Jornal Página 3
Coluna
América Misteriosa
Por Dalton Delfini Maziero

Tecnologia à serviço da arqueologia

Recentemente, algumas das maiores descobertas arqueológicas do continente americano estão apoiadas pela tecnologia, seja no estudo do DNA, na utilização de drones para detecção de ruínas inacessíveis, ou mesmo na reconstrução tridimensional de corpos e objetos sepultados há séculos. A pouco menos de um mês - no Peru - o esqueleto do soberano mochica conhecido como Senhor de Sipán, teve seu rosto recriado por computação 3D, baseado em minuciosos estudos que envolveram sua arcada dentária e reconstrução craniana.

Mas afinal, para que serve a reconstrução facial de um morto?

Sem dúvida, o puro uso da tecnologia já é por si, um elemento bastante interessante de ser observado. No caso da arqueologia pré-colombiana, seu uso quase sempre foi adaptado, e quase nunca desenvolvido para este fim. Aparelhos militares para detecção e desarme de bombas foram usados no auxílio de escavações delicadas; drones de uso policial enviados ao topo de montanhas e vales em busca de vestígios arqueológicos; nos laboratórios o estudo do DNA ajudou a determinar a origem e migração de diversas culturas; e cientistas forenses recriaram rostos e corpos de antigos personagens.

A descoberta em 1987 da sepultura do Senhor de Sipán (séc. III dC), foi um dos maiores feitos da arqueologia americana. A importância social daquele soberano mochica e seu tesouro nos ajudaram a compreender melhor toda uma estrutura de vida dessa brilhante civilização. Neste caso específico, o estudo do crânio mostra que ele faleceu entre 40 e 55 anos de idade. O maior desafio nesta pesquisa foi a reconstrução craniana, fragmentada pelo peso das oferendas de ouro. Os pedaços de ossos desaparecidos foram recriados digitalmente, assim como a pele que os cobria, pautados por técnicas forenses. Assim, a equipe formada pelos brasileiros Cícero Moraes e Paulo Miamoto (Ebrafol - Equipe Brasileira de Antropologia Forense e Odontologia) conseguiu trazer à vida, um personagem falecido a cerca de 1700 anos. O resultado da pesquisa foi apresentado no VIII Congresso Internacional de Computação e Telecomunicações (Comtel), organizado pela Universidade Inca Garcilaso de la Veja, em Lima.

Segundo Walter Alva – arqueólogo peruano responsável pela descoberta da sepultura em 1987 – a importância dessa aplicação tecnológica vai muito além da curiosidade científica, pois ela não apenas retira do anonimato personagens do passado peruano, mas cria junto a atual sociedade, um símbolo de raça e identidade de um povo.

Dalton Delfini Maziero é historiador, arqueólogo, explorador e escritor. Especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria. Autor de “Titicaca – Em Busca dos Antigos Mistérios Pré-Colombiano” e “Sacralizando o Solo: o uso simbólico e prático dos geoglifos sul-americanos”. Visite o Blog: Arqueologia Americana (http://arqueologiamericana.blogspot.com.br/)

 

Escrito por Dalton Delfini Maziero, 03/11/2016 às 16h46 | daltonmaziero@uol.com.br

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