Jornal Página 3
Coluna
América Misteriosa
Por Dalton Delfini Maziero

Teotihuacán e o Mundo Subterrâneo

 

Em 2003, arqueólogos mexicanos realizaram uma das mais importantes descobertas do século: um túnel de 140 metros de comprimento e 18 de profundidade, que se estende por debaixo da gigantesca Pirâmide do Sol e do Templo da Serpente Emplumada, nas ruínas de Teotihuacán. O achado foi casual, graças às chuvas de uma manhã de outubro que deixaram à mostra um buraco de 83 cm, com acesso ao sistema subterrâneo.

Escavações posteriores revelaram mais de 50 mil objetos magníficos, como esculturas em rocha, pedras de jade provenientes da Guatemala, incensos, conchas do Caribe, sementes, bolas de borracha, espelhos de pirita, bolas de cristal e metal, cabaças, pelo de felinos e pele, que parece ser humana. Parte desse tesouro pré-colombiano está sendo exposto aos poucos, nos principais museus mexicanos.

Acredita-se que o túnel encontrado represente a visão do “infra mundo” (mundo subterrâneo) tal como era concebido pelos mexicas (astecas). Nele, os cientistas descobriram câmaras mortuárias que devem pertencer a importantes governantes de Teotihuacán. Contudo, até o momento, nenhum corpo foi localizado.

A antiga cidade – localizada a 47 Km da Cidade do México – é hoje o maior sítio arqueológico das Américas. Quando os mexicas chegaram nesse local no século XIV, ela já estava completamente abandonada, em ruinas. Sabemos hoje, que a população que lá viveu a ocupou entre 150 aC e 650 dC., deixando um legado monumental impressionante, formado por pirâmides, templos e palácios gigantescos. Contudo, as atividades ritualísticas realizadas no subterrâneo ocorreram apenas entre 150 e 200 dC.

Um detalhe curioso do achado é que os antigos mexicas recobriram parte das paredes do subterrâneo com minerais (pirita e magnetita) que brilham no escuro após receberem luz. A ilusão é de estar frente a um céu estrelado, só que debaixo da terra.

Os arqueólogos levaram cinco anos para revelar essas maravilhas, e para isso retiraram mais de 970 toneladas de terra e pedras que bloqueavam a passagem de acesso. As pesquisas só foram possíveis graças a um alto investimento tecnológico, com o uso de robôs, escaneamento laser e georadar. Esses recursos muitas vezes permitiram aos arqueólogos prospectar o que existia debaixo da terra antes mesmo da retirada do entulho.

A parte mais profunda do túnel – ainda obstruída – pode revelar o mais importante dos tesouros. Talvez algum sepultamento de dignitário a exemplo dos Maias. De qualquer forma, as evidências mostram que Teotihuacán foi utilizada posteriormente pelos mexicas, como uma cidade santuário para valorização de mitos de criação e também, para exercício de poder. Em 1987, a UNESCO declarou Teotihuacán como Patrimônio da Humanidade.

Dalton Delfini Maziero é historiador, arqueólogo, explorador e escritor. Especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria. Autor de “Titicaca – Em Busca dos Antigos Mistérios Pré-Colombiano” e “Sacralizando o Solo: o uso simbólico e prático dos geoglifos sul-americanos”. Visite o Blog: Arqueologia Americana (http://arqueologiamericana.blogspot.com.br/)
 

Escrito por Dalton Delfini Maziero, 15/12/2015 às 11h00 | daltonmaziero@uol.com.br

publicidade

Machu Pichu - A descoberta da cidade perdida dos incas

 

Como pode uma cidade das proporções de Machu Picchu, ficar "perdida" por tantos séculos?

Muitos falam dos mistérios que suas ruínas guardam, mas poucos comentam hoje os detalhes de sua impressionante descoberta, realizada pelo americano Hiram Bingham em 1911.

Mas afinal, como se “perde” uma cidade? Machu Picchu – situada na Cordilheira peruana – nunca esteve propriamente perdida. Certo será chama-la “abandonada”! A descoberta de Machu Picchu é quase tão fascinante quanto o estudo de suas construções.

Em 1894, moradores de Cusco já sabiam de sua existência, embora não soubessem de sua importância arqueológica para o passado da civilização Inca. Na época, camponeses do Vale do Urubamba costumavam guiar pessoas em busca por tesouros perdidos.

O americano Hiram Bingham (1875- 1956) – historiador, aviador, explorador e político – que esteve no Peru em 1909 para refazer a rota de Simon Bolívar, tomou conhecimento dessas ações. Parece certo que durante esta primeira experiência, Bingham entrou em contato com boatos de camponeses, que contaram sobre ruínas em meio às montanhas, motivando-o a buscar apoio nos EUA para uma grande expedição.

Com o apoio da University of Yale e da National Geographic Socity, Bingham retorna a Lima em junho de 1911. Seu objetivo inicial não era Machu Picchu, mas sim a antiga capital incaica de Vilcabamba La Vieja, citadas na crônica do padre Antônio de Calancha (1630).Em Cusco, traça seu roteiro através do Vale do Urubamba e parte para sua histórica jornada.

Bingham e sua equipe contavam com vários carregadores, que se aventuraram através do majestoso Vale do Urubamba, sempre acompanhados do caudaloso e barrento rio de mesmo nome. No caminho, conheceu várias ruínas menores como Salapuncu, Llajtapata, Torontoy, além da grande Ollantaytambo.Contudo, nenhuma das ruínas vistas até então eram dignas das descrições dos cronistas espanhóis da conquista.

Finalmente, na manhã fria e chuvosa de 24 de junho de 1911, um camponês quéchua chamado Melchor Artega indicou a existência de grandes ruínas no topo de uma montanha. A subida desgastante e perigosa revelou uma imagem irreal. Como por encanto, enormes patamares se abriram aos seus olhos, e centenas de estruturas arquitetônicas surgiram entre emaranhados de raízes e árvores. Era Machu Picchu!

Ao contrário do que muitos possam pensar, Machu Picchu era bem diferente do que se vê hoje. Bingham encontrou uma cidade em ruínas, pedras desconexas, e raízes disformes. Naquela visão caótica, estava uma das mais notáveis cidades incaicas, que levaria anos para ser reconstruída.

Apesar da fantástica descoberta, não era aquilo que Bingham procurava. Os primeiros estudos mostraram a ele que Machu Picchu não era Vilcabamba La Vieja, a última morada dos Incas. Um feliz engano, que acabou por revelar ao mundo, um dos maiores tesouros da cultura incaica.

(Dalton Delfini Maziero é historiador, arqueólogo, explorador, escritor e especialista em culturas pré-colombianas. Autor de “Titicaca – Em busca dos antigos mistérios pré-colombianos” e “Sacralizando o Solo – o uso simbólico e prático dos geoglifos sul-americanos” Visite o Blog: Arqueologia Americana).

Escrito por Dalton Delfini Maziero, 03/12/2015 às 09h03 | daltonmaziero@uol.com.br

publicidade





1 2 3 4 5 6

publicidade

publicidade

publicidade

publicidade

publicidade

publicidade

publicidade

publicidade

Fale Conosco - Anuncie neste site - Normas de Uso
© Desenvolvido por Pagina 3

Endereco: Rua 2448, 360 - Balneario Camboriu - SC | Telefone: (47) 3367-3333 | Email: jornal@pagina3.com.br