Jornal Página 3
Coluna
América Misteriosa
Por Dalton Delfini Maziero

Paquime

PRODÍGIO DA CLIMATIZAÇÃO AMERICANA

No norte do México, uma surpreendente civilização construiu casas em barro com sete andares de altura! Eram perfeitamente climatizadas para suportar o calor do deserto de Chihuahua, que apresenta temperaturas entre 10 graus negativos e 45 positivos!!! A maior parte de suas residências, contudo, eram semi-subterrâneas, para proteção contra os raios solares e entrada de possíveis inimigos. Paquimé (ou Casas Grandes) teve seu auge entre 1130 e 1300 dC, com uma população de aproximadamente 10 mil habitantes.

Quando os espanhóis chegaram à região em 1556, Paquimé já se encontrava abandonada. Sua arquitetura e artefatos são tão diferentes dos demais povos mexicanos (maias, mexicas, toltecas, olmecas...), que pesquisadores acreditam tratar-se de um povo proveniente do antigo território dos EUA. É possível que tenham parentesco com os Hopis e Anasazi.

É quase inacreditável o que a cultura paquimé fez para sobreviver no deserto. Suas casas – sempre voltadas para o nascer do sol – possuem paredes de barro (argila e cascalho) com 75 cm de espessura, bloqueando frio e calor. No horário de maior pico de sol, as casas encontram-se protegidas umas das outras por suas próprias sombras. Também possuem minúsculas “janelas” no alto das paredes, permitindo a saída do ar quente e sua ventilação.

Para refletir os raios solares, usavam tintas de produtos naturais nas cores brancas, rosa, verde e tons pastéis claros. Mas ainda existiam outros artifícios estéticos e arquitetônicos: as portas de suas casas tinham apenas 1,35 metros, permitindo a passagem de uma pessoa por vez. A “cidade colmeia” – como é conhecida – possuía corredores tão estreitos entre as casas, que os arqueólogos acreditam tratar-se de um sistema de proteção contra invasores. Quem tentasse invadir Paquimé, teria que fazê-lo homem a homem!

Mas nenhuma civilização conseguiria sobreviver sem água! Arqueólogos encontraram um sistema hidráulico capaz de trazer água de rios situados a 8 Km de distância. Esse precioso líquido era armazenado em cisternas coletivas, mas antes passavam por um processo de tanques de sedimentação, composto por cascalhos e areia que filtravam a água, eliminando suas impurezas! Para que a água não permanecesse estagnada, criaram rodas com pás, evitando assim sua putrefação.

A cada momento, a arqueologia revela novas surpresas em Paquimé. Foi constatado que suas casas eram impermeabilizadas com uma mistura feita com pó de conchas. Essas conchas – da espécie nassarius – são encontradas apenas a 300 km de distância, no Golfo da Califórnia! Graças a sua engenhosidade arquitetônica, Paquimé foi declarada Patrimônio Mundial da UNESCO em 1998.

Dalton Delfini Maziero é historiador, arqueólogo, explorador e escritor. Especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria. Autor de “Titicaca – Em Busca dos Antigos Mistérios Pré-Colombiano” e “Sacralizando o Solo: o uso simbólico e prático dos geoglifos sul-americanos”. Visite o Blog: Arqueologia Americana (http://arqueologiamericana.blogspot.com.br/)

 

Escrito por Dalton Delfini Maziero, 17/10/2016 às 15h51 | daltonmaziero@uol.com.br

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