Jornal Página 3
Coluna
América Misteriosa
Por Dalton Delfini Maziero

As sete cidades de Cíbola

O que acontece, quando uma lenda medieval ultrapassa o Atlântico e se instala na América? Eu respondo: surgem os mitos!! Foi assim com as “Sete Cidades de Cíbola”, também conhecida como “Sete Cidades do Ouro”. Diz a lenda, que sete bispos saíram de Mérida (Espanha) fugindo da invasão muçulmana; mas também que o fizeram com o intuito de prevenirem os invasores sobre a posse de relíquias sagradas. Alguns anos depois, correu na região boatos que os sete bispos fundaram sete cidades em terras distantes e desconhecidas, e que as tornaram riquíssimas, repletas de ouro e pedras preciosas. Duas dessas cidades eram conhecidas como Cíbola e Quivira.

A descoberta da América criou, portanto, o cenário perfeito para a migração desses lendários bispos. Muitos exploradores acreditavam que Cíbola situava-se na atual fronteira entre México e EUA. Contudo, a localização do mito deslocou-se para o interior dos EUA, talvez por um equívoco verbal: “Cíbola” deriva de “Cibolo”, que na língua nativa de vários grupos, designava o comércio do couro de bisão. Ao serem interrogados, os nativos poderiam estar simplesmente indicando as pradarias americanas, onde se encontravam esses animais.

O primeiro relato do mito apareceu com Alvar Nuñez Cabeça de Vaca, durante a fracassada expedição de Panfilo de Narváez na Flórida (1527). A descrição – proveniente dos nativos – falava de cidades sólidas e casas grandes, onde as pessoas vestiam roupas de algodão, calçados e carregavam esmeraldas. Os espanhóis logo associaram o relato ao mito das Sete Cidades. Seguiram-se algumas expedições como a do Frei Juan de Olmedo (1537) e Frei Marco de Niza (1539), ambas guiadas por Estebanico de Orantes, um dos sobreviventes da viagem de Narváez. Ambas as expedições trouxeram apenas mais boatos.

Mas o mito das Sete Cidades estaria para sempre ligada ao nome de Francisco Vásquez de Coronado, que por 2 anos e mais de 1.200 homens, percorreu terras americanas, descobrindo a desembocadura do rio Colorado. Coronado combateu os nativos Zuñis, e posteriormente os Hopi. Mas tudo o que encontrou foram povoados que não apresentaram as riquezas esperadas.

O mito das Sete Cidades de Cíbola nunca foi desvendado, mas em minha opinião, ele nunca existiu de fato. Podemos especular que os boatos estiveram associados às grandes culturas dos EUA, como os Anasazi, Hopewell, Adena, Chaco, entre outras. Também podemos pensar que muitas tribos, querendo ver os espanhóis longe de suas terras, indicavam a existência de Cíbola sempre “um pouco mais adiante”, tornando a expedição de Coronado e dos demais, uma peregrinação sem fim.

Dalton Delfini Maziero é historiador, arqueólogo, explorador e escritor. Especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria. Autor de “Titicaca – Em Busca dos Antigos Mistérios Pré-Colombiano” e “Sacralizando o Solo: o uso simbólico e prático dos geoglifos sul-americanos”. Visite o Blog: Arqueologia Americana (http://arqueologiamericana.blogspot.com.br/)

Escrito por Dalton Delfini Maziero, 01/02/2017 às 09h29 | daltonmaziero@uol.com.br

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