Jornal Página 3
Coluna
Cervejudas
Por Débora Lehnen

Precisamos falar sobre o corpo da cerveja

Estava eu no mercado público de Porto Alegre analisando o setor de cervejas especiais quando chegou um moço e pediu para o atendente “estou procurando uma cerveja puro malte, ENCORPADA, sabe?”. Fiquei observando o moço e vi que no final ele levou uma Saison, que é uma cerveja de corpo baixo, ou seja, ao contrário de encorpada. Essa não foi a primeira vez que presenciei pessoas se referindo a cervejas especiais como encorpadas, quando muitas vezes talvez não fosse bem isso que a pessoa estava se referindo. Talvez seja tudo culpa daquela propaganda na televisão na qual o cara ergue o copo e dá aquela fitada na cerveja e ao fundo surge aquela voz sedutora do locutor dizendo: “Cerveja encorpaaaada, saboroooosa”. 

De fato por falta de informação, desenvolveu-se, entre alguns bebedores de cerveja, a errada noção de que caso a cerveja seja diferente daquela “tipo pilsen” a que está acostumado, essa cerveja é encorpada. O termo encorpado, aliás, é muito recorrente nas mesas de bares onde pseudos especialistas analisam as cervejas: “O que achou dessa cerveja?” “Ah encorpaaaada”. É claro que se a gente estiver comparando as cervejas especiais com as cervejas “de massa”, que são praticamente água pura, qualquer uma vai parecer encorpada, mas a gente já passou dessa fase.  

Então o que vem a ser realmente o corpo da cerveja? Faremos uma explicação simples em forma de analogia: a água tem pouco corpo (ou corpo baixo), já uma vitamina de banana é muito encorpada. Sacou?!  O corpo da cerveja é, na prática, a sensação de peso que a cerveja tem quando em contato com nossa boca, a sensação de preenchimento. Tem a ver com os açucares fermentáveis e é o mestre cervejeiro que “modela” o corpo da cerveja durante o processo de fabricação. Quanto maior a quantidade de açúcares fermentáveis (açúcares de cadeias moleculares pequenas) mais as leveduras irão consumir esses açúcares e mais baixo será o corpo da cerveja, menos densa e mais seca será a cerveja. Já uma cerveja encorpada, possui açúcares de alto peso molecular que não conseguem ser utilizados pelas leveduras como alimento, o que resulta em uma cerveja mais densa, ou seja, mais encorpada. O corpo de uma cerveja não é o que vai fazer dela melhor ou pior, depende de cada estilo e claro, do gosto pessoal. E como se afere o corpo da cerveja? Só na boca meus queridos, nunca com os olhos. Por isso aquela propaganda na televisão citada no inicio do texto tem culpa no cartório em todo esse equívoco quando se fala corpo. Não temos como saber se uma cerveja é encorpada só olhando pra ela.

 

Muita gente também relaciona o corpo com a cor da cerveja e jura de pé junto que a cerveja Guinness, uma referência do estilo Irish Stout, é encorpadíssima. Na verdade essa é uma cerveja seca, de corpo baixo. Agora se você quer uma cerveja para tomar de colher, experimente uma Barley Wine, Wee Heavy ou ainda uma Imperial Stout. Como exemplo de cervejas de corpo médio experimente uma Weissbier, American Pale Ale ou uma Red Ale. E para terminar uma Tripel, e uma Strong Golden Ale, que são cervejas secas e complexas.

Boa tarefa para o resto da semana, não é?!

Cheers!

Escrito por Débora Lehnen, 10/01/2017 às 14h48 | Delehnen21@hotmail.com

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Cervejas para o Natal

    

E chegou o fim de mais um ano e com ele as festividades natalinas. Tempo de reunir a família e amigos para celebrar, conversar, comer e beber bem!

A tradição das cervejas elaboradas para festejos natalinos é bem antiga, sobretudo na Europa. Nesta época, é inverno no hemisfério norte e as cervejas especialmente produzidas para as festividades natalinas apresentam teor alcoólico elevado, alta carga de malte que confere dulçor e corpo além da inclusão de especiarias como gengibre, noz moscada, canela, anis e por aí vai. No Brasil, como estamos em pleno verão essas cervejas não são as mais adequadas para o nosso natal, por isso, selecionamos algumas cervejas nacionais que harmonizam muito bem com os nossos pratos típicos de Natal, que são cervejas fáceis de achar e com um preço justo!

Catharina Sour - Sun of a Peach Cerveja Blumenau: com 4,1% de álcool. A cerveja do verão levemente ácida e muito refrescante com aroma de pêssego, acompanha bem pratos leves como saladas e frutos do mar ou ainda carnes mais secas como peru, ideal para quem está no clima “fit”. Origem: Blumenau-SC.

                               

 

 

Baden Baden Christmas Beer: com 5,5% de álcool é uma cerveja refrescante e levemente frisante, assemelhando-se a um espumante. Elaborada especialmente para as festas natalinas, é uma cerveja de trigo que acompanha pratos típicos das festas de final de ano como peru, frutas frescas e secas. Origem: Campos do Jordão-SP.

                               

 

 

Bierland Vienna: é uma cerveja de coloração avermelhada com 5,4% de álcool, traz no aroma um dulçor com notas de pão, caramelo e biscoito. No paladar o dulçor inicial é cortado por um amargor proveniente do uso de maltes torrados. São perfeitas para acompanhar as aves natalinas.Origem: Blumenau - SC.

                            

 

 

Blauerberg American Pale Ale: com teor alcoólico de 5,1%, aromas cítrico e floral proveniente dos lúpulos americanos, possui um amargor que persiste na boca. Talvez o amargor surpreenda a vovó, mas acompanha muito bem carnes suculentas e reforça o ácido do abacaxi, acompanhamento das carnes.Origem: Timbó-SC.

                    

 

 

Bamberg Weihnachts: de 6% de álcool. Essa cerveja sazonal leva maltes de centeio e trigo que conferem uma picância a cerveja, além de lúpulos alemães. Foi criada para combinar com a ceia e o clima brasileiro nesta época do ano, harmoniza com a tender, suíno assado, churrasco, família reunida e confraternização. Origem: Votorantim-SP.  

 

 

Suméria Christmas Olívia IPAlito: de 5,4% de álcool. Trata-se de uma IndiaPale Ale com aromas frutados, remetendo a frutas amarelas, proveniente dos lúpulos americanos e australianos. Harmoniza perfeitamente com pratos típicos de Natal como carnes gordurosas, pernil, chester e peru. Origem: Santo André-SP.

                                                     

 

 

Carvoeira Lohn Bier: é uma Stout de 9,5% de teor alcóolico, com Funghi Secchi e Cumarú é uma cerveja densa, complexa, com notas amadeiradas e aroma de baunilha. Acompanha bem sobremesas de chocolate, de creme, panetone e frutas secas. Na nossa humilde opinião o elixir dos deuses! Origem: Lauro Muller-SC.

              
 

Desejamos a todos um ótimo Natal acompanhado de muita cerveja boa! 

Escrito por Camila Utech, 16/12/2016 às 10h20 | Milautek@gmail.com

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Quando põe o álcool na cerveja?

Que atire a primeira pedra o cervejeiro que nunca ouviu essa pergunta! Por mais absurda que ela pareça para um cervejeiro, permanece sendo uma grande dúvida para quem não está envolvido com o processo produtivo da cerveja. Então não se sinta mal se essa também é a sua dúvida, nós vamos te contar o segredo: ninguém põe álcool na cerveja, ele é produto da fermentação de açúcares pelas leveduras.

O processo de fabricação da cerveja consiste basicamente na quebra do amido, proveniente do malte, em açúcares menores os quais serão utilizados como substrato para as leveduras. É na etapa chamada mosturação que ocorre a quebra do amido. Conforme a temperatura aplicada nesse processo açúcares de diferentes tamanhos são obtidos. É aí que se pode “moldar” o perfil alcóolico da cerveja. Quanto mais açúcares fermentáveis (açúcares pequenos), mais álcool é possível obter no produto final. É aí também que se trabalha o que chamamos de corpo da cerveja. Uma cerveja encorpada é aquele com uma quantidade maior de açúcares de longas cadeias moleculares, logo, que não são consumidos pela levedura. Isso dá uma sensação de preenchimento na boca, é o que chamamos de corpo.

Após a mosturação é feita uma lavagem dos grãos para um maior aproveitamento do processo, uma clarificação do líquido extraído e então uma fervura deste líquido chamado mosto. Este processo demora em média de 6 a 8 horas. E aí está pronta a cerveja? Não!

Este mosto é então resfriado até uma temperatura ideal e então são inoculadas as leveduras que irão consumir os açúcares de baixa cadeia molecular e gerar gás carbônico (CO2), álcool e demais produtos que darão sabor e aromas para a cerveja.

A verdade é que o cervejeiro só dá uma mãozinha, quem faz toda a mágica são as leveduras. Cabe ao cervejeiro dar todas as condições necessárias para que elas trabalhem para produzir a cerveja com as características desejadas. Nessa etapa o controle da temperatura é crítico, mas parâmetros como oxigenação, micronutrientes e quantidade de levedura adicionada (taxa de inóculo) também são importantes.

Esse processo vai levar de 5 a 12 dias, e ainda tem o tempo de maturação da cerveja (mais 15 a 30 dias) para só então ela ficar pronta para ir aos nossos copos.

Não é por menos que ela é chamada de líquido precioso, concorda?

Se você se interessar em fazer a própria cerveja a gente recomenda muita leitura. Um bom começo é o livro “How to Brew” do John Palmer, uma espécie de bê-a-bá cervejeiro, que também pode ser encontrado na versão em português.

Saccharomyces cerevisiae a responsável pela magia!!

 

Escrito por Camila Utech, 08/12/2016 às 11h02 | Milautek@gmail.com

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Cerveja todo o dia pode?


Poooode!!! Apesar de algumas dietas restringirem o consumo de cerveja, talvez você não saiba, mas ela faz muito bem para a saúde! Assim como outras bebidas fermentadas tem diversos componentes que auxiliam a manter nosso organismo em dia. Para aproveitar seus benefícios, o consumo nunca deve ultrapassar 1 litro ao dia para homens e meio litro para mulheres, isso se tratando de uma cerveja com aproximadamente 5%ABV (teor alcoólico). Os dados que iremos apresentar são referentes a cervejas artesanais, as quais não possuem adição de conservantes e não passam por processos para retirada de proteínas nem polifenóis (que são os processos para deixa-la mais límpida).

Vejamos por quê:

Digestibilidade, de baixa caloria (isso mesmo!), baixo teor de açúcares, moderada acidez (pH 4,5), moderado teor alcoólico, possui carboidratos e proteínas de fácil digestão além da presença de importantes aminoácidos. Um copo de 200 mL tem em média 85 kcal.

Fonte de Vitaminas como o Ácido fólico que estimula o crescimento celular e é necessário na formação de hemoglobina, mantendo o DNA intacto e influenciando o metabolismo de homocisteína que previne as doenças cardiovasculares e de circulação. Também contém outras Vitaminas do complexo B, que tonificam o cérebro, nervos e músculos, otimizando o metabolismo e ajudando na formação de colágeno (hello meninas!), influencia na formação de pigmentação e fornece proteção contra a radiação UV.

Lúpulo, usado como medicamento desde a antiguidade pelos gregos, romanos e árabes. Possui propriedades como sedativo, antibiótico, digestivo e antioxidante. As substâncias presentes no lúpulo agem preventivamente contra as doenças baseadas nos processos oxidativos. Um litro de cerveja contém tanto antioxidante quanto 4/5 porções de fruta. Falando em antioxidantes, os polifenóis, presentes tanto no lúpulo quanto no malte, previnem o envelhecimento, pois eliminam os radicais livres e protegem o coração. São aqueles compostos responsáveis por propagar a fama de que uma taça de vinho por dia faz bem a saúde. Pois bem, esses compostos também estão presentes na cerveja, mas não esqueça que estamos falando das artesanais.

Álcool em pequenas doses melhora o nível de colesterol bom e dilata os vasos sanguíneos. Induz a produção de ácidos gástricos, que facilitam a digestão além de reduzirem os riscos de cálculos renais. A pessoa que assume um moderado consumo de álcool é menos deprimida do que a abstêmia e mostra um nível superior de desempenho mental.

Existem inúmeros outros benefícios que a cerveja nos traz, mas acredito que já mostramos motivos suficientes para tomar aquela cerveja! Então bora lá que o final de semana está apenas começando.

Vale lembrar que além dos inúmeros benefícios a saúde, a cerveja é também um lubrificante social. Afinal nunca fizemos amigos bebendo leite, não é?

Cheers!

P.S.:Vale lembrar que o consumo excessivo de álcool pode trazer prejuízos sociais, psicológicos e uma série de doenças que todo mundo já está careca de saber. Então beba menos, mas beba melhor!

 

Escrito por Camila Utech, 05/11/2016 às 11h30 | Milautek@gmail.com

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O que beber na Oktoberfest

Desde o dia 5 de outubro estamos participando ativamente das atividades da maior festa germânica do mundo. Como nos faltam alguns atributos para concorrer a Rainha da Oktoberfest e descobrimos que o concurso de chopp em metro é com cerveja sem álcool (não é a nossa preferida!), estamos investindo nas modalidades que mais nos favorecem.

Camila, atiradora nata, está participando da competição de rainha do tiro que ocorre diariamente no Setor 1 da festa. 

Já Débora, retorna às suas origens quando dançava em um grupo de dança alemã e “arrasa” no Herr Schmidt (nunca esquecendo do gritinho).

Juntas nós degustamos as cervejas da festa e fizemos uma seleção do que temos tomado por lá. Já estamos quase no final da 33ª Oktoberfest, mas ainda dá tempo de falar um pouco da nossa setlist cervejeira:

Começando pela cervejaria oficial, a Pilsen da Eisenbahn foi eleita por nós a melhor Pilsen da festa, super leve, é uma ótima pedida para iniciar os trabalhos e beber naqueles dias de calor de Blumenau. Para quem curte cervejas escuras, a Dunkel (que na verdade é uma Schwartzbier) não decepciona.

A nossa queridinha da Bierland é a Vienna Lager. Com muitos prêmios acumulados, é uma cerveja leve que possui um sabor complexo dos maltes equilibrados com o amargor do lúpulo. É possível sentir um leve tostado proveniente do malte utilizado na receita.

A Baden Baden nos surpreende com a sua Red Ale (que coleciona prêmios como estilo BarleyWine). É uma cerveja para ir com calma, tanto pela intensidade dos sabores, quanto pelo teor alcoólico de 9,2%, mas vale a experiência.

Na Cervejaria Blumenau a nossa favorita é a Capivara Little IPA. Para quem curte uma cerveja mais amarga, essa IPA da Blumenau trás um aroma de maracujá, manga e melão, proveniente dos lúpulos americanos utilizados. O dulçor dos maltes harmoniza com o amargor dos lúpulos que persiste no sabor. A Cervejaria Blumenau irá disponibilizar a partir dessa sexta-feira (21/10) mais duas cervejas na sua linha, a Catarina Sour e a Capivara Session IPA que ainda não experimentamos, mas estamos curiosas para degustar.

Segundo dados resgatados do oráculo do conhecimento (google) durante a última oktoberfest foram consumidos cerca de 590 mil litros de cerveja. Então antes tarde do que nunca vamos aproveitar as #dicasdascervejudas para bater essa meta porque ainda temos 5 dias de folia e muito canecos para brindar.

Escrito por Camila Utech, 19/10/2016 às 09h30 | Milautek@gmail.com

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Beba cerveja local

 

Você já teve a experiência de escolher uma cerveja toda diferentona, importada, cara e quando foi tomá-la teve aquela decepção? Cerveja sem gás, oxidada, sem nada que valesse o preço pago por ela. Se fosse tomada na fonte, provavelmente ela te surpreenderia, mas ela veio balançando em um navio, esquentando e resfriando, talvez debaixo de sol, nada apropriado para a sua boa conservação, por isso quando vemos aquela super promoção de cervejas importadas nos grandes mercados é sempre uma incógnita, será que essa cerveja está legal? 

Para beber uma cerveja fresca, com as características originais preservadas é só procurar as cervejarias artesanais da sua região. Além de pagar um preço mais justo você estará incentivando a economia local, gerando renda e emprego. As cervejarias artesanais tem DNA, valores, ideias, conceitos e personalidade (muita personalidade).  Quando você decide tomar uma cerveja artesanal você apoia pessoas como você, da sua região, valorizando assim o esforço dessas pessoas e não das grandes marcas. Imagine o prazer de tomar uma gelada fresquinha, conversando com quem a criou, entender sobre o processo e os ingredientes que foram utilizados? Acabamos criando uma intimidade com a cerveja, nos identificamos e temos orgulho de fazer parte desse processo.

A cultura de se beber cerveja local ao poucos está se popularizando aqui na região, tomamos como exemplo o movimento “Eu bebo cerveja local” da grande Floripa, formado por um grupo de cervejeiros e bares. Funciona assim, você baixa o aplicativo e ele mapeia os bares participantes diz quais as cervejas disponíveis, valores e ainda dá desconto para quem apresenta as garrafas retornáveis do movimento. Cada estabelecimento possui suas garrafas retornáveis personalizadas que podem ser adquirida por 10 pila (eu mesmo tenho quatro, são lindas). Essas garrafas retornáveis são chamadas de “growlers” que te permite levar tua breja pra onde tu quiser e tomar ela fresquinha, pois a cerveja não passa por processo de pasteurização (que acaba alterando os aromas e sabores da cerveja, mas isso é assunto para outra hora).

Portanto, antes de gastar horrores naquela cerveja importada que você nunca sabe como está, dê preferência as cervejas locais! 

Cheers!

Escrito por Camila Utech, 08/10/2016 às 11h40 | Milautek@gmail.com

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