Jornal Página 3
Coluna
América Misteriosa
Por Dalton Delfini Maziero

O Cosmovitral de Toluca

O Cosmovitral de Toluca (México) é, provavelmente, uma das mais belas expressões artísticas do século XX, baseada nos conceitos que sustentavam o mundo pré-colombiano. O espaço onde se encontra foi criado em 1910, pelo engenheiro Manuel Arratia, que o concebeu em estilo “art noveau”. O edifício – que lembra uma estação de trem – recebeu o Mercado “16 de Setembro”, que tinha o objetivo de homenagear o Centenário da Independência do México. O espaço funcionou dessa forma até 1975.

Com a desativação do mercado, iniciou-se um acirrado debate público para a ocupação do espaço, até que o artista Leopoldo Flores surgiu com o conceito de “Cosmovitral”, unindo arte, vitrais e um Jardim Botânico. O tema central é: o “Homem e seu relacionamento com o Universo”. Na verdade, Flores buscou na cosmovisão pré-colombiana, a inspiração para sua concepção. Assim como no mundo pré-hispânico, os vitrais criados retratam um mundo dividido entre opostos: o antagonismo universal, o bem e o mal; a vida e morte; criação e destruição; dia e noite; luz e escuridão.

O Cosmovitral mostra a história do homem através do tempo, revelando a criação do universo, com aparições da nebulosa de Andrômeda e Via Lactea. De um lado, podemos ver a evolução do homem em relação ao infinito ascendente; do outro, rumo à obscuridade e decadência. A dualidade presente no mundo pré-colombiano é pautada pela presença de um impressionante vitral chamado “Homem Sol”, que representa a humanidade e as forças de criação, verdade, ciência, sabedoria, arte e beleza. Este vitral está posicionado para receber o alinhamento do sol no Equinócio de Primavera.

Os eventos descritos no Cosmovitral tem íntima relação com a organização das sociedades pré-colombianas, assim como suas observações em relação ao mundo celeste. Isso ocorria porque os mundos celeste e religioso estavam em íntima relação com as sociedades antigas. A observação dos astros refletia na sociedade, ordenando eventos culturais, sociais, religiosos e econômicos.

Leopoldo Flores teve a ajuda de 60 auxiliares artesãos, que desenvolveram 71 janelas (módulos) temáticas. Ao todo, foram utilizadas 75 toneladas de vidros e 25 toneladas de canaletas de chumbo. Os vidros - importados da Itália, Alemanha, EUA, Japão, Canadá, França e Bélgica - possuem 28 diferentes cores, que são integradas às peças e não pintadas à mão como em um vitral convencional. São cerca de 500 mil peças de vidro! A obra ocupa 3.500 m² de vidro. Já o Jardim Botânico – em homenagem ao botânico Eizi Matuda – soma cerca de 500 espécies de plantas de toda América Latina, África e Ásia. O conjunto forma hoje, uma das mais belas atrações do México.

Dalton Delfini Maziero é historiador, arqueólogo, explorador e escritor. Especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria. Autor de “Titicaca – Em Busca dos Antigos Mistérios Pré-Colombiano” e “Sacralizando o Solo: o uso simbólico e prático dos geoglifos sul-americanos”. Visite o Blog: Arqueologia Americana (http://arqueologiamericana.blogspot.com.br/)

Escrito por Dalton Delfini Maziero, 19/07/2017 às 09h24 | daltonmaziero@uol.com.br

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