Jornal Página 3
Coluna
América Misteriosa
Por Dalton Delfini Maziero

Calçoene

Observatório Celeste no Amapá


Foto Acervo Iphan/Heitor Reali

 

A descoberta do sítio arqueológico de Calçoene (Município distante 460 km de Macapá) reforçou a ideia das sociedades complexas da região amazônica. Ainda hoje, os atuais povos nativos do Brasil possuem um saber astronômico bastante difundido, mas até então, não havia sido encontrado uma estrutura em pedra, uma construção capaz de concretizar esse saber. Calçoene e suas rochas – que lembram Stonehenger (Inglaterra) – materializaram o que muitos julgavam ser um conhecimento apenas subjetivo.

Segundo os arqueólogos Mariana Petry Cabral e João Darcy de Moura Saldanha, Calçoene possui mais de 1 km². Em seu entorno, foram encontradas cerâmicas em estilo aristé e sepultamentos mostrando rituais complexos, com poços funerários especialmente construídos para este fim. Mariana completa: “O conhecimento astronômico é plenamente possível em sociedades caçadoras coletoras, pois depende basicamente da observação da natureza. A diferença no caso de Calçoene, é que este conhecimento foi solidificado em uma estrutura monumental”. As primeiras datações por Carbono 14 em fragmentos de carvão local indicam uma ocupação entre 1.000 e 1.300 dC.

O sítio de Calçoene é formado por mais de 120 rochas, algumas com até 3 metros de altura. O terreno já era conhecido da população local, que achava curiosa sua formação circular, com pedras pontiagudas tombadas pelo tempo. Em 2010 foi comprovado que a inclinação de uma das rochas estava perfeitamente alinhada com o declínio máxima do sol ao sul. Essa posição determina a época do solstício de dezembro (solstício de inverno no hemisfério norte) e o início da temporada de chuvas na região. Tal necessidade supõe uma preocupação das antigas sociedades em domar a paisagem, assim como outros grupos fizeram no Acre, ao criarem enormes geoglifos.

Os povos andinos possuíam formações semelhantes, chamadas “intihuatana” (lugar onde se “amarra o sol”). Contudo, a existência desses observatórios não significa contato ou relacionamento entre as culturas brasileiras e as andinas. Mariana Cabral e João Saldanha acreditam em um desenvolvimento autônomo do povo de Calçoene, ou uma inter-relação com outros grupos de terras baixas. Esse contato entre povos pode ter ocorrido através de uma ampla rede de articulações, que envolvia, além e troca de bens, princípios rituais.

Além dos estudiosos brasileiros, outros pesquisadores também observaram Calçoene. O português Manoel Calado (Universidade de Lisboa) certificou a função das pedras em registrar eventos astronômicos. Seus estudos estão embasados na comparação com os megálitos europeus. Seja como for, as escavações até o momento não determinaram a existência de grandes povoamentos locais, abrindo espaço para a possibilidade de Calçoene ter sido realizada por um pequeno grupo humano, sob uma forte e ordenada liderança.

Dalton Delfini Maziero é historiador, arqueólogo, explorador e escritor. Especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria. Autor de “Titicaca – Em Busca dos Antigos Mistérios Pré-Colombiano” e “Sacralizando o Solo: o uso simbólico e prático dos geoglifos sul-americanos”. Visite o Blog: Arqueologia Americana (http://arqueologiamericana.blogspot.com.br/)

Escrito por Dalton Delfini Maziero, 17/05/2016 às 16h26 | daltonmaziero@uol.com.br

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Pucara - A pirâmide de Kalasaya

Pouca gente conhece este curioso sítio arqueológico, que fica próximo ao lago Titicaca, (Peru), a 3.810 metros de altitude. Trata-se de uma das maiores pirâmides escalonadas das Américas! Muito mais que isso, Pucara apresenta um gigantesco complexo de estruturas piramidais que ainda está para ser escavado e explorado!

Pesquisas arqueológicas comprovam que essa cultura viveu no altiplano entre 1.100 a.C e 100 d.C. Formaram uma nação de guerreiros, de caráter expansionista, muito antes da chegada dos Incas. Os pucaras avançaram ao litoral do Pacífico, trazendo de lá a influência para a construção de seu centro cerimonial e suas pirâmides. Foram identificadas ao todo seis pirâmides, sendo a maior delas a de Kalasaya, com 32 metros de altura e plataformas gigantescas, cuja base atinge 300 x 200 metros! Algumas dessas pirâmides estavam localizadas dentro de lagos artificiais!

Subir a monumental escadaria do Kalasaya é uma experiência única! Ela corta as plataformas em direção ao topo, onde se encontram três templos semi-subterrâneos! São construções utilizadas em cultos. Imagine uma piscina vazia (foto), com uma escadaria de acesso, ladeada de pedras em seu interior. Isso é um templo semi-subterrâneo. Ao redor da construção, fragmentos de cerâmica comprovam que o centro foi bastante frequentado no passado.

Arqueólogos também desenterraram do local uma série de estátuas assustadoras. Originalmente ficavam posicionadas pelos andaimes de acesso ao templo. Eram imagens de ferozes guerreiros. Uma das mais famosas é conhecida como "Degolador de Pucara" que retrata um homem de expressão animalesca, segurando, com uma das mãos, uma cabeça decapitada e com a outra, o instrumento utilizado (faca) para consumação. As estátuas eram pintadas com cores vivas, para causar maior impressão nos inimigos. Foram detectados restos de tinta vermelha, branca, preta e amarela.

Essa brilhante e ainda desconhecida civilização foi criadora de um importante centro urbano, e de vasta produção de cerâmica. Arquitetonicamente, representou com suas pirâmides uma das maiores inovações estilística da época, chegando mesmo a alterar padrões de comportamento, não só no Altiplano, mas também na Cordilheira. Pucara foi uma das primeiras culturas a utilizar a distribuição urbana associada aos conjuntos monumentais. Pesquisadores afirmam tratar-se de uma legítima "ponte cultural", catalisando tradições culturais dos povos litorâneos, retransmitindo aos do Altiplano e vice-versa. Sua posição geográfica apoia tal ideia. Foram, portanto, peças fundamentais no inter-relacionamento andino.

 

Dalton Delfini Maziero é historiador, arqueólogo, explorador e escritor. Especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria. Autor de “Titicaca – Em Busca dos Antigos Mistérios Pré-Colombiano” e “Sacralizando o Solo: o uso simbólico e prático dos geoglifos sul-americanos”. Visite o Blog: Arqueologia Americana (http://arqueologiamericana.blogspot.com.br/

Escrito por Dalton Delfini Maziero, 03/05/2016 às 08h31 | daltonmaziero@uol.com.br

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Pedra do Ingá

 

ARQUEOASTRONOMIA NO SERTÃO DA PARAÍBA!

 


Foto: Antonio Marcos

Todos nós sabemos que os antigos habitantes das Américas observavam os astros celestes. Será que, de algum modo, registravam essas observações? Podemos identificar nos petroglifos, uma possibilidade desse registro? As respostas a essas perguntas parecem encontrar algum respaldo quando observamos a Pedra do Ingá, um dos mais importantes monumentos arqueológicos do Brasil.

A Pedra do Ingá encontra-se no sertão da Paraíba. Trata-se de uma formação rochosa em gnaisse, com centenas de “inscrições” (incisões) gravadas na pedra. O maior dos paredões mede quase 50 metros de comprimento por 3,5 de altura. Contudo, o conjunto completo cobre uma área de 250m². Todo o monumento rupestre é conhecido pelo termo “itacoatiara”, da língua tupi “pedra riscada”. Desde o século XIX, pesquisadores procuram encontrar um sentido no conjunto de incisões.

Existem dezenas de teorias sobre o Ingá. Contudo, a dificuldade de uma datação precisa e a falta de evidências materiais do terreno cria um mistério quase intransponível. Tudo o que resta, são especulações. Existem grafismos que lembram representações de animais, seres humanos e frutas, e outros que podem representar estrelas e elementos da natureza, como rios e montanhas. Fato é que até o momento, ninguém conseguiu apresentar uma padronização convincente que explique tal obra como um todo. É possível que, a exemplo de outros monumentos, as incisões na rocha foram realizadas em períodos distantes uma das outras, e com objetivos diferentes, criando assim um painel de significados sobrepostos. Reforça essa ideia o fato de existirem outros petroglifos próximos – conhecidas como inscrições “marginais” –, feitos com técnicas diferentes do conjunto principal.

Entre as diversas teorias sensacionalistas, encontramos citações aos povos da América Central, aos fenícios, egípcios e mesmo à Atlântida! Contudo, pesquisas na década de 70 – realizadas pelo engenheiro espanhol Francisco Pavía Alemany – indicaram uma possível relação do conjunto com a arqueoastronomia. Assim como outras formações antigas dos povos americanos, a Pedra do Ingá pode também possuir a função de demarcar o trajeto do sol e os períodos do ano. A pesquisa de Pavía sugere que algumas incisões possam sinalizar estrelas ou constelações (Órion e Plêiades).

Alguns fatores atuais atrapalham a compreensão geral da obra. Primeiro, a datação em Carbono 14, que é prejudicada pelo ciclo natural do rio Bacamarte, que alaga o Ingá periodicamente. Em segundo lugar, sabemos que parte da rocha foi destruída por operários que retiravam pedras para construções modernas. Na década de 1950, o conjunto ocupava 1.200m², ou seja, quase cinco vezes o tamanho atual! Dessa forma, nossa visão do conjunto será, para sempre, apenas parcial.

Independente das dificuldades em se decifrar a Pedra do Ingá, nos resta preservar este que é um dos mais importantes exemplares de petroglifos do Brasil, na esperança que um dia, possa nos revelar algo mais sobre os antigos povos que aqui viveram.

Dalton Delfini Maziero é historiador, arqueólogo, explorador e escritor. Especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria. Autor de “Titicaca – Em Busca dos Antigos Mistérios Pré-Colombiano” e “Sacralizando o Solo: o uso simbólico e prático dos geoglifos sul-americanos”. Visite o Blog: Arqueologia Americana (http://arqueologiamericana.blogspot.com.br/)

Escrito por Dalton Delfini Maziero, 18/04/2016 às 11h29 | daltonmaziero@uol.com.br

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Cidade Perdida

Mistério e encanto na floresta colombiana

Após horas caminhando entre pedras soltas do rio Buritaca - em meio a uma floresta verdejante e grandiosa - atingimos a entrada principal das ruínas de Cidade Perdida, na Colômbia. Nada se via além do início de uma escadaria que parecia não ter fim. Mais de 1500 degraus serpenteavam montanha acima, nos separando do maior povoamento já descoberto dos antigos Taironas. A pausa antes de enfrentar esta derradeira subida é quase um ritual. Após dois dias inteiros de caminhada pesada, sob um calor insuportável, avançar por aquela escada secular coberta de limo exigia respeito e fôlego.

Confesso que não sabia ao certo, o que esperar de Cidade Perdida. Macchu Picchu (Peru) monopoliza as atenções na América do Sul e, quando soube de uma cidade monumental de difícil acesso nas florestas colombianas, decidi tentar a sorte, entre o calor, as serpentes e a ameaça de guerrilheiros. A empreitada mostrou-se digna de um filme de aventuras. Nada traduz de forma tão literal, a sensação de tornar-se “Indiana Jones”.

Cidade Perdida foi construída em 700 d.C, e está localizada na Serra Nevada de Santa Marta: um maciço montanhoso isolado do restante da Cordilheira dos Andes, que emerge abruptamente no litoral Atlântico da Colômbia. Possui uma área de 21 mil quilômetros quadrados, formando uma gigantesca e impressionante pirâmide. É considerada a montanha litorânea mais alta do mundo. Seus picos – o Simon Bolívar e o Cristobal Colón – atingem 5775 e 5770 metros e possuem neve perpétua. Estes picos montanhosos não estão a mais de 30 km do litoral. Por este motivo, seus cumes eram utilizados como “faróis” naturais pelos navegantes europeus que avançavam nas águas caribenhas do século XVI.

A primeira referência sobre a existência de um assentamento arqueológico de proporções monumentais em Serra Nevada ocorreu em 1975, quando o Instituto Colombiano de Antropologia (ICA) obteve informações que um huaquero (caçador de tesouros) havia localizado uma grande cidade em local quase inacessível. Era Cidade Perdida, chamada tecnicamente de Buritaca 200. A primeira exploração oficial ocorreu um ano depois, em 1976.

Apesar de sua importância, Cidade Perdida não é o único centro urbano Tairona. Ela faz parte de um grupo de 250 povoamentos. Suas ruínas espalham-se entre 950 e 1300 metros sobre o nível do mar, nas proximidades do rio Buritaca. Para compensar o desnível do terreno, os Taironas construíram muros de contenção que atingiam 12 metros, e um surpreendente sistema de canalização de águas. Cidade Perdida possui um total de 169 plataformas, com capacidade para 280 cabanas. Acredita-se que, em seu auge, sua população chegou a 3 mil habitantes. Parte deles sobreviveu à conquista espanhola, permanecendo oculta em meio à floresta por quase 400 anos!

Dalton Delfini Maziero é historiador, arqueólogo, explorador e escritor. Especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria. Autor de “Titicaca – Em Busca dos Antigos Mistérios Pré-Colombiano” e “Sacralizando o Solo: o uso simbólico e prático dos geoglifos sul-americanos”. Visite o Blog: Arqueologia Americana (http://arqueologiamericana.blogspot.com.br/)

 

Escrito por Dalton Delfini Maziero, 04/04/2016 às 14h33 | daltonmaziero@uol.com.br

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Costa Rica

O MISTÉRIO DAS ESFERAS DE PEDRA


Eleanor & Sam Lothrop/1950’s - Foto Julián Rodríguez

A Costa Rica - esse distante e pequeno país da América Central – guarda um dos conjuntos monumentais arqueológicos mais desconcertantes de nosso continente. São cerca de 300 esferas esculpidas em pedra, algumas de uma perfeição visual surpreendente!  

A maior dessas bolas de pedra maciça mede 2,15 metros de diâmetro e pesa cerca de 16 toneladas. Esses estranhos artefatos inspiraram a famosa cena do filme “Caçadores da Arca Perdida” (1981), na qual o arqueólogo Indiana Jones foge desesperadamente por um túnel escuro, de uma esfera de pedra que vem em sua direção para esmagá-lo.

Na vida real, ninguém ao certo sabe para que foram usadas. Qual seria sua função, seu uso prático? As esferas de pedra foram descobertas em 1940, durante atividades agrícolas da empresa United Fruit Company (EUA). Desde então, quase todas as esferas descobertas sofreram danos. Algumas destruídas por maquinários agrícolas; outras por caçadores de tesouros que acreditavam existir ouro em seu interior. Mas a principal depredação foi o deslocamento das peças de suas posições originais. Infelizmente, como ocorre em outros sítios arqueológicos americanos, aqui também os monumentos do passado foram utilizados para ornamentação de jardins particulares e prédios modernos. A destruição de seu contexto arqueológico original dificulta hoje um estudo científico que possa explicar o seu uso no passado.

A maior quantidade de esferas encontra-se concentrada na região sul da Costa Rica, próxima ao Delta de Diquís. Quase todas esculpidas em rocha granodiorito (uma pedra dura e ígnea), e algumas poucas em coquina (pedra calcária). Estudos modernos sugerem que os antigos nativos “descascavam” a rocha como uma cebola, em camadas, mediante alterações rápidas de sua temperatura. Para isso, submetiam a esfera de pedra ao carvão quente e, em seguida, a banhos de água fria, causando assim um choque térmico que fragmentava camadas de sua superfície!

Também não se sabe ao certo quem as fez. Boa parte da região em que são encontradas era território de povos que praticavam o idioma chibchan (também usado em Honduras e Colômbia). Junto à muitas esferas, existiam restos de muros e pavimentos. As escavações feitas ao redor das esferas, revelaram fragmentos de cerâmica e enterramentos datados entre 200 a.C. e 800 d.C., e que foram relacionados aos grupos Chiriquí e Aguas Buenas.

Nos anos 1940-1950, existem relatos que nos mostram que as esferas não estavam dispostas a esmo no solo. Muitas encontravam-se alinhadas, formando linhas retas, curvas e até mesmo criando formações triangulares. Um grupo de quatro esferas foi localizado em orientação ao norte magnético, o que sugere um possível alinhamento astronômico. Seja qual for o significado das esferas de pedra da Costa Rica, elas ainda hoje desafiam a imaginação dos cientistas modernos.

Dalton Delfini Maziero é historiador, arqueólogo, explorador e escritor. Especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria. Autor de “Titicaca – Em Busca dos Antigos Mistérios Pré-Colombiano” e “Sacralizando o Solo: o uso simbólico e prático dos geoglifos sul-americanos”. Visite o Blog: Arqueologia Americana (http://arqueologiamericana.blogspot.com.br/)

Escrito por Dalton Delfini Maziero, 15/03/2016 às 15h26 | daltonmaziero@uol.com.br

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AS SEPULTURAS GIGANTES DE SILLUSTANI

Quando cheguei à Sillustani (Peru) pela primeira vez, percebi de imediato como aquela região era especial. Sepulturas gigantes – algumas com 10 metros – de vários povos pré-colombianos espalhavam-se por uma península desértica de extrema beleza. O silêncio do local é tocante e exige respeito. Afinal, Sillustani é um dos mais antigos cemitérios das Américas!

Mas o local não foi sempre assim. Ele passou por várias etapas antes de ser utilizado como solo sagrado. Inicialmente, foi visitado por povos nômades que vagavam na região em busca de cavernas, alimentos e água. Deixaram as marcas de sua presença espalhadas pelo Altiplano, na forma de artefatos e pedras esculpidas. Este período é conhecido como “Pré-cerâmico”, e estendeu-se aproximadamente de 10.000 a 3.000 a.C.

O visitante que hoje chega a Sillustani pode observar sepulturas de vários tamanhos e formatos. Isso ocorre porque diversos povos - Pucaras, Tiwanakus, Collas, Incas - ocuparam o local, dando continuidade a essa região sagrada. As sepulturas seguem o estilo arquitetônico de seu povo e reflete o status de cada morto, pois, ao contrário do que muitos pensam, não foram enterrados ali somente grandes senhores, mas também pessoas de menor prestígio.

Em 1971, o arqueólogo Arturo Ruiz Estrada exumou uma das torres funerárias, descobrindo várias oferendas constituídas por colares de turquesa, depiladores de cobre e furadores de ossos. Encontrou também 15 esqueletos pertencentes a pessoas de idade e sexo diferentes. Cinco anos mais tarde, o mesmo arqueólogo realizou outra escavação,desenterrando 1280 peças, sendo 501 de ouro!

A técnica de construção desses enormes monumentos é surpreendente. Três eram os materiais básicos para a construção das sepulturas: pedra, terra e barro. Para erguê-las, foram convocados arquitetos, pedreiros, lapidadores, capatazes e transportadores.Embora sejam famosas as sepulturas em forma de “cone invertido”, existem também tumbas subterrâneas, redondas e quadradas. Em todas elas, usavam-se pedras de variados tipos, inclusive rocha vulcânica.

Na época da conquista espanhola, existem relatos que nos falam de martelos e seixos feitos em rocha negra, com os quais lapidavam as pedras de consistência mais mole, com leves pancadas. Depois, para o polimento, utilizavam areia ferruginosa, esfregada a exaustão, com o auxílio de uma pedra mais dura do que a esculpida. Finalizado o trabalho de lapidação, eram necessários dezenas, às vezes centenas de braços para arrastar os enormes blocos ao seu local definitivo de repouso. Em Sillustani, temos um exemplo magnífico da técnica dos antigos povos americanos em se trabalhar a rocha!

Dalton DelfiniMaziero é historiador, arqueólogo, explorador e escritor. Especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria. Autor de “Titicaca – Em Busca dos Antigos Mistérios Pré-Colombiano” e “Sacralizando o Solo: o uso simbólico e prático dos geoglifos sul-americanos”. Visite o Blog: Arqueologia Americana (http://arqueologiamericana.blogspot.com.br/)
 
Escrito por Dalton Delfini Maziero, 02/03/2016 às 07h34 | daltonmaziero@uol.com.br

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