Jornal Página 3
Coluna
América Misteriosa
Por Dalton Delfini Maziero

O monte da serpente

Existe no interior dos EUA, um misterioso geoglifo que causa enormes discussões entre os estudiosos. É o chamado “Monte da Serpente” - com mais de 420 metros de comprimento -, situado nas proximidades do rio Ohio Brush, no condado de Adams, Estado de Ohio. É a maior efígie de serpente do mundo! As perguntas mais básicas ainda não foram esclarecidas: Que povo o construiu? Quando foi concebido? Com que finalidade foi feita?

A maior parte das dúvidas provém da dificuldade em se datar um geoglifo, que na teoria, é feito apenas por terra ou pedra. A datação necessita de um artefato – diretamente relacionado – que permita estabelecer uma época precisa. É o caso desse monumento. Comparado o estilo da obra aos desenhos existentes em cerâmicas antigas, muitos pesquisadores propuseram que o geoglifo fosse feito por uma das três culturas regionais, conhecidas como adena (1000-200 aC), fort ancient (1000-1750 dC) ou hopewell (200 aC-500 dC). Em 1990, partículas de carvão estabeleceram a data de 1070 dC, aproximando a obra do grupo fort ancient.

Mas nem todos concordam com os métodos de análise, inclusive porque foram encontrados nas redondezas - por investigadores da Universidade de Harvard -, sepulturas do povo adena. Este fato reforça a tese que o Monte da Serpente funcione como uma ligação mística entre o mundo dos mortos e nossa realidade.

Existem entre os povos norte-americanos, lendas envolvendo serpentes míticas. É o caso dos cherokees, que nos falam de Uktena, uma serpente gigante com poderes sobrenaturais. O personagem teria a função de encaminhar os mortos ao além. A exemplo dos geoglifos de Nasca (Peru) é possível também que o Monte da Serpente fizesse parte de um complexo de geoglifos sagrados, usados pelas antigas civilizações como grandes santuários totêmicos. A teoria ganha força ao constatarmos que existem outras serpentes semelhantes – só que menores – em regiões próximas, como em Ontário (Canadá).

Outra linha de pesquisadores - como Clark e Marjorie Hardman - acreditam que a cabeça da serpente está alinhada com o solstício de verão, com eventos lunares e também com o equinócio de cada ano. Ou seja, existia uma função coligada à astronomia e ao controle do tempo. Se a data das partículas de carvão – datando a obra de 1070 dC. – está correta, ele pode estar relacionado inclusive com a aparição do Cometa Haley, em 1066. É possível que todos tenham certa razão em suas teorias, mas fato é que o Monte da Serpente continua a desafiar nossa imaginação.

Dalton Delfini Maziero é historiador, arqueólogo, explorador e escritor. Especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria. Autor de “Titicaca – Em Busca dos Antigos Mistérios Pré-Colombiano” e “Sacralizando o Solo: o uso simbólico e prático dos geoglifos sul-americanos”. Visite o Blog: Arqueologia Americana (http://arqueologiamericana.blogspot.com.br/)

Escrito por Dalton Delfini Maziero, 18/09/2017 às 11h39 | daltonmaziero@uol.com.br

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