Jornal Página 3
Coluna
América Misteriosa
Por Dalton Delfini Maziero

QUIPUS – Sistema de registro Incaico

 

Pode uma antiga cultura, registrar informações de sua história, sem possuir uma escrita ou alfabeto? No caso da civilização Inca, isso de fato ocorreu! Os Incas ocuparam boa parte da América do Sul, em especial, ao longo do século XV e início do XVI de nossa era.

O sistema de registro desenvolvido pelos Incas é conhecido como “Quipus”, e foi único no mundo. A palavra “quipo”, em quêchua (língua Inca) significa “nó”. Foi utilizado em especial, para registrar informações administrativas e contábeis, mas não só isso! Os quipos eram formados por uma série de cordões e nós (geralmente algodão), atados a uma linha mestra. Todo detalhe auxiliava na definição da informação registrada: as cores dos cordões, a quantidade de nós e até mesmo a distância entre os nós. Como os Incas possuiam um sistema baseado em ordenamento decimal, conseguiram registrar desde unidades até dezena de milhares de um determinado produto estocado (colheitas) ou mesmo de recenseamento populacional ou militar; impostos e até mesmo a história de seu povo.

Também determinava a informação, a “direção” em que os cordões eram amarrados partindo da linha mestra, geralmente um cordão mais grosso. Assim, se o cordão era atado voltado para baixo ou para cima, podia significar soma ou subtração do que registrava. É interessante saber que os quipus evoluiram com o passar do tempo. Os mais antigos eram elaborados em cordões brancos. Com a ampliação e sofisticação do Estado Inca, os cordões ganharam cores, e novas possibilidades de registrar informações.

Os “Quipucamayocs” – profissionais que manipulavam os quipus – eram capazes de distinguir inclusive o gênero da informação. Por exemplo: através dos nós e cores dos fios, sabiam que um aldeiamento possuia 3.800 pessoas; e que destas, 2.000 mil eram mulheres e as demais, homens; assim como o tipo de produção que geravam. Eram sem dúvida, profissionais com grande conhecimento em matemática.

Segundo o antropólogo Gary Urton (Universidade de Harvard-EUA), a população inca “tinha que trabalhar um número específico de dias por ano em projetos do Estado e as autoridades tinham que registrar cuidadosamente essa contabilidade "tributária" nos quipus”. Gary sugere que alguns quipus foram usados também como calendários. Pois alguns foram encontrados próximos a sepulturas, com formação equivalente a dias e meses de um ano.

Quanto mais avançam os estudos sobre os quipus incaicos, mais percebemos que eles não foram usados como meras calculadoras, mas sim, como uma espécie de banco de dados!

Dalton Delfini Maziero é historiador, arqueólogo, explorador e escritor. Especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria. Autor de “Titicaca – Em Busca dos Antigos Mistérios Pré-Colombiano” e “Sacralizando o Solo: o uso simbólico e prático dos geoglifos sul-americanos”. Visite o Blog: Arqueologia Americana (http://arqueologiamericana.blogspot.com.br/)
 

Escrito por Dalton Delfini Maziero, 29/03/2017 às 10h21 | daltonmaziero@uol.com.br

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