Jornal Página 3
Coluna
Puxando Rede
Por Fabiane Diniz

A linha que separa gerações

“se *não correr o bicho pega, se ficar o bicho come”

As pessoas que nasceram antes de 1985, são as últimas que conheceram o mundo sem a internet e são também as últimas fluentes nos dois universos, online e offline.

O livro do escritor americano Nicholas Carr, crítico da internet, não é exato porque muitas pessoas, especialmente no Brasil, só tiveram acesso muito tempo depois. Então coloca aí uns 10 anos a mais pra gente nesse parâmetro inicial.

Aqui no interior, leia-se toda Santa Catarina da década de 90, não haviam provedores de internet pra atender toda a população. Não tinha mesmo, era exclusivo. Tecnologia caríssima e de baixa adesão na época.

Mesmo com esses pormenores, o estudo que levou Carr a escrever a tese não deixa de ser interessante. O mundo offline como conhecemos ficou pra trás. Seremos nós a guiar as novas gerações para um passeio ao mundo desconectado.

Alguém pode dizer que o mundo muda constantemente e a todo momento. E é verdade, muda sim. Agora mesmo estamos mudando.

Pensa que nossos avós quando crianças não tinham geladeira em casa, que alguém entregava um enorme bloco de gelo que eles colocavam dentro de um armário de madeira para refrigerar e assim armazenar por mais tempo os alimentos perecíveis. Já imaginou? Bem desconectados eles, né?

E nossos pais que conheceram a televisão ainda em preto e branco? Hoje elas são inteligentes, (com ressalvas).

Sou de uma família grande, que se reúne vez ou outra pra beber vinho, e nessas horas bate uma nostalgia forte em meus tios-avós, minhas orelhas ficam em pé só ouvindo.

Eles também viram surgir toda uma cacalhada de tecnologia, que hoje se tornou obsoleta. Talvez seja mesmo um caso de caminhar da humanidade.

Mas o mundo online veio para ficar, já mudou a forma de viver das pessoas, e continua organicamente se transformando. Daqui pra frente não irá mais acontecer vida sem internet. Somos os últimos a conhecer o mundo offline/online.

As crianças mais novinhas ainda não sabem escrever mas já entram no aplicativo e buscam por comando de voz o desenho da “pepa em português” no canal de videos que elas tem no tablet ou no celular.

Enquanto eu, acredito que todo mundo da minha geração ainda tem receio de conversar com um dispositivo inanimado, ou muito animado.

Mas se a nova geração já faz isso de forma natural, eles serão aqueles que irão conversar com a casa, mandar ela acender, apagar, tocar música, abrir programa, cozinhar. A gente vê nesses filmes de ficção, “parece tão Black Mirror”.

O Página 3 é uma das minhas referências preferidas entre o online e offline. Poderia abrir um parênteses enorme pra falar sobre o mundo a parte que vivemos entre as duas épocas. Mas hoje estamos no futuro de um outro passado, estamos conectados, trabalhamos duro para isso. Vamos comemorar e festejar, estamos online.

O jornal faz 26 anos neste mês. Parabéns! Pega na mão e vem. O futuro é a gente quem faz.

Escrito por Fabiane Diniz, 26/07/2017 às 16h02 | fabdiniz@gmail.com

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