Jornal Página 3
Coluna
América Misteriosa
Por Dalton Delfini Maziero

A Porta do Sol - Eterno Mistério Americano

Poucos monumentos arqueológicos no mundo geraram tantas interrogações, como a chamada “Porta do Sol”, nas ruínas de Tiwanaku (Bolívia). Não há quem a olhe de forma indiferente, hipnotizados pelo seu enigmático friso entalhado. As teorias sobre o que representa são inúmeras e suficientes para escrever um livro, a começar pelo seu nome, que não encontra nenhum motivo aparente de ser. O termo surgiu no século XIX, identificando a obra até hoje. Quase tudo nela está envolto em incertezas e mistério.

Na época colonial, os cronistas não a mencionam. Provavelmente por estar tombada, garantindo assim sua preservação até nós. Seu sítio original também é uma incógnita. Alguns defendem que repousaria no topo da pirâmide de Akapana, enquanto outros, que estaria dentro do templo de Kalasasaya. Segundo tradições, foi descoberta em 1825, por Antonio José de Sucre. Posteriormente (1910) o governo boliviano a colocou no local onde se encontra. Suas dimensões são de 2,73 metros de altura por 3,84 metros de largura, com 50 centímetros de profundidade. O monólito está entalhado num único bloco de andesita, uma pedra duríssima!

As teorias sobre seu significado geram polêmicas. Em 1937, Fritz Buck - um colecionador de artefatos de La Paz - baseado em exemplares de sua própria coleção, afirmava que o friso da Porta do Sol nada mais era do que a representação do calendário maia! Analisando as imagens de seres correndo, como nas cerâmicas mochica, Armando Vivante e Belisario D. Rodriguez afirmaram que o friso representaria alguma espécie de culto ou dança.

O friso encontra-se inacabado, mas podemos notar um personagem carregando um par de cajados que terminam em forma de cabeça de condor. É cercado por vários seres alados. O cajado representa poder, em quase todas as antigas culturas do mundo. Muitos pesquisadores identificaram a figura central como sendo a representação do sol, devido aos "raios" que saem de sua cabeça. Seria Wiracocha, o Criador? Totalizam 24 "raios", sendo que 17 terminam em esferas. O rosto da imagem central, a única representada em tamanho grande, possui o que parecem ser lágrimas escorrendo de seus olhos! Isso lhe valeu também o título de "deus chorão".

Entre tantas teorias e especulações, a mais sensata foi apresentada por Posnansky. O sábio afirma que o friso representa um calendário agrícola, marcando os dias da semana, meses e o período do equinócio. Os 24 "raios" que saem da cabeça do personagem principal indicam as horas do dia. A imagem principal identificaria o equinócio de setembro. As demais figuras representam os meses, semanas e dias restantes. Seja como for, a Porta do Sol continua desafiando os pesquisadores a encontrarem uma resposta satisfatória para seu incrível friso.

Dalton Delfini Maziero é historiador, arqueólogo, explorador e escritor. Especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria. Autor de “Titicaca – Em Busca dos Antigos Mistérios Pré-Colombiano” e “Sacralizando o Solo: o uso simbólico e prático dos geoglifos sul-americanos”. Visite o Blog: Arqueologia Americana (http://arqueologiamericana.blogspot.com.br/)

 

Escrito por Dalton Delfini Maziero, 16/11/2016 às 14h12 | daltonmaziero@uol.com.br

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