso reverenciar o “verdadeiro HEROI NACIONAL”, que é o professor.
A História se move dialeticamente. Antigamente, praticava-se uma educação baseada no medo e sem liberdade. Hoje, parece-me que muita gente pensa que a liberdade no âmbito da relação educacional, conquistada a duras penas, é passaporte para se conduzir sem disciplina e sem responsabilidade.

E, assim, o professor surge, no atual contexto da educação pósmoderna, como o herói que trabalha em cima do fio da navalha. Equilibra-se, como mestre de um malabarismo fantástico, para evitar a balburdia generalizada e para manter a disciplina indispensável ao processo de ensino, sem cair no autoritarismo que pode significar ajuste de contas com Conselhos Tutelares ou até com a justiça criminal.

Pobre professor, obrigado a falar para paredes e ouvidos moucos, abertos apenas para a música e mensagens que invadem salas de aula pelo milagre da cibernética a serviço da telefonia celular.
 

Escrito por João José Leal, 22/06/2016 às 13h04 | jjoseleal@gmail.com

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Massacre em Orlando e desarmamento

O assassinato de 49 pessoas e dezenas de feridos, em Orlando, chocou a opinião pública mundial e aterrorizou o povo norteamericano que, desde aquele fatídico 11 de setembro de 2001, vive a síndrome do pânico terrorista. No Brasil, os meios de comunicação voltaram o foco de suas lentes para o terrível massacre. Não somente pela gravidade da tragédia. Também porque milhares de brasileiros, a cada ano, visitam os parques temáticos cheios de magia e ilusão de Orlando. Nossos turistas são presença constante na extraordinária máquina lúdica de fazer dólar, que sustenta a economia daquela cidade norteamericana. Felizmente, para tranquilidade de amigos e familiares, nenhum brasileiro estava entre os mortos e feridos.

O bárbaro crime foi praticado numa casa noturna frequentada pela militância e simpatizantes da comunidade gay e indica que seu autor, americano de origem afegã e de religião islâmica, agiu movido por um sentimento de intolerância ao homossexualismo e lebianismo.

Ato terrorista individual ou vinculado ao Estado Islâmico, a verdade é que o assassinato coletivo trouxe de volta a discussão sobre a liberdade individual de qualquer cidadão americano possuir uma arma de fogo. E, principalmente, sobre a facilidade de se comprar revolveres, pistolas, fuzis e metralhadoras em casas comerciais especializadas daquele país.

Grande parte do povo norteamericano acha que ter uma arma em casa é um direito fundamental e necessário para a proteção pessoal e da propriedade particular. Porisso, o Estado não teria legitimidade jurídica para estabelecer qualquer proibição ou restrição sobre esse direito consitucional. Não querem ver o que a experiência e as estatísticas demonstram com evidência. Raríssimas vezes, o possuidor de uma arma, em face de uma agressão ou de um assalto, consegue usá-la para defender a si próprio, a sua família ou a sua propriedade.

Os números mostram que a arma que temos em casa serve muito mais para o assaltante usá-la contra nós mesmos. Leigos, não sabemos manejá-la com a rapidez e a habilidade indispensáveis para uma defesa ao ataque sempre praticado de surpresa e de forma traiçoeira. Serve, também, para facilitar suicídios e mortes acidentais de familiares. Estudos mostram que pessoas profundamente angustiadas encontram no revólver guardado na gaveta do armário, o caminho mais fácil para o suicídio. Uma arma em casa é sempre muito mais usada, ainda, para cometer atos de violência doméstica, nos casos de assassinato ou de lesão contra pessoas da própria família.

Será difícil uma mudança no pensamento armamentista do povo norteamericano e, em consequência, de sua legislação constitucional. Eles devem ter uma forte bancada do fuzil, no Congresso Nacional. Enquanto isso, no Brasil, a chamada Bancada da Bala tem trabalhado bastante para revogar nosso Estatuto do Desarmamento. Aprovado após consulta popular, a lei brasileira não proíbe totalmente, mas dificulta bastante a compra, o registro e a posse de uma arma de fogo.

Acho que, neste campo, estamos melhor do que os Estados Unidos, onde acontecem com certa frequência casos como esse de Orlando. Lá, é fácil um fanático, um psicopata ou um terrorista, isoladamente, adquirir uma arma de alto poder letal, ir a uma escola, cinema, restaurante ou a uma boate e cometer um assassinato coletivo, espalhando o terror, o pânico e alimentando o ódio dos que se sentem injustamente atingidos.
 

Escrito por João José Leal, 15/06/2016 às 11h04 | jjoseleal@gmail.com

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Lei Rouanet e desvio de finalidade

A conhecida Lei Rouanet foi promulgada em 1991. Muitas são suas finalidades, como por exemplo garantir a todos o livre acesso às fontes da cultura e o pleno exercício dos direitos culturais ou, ainda, apoiar e valorizar o conjunto das manifestações culturais e de seus respectivos criadores. Porém, de uma forma geral, pode-se dizer que seu objetivo principal é o de promover e estimular a produção cultural e artística brasileira. Se assim é, não se pode criticar essa lei, aprovada após muita discussão e intensa manifestação da classe artística brasileira.

No entanto, sua execução tem sido objeto de severas críticas. Entre outras, há denúncias de aprovação de projetos de valor discutível; de favorecimento indevido aos artistas contemplados com doações ou patrocínio: de concentração de valores muito elevados, em favor de determinado projeto ou artista. Há quem, até mesmo, questione a validade da própria lei. O argumento é de que a arte e a cultura têm o mesmo valor social e econômico que as demais atividades profissionais. E, se o artista escolhe livremente a sua atividade, deve arcar com o risco da opção livremente assumida. Assim, dizem, não é justo patrocinar, com recursos provenientes de renúncia fiscal, a atividade artística, pois o mesmo tratamento não é garantido ao pedreiro, ao motorista, à enfermeira, ao médico ou à professora.

Embora a classe artística esteja sempre a pedir mais, é preciso lembrar que, em 2012, foram distribuídos recursos da ordem de 1 bilhão e 300 milhões de reais, provenientes de renúncia fiscal, para financiar projetos aprovados nos termos da Lei Rouanet. Não é pouco, num país sem recursos suficientes para a saúde pública. Mas, nada ou, quase nada, chegou aos artistas da nossa região, porque a prioridade na distribuição é de artistas como Chico Buarque, Caetano Veloso e sua irmã Bethânia.

Muitas denúncias à Lei Rouanet têm rolado na imprensa e nas páginas virtuais da internet. Nem sempre são verdadeiras. Às vezes, mesmo procedentes, exageram. Porém, muitos projetos têm sido aprovados, contrariando a finalidade da referida lei. O desvirtuamento na execução da lei, nesses casos, é fato indiscutível. Os mais emblemáticos ficam por conta dos projetos de financiamento do Cirque do Soleil e do Rock in Rio, eventos que cobram ingressos elevados, faturaram milhões na bilheteria e, ainda, outros milhões provenientes da renúncia do imposto de renda.

A lei também foi usada para favorecer um grupo teatral da neta do então presidente Lula, que captou 300 mil reais, por meio da Operadora OI. Outro projeto bastante criticado, dos tempos de Marta Suplicy no MinC, foi o do estilista Pedro Lourenço, no valor de R$ 2,8 milhões, para participar da Semana de Moda em Paris.

Como se vê, a crise moral brasileira é profunda. O mau uso do dinheiro público parece conduta generalizada. Está em toda parte. No caso do uso indevido dos recursos provenientes da Lei Rouanet, atores da improbidade são aplaudidos nos palcos dos teatros, das casas de show e, até, desfilam em passarelas da alta costura parisiense.
 

Escrito por João José Leal, 08/06/2016 às 08h40 | jjoseleal@gmail.com

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Venezuela, Brasil e Esquerda no Poder

No final de fevereiro, o menino Oliver Sánchez, de oito anos de idade, participou de uma das muitas manifestações de rua. Não no Brasil, mas na Venezuela. Levava nas pequenas mãos um cartaz que dizia “Quiero curarme – Paz – Salud”. Na verdade, estava protestando pela falta de remédio para tratamento do câncer que lhe consumia a vida. Na semana passada, sem muito destaque, as redes de comunicação social deram a triste notícia da morte desse menino. É mais uma vítima de um governo que levou a Venezuela à falência econômica e social.

Em regra e, seriamente, não se pode responsabilizar um governo pela doença e morte de um cidadão, nem de uma criança. Principalmente, quando decorrente de um câncer, mal até hoje ainda incurável. Mas, no caso da Venezuela, o país foi levado à ruína econômica pela total incompetência de um governo, há quase 20 anos no poder. Em consequência, o desabastecimento tomou conta do país. Com frequência, o povo vai às ruas para protestar. E o menino queria, apenas, remédio para tratamento de sua doença.

Uma criança pode morrer em qualquer lugar do mundo, porque a morte, individual ou coletiva é um fato inexorável que sempre acompanhará a humanidade. Porém, o caso dessa infeliz criança, lamentavelmente, é a demonstração mais evidente e triste da tragédia vivenciada pelo povo venezuelano, na área da saúde pública. Não é somente a grave escassez alimentos. Faltam, também, 85% dos medicamentos para tratamento das doenças em geral, que atingem a população do país, sem distinção de idade.

A Venezuela poderia ser um exemplo de prosperidade econômica, por conta de suas fartas jazidas petrolíferas e, em consequência, um modelo político e social para as demais pobres nações lationamericanas. Mas, está mergulhada numa grave crise, num verdadeiro caos. Tudo por conta de um governo esquerdista e de seu desastrado projeto de implantação de uma sociedade socialista, adjetivada de bolivariana. Depois que Hugo Chaves passou a governar o país, a atividade econômica foi sendo atrofiada. Hoje, com a agricultura e a indústria praticamente paralisadas, nada mais se produz naquele. O resultado aí está, ruína econômica e grave crise política.

Historicamente, tem sido assim. Esquerda no poder significa gasto público sem limite, sem responsabilidade e sem receita para sustentar a despesa; corrupção e assalto aos cofres públicos; demagogia na concessão de benefícios sociais; incompetência na execução de programas e obras de infraestrutura. Depois, o caos, a ruína econômica, o desabastecimento, o desemprego, a violência e o sucateamento da saúde pública.
É o que está ocorrendo na Venezuela; ocorreu na Argentina, do casal Kirchner e no Brasil, durante a administração petista.
 

Escrito por João José Leal, 31/05/2016 às 11h51 | jjoseleal@gmail.com

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Outono, Frio e Tainhas

A natureza é assim mesmo, cheia de surpresas. Até o final de abril, o tempo era de um outono cheio de sol e, até, de calor intenso, verão atravessando os limites demarcatórios das estações fixadas ou ficcionadas pelos homens dos termômetros. Mas, quando menos se esperava, fomos visitados por uma forte onda de frio andino, andando por vales, rios e montanhas para nos fazer tremer, puxar cobertores, casacos e blusas de lã das gavetas, guarda-roupas e do fundo dos baús.

Não sei se estão lembrados, mas terminamos o mês de abril com dias gelados, até com neve despencando por alguns minutos, lá na nossa Urupema das altitudes, cidade que faz questão de levantar a taça de cidade mais fria do Brasil. E os meteorologistas dizendo que o inverno seria ameno. Pelo que já tivemos, parece que esses magos do tempo e da temperatura não calibraram direito os seus radares, satélites, computadores e programas de informática, sofisticado instrumental que mandou de volta para o tempo medieval, barômetros, astrolábios e também cartas de tarô, búsios e vergas de pessegueiros sobre previsões tão incertas que não passavam de meros palpites.

Pois é. Mesmo com tanta modernidade à disposição, parece que o frio que nos fustiga desde a semana passada, não entrou nos radares desses cientistas do sol e da chuva. Mas, veio, sim e com rigor, para fazer, o pescador de cepa açoriana das praias da nossa região, embarcar em suas canoas bordadas, esculturas insculpidas em um só pau de garapuvu, essa imponente árvore da Mata Atlântica, para remar mar adentro, furar a quebrada das ondas, braços fortes no vai-e-vem de remos pra frente e pra trás, pra dentro e pra fora da água gélida, piloteiro na proa, mãos ágeis lançando a rede para o cerco sempre incerto da pesca anual das esperadas tainhas, que os cientistas chamam de Mugil brasiliensis.

É o ritual do arrastão que se renova a cada ano, rede lançada ao mar em busca desse peixe outonal, que muda por algum tempo o cardápio nosso de cada dia. Diz antigo ditado popular, passado de pai a filho, que quanto mais frio, mais tainha arribando nas nossas praias. A sabedoria popular estava certa. O frio chegou e trouxe consigo cardumes imensos, manchas escuras turvando a água fria a se oferecer em sacrifício alimentar ao pescador paciente, espera de um ano para jogar a rede ao mar.

E, enfim, a expectativa emocionante dos lanços fartos de fazer montanhas de tainha nos tapetes praianos do nosso litoral. Tanto peixe, aos montes e aos milhares nas praias, não foram estória de pescador porque a mídia e as redes sociais mostraram as imagens impressionantes desse prodígio da natureza. E, agora, por uns tempos, temos Mugil brasiliensis, ou melhor, tainha nas nossas mesas do meio dia.
 

Escrito por João José Leal, 27/05/2016 às 10h07 | jjoseleal@gmail.com

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