Jornal Página 3
Coluna
América Misteriosa
Por Dalton Delfini Maziero

Cidade Perdida

Mistério e encanto na floresta colombiana

Após horas caminhando entre pedras soltas do rio Buritaca - em meio a uma floresta verdejante e grandiosa - atingimos a entrada principal das ruínas de Cidade Perdida, na Colômbia. Nada se via além do início de uma escadaria que parecia não ter fim. Mais de 1500 degraus serpenteavam montanha acima, nos separando do maior povoamento já descoberto dos antigos Taironas. A pausa antes de enfrentar esta derradeira subida é quase um ritual. Após dois dias inteiros de caminhada pesada, sob um calor insuportável, avançar por aquela escada secular coberta de limo exigia respeito e fôlego.

Confesso que não sabia ao certo, o que esperar de Cidade Perdida. Macchu Picchu (Peru) monopoliza as atenções na América do Sul e, quando soube de uma cidade monumental de difícil acesso nas florestas colombianas, decidi tentar a sorte, entre o calor, as serpentes e a ameaça de guerrilheiros. A empreitada mostrou-se digna de um filme de aventuras. Nada traduz de forma tão literal, a sensação de tornar-se “Indiana Jones”.

Cidade Perdida foi construída em 700 d.C, e está localizada na Serra Nevada de Santa Marta: um maciço montanhoso isolado do restante da Cordilheira dos Andes, que emerge abruptamente no litoral Atlântico da Colômbia. Possui uma área de 21 mil quilômetros quadrados, formando uma gigantesca e impressionante pirâmide. É considerada a montanha litorânea mais alta do mundo. Seus picos – o Simon Bolívar e o Cristobal Colón – atingem 5775 e 5770 metros e possuem neve perpétua. Estes picos montanhosos não estão a mais de 30 km do litoral. Por este motivo, seus cumes eram utilizados como “faróis” naturais pelos navegantes europeus que avançavam nas águas caribenhas do século XVI.

A primeira referência sobre a existência de um assentamento arqueológico de proporções monumentais em Serra Nevada ocorreu em 1975, quando o Instituto Colombiano de Antropologia (ICA) obteve informações que um huaquero (caçador de tesouros) havia localizado uma grande cidade em local quase inacessível. Era Cidade Perdida, chamada tecnicamente de Buritaca 200. A primeira exploração oficial ocorreu um ano depois, em 1976.

Apesar de sua importância, Cidade Perdida não é o único centro urbano Tairona. Ela faz parte de um grupo de 250 povoamentos. Suas ruínas espalham-se entre 950 e 1300 metros sobre o nível do mar, nas proximidades do rio Buritaca. Para compensar o desnível do terreno, os Taironas construíram muros de contenção que atingiam 12 metros, e um surpreendente sistema de canalização de águas. Cidade Perdida possui um total de 169 plataformas, com capacidade para 280 cabanas. Acredita-se que, em seu auge, sua população chegou a 3 mil habitantes. Parte deles sobreviveu à conquista espanhola, permanecendo oculta em meio à floresta por quase 400 anos!

Dalton Delfini Maziero é historiador, arqueólogo, explorador e escritor. Especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria. Autor de “Titicaca – Em Busca dos Antigos Mistérios Pré-Colombiano” e “Sacralizando o Solo: o uso simbólico e prático dos geoglifos sul-americanos”. Visite o Blog: Arqueologia Americana (http://arqueologiamericana.blogspot.com.br/)

 

Escrito por Dalton Delfini Maziero, 04/04/2016 às 14h33 | daltonmaziero@uol.com.br

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Costa Rica

O MISTÉRIO DAS ESFERAS DE PEDRA


Eleanor & Sam Lothrop/1950’s - Foto Julián Rodríguez

A Costa Rica - esse distante e pequeno país da América Central – guarda um dos conjuntos monumentais arqueológicos mais desconcertantes de nosso continente. São cerca de 300 esferas esculpidas em pedra, algumas de uma perfeição visual surpreendente!  

A maior dessas bolas de pedra maciça mede 2,15 metros de diâmetro e pesa cerca de 16 toneladas. Esses estranhos artefatos inspiraram a famosa cena do filme “Caçadores da Arca Perdida” (1981), na qual o arqueólogo Indiana Jones foge desesperadamente por um túnel escuro, de uma esfera de pedra que vem em sua direção para esmagá-lo.

Na vida real, ninguém ao certo sabe para que foram usadas. Qual seria sua função, seu uso prático? As esferas de pedra foram descobertas em 1940, durante atividades agrícolas da empresa United Fruit Company (EUA). Desde então, quase todas as esferas descobertas sofreram danos. Algumas destruídas por maquinários agrícolas; outras por caçadores de tesouros que acreditavam existir ouro em seu interior. Mas a principal depredação foi o deslocamento das peças de suas posições originais. Infelizmente, como ocorre em outros sítios arqueológicos americanos, aqui também os monumentos do passado foram utilizados para ornamentação de jardins particulares e prédios modernos. A destruição de seu contexto arqueológico original dificulta hoje um estudo científico que possa explicar o seu uso no passado.

A maior quantidade de esferas encontra-se concentrada na região sul da Costa Rica, próxima ao Delta de Diquís. Quase todas esculpidas em rocha granodiorito (uma pedra dura e ígnea), e algumas poucas em coquina (pedra calcária). Estudos modernos sugerem que os antigos nativos “descascavam” a rocha como uma cebola, em camadas, mediante alterações rápidas de sua temperatura. Para isso, submetiam a esfera de pedra ao carvão quente e, em seguida, a banhos de água fria, causando assim um choque térmico que fragmentava camadas de sua superfície!

Também não se sabe ao certo quem as fez. Boa parte da região em que são encontradas era território de povos que praticavam o idioma chibchan (também usado em Honduras e Colômbia). Junto à muitas esferas, existiam restos de muros e pavimentos. As escavações feitas ao redor das esferas, revelaram fragmentos de cerâmica e enterramentos datados entre 200 a.C. e 800 d.C., e que foram relacionados aos grupos Chiriquí e Aguas Buenas.

Nos anos 1940-1950, existem relatos que nos mostram que as esferas não estavam dispostas a esmo no solo. Muitas encontravam-se alinhadas, formando linhas retas, curvas e até mesmo criando formações triangulares. Um grupo de quatro esferas foi localizado em orientação ao norte magnético, o que sugere um possível alinhamento astronômico. Seja qual for o significado das esferas de pedra da Costa Rica, elas ainda hoje desafiam a imaginação dos cientistas modernos.

Dalton Delfini Maziero é historiador, arqueólogo, explorador e escritor. Especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria. Autor de “Titicaca – Em Busca dos Antigos Mistérios Pré-Colombiano” e “Sacralizando o Solo: o uso simbólico e prático dos geoglifos sul-americanos”. Visite o Blog: Arqueologia Americana (http://arqueologiamericana.blogspot.com.br/)

Escrito por Dalton Delfini Maziero, 15/03/2016 às 15h26 | daltonmaziero@uol.com.br

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AS SEPULTURAS GIGANTES DE SILLUSTANI

Quando cheguei à Sillustani (Peru) pela primeira vez, percebi de imediato como aquela região era especial. Sepulturas gigantes – algumas com 10 metros – de vários povos pré-colombianos espalhavam-se por uma península desértica de extrema beleza. O silêncio do local é tocante e exige respeito. Afinal, Sillustani é um dos mais antigos cemitérios das Américas!

Mas o local não foi sempre assim. Ele passou por várias etapas antes de ser utilizado como solo sagrado. Inicialmente, foi visitado por povos nômades que vagavam na região em busca de cavernas, alimentos e água. Deixaram as marcas de sua presença espalhadas pelo Altiplano, na forma de artefatos e pedras esculpidas. Este período é conhecido como “Pré-cerâmico”, e estendeu-se aproximadamente de 10.000 a 3.000 a.C.

O visitante que hoje chega a Sillustani pode observar sepulturas de vários tamanhos e formatos. Isso ocorre porque diversos povos - Pucaras, Tiwanakus, Collas, Incas - ocuparam o local, dando continuidade a essa região sagrada. As sepulturas seguem o estilo arquitetônico de seu povo e reflete o status de cada morto, pois, ao contrário do que muitos pensam, não foram enterrados ali somente grandes senhores, mas também pessoas de menor prestígio.

Em 1971, o arqueólogo Arturo Ruiz Estrada exumou uma das torres funerárias, descobrindo várias oferendas constituídas por colares de turquesa, depiladores de cobre e furadores de ossos. Encontrou também 15 esqueletos pertencentes a pessoas de idade e sexo diferentes. Cinco anos mais tarde, o mesmo arqueólogo realizou outra escavação,desenterrando 1280 peças, sendo 501 de ouro!

A técnica de construção desses enormes monumentos é surpreendente. Três eram os materiais básicos para a construção das sepulturas: pedra, terra e barro. Para erguê-las, foram convocados arquitetos, pedreiros, lapidadores, capatazes e transportadores.Embora sejam famosas as sepulturas em forma de “cone invertido”, existem também tumbas subterrâneas, redondas e quadradas. Em todas elas, usavam-se pedras de variados tipos, inclusive rocha vulcânica.

Na época da conquista espanhola, existem relatos que nos falam de martelos e seixos feitos em rocha negra, com os quais lapidavam as pedras de consistência mais mole, com leves pancadas. Depois, para o polimento, utilizavam areia ferruginosa, esfregada a exaustão, com o auxílio de uma pedra mais dura do que a esculpida. Finalizado o trabalho de lapidação, eram necessários dezenas, às vezes centenas de braços para arrastar os enormes blocos ao seu local definitivo de repouso. Em Sillustani, temos um exemplo magnífico da técnica dos antigos povos americanos em se trabalhar a rocha!

Dalton DelfiniMaziero é historiador, arqueólogo, explorador e escritor. Especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria. Autor de “Titicaca – Em Busca dos Antigos Mistérios Pré-Colombiano” e “Sacralizando o Solo: o uso simbólico e prático dos geoglifos sul-americanos”. Visite o Blog: Arqueologia Americana (http://arqueologiamericana.blogspot.com.br/)
 
Escrito por Dalton Delfini Maziero, 02/03/2016 às 07h34 | daltonmaziero@uol.com.br

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EL INFIERNITO

MISTERIOSO CENTRO ASTRONÔMICO DA CULTURA MUÍSCA

Caminhar pelo povoado de Vila de Leyva (Colômbia, 1572), é como retornar ao passado. Cerca de 7 km de seu centro - formado por vielas e casarões - encontra-se um dos mais intrigantes sítios arqueológicos do país, conhecido como El Infiernito (Foto: Julián Rodriguez, www.mibellavilla.com). Nele, colunas em formato fálico alinham-se com estrelas e planetas! Seriam os dólmens, uma tentativa de alteração do equilíbrio cósmico?

Quando os europeus chegaram à Colômbia, encontraram vários grupos – entre eles os Muíscas – partilhando de costumes e crenças semelhantes, sem formarem, contudo, uma unidade política. Entre as tradições comuns, estavam a produção de peças em ouro e a coleta de esmeraldas.

As ruínas do centro astronômico revelam profundos preceitos de adoração. Múmias e oferendas foram encontradas no local. Sabemos também que era costume inalarem alucinógenos, como forma de comunicação com seres míticos. Partilhavam em suma, de uma visão cosmológica. Para nós, essa visão é revelada nos artefatos encontrados por arqueólogos e huaqueros (caçadores de tesouros): muitas das peças de ouro conhecidas são de animais antropomorfizados. Homens-Jaguar, Homens-Morcego, Homens-Pássaros, que revelam a necessidade dos indígenas no totemismo: a “transformação” humana em animal, adquirindo seus poderes através de rituais. Segundo Eliécer Silva Celis, arqueólogo descobridor do observatório Muísca, “a pedra foi o idioma desta cultura, que as empregaram para manter sua obra eterna”. A escolha da rocha como elemento de expressão artística e ritual foi comum a vários povos pré-colombianos.

Hoje, o espaço ganhou o nome de Parque Arqueológico de Monquirá. A reconstrução do local busca recuperar os danos causados pelas guerras intertribais; depredações da conquista espanhola e ação de huaqueros. O monumento, com pedras alinhadas segundo pontos cardeais Leste-Oeste, é um exemplo surpreendente da astronomia primitiva americana. Eliécer acredita que os antigos astrônomos buscaram a relação entre as colunas de pedra e a posição de planetas e estrelas. Muitas destas colunas são obvias representações do órgão sexual masculino, símbolo da fecundidade.

A sacralidade da sexualidade humana e a preocupação pela fecundidade dos campos aparecem reveladas nesses colossais monólitos de pedra, detentores de valores espirituais e mágicos. Não é fácil compreendermos o significado desta construção. Seja como for, é importante perceber no centro astronômico Muísca de Vila de Leyva, uma entre muitas manifestações do gênero. Ele não é o único existente na América, mas nos revela uma prática comum a vários povos. Uma prática há muito tempo esquecida.

Dalton Delfini Maziero é historiador, arqueólogo, explorador e escritor. Especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria. Autor de “Titicaca – Em Busca dos Antigos Mistérios Pré-Colombiano” e “Sacralizando o Solo: o uso simbólico e prático dos geoglifos sul-americanos”. Visite o Blog: Arqueologia Americana

Escrito por Dalton Delfini Maziero, 16/02/2016 às 09h51 | daltonmaziero@uol.com.br

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NAZCA

OS ENIGMÁTICOS GEOGLIFOS DO DESERTO PERUANO

A cidade de Nazca (litoral sul do Peru) guarda um dos maiores mistérios arqueológicos das Américas: desenhos gigantescos feitos no deserto, cortados por “linhas” que varrem o solo por quilômetros! Poucos monumentos no mundo causaram tantos debates quanto essas incríveis formações, conhecidas como Geoglifos. Tecnicamente, podemos defini-los como construções terrestres realizadas através do deslocamento ou acúmulo de pedras e terra, criando assim imagens de homens, animais, plantas e figuras geométricas (foto: ao fundo no solo, triângulo “las agulhas de Cantallo”, em Nazca).

Existem na América do Sul, grandes aglomerados de geoglifos, com algumas figuras que chegam a mais de 300 metros. Podemos destacar os geoglifos chilenos do Atacama; os geoglifos peruanos de Nazca; e o grupo descoberto no Acre, em plena floresta brasileira. Todos esses agrupamentos apresentam mais de 400 figuras cada.

Compreender o motivo desses desenhos não é tarefas fácil. As Linhas de Nazca - como ficaram conhecidas - só chegaram ao grande público em 1939, com as pesquisas do historiador norte americano Paul Kosok (1896-1959). As imagens captadas por Kosok de um avião ganharam fama mundial e despertaram a atenção dos cientistas. Surgia assim, no início dos anos 40, a primeira teoria sobre os geoglifos: “o maior mapa astronômico do mundo”, cuja função seria registrar o movimento dos planetas e constelações, como um calendário capaz de determinar as épocas do ano. A alemã Maria Reiche (1903-1998) – que conheci pessoalmente em 1986 – dedicou toda sua vida ao estudo dos geoglifos e ampliou a ideia do mapa astronômico.

A partir dai foram muitas as teorias que tentaram explicar os enigmáticos e gigantescos desenhos do deserto. A mais desastrosa foi de Eric Von Daniken, que na década de 1970, relacionou Nazca a presença de seres extraterrestres. Durante muitos anos, as pesquisas sérias foram encobertas por essa onda de sensacionalismo, até que na década de 1980, novos pesquisadores relacionaram os desenhos de Nazca aos homens que lá viveram e a forma como esses compreendiam o mundo natural e sagrado que os cercavam.

Pesquisas recentes apontam para a estreita relação das antigas comunidades com um mundo sagrado, onde água e fertilidade eram almejadas através de rituais específicos com os geoglifos. A conquista espanhola da América colocou um fim nesses rituais, alterando de modo irreparável, a relação do homem com seu meio, com a paisagem, sua geografia e suas crenças. Os conquistadores não destruíram os geoglifos. Eles fizeram pior: desconstruíram o pensamento do homem americano, e com isso, a necessidade de criar e utilizar os geoglifos. A partir de então, essas admiráveis construções mergulharam no mundo do mistério e do esquecimento.

Dalton Delfini Maziero é historiador, arqueólogo, explorador e escritor. Especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria. Autor de “Titicaca – Em Busca dos Antigos Mistérios Pré-Colombiano” e “Sacralizando o Solo: o uso simbólico e prático dos geoglifos sul-americanos”. Visite o Blog: Arqueologia Americana (http://arqueologiamericana.blogspot.com.br/)

Escrito por Dalton Delfini Maziero, 01/02/2016 às 14h01 | daltonmaziero@uol.com.br

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TITICACA – CIDADES PERDIDAS E TESOUROS SUBMERSOS

O Titicaca é o lago comercialmente navegável mais alto do mundo. Está localizado na fronteira entre o Peru e Bolívia. É tão gigantesco que fica difícil avistar sua margem oposta. Os habitantes aymaras costumam chamá-lo de “Mar das Alturas”, uma vez que está situado a 3.820 metros sobre o nível do mar. É o segundo maior lago da América Latina, com 8.562 km².

Quando contornei suas margens a pé em 1997 - caminhando 1.300 km em busca de ruinas perdidas pré-colombianas - os aymaras me contaram estranhas histórias sobre tesouros submersos em suas águas escuras. Em 1541, o espanhol Hernando Pizarro nos relata sua tentativa de recuperar esse ouro jogado no lago. Pizarro não encontrou nada, mas perdeu dez de seus homens afogados nessa tentativa. Cronistas como o padre Bernabé Cobo e o Inca Garcilaso de La Vega falam sobre o antigo costume de atirar objetos preciosos como oferenda aos deuses. O quanto disso será verdade?

A partir de 1950, foram inúmeras as tentativas de recuperação dos supostos tesouros do Titicaca. Algumas não passaram de meras aventuras, outras tiveram apoio internacional. Mergulhadores profissionais (e amadores) como William Mardoff, Johan Reinhard, Ramón Avellaneda - entre outros - após vários mergulhos, concluíram que a sedimentação do fundo do lago impossibilitava o resgate de objetos. Relatórios e matérias de imprensa sensacionalistas apontavam a existência de ruínas, muros e templos submersos, sem provas materiais que confirmasse tais descobertas.

De todas as expedições em busca dos mistérios do Titicaca, talvez a do oceanógrafo francês Jacques Yves Cousteau seja a que mais chamou a atenção. Ela ocorreu em 1968 e dispunha de 20 toneladas de equipamentos modernos, entre os quais, mini submarinos. As prospecções em torno da Ilha do Sol atingiram 114 metros de profundidade. Nenhuma ruína submersa foi encontrada. Pior do que isso: os supostos muros e templos apontados por outros mergulhadores não passavam de antigos ancoradouros que ficaram submersos com o passar do tempo. O relatório final de Cousteau, impreciso e cheio de falhas, não chega a lugar algum.

Contudo, na década de 1970, algumas expedições japonesas confirmaram a antiga prática de oferendas atiradas no Titicaca. Foram encontradas “capsulas” entalhadas em pedra com pequenas estatuetas de ouro em seu interior. Esses artefatos podem ser vistos hoje no Museu da Ilha do Sol. Em 2013, uma equipe belga liderada por Christopher Delaere encontrou 31 peças de ouro, além de prata, ossos e cerâmica de 1500 anos! Delaere afirma – através de levantamento geofísico – já ter localizado seis sítios arqueológicos de origem Tiwanaku na parte inferior do Titicaca. O resultado dessas pesquisas pode, finalmente, revelar a verdade sobre os tesouros ocultos do Lago Titicaca.

 

Dalton Delfini Maziero é historiador, arqueólogo, explorador e escritor. Especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria. Autor de “Titicaca – Em Busca dos Antigos Mistérios Pré-Colombiano” e “Sacralizando o Solo: o uso simbólico e prático dos geoglifos sul-americanos”. Visite o Blog: Arqueologia Americana (http://arqueologiamericana.blogspot.com.br/

Escrito por Dalton Delfini Maziero, 14/01/2016 às 16h50 | daltonmaziero@uol.com.br

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