Jornal Página 3
Coluna
América Misteriosa
Por Dalton Delfini Maziero

AS SEPULTURAS GIGANTES DE SILLUSTANI

Quando cheguei à Sillustani (Peru) pela primeira vez, percebi de imediato como aquela região era especial. Sepulturas gigantes – algumas com 10 metros – de vários povos pré-colombianos espalhavam-se por uma península desértica de extrema beleza. O silêncio do local é tocante e exige respeito. Afinal, Sillustani é um dos mais antigos cemitérios das Américas!

Mas o local não foi sempre assim. Ele passou por várias etapas antes de ser utilizado como solo sagrado. Inicialmente, foi visitado por povos nômades que vagavam na região em busca de cavernas, alimentos e água. Deixaram as marcas de sua presença espalhadas pelo Altiplano, na forma de artefatos e pedras esculpidas. Este período é conhecido como “Pré-cerâmico”, e estendeu-se aproximadamente de 10.000 a 3.000 a.C.

O visitante que hoje chega a Sillustani pode observar sepulturas de vários tamanhos e formatos. Isso ocorre porque diversos povos - Pucaras, Tiwanakus, Collas, Incas - ocuparam o local, dando continuidade a essa região sagrada. As sepulturas seguem o estilo arquitetônico de seu povo e reflete o status de cada morto, pois, ao contrário do que muitos pensam, não foram enterrados ali somente grandes senhores, mas também pessoas de menor prestígio.

Em 1971, o arqueólogo Arturo Ruiz Estrada exumou uma das torres funerárias, descobrindo várias oferendas constituídas por colares de turquesa, depiladores de cobre e furadores de ossos. Encontrou também 15 esqueletos pertencentes a pessoas de idade e sexo diferentes. Cinco anos mais tarde, o mesmo arqueólogo realizou outra escavação,desenterrando 1280 peças, sendo 501 de ouro!

A técnica de construção desses enormes monumentos é surpreendente. Três eram os materiais básicos para a construção das sepulturas: pedra, terra e barro. Para erguê-las, foram convocados arquitetos, pedreiros, lapidadores, capatazes e transportadores.Embora sejam famosas as sepulturas em forma de “cone invertido”, existem também tumbas subterrâneas, redondas e quadradas. Em todas elas, usavam-se pedras de variados tipos, inclusive rocha vulcânica.

Na época da conquista espanhola, existem relatos que nos falam de martelos e seixos feitos em rocha negra, com os quais lapidavam as pedras de consistência mais mole, com leves pancadas. Depois, para o polimento, utilizavam areia ferruginosa, esfregada a exaustão, com o auxílio de uma pedra mais dura do que a esculpida. Finalizado o trabalho de lapidação, eram necessários dezenas, às vezes centenas de braços para arrastar os enormes blocos ao seu local definitivo de repouso. Em Sillustani, temos um exemplo magnífico da técnica dos antigos povos americanos em se trabalhar a rocha!

Dalton DelfiniMaziero é historiador, arqueólogo, explorador e escritor. Especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria. Autor de “Titicaca – Em Busca dos Antigos Mistérios Pré-Colombiano” e “Sacralizando o Solo: o uso simbólico e prático dos geoglifos sul-americanos”. Visite o Blog: Arqueologia Americana (http://arqueologiamericana.blogspot.com.br/)
 
Escrito por Dalton Delfini Maziero, 02/03/2016 às 07h34 | daltonmaziero@uol.com.br

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EL INFIERNITO

MISTERIOSO CENTRO ASTRONÔMICO DA CULTURA MUÍSCA

Caminhar pelo povoado de Vila de Leyva (Colômbia, 1572), é como retornar ao passado. Cerca de 7 km de seu centro - formado por vielas e casarões - encontra-se um dos mais intrigantes sítios arqueológicos do país, conhecido como El Infiernito (Foto: Julián Rodriguez, www.mibellavilla.com). Nele, colunas em formato fálico alinham-se com estrelas e planetas! Seriam os dólmens, uma tentativa de alteração do equilíbrio cósmico?

Quando os europeus chegaram à Colômbia, encontraram vários grupos – entre eles os Muíscas – partilhando de costumes e crenças semelhantes, sem formarem, contudo, uma unidade política. Entre as tradições comuns, estavam a produção de peças em ouro e a coleta de esmeraldas.

As ruínas do centro astronômico revelam profundos preceitos de adoração. Múmias e oferendas foram encontradas no local. Sabemos também que era costume inalarem alucinógenos, como forma de comunicação com seres míticos. Partilhavam em suma, de uma visão cosmológica. Para nós, essa visão é revelada nos artefatos encontrados por arqueólogos e huaqueros (caçadores de tesouros): muitas das peças de ouro conhecidas são de animais antropomorfizados. Homens-Jaguar, Homens-Morcego, Homens-Pássaros, que revelam a necessidade dos indígenas no totemismo: a “transformação” humana em animal, adquirindo seus poderes através de rituais. Segundo Eliécer Silva Celis, arqueólogo descobridor do observatório Muísca, “a pedra foi o idioma desta cultura, que as empregaram para manter sua obra eterna”. A escolha da rocha como elemento de expressão artística e ritual foi comum a vários povos pré-colombianos.

Hoje, o espaço ganhou o nome de Parque Arqueológico de Monquirá. A reconstrução do local busca recuperar os danos causados pelas guerras intertribais; depredações da conquista espanhola e ação de huaqueros. O monumento, com pedras alinhadas segundo pontos cardeais Leste-Oeste, é um exemplo surpreendente da astronomia primitiva americana. Eliécer acredita que os antigos astrônomos buscaram a relação entre as colunas de pedra e a posição de planetas e estrelas. Muitas destas colunas são obvias representações do órgão sexual masculino, símbolo da fecundidade.

A sacralidade da sexualidade humana e a preocupação pela fecundidade dos campos aparecem reveladas nesses colossais monólitos de pedra, detentores de valores espirituais e mágicos. Não é fácil compreendermos o significado desta construção. Seja como for, é importante perceber no centro astronômico Muísca de Vila de Leyva, uma entre muitas manifestações do gênero. Ele não é o único existente na América, mas nos revela uma prática comum a vários povos. Uma prática há muito tempo esquecida.

Dalton Delfini Maziero é historiador, arqueólogo, explorador e escritor. Especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria. Autor de “Titicaca – Em Busca dos Antigos Mistérios Pré-Colombiano” e “Sacralizando o Solo: o uso simbólico e prático dos geoglifos sul-americanos”. Visite o Blog: Arqueologia Americana

Escrito por Dalton Delfini Maziero, 16/02/2016 às 09h51 | daltonmaziero@uol.com.br

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NAZCA

OS ENIGMÁTICOS GEOGLIFOS DO DESERTO PERUANO

A cidade de Nazca (litoral sul do Peru) guarda um dos maiores mistérios arqueológicos das Américas: desenhos gigantescos feitos no deserto, cortados por “linhas” que varrem o solo por quilômetros! Poucos monumentos no mundo causaram tantos debates quanto essas incríveis formações, conhecidas como Geoglifos. Tecnicamente, podemos defini-los como construções terrestres realizadas através do deslocamento ou acúmulo de pedras e terra, criando assim imagens de homens, animais, plantas e figuras geométricas (foto: ao fundo no solo, triângulo “las agulhas de Cantallo”, em Nazca).

Existem na América do Sul, grandes aglomerados de geoglifos, com algumas figuras que chegam a mais de 300 metros. Podemos destacar os geoglifos chilenos do Atacama; os geoglifos peruanos de Nazca; e o grupo descoberto no Acre, em plena floresta brasileira. Todos esses agrupamentos apresentam mais de 400 figuras cada.

Compreender o motivo desses desenhos não é tarefas fácil. As Linhas de Nazca - como ficaram conhecidas - só chegaram ao grande público em 1939, com as pesquisas do historiador norte americano Paul Kosok (1896-1959). As imagens captadas por Kosok de um avião ganharam fama mundial e despertaram a atenção dos cientistas. Surgia assim, no início dos anos 40, a primeira teoria sobre os geoglifos: “o maior mapa astronômico do mundo”, cuja função seria registrar o movimento dos planetas e constelações, como um calendário capaz de determinar as épocas do ano. A alemã Maria Reiche (1903-1998) – que conheci pessoalmente em 1986 – dedicou toda sua vida ao estudo dos geoglifos e ampliou a ideia do mapa astronômico.

A partir dai foram muitas as teorias que tentaram explicar os enigmáticos e gigantescos desenhos do deserto. A mais desastrosa foi de Eric Von Daniken, que na década de 1970, relacionou Nazca a presença de seres extraterrestres. Durante muitos anos, as pesquisas sérias foram encobertas por essa onda de sensacionalismo, até que na década de 1980, novos pesquisadores relacionaram os desenhos de Nazca aos homens que lá viveram e a forma como esses compreendiam o mundo natural e sagrado que os cercavam.

Pesquisas recentes apontam para a estreita relação das antigas comunidades com um mundo sagrado, onde água e fertilidade eram almejadas através de rituais específicos com os geoglifos. A conquista espanhola da América colocou um fim nesses rituais, alterando de modo irreparável, a relação do homem com seu meio, com a paisagem, sua geografia e suas crenças. Os conquistadores não destruíram os geoglifos. Eles fizeram pior: desconstruíram o pensamento do homem americano, e com isso, a necessidade de criar e utilizar os geoglifos. A partir de então, essas admiráveis construções mergulharam no mundo do mistério e do esquecimento.

Dalton Delfini Maziero é historiador, arqueólogo, explorador e escritor. Especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria. Autor de “Titicaca – Em Busca dos Antigos Mistérios Pré-Colombiano” e “Sacralizando o Solo: o uso simbólico e prático dos geoglifos sul-americanos”. Visite o Blog: Arqueologia Americana (http://arqueologiamericana.blogspot.com.br/)

Escrito por Dalton Delfini Maziero, 01/02/2016 às 14h01 | daltonmaziero@uol.com.br

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TITICACA – CIDADES PERDIDAS E TESOUROS SUBMERSOS

O Titicaca é o lago comercialmente navegável mais alto do mundo. Está localizado na fronteira entre o Peru e Bolívia. É tão gigantesco que fica difícil avistar sua margem oposta. Os habitantes aymaras costumam chamá-lo de “Mar das Alturas”, uma vez que está situado a 3.820 metros sobre o nível do mar. É o segundo maior lago da América Latina, com 8.562 km².

Quando contornei suas margens a pé em 1997 - caminhando 1.300 km em busca de ruinas perdidas pré-colombianas - os aymaras me contaram estranhas histórias sobre tesouros submersos em suas águas escuras. Em 1541, o espanhol Hernando Pizarro nos relata sua tentativa de recuperar esse ouro jogado no lago. Pizarro não encontrou nada, mas perdeu dez de seus homens afogados nessa tentativa. Cronistas como o padre Bernabé Cobo e o Inca Garcilaso de La Vega falam sobre o antigo costume de atirar objetos preciosos como oferenda aos deuses. O quanto disso será verdade?

A partir de 1950, foram inúmeras as tentativas de recuperação dos supostos tesouros do Titicaca. Algumas não passaram de meras aventuras, outras tiveram apoio internacional. Mergulhadores profissionais (e amadores) como William Mardoff, Johan Reinhard, Ramón Avellaneda - entre outros - após vários mergulhos, concluíram que a sedimentação do fundo do lago impossibilitava o resgate de objetos. Relatórios e matérias de imprensa sensacionalistas apontavam a existência de ruínas, muros e templos submersos, sem provas materiais que confirmasse tais descobertas.

De todas as expedições em busca dos mistérios do Titicaca, talvez a do oceanógrafo francês Jacques Yves Cousteau seja a que mais chamou a atenção. Ela ocorreu em 1968 e dispunha de 20 toneladas de equipamentos modernos, entre os quais, mini submarinos. As prospecções em torno da Ilha do Sol atingiram 114 metros de profundidade. Nenhuma ruína submersa foi encontrada. Pior do que isso: os supostos muros e templos apontados por outros mergulhadores não passavam de antigos ancoradouros que ficaram submersos com o passar do tempo. O relatório final de Cousteau, impreciso e cheio de falhas, não chega a lugar algum.

Contudo, na década de 1970, algumas expedições japonesas confirmaram a antiga prática de oferendas atiradas no Titicaca. Foram encontradas “capsulas” entalhadas em pedra com pequenas estatuetas de ouro em seu interior. Esses artefatos podem ser vistos hoje no Museu da Ilha do Sol. Em 2013, uma equipe belga liderada por Christopher Delaere encontrou 31 peças de ouro, além de prata, ossos e cerâmica de 1500 anos! Delaere afirma – através de levantamento geofísico – já ter localizado seis sítios arqueológicos de origem Tiwanaku na parte inferior do Titicaca. O resultado dessas pesquisas pode, finalmente, revelar a verdade sobre os tesouros ocultos do Lago Titicaca.

 

Dalton Delfini Maziero é historiador, arqueólogo, explorador e escritor. Especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria. Autor de “Titicaca – Em Busca dos Antigos Mistérios Pré-Colombiano” e “Sacralizando o Solo: o uso simbólico e prático dos geoglifos sul-americanos”. Visite o Blog: Arqueologia Americana (http://arqueologiamericana.blogspot.com.br/

Escrito por Dalton Delfini Maziero, 14/01/2016 às 16h50 | daltonmaziero@uol.com.br

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O VULCÃO HUAYNAPUTINA – A POMPÉIA PERUANA

Quase todos nós já escutamos - em algum momento de nossas vidas - sobre o fabuloso desastre histórico de Pompéia (Itália)! Em 79 dC., essa cidade habitada pela elite romana foi assolada pelo vulcão Vesúvio. O ineditismo do cataclisma e a fúria do fluxo piroclástico soterraram ruas, templos e casas, poupando poucas vidas. Hoje, Pompéia é um dos mais interessantes sítios arqueológicos do mundo, pois, retirada a camada de cinzas e lava, descobriu-se uma cidade “congelada” no tempo.

Poucas pessoas sabem, mas existe algo muito semelhante na América Latina. Mais especificamente ao sul de Lima (Peru), na região de Moquegua. Em 19 de fevereiro de 1600 dC., 33 povoados foram cobertos de cinzas pela erupção do vulcão Huaynaputina, de 4.850 metros de altura. Naquele ano, a montanha expeliu cerca de 30 Km³ de detritos ao céu. Foi a maior erupção registrada na América do Sul ao longo de 2.000 anos, e hoje é comparada ao famoso Krakatoa (Indonésia - 1883). Estima-se que o calor emitido pelo evento sobre as cidades soterradas alcançou 1.200 graus centígrados. Um ano após a erupção, a temperatura mundial caiu 1,3 graus, criando um longo inverno que alterou todo o clima da Terra.

O Huaynaputina (do quéchua: jovem vulcão) faz parte da Zona Vulcânica Central peruana, uma cadeia montanhosa nos quais se incluem o Misti, Ampato (foto), Ubinas, Coropuna e Sabancaya. Análises geológicas mostram que ele já havia explodido antes, por volta de 7.700 aC.

Em 1600, os povoados soterrados marcavam historicamente a passagem do antigo reino Inca ao período colonial espanhol (vice-reino da Espanha). Após meses de pesquisa, o Observatório Vulcanológico do Instituto Geofísico Minerador Metalúrgico do Peru, localizou seis dos 33 povoados soterrados, a uma profundidade que varia entre três e quinze metros. Sua erupção na época causou fortes terremotos e deslizamentos de terra, e suas cinzas imediatamente cobriram regiões distantes como Lima, Lago Titicaca, Potosi, Arica e Cusco.

A equipe de especialistas – formada por peruanos, franceses, chilenos, bolivianos e belgas – busca não apenas recuperar detalhes do passado daqueles povoados, mas criar uma atração turística nos moldes de Pompéia: um lugar onde possamos caminhar e observar como era a vida em 1600! A pesquisa e escavação estão estimadas em três anos.

Dalton Delfini Maziero é historiador, arqueólogo, explorador e escritor. Especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria. Autor de “Titicaca – Em Busca dos Antigos Mistérios Pré-Colombiano” e “Sacralizando o Solo: o uso simbólico e prático dos geoglifos sul-americanos”. Visite o Blog: Arqueologia Americana (http://arqueologiamericana.blogspot.com.br/)

Escrito por Dalton Delfini Maziero, 05/01/2016 às 13h49 | daltonmaziero@uol.com.br

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Teotihuacán e o Mundo Subterrâneo

 

Em 2003, arqueólogos mexicanos realizaram uma das mais importantes descobertas do século: um túnel de 140 metros de comprimento e 18 de profundidade, que se estende por debaixo da gigantesca Pirâmide do Sol e do Templo da Serpente Emplumada, nas ruínas de Teotihuacán. O achado foi casual, graças às chuvas de uma manhã de outubro que deixaram à mostra um buraco de 83 cm, com acesso ao sistema subterrâneo.

Escavações posteriores revelaram mais de 50 mil objetos magníficos, como esculturas em rocha, pedras de jade provenientes da Guatemala, incensos, conchas do Caribe, sementes, bolas de borracha, espelhos de pirita, bolas de cristal e metal, cabaças, pelo de felinos e pele, que parece ser humana. Parte desse tesouro pré-colombiano está sendo exposto aos poucos, nos principais museus mexicanos.

Acredita-se que o túnel encontrado represente a visão do “infra mundo” (mundo subterrâneo) tal como era concebido pelos mexicas (astecas). Nele, os cientistas descobriram câmaras mortuárias que devem pertencer a importantes governantes de Teotihuacán. Contudo, até o momento, nenhum corpo foi localizado.

A antiga cidade – localizada a 47 Km da Cidade do México – é hoje o maior sítio arqueológico das Américas. Quando os mexicas chegaram nesse local no século XIV, ela já estava completamente abandonada, em ruinas. Sabemos hoje, que a população que lá viveu a ocupou entre 150 aC e 650 dC., deixando um legado monumental impressionante, formado por pirâmides, templos e palácios gigantescos. Contudo, as atividades ritualísticas realizadas no subterrâneo ocorreram apenas entre 150 e 200 dC.

Um detalhe curioso do achado é que os antigos mexicas recobriram parte das paredes do subterrâneo com minerais (pirita e magnetita) que brilham no escuro após receberem luz. A ilusão é de estar frente a um céu estrelado, só que debaixo da terra.

Os arqueólogos levaram cinco anos para revelar essas maravilhas, e para isso retiraram mais de 970 toneladas de terra e pedras que bloqueavam a passagem de acesso. As pesquisas só foram possíveis graças a um alto investimento tecnológico, com o uso de robôs, escaneamento laser e georadar. Esses recursos muitas vezes permitiram aos arqueólogos prospectar o que existia debaixo da terra antes mesmo da retirada do entulho.

A parte mais profunda do túnel – ainda obstruída – pode revelar o mais importante dos tesouros. Talvez algum sepultamento de dignitário a exemplo dos Maias. De qualquer forma, as evidências mostram que Teotihuacán foi utilizada posteriormente pelos mexicas, como uma cidade santuário para valorização de mitos de criação e também, para exercício de poder. Em 1987, a UNESCO declarou Teotihuacán como Patrimônio da Humanidade.

Dalton Delfini Maziero é historiador, arqueólogo, explorador e escritor. Especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria. Autor de “Titicaca – Em Busca dos Antigos Mistérios Pré-Colombiano” e “Sacralizando o Solo: o uso simbólico e prático dos geoglifos sul-americanos”. Visite o Blog: Arqueologia Americana (http://arqueologiamericana.blogspot.com.br/)
 

Escrito por Dalton Delfini Maziero, 15/12/2015 às 11h00 | daltonmaziero@uol.com.br

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