Jornal Página 3
Coluna
América Misteriosa
Por Dalton Delfini Maziero

Touro morto

O MAIOR CAMPO DE PETROGLIFOS DO MUNDO

“Toro Muerto” (Touro Morto), próximo a Arequipa (Peru), é considerado por muitos, como a maior biblioteca de pedra do mundo! É um dos maiores campos de petroglifos já localizados, com 5 km de comprimento por 250 metros de largura. Nesse espaço – desértico e lunar – encontram-se mais de 6 mil rochas entalhadas em baixo relevo por povos antigos!

A maior parte dessa obra magnífica – descoberta em 1951 – está localizada entre 400 e 800 metros de altitude. Arqueólogos acreditam que foram esculpidas pelos povos Huari e Chuquibamba, entre 800 e 1.100 d.C. As rochas que se encontram em abundância nesse campo são de origem vulcânica, provenientes das montanhas Chachani e Coropuna. Toro Muerto recebeu esse nome devido a recente relação da região com a criação de gado.

São muitas as teorias sobre o simbolismo das rochas. Uma delas relaciona os quatro animais sagrados da cosmologia andina (Lhama, Serpente, Condor e Felino) ao correr do tempo. Dessa forma, a serpente estaria relacionada ao tempo passado. As lhamas e o Felino (os quadrúpedes) estariam relacionados ao tempo presente, assim como animais (rãs) que simbolizam a fertilidade. Já as aves, como o Condor, estão relacionadas ao tempo futuro. Outra interpretação associa os animais voadores com o sol; os répteis com o infra mundo (mundo subterrâneo) e os quadrúpedes com o mundo terreno, ou mundo real.

Também encontramos em Toro Muerto algumas figuras geométricas enigmáticas: quadrados divididos em quatro partes e círculos com quatro pontos em seu interior. Estudiosos argumentam que tal simbolismo esteja relacionado aos quatro elementos do Universo: terra, fogo, água e ar.

Contudo, é possível que muitas das figuras representadas estejam associadas à um terrível período de seca extrema, causado pelo El Niño (fenômeno atmosférico que nos afeta até hoje) entre 1.000 e 1.500 de nossa era. Figuras de homens são representadas como se estivessem participando de um ritual, com roupas típicas e o que podem ser “lágrimas” nos olhos. As lágrimas podem representar o desejo pela chuva. Também são vistas figuras humanas esquálidas, com ossos à vista, o que pode estar representando a grande fome proveniente da seca prolongada. A necessidade de água e fertilidade do solo deve ter se tornado uma busca obsessiva na região, impulsionando ritos e crenças cada vez mais sofisticados.

A questão importante agora é determinar se as imagens representadas possuem relação com esse período de seca, e se o campo de petroglifos de Toro Muerto representa enfim, uma área sagrada para aqueles povos do passado.

Dalton Delfini Maziero é historiador, arqueólogo, explorador, escritor e especialista em culturas pré-colombianas. Apoio Consulado Geral do Peru em São Paulo. Visite o Blog: Arqueologia Americana (http://arqueologiamericana.blogspot.com.br/)
 

Escrito por Dalton Delfini Maziero, 20/12/2016 às 10h45 | daltonmaziero@uol.com.br

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