Jornal Página 3
Coluna
Crônica Semanal
Por João José Leal

Saramago e o Convento de Sofrimentos

Para quem gosta de ler e quiser enfrentar o desafio de encarar um romance de José Saramago, penso que não vai se arrepender. Falecido em 2010, foi o único autor da Língua Portuguesa a receber, com justiça, o prêmio Nobel Literatura.

É verdade que, brasileiros como Érico Veríssimo, Jorge Amado ou Guimarães Rosa, bem que mereciam essa distinção, passaporte para a fama e o sucesso literário garantido. Mas, os críticos da comissão julgadora lá da Escandinávia, sempre à procura de escritores de estilo inovador ou complicado, preferiram oferecer o milionário premio ao lusitano José Saramago, que entrou na Suécia pobre, com poucos euros no bolso e saiu de Estocolmo com um cheque de milhão de dólares na carteira.

O mais importante, no entanto, foi se transformar numa estrela da literatura internacional, com garantia de vender milhões de exemplares de suas obras.

Rápido, sua obra literária cruzou as pobres fronteiras da língua portuguesa para ser traduzida e lida por leitores do mundo inteiro. E Saramago passou a marcar presença nos mais importantes eventos literários mundiais. Cumpriu esses compromissos sempre com o azedo humor do seu temperamento.

Numa de suas andanças, convidado ao Brasil, daqui saiu falando cobras e lagartos por ter se sentido mal atendido por funcionários do aeroporto. De Portugal, exilou-se na Espanha até o final de sua vida, contrariado com as autoridades portuguesas, que não reconheciam, segundo sua opinião, o valor de suas obras.

Assim, a meu ver, foi José Saramago, a pessoa, com suas chatices e irritações que ele próprio nunca fez questão de esconder. E, ao mesmo tempo, um dos maiores escritores da última Flor do Lácio, nossa querida Língua Portuguesa. No entanto, é preciso saber que sua prosa não é fácil. Antes do seu prêmio Nobel, comecei a ler o romance Jangada de Pedra e parei após a leitura de uma dezena de páginas. Mais tarde, insisti na leitura deste romance e compreendi o seu grande valor literário.

É verdade que o autor usa imensos períodos e frases sem ponto, marcados apenas por vírgulas. Criou um estilo próprio para narrar suas histórias portuguesas, onde o real e o imaginário ou o realismo fantástico - sempre pontuados por uma fina ironia a respeito das coisas de Portugal - se entrelaçam de forma admirável.

Li boa parte de sua obra, feita de excelentes romances. Destaco, neste curto espaço, Memorial do Convento. Com sua brilhante pena e seu estilo cheio de provocantes meandros, Saramago narra história do trabalho desumano de portugueses quase escravos, gente miserável, gente sem nome e nada, os coisa-nenhuma de uma sociedade opressora, recrutados para construir o Palácio de Mafra, promessa do rei João V à poderosa Igreja Católica, em agradecimento pela gravidez de sua fervorosa rainha.

Em meio a tanto sofrimento e miséria humana para edificar a glória lusitana, o fio da narrativa se prende às figuras misteriosas da humilde e mediúnica Blimunda Sete-Luas, que seu companheiro Baltasar Sete-Sóis, sem crime e sem culpa, findar seus dias de agonia, nas chamas da intolerância religiosa e da ignorância inquisitorial.
 

Escrito por João José Leal, 22/11/2016 às 07h41 | jjoseleal@gmail.com

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Velho Chico e Lava Jato

Não sei se, intencional ou mera coincidência, a novela Velho Chico terminou na véspera das eleições municipais, focalizando a vitória da candidata a prefeita, que havia feito campanha pregando o fim da corrupção na administração pública da imaginária Grotas do São Francisco, pequena comunidade do sertão nordestino. Foi uma das melhores novelas da Globo, que se destaca na produção de séries e folhetins de excelente qualidade técnica e artística. A novela realmente agradou por sua ótima trilha sonora, bela fotografia e seu texto preocupado com a preservação ambiental, com o drama familiar e com a vida política de uma pobre cidade explorada por um coronel latifundiário e por governantes corruptos.

Foi bonito ver, a cada noite, o desfile das belas imagens do Rio São Francisco, com os capítulos acontecendo para formar um álbum fotográfico de rara beleza.

A cada noite, podia-se contemplar a fachada iluminada do imponente casarão dos tempos coloniais, refletindo nas águas mansas, os desfiladeiros, as curvas e os meandros cheios de mistério do rio correndo lentamente, como a marcar o ritmo da vida da fazenda da família Saruê e da pequena cidade de Grotas, com sua população encabrestada, alienada, assistindo à disputa entre um coronel latifundiário e a família rival do agricultor Santo dos Anjos, seguidor da saga Capitão Ernesto Rosa, guerreiros de uma cruzada por uma sociedade mais justa e humana.

Merece ser destacado o apelo ecológico da novela, em favor da preservação das águas do São Francisco, um dia já conhecido como “o rio da integração nacional”, com suas gaiolas então navegando de Minas até suas águas se lançarem ao Atlântico.

O folhetim de cada noite de muitos brasileiros sentados em frente à TV desempenhou muito bem, por meio de seus atores e da sofisticada técnica televisa, um importante papel ambiental. Foi uma lição sobre o grave problema da seca do São Francisco, carinhosamente, chamado de Velho Chico, hoje, um rio envelhecido, ressequido, assoreado, até ressentido pelos maus tratos causados pela insensatez humana.

O final foi emocionante. Cheio de sonhos, maravilhas e utopias enfim realizadas. Como sempre acontece nas novelas, que existem para que as pessoas se emocionem em frente à tela mágica, o último capítulo foi um desfile completo de romances, desejos e projetos realizados. Casamento proibido, chegando aos pés do altar; eleição da candidata do bem, triunfando sobre as forças políticas da corrupção; agricultura sustentável, em cima de terras áridas; ressureição surrealista do ator morto nas águas do São Francisco, tudo isso aconteceu no grande final da novela Velho Chico.

E, ainda, vida real adentrando o palco da ficção novelística, a transformação ética do personagem principal, o grande vilão da história, Coronel Saruê, arrependido de seu passado de crimes e de maldades, que se apresentou ao Ministério Público para colaborar com a justiça criminal. E, então, a Polícia Federal entra em ação para prender prefeito, vereadores e secretários, com a Lava-Jato nordestina acabando com a impunidade de políticos corruptos, levando a esperança ao povo de Grotas do São Francisco. 

Escrito por João José Leal, 10/10/2016 às 08h51 | jjoseleal@gmail.com

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O Comandante Máximo

Mesmo diante das provas e evidências das infrações penais que lhe estão sendo imputadas, o agora denunciado Lula da Silva reagiu como se fosse um injustiçado político, quando se sabe que as ações que praticou (corrupção, improbidade, lavagem de dinheiro) são crimes comuns, desses que levam milhares de brasileiros ao banco dos réus e que se defendem com as armas da lei, sem gritar que são perseguidos da justiça.

Arvorando-se em paladino da honestidade, convocou a militância petista, esse batalhão de ferrenhos apedrejadores dos pecados dos outros, mas apaixonados defensores da irresponsabilidade política e da improbidade administrativa dos seus companheiros, para se postar à frente de dezenas de microfones e câmeras e encenar a sua a demagógica e teatral defesa.

E, então, embalado nos aplausos da companheirada, Lula, ator e personagem talhado nos palanques das portas das montadoras e dos comícios petistas, ali encenou a sua própria tragicomédia sindical, política e, agora, também, policial. Relembrou seu papel de líder metalúrgico do passado, quando lutou pela melhoria salarial e das condições de trabalho dos companheiros operários do ABC.

Num segundo ato, apresentou-se Lulinha, o bonzinho, o coitado, perseguido, incompreendido, o cidadão cheio de honestidade para dar e vender, vítima da justiça criminal e das grandes elites deste país, que um dia, por 8 anos, esteve em suas mãos de primeiro mandatário, para nos legar uma nação economicamente desgraçada, politicamente dividida e sem rumo. Foi o momento do choro, das lágrimas, estas, talvez de remorso pelos malfeitos praticados e jamais confessados, especialmente, as disfarçadas aquisições do triplex e do sítio de Ibiúna, foco da denúncia.

No terceiro ato, naquele palco da ribalta petista, iluminado pelas luzes da ideologia populista e dos devaneios políticos, vimos falar Lula, o carismático líder, que se diz o grande presidente que jamais existiu neste país e que, cheio de si, o personagem arrogante que se imagina acima das instituições. E, então, passou a desqualificar os seus acusadores, os Procuradores da República que, diante dos indícios, evidências e provas dos fatos delituosos por ele praticados, apresentaram a denúncia com fundamento na lei penal e em cumprimento do dever funcional.

Pelo voto popular, Lula teve um suas mãos a presidência da República. Por sua mediocridade política, sua incompetência administrativa e  ambição de poder, não soube aproveitar a grande oportunidade de se tornar um verdadeiro líder nacional. Agora, “comandante máximo de organização criminosa”, virou caso de polícia. Suas ações cheiram a fraudes e corrupção.

Porisso, como cidadão comum, igual a milhares de outros infratores da lei penal, sem imunidade de foro e sem ameaças de incendiar a nação, precisa ajustar contas com a justiça criminal. Certamente não irá a pé provar sua inocência, conforme prometeu, debochando da justiça e do povo brasileiro. Mas, sim, em automóvel, com motorista e seguranças pagos com o dinheiro do tesouro nacional. 

Escrito por João José Leal, 27/09/2016 às 11h47 | jjoseleal@gmail.com

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Cassação de Eduardo Cunha

“Durou muito e já vai tarde”. Esta frase deve estar sendo pronunciada,desde terça-feira, por muitos brasileiros. Por aqueles, claro, que têm um mínimo de interesse pelas principais questões políticas de nosso país.

O longo e tortuoso processo de cassação do mandato de Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara dos Deputados, foi uma novela que tomou conta dos meios de comunicação, nestes últimos 11 meses.

Capítulos diários, intercalados com as notícias do impeachment de Dilma Rousseff, mostrarambem o seu poder de influência sobre boa parte dos colegas investigantes, queusaram e abusaram de manobras regimentais para protelar a decisão final, que só aconteceu por causa da cobrança da imprensa e da forte pressão popular.

Eduardo Cunha foi um péssimo exemplo de parlamentar. Daqueles que se servem de altos cargos da administração para se apropriar de recursos públicos, chegar ao Congresso Nacional e se escudar no manto da imunidadeparlamentar (que significa dizer, impunidade criminal!). E, a partir daí,realimentar um ambicioso projeto de poder para continuar o perverso círculo deações de corrupção e de desvio do dinheiro público.

Sua carreira de fraudador de licitações e contratos públicos começou no final dos anos de 1990, quando foi presidente da Companhia de Habitação do Rio de Janeiro. Ali, colecionou inquéritos e ações criminais por apropriação indevida de dinheiro público. Eleito deputado federal, não deixou de se envolver no esquema de corrupção da Petrobras, que está sendo apurado pela Operação Lava-Jato.

Cunha mentiu para seus colegas. Negou a existência de conta bancária no exterior em seu nome e qualquer participação em esquemas fraudulentos de licitações e contratos públicos. Sua falta de honestidade seria relevada por seus colegas, sempre dispostos a justificar a falta de um companheiro.

Afinal, não se pode dizer que, na Câmara dos Deputados, estejam reunidos os nossos melhores exemplares da ética e da moral nacional. No entanto, Cunha mentiu publicamente para a nação brasileira. Mais, ainda, fez da mentira o seu estribilho repetido, a cada dia, nestes últimos 11 meses.

A verdade é que a pressão popular e a cobrança da imprensa foram decisivas. E quando o povo se manifesta, nossos parlamentares acabam

ouvindo a voz de seus eleitores e cortam na própria carne. Assim, aconteceu a cassação de Eduardo Cunha, indiscutivelmente, merecida.

Não se pode dizer que, agora, a Câmara dos Deputados seja um exemplo de casa da ética parlamentar. Afinal mais de 150 deputados têm

dívida na delegacia ou na justiça. O plenário que cassou o mandato de Cunha foi um tribunal da moral parlamentar constituído de muitos investigados e processados, rotos e rasgados julgando um esfarrapado, um companheiro de falcatruas. De qualquer modo, os deputados fizeram a sua parte.

Agora, com a palavra a justiça criminal. Alguns processos e inquéritos contra Cunha, que patinavam no STF, serão remetidos ao juiz Sergio Moro.

Não será surpresa se, amanhã, o ex-deputado volte a ser destaque do noticiário nacional. E, então, veremos Cunha, com aquele olhar enviesado

sempre mirando as alturas onde imagina pairar a impunidade, naquele passo gingado de urubu-malandro, caminhando ao lado do japonês da PF. 

Escrito por João José Leal, 15/09/2016 às 13h49 | jjoseleal@gmail.com

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Sete de Setembro

Na última quarta-feira, a nação brasileira comemorou a data da sua independência política. Nos meus tempos de criança, havia desfiles de escolares, marchando nas ruas de todas as cidades brasileiras. Hoje, parte da população comemora a data assistindo aos desfiles militares nas grandes cidades, o povo relegado a um mero expectador dos regimentos, batalhões e pelotões de soldados marchando eretos, perfilados e empertigados, cabeças para o alto e passo de ganso, como manda a severa disciplina da caserna.

Outra parte do povo e, parece, cada vez, aproveita o feriado para uma agradável viagem de lazer, sem compromisso com o sentimento de civismo nem de amor à patria.

Deveríamos comemorar esta data como se fosse a nossa grande festa nacional. Como fazem os franceses, no dia 14 de julho, que saem às ruas do país para reverenciar a revolução de 1789 e os seus heróis que lutaram pela liberdade, pela igualdade, pela fraternidade, enfim, pela democracia moderna. Como fazem os norteamericanos, no dia 4 de julho, quando comemoram a declaração de sua independência e reverenciam os Pais Fundadores da Pátria. Ou como fazem, também, os nossos hermanos argentinos. Para eles o dia 9 de julho é reverenciado para lembrar a histórica data da sua independência, conquistada a duras penas para se libertar do domínio espanhol.

No Brasil, é completamente diferente. Nossa emancipação política, não foi conquistada com a luta e o sangue das nossas lideranças nacionais. Ao contrário, foi um presente recebido de um governante português, em cujas veias não podia correr o autêntico sangue do sentimento de brasilidade. Tanto que, 8 anos depois, abdicou do trono brasileiro para voltar a Portugal e travar uma guerra pela coroa portuguesa.

Literalmente, conseguimos nos libertar do jugo português com um grito proclamado às margens de um ermo riacho. O povo, silencioso e indiferente, não ouviu e muito menos fez coro ao histórico grito, que apenas ressoou nos ouvidos da comitiva imperial, saída de Santos, onde o Imperador Pedro I estivera para cumprir mais uma de suas aventuras extraconjugais.

Talvez, porisso, sejamos uma pátria sem heróis nacionais. Tiradentes, que lutou e pagou com a sua vida pelo ideal de independência e liberdade dos brasileiros, é uma exceção em meio a essa ausência de personagens históricos que mereçam nossa reverência eterna como heróis. Nossa história é vazia de líderes políticos que tenham lutado, com bravura e destemor, pela nossa independência, pela nossa liberdade para merecer a reverência incondicional do povo brasileiro.

Sem verdadeiros heróis nacionais para reverenciar, nossa festa nacional acaba sendo a do carnaval, com seus desfiles cheios de cores, magia e fantasias para tudo acabar na quarta feira ou a do futebol, estádios lotados e torcidas fanáticas para aplaudir os ídolos da bola.

Como escreveu Mário de Andrade, somos uma pátria de Macunaímas, cheia de heróis que não resistem ao julgamento implacável da história. 

Escrito por João José Leal, 12/09/2016 às 10h53 | jjoseleal@gmail.com

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Impeachment de Dilma Rousseff

Desde o ano passado, quando multidões saíram às ruas para manifestar sua insatisfação em face do desgoverno petista e da situação caótica em que se encontra o país, o impeachment de Dilma Rousseff, todos sabiam, inclusive a militância petista, já era fato decidido.

O povo assim queria e, de lá para cá, foi preciso, apenas, ter paciência e esperar o desfecho do complicado processo político, que começou na Câmara dos Deputados e ali se encerrou, em 17 de abril.

Penso que será difícil esquecer as cenas daquela midiática e espalhafatosa sessão, com a maioria dos deputados votando pela pátria, família e pelo eleitor para admitir a acusação de crime de responsabilidade contra a então presidente Dilma.

No Senado, a repetição de muitos atos processuais já produzidos na Câmara, porque é assim que se joga o jogo democrático, com respeito ao devido processo legal e suas formalidades que nem sempre achamos úteis, razoáveis ou necessárias. Mas, é assim que a lei prescreve e foi assim que aconteceu, durante todo o longo e tortuoso processo político do impeachment da presidente Dilma, a Mãe do PAC, programa concebido para gastar sem critério, sem limite e sem responsabilidade fiscal. Tudo visando sua eleição e seu partido no poder.

E, então, novas comissões, inúmeras reuniões e sessões, depoimentos às bocas cheias, pareceres em sentidos opostos, milhares de palavras, discursos às centenas, acusação e defesa digladiando-se na arena da vaidade política, cada parlamentar-juiz jurando estar em busca da quimera chamada verdade real, que muitos deixam por verdade processual e que sempre será uma verdade relativa, porque em política as ideias e as ações serão sempre partidárias.

No desenrolar do processo, a paixão partidária aflorou de forma escancarada. Uns, na acusação, convencidos de que a presidente gastou bilhões de reais sem previsão orçamentária e sem autorização do Congresso Nacional, pedalando sobre números escamoteados para tapar um monumental rombo fiscal e deixar esta nação em desgraça econômica e social. Outros, na defesa, a dialética do regime democrático exigindo sempre o contraditório, mesmo diante dos fatos e das evidências que falam por si só. Afinal, aonde iriam parar advogados, juízes, promotores, procuradores e, também, a docência, esta categoria de magos que guarda a sete chaves o segredo do saber da doutrina jurídica?

Foi patético ver a defesa, em reduzida minoria, sempre a gritar que estavam aplicando um golpe, até mesmo, um crime, contra a democracia deste país e dizer que o impeachment não passava de uma manobra das elites conversadoras dispostas a enterrar os programas sociais dos governos petistas. Na verdade, já estão preparando o espaço das ruas e das praças para um amanhã de oposição, que não dará trégua para quem estiver no comando do país.

Ao final, prevaleceu a decisão que todos já esperavam, a meu ver, proferida de acordo com a lei e com a constituição. Dilma Rousseff foi afastada definitivamente da presidência e a nação brasileira deu um importante passo à frente, em seu tortuoso processo de consolidação do regime democrático.

A partir de agora, Temer que se cuide. Tem ele o dever de implantar as medidas de austeridade administrativa e as reformas capazes de colocar o país nos trilhos do desenvolvimento econômico e social. Só assim, haverá paz e tranquilidade política imperando sob os céus da nação brasileira.
 

Escrito por João José Leal, 01/09/2016 às 13h55 | jjoseleal@gmail.com

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