Jornal Página 3
Coluna
América Misteriosa
Por Dalton Delfini Maziero

TLATELOLCO – A praça das três culturas

Tlatelolco (Cidade do México) ficou famosa mundialmente graças ao genial mural de Diego Rivera, mostrando em detalhes, como era uma das feiras livres da cultura mexica (asteca). Também foi palco de alguns massacres populares na história, entre os quais, o da conquista de Hernán Cortes sobre os povos indígenas. Neste local, defendido heroicamente por Cuauhtémoc, caiu no império mexica. Uma placa em frente ao Templo de Santiago (1610) relembra o fato: “Em 13 de agosto de 1521, heroicamente defendida por Cuauhtémoc, Tlatelolco caiu nas mãos de Cortés. Não foi nem vitória nem derrota, mas o doloroso nascimento da nação mestiça que é o México de hoje”.

Situada a poucos quilômetros do centro do México, Tlatelolco é hoje uma tranquila praça pública. A Praça das Três Culturas é assim chamada por abrigar ruínas pré-colombianas, construções coloniais e prédios modernos uns ao lado dos outros. A exemplo das ruínas do Templo Maior, o que se vê aqui são seus fundamentos, as camadas que estavam sobrepostas e que formavam a pirâmide (templo) principal e alguns edifícios baixos do último período antes da invasão espanhola.

Tlatelolco, contudo, não para de revelar seus mistérios. Recentemente, ao prepararem o terreno para a construção de um centro comercial, surgiu um templo até então desconhecido, dedicado ao deus Ehécatl-Quetzalcóatl. A estrutura tem, no mínimo, 650 anos. Ehécatl é o Deus dos Ventos, e sua ação está relacionada ao alento dos seres vivos. Daí a brisa dos ventos de Ehécatl, que trazia as chuvas e alimentava o solo, gerando alimento. O templo foi conhecido no passado como “Casa dos Ventos”. O arqueólogo Eduardo Matos Moctezuma explica que a Casa dos Ventos era formada por uma parte circular e outra quadrangular. A estrutura circular – 11 metros de diâmetro – foi utilizada como espaço de oferenda. Aos seus pés, foram encontrados ossos humanos, resina da planta Copal e espinhos de Manguey, outra planta regional de grande importância para os mexicas, usadas em rituais. Segundo relatos da época da conquista, o templo estava decorado com serpentes emplumadas.

O complexo de Tlatelolco atualmente é formado por uma série de estruturas: Altar Tzompantli Sul (Tzompantli são estruturas de madeira nas quais se colocavam crânios humanos perfurados); Palácio (com funções cívicas e religiosas); Templo das Pinturas; Templo Calendárico (em 1989, arqueólogos encontraram a representação de Cipactónal e Oxomoco, casal criador do calendário mexica); Grande Plataforma Oeste e Pátio Norte, além de diversos vestígios menores. A única certeza que os arqueólogos possuem, é que os arredores de Tlatelolco ainda guardam diversas surpresas soterradas, que revelam mais sobre a vida dos antigos povos mexicanos.

Dalton Delfini Maziero é historiador, arqueólogo, explorador e escritor. Especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria. Autor de “Titicaca – Em Busca dos Antigos Mistérios Pré-Colombiano” e “Sacralizando o Solo: o uso simbólico e prático dos geoglifos sul-americanos”. Visite o Blog: Arqueologia Americana (http://arqueologiamericana.blogspot.com.br/)

Escrito por Dalton Delfini Maziero, 17/01/2017 às 10h01 | daltonmaziero@uol.com.br

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