Jornal Página 3
Coluna
América Misteriosa
Por Dalton Delfini Maziero

Samaipata - Colossal Petroglifo Boliviano

Samaipata – localizado na Bolívia, no Departamento de Santa Cruz de La Sierra - é um daqueles sítios arqueológicos que mexem com nossa imaginação. Fiz uma visita péssima ao local na década de 90, muito corrida e debaixo de uma chuva torrencial. Tudo deu errado naquele dia, mas jurei retornar em outra oportunidade.

Antigamente, Samaipata recebeu o nome de “Forte Inca”, pois acreditavam tratar-se do último ponto de avanço dos Incas ao leste da Cordilheira. A ideia não é totalmente errada. A associação com uma fortaleza vem de sua destacada posição geográfica, e da gigantesca rocha que domina o lugar. Hoje, sabemos que o sítio foi ocupado inicialmente pelo grupo Mojocoyas em 300 dC. Nesse período, funcionava como um centro residencial, mas também ritual. Aparentemente foi nesse período que a enorme rocha (220 x 60 metros) começou a ser sulcada e esculpida, com sinais e desenhos ainda não totalmente compreendidos.

A rocha – também chamada Centro Cerimonial – apresenta uma infinidade de esculturas de significado sagrado, associados à fertilidade da natureza e rituais de purificação. Para essa teoria, contribui as representações de animais, de formações geométricas (em especial formações em zigue-zague, associado à água), a existência de canais de água, e a descoberta de cerâmica não usual. Ao redor da rocha, é ainda possível distinguir cinco santuários (nichos) e esculturas de felinos. Samaipata torna-se assim, um dos maiores petroglifos do mundo! Motivo pelo qual foi declarado Monumento Nacional em 1951.

Ao redor da rocha, arqueólogos encontraram construções incas e espanholas. Os incas ocuparam o espaço somente do século XIV ao XVI, ou seja, 1.100 anos depois do povo mojocoya. A maior potência antiga da América do Sul fez de Samaipata, um centro administrativo e um bastião do qual irradiavam seu domínio. Arqueólogos encontraram estruturas incaicas que correspondem ao Acallahuasi (Casa das Escolhidas), e outra conhecida como Kallanka (Recinto militar e de estocagem) Com a chegada dos espanhóis, a nova cidade de Samaipata foi construída no vale abaixo, tornando-se ponto de paragem para a prata de Potosí.

A cada nova pesquisa realizada, Samaipata ganha complexidade e valor como complexo arquitetônico e artístico único no continente. Antes reduzido apenas à sua imensa rocha, o sítio total atinge agora cerca de 20 hectares, tornando-se um dos raros Parques Eco-Arqueológicos das Américas.

Dalton Delfini Maziero é historiador, arqueólogo, explorador e escritor. Especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria. Autor de “Titicaca – Em Busca dos Antigos Mistérios Pré-colombianos” e “Sacralizando o Solo: o uso simbólico e prático dos geoglifos sul-americanos”. Visite o Blog: Arqueologia Americana (http://arqueologiamericana.blogspot.com.br)

Escrito por Dalton Delfini Maziero, 31/08/2016 às 15h26 | daltonmaziero@uol.com.br

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Chachapoyas

Por volta de 1470, os Incas invadiram uma região próxima ao rio Marañon e ao vale de Utcubamba (Peru), para subjugar um povo conhecido como “o povo das nuvens”. A dominação Inca não foi fácil, devido à geografia extremamente acidentada e altitude do lugar. O povo conhecido hoje como Chachapoyas, permaneceu assim por seis décadas, quando então chegaram os espanhóis. Quem era esse misterioso povo, que vivia a mais de 1000 anos em terras tão altas? Ainda hoje os Chachapoyas são cobertos de mistérios e dúvidas.

Em 1998, a equipe da arqueóloga Sonia Guillén localizou cerca de 500 de suas múmias em bom estado de conservação. Junto aos corpos, estavam objetos da cultura Inca, como pequenas cordas com nós (quipos), que serviam para contagem administrativa da população de pessoas e lhamas. Além disso, encontraram joias fabricadas em conchas, tecidos e esculturas em madeira. Outro pesquisador – Warren Church (EUA) – fala sobre a região onde viviam os Chachapoyas: “essa paisagem é uma das mais bonitas e assustadoras da Terra, cheia de ruinas perdidas”.

Ao que tudo indica, os Chachapoyas formaram tribos que viviam em plataformas, nos despenhadeiros. Nesses locais, criavam lhamas e porquinhos da índia. A vida era difícil e as tribos guerreavam entre si. Com a chegada dos Incas, encontraram um motivo para se unir contra um inimigo comum.

O viajante hoje que se aventurar nessa região inóspita, irá ver Kuélap, além de edificações funerárias e casas redondas cobertas de palha. Kuélap é uma de suas principais ruinas: uma impressionante fortaleza a 3 mil metros, cujos muros alcançam 25 metros de altura! Esse magnífica muralha é comparável a um prédio de cinco andares, e segue acompanhando as curvas da montanha – como uma espécie de Muralha da China – entre bosques e neblinas. A principal entrada da cidade é um estreito corredor, que afunila permitindo a passagem de um único homem. Sem dúvida um recurso defensivo. Kuélap foi descoberta em 1843, por Juan Crisóstomo Nieto, um juiz local.

Dentro das muralhas, duas enormes plataformas dividem a cidadela nos chamados povoados alto e baixo. Em alguns pontos, as plataformas atingem 584 metros de largura! Um complexo arqueológico comparável a Machu Picchu ou Sacsayhuamán! São mais de 400 recintos dentro das muralhas de Kuélap. Estima-se que a população chachapoya chegou a 400 mil indígenas!

A cultura Chachapoya tinha um profundo respeito pelos seus mortos. São famosas suas tumbas e sarcófagos em forma humana, localizadas em locais inacessíveis, em cavernas naturais e à beira de despenhadeiros! Hoje, o abandono de suas cidades é um mistério, que aos poucos começa a ser revelado com a descoberta e estudo de suas ruinas e sepulturas.

Dalton Delfini Maziero é historiador, arqueólogo, explorador e escritor. Especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria. Autor de “Titicaca – Em Busca dos Antigos Mistérios Pré-Colombiano” e “Sacralizando o Solo: o uso simbólico e prático dos geoglifos sul-americanos”. Visite o Blog: Arqueologia Americana (http://arqueologiamericana.blogspot.com.br/)

Escrito por Dalton Delfini Maziero, 17/08/2016 às 14h34 | daltonmaziero@uol.com.br

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Urus - Os homens da água

Imagine um grupo cultural que não se considerava humano. Acreditavam ser mais antigo que o próprio sol! Anteriores a todos os demais povos. Estes eram os Urus, os pré-homens! Habitaram no Lago Titicaca, na atual fronteira entre Peru e Bolívia, em época anterior aos Incas.

Sua origem mitológica foi legada de pai para filho. Assim, contavam sobre os primeiros Urus e a vida que levavam em terras de noite eterna, onde a luz provinha apenas da lua e das estrelas. Chamavam-se de Kot'suñs, “os homens da água”. O mito nos conta sobre um monumental dilúvio na região do Altiplano. Enquanto a calamidade das águas abatia-se sobre a Terra, o Deus Wiracocha compadeceu-se dos homens, transformando-os em patos selvagens (chokas), para que não se afogassem. As aves passaram a viver entre plantas aquáticas (totorais). Porém, com a chegada do sol, um milagre aconteceu! Alguns voltaram a sua antiga forma humana! Mas tanto tempo passou desde a primeira mutação que os “novos homens” não mais conseguiram se adaptar à terra, tão acostumados estavam em viver nas águas, nos totorais.

Este mito de criação nos ensinar algumas coisas. Os Urus consideravam-se especiais. Esta profunda altivez desencadeou consequências desastrosas com o tempo. Pode uma cultura ser vítima de seu próprio orgulho?

Entre os problemas para a reconstrução de sua história, está a submissão a diversos grupos – aymaras, quéchuas, espanhóis – e o fato de não deixarem registros escritos ou físicos. Tudo o que sabemos é pautado pela visão dos dominadores. O isolamento em ilhas flutuantes criou uma minoria étnica oprimida, perdendo o contato com a terra firme. Tornaram-se ciganos dentro de seu próprio território. Foram tratados como párias, inferiores e primitivos. Num sentido pejorativo, chamavam-lhes de "come ervas" e "come patos".

Com os espanhóis no século XVI, nada mudou. O tratamento desumano continuou. Foram arrancados do lago e obrigados a trabalharem nas minas de Potosí. Em 1590, o espanhol José de Acosta relatou assim sua presença: "Vilas inteiras de urus foram encontradas no lago, vivendo nas suas balsas de totora. Se quisessem mudar, nem um traço deles, ou da vila, poderia ser encontrado no dia seguinte". Em 1621, o padre Ramos Gavilán escreveu de Copacabana (Bolívia) essas linhas: "Eram piratas lacustres que aproveitavam os totorais escondendo-se neles para atacar a quem encontrasse no lago".

Piratas, bruxos e primitivos! Termos usados para designar um povo que se considerava tão especial. Portanto, quando estiver visitando as atuais Ilhas Urus, tenha em mente que, aqueles que lá vivem não fazem parte desta antiga raça. São apenas aymaras, que herdaram o modo de vida dos antigos moradores. Os urus já não existem mais.

Dalton Delfini Maziero é historiador, arqueólogo, explorador e escritor. Especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria. Autor de “Titicaca – Em Busca dos Antigos Mistérios Pré-Colombiano” e “Sacralizando o Solo: o uso simbólico e prático dos geoglifos sul-americanos”. Visite o Blog: Arqueologia Americana (http://arqueologiamericana.blogspot.com.br/) 

Escrito por Dalton Delfini Maziero, 29/07/2016 às 11h12 | daltonmaziero@uol.com.br

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Crânios de Cristal

FARSA ARQUEOLÓGICA REVELADA!

Existem farsas arqueológicas? Podemos acreditar em tudo aquilo que é recuperado da terra? Os Crânios de Cristal – supostamente de origem Maia – desafiaram a imaginação das pessoas por mais de 50 anos! Somente os avanços tecnológicos dos últimos 15 anos conseguiram comprovar, efetivamente, a farsa que fez muitos acreditarem no impossível: artefatos pré-colombianos com tecnologia alienígena e poderes sobrenaturais!

Em 1870, na cidade de Paris, colecionadores de curiosidades e negociantes oportunistas compravam e vendiam artefatos falsificados. Entre as peças, pequenos crânios lapidados em cristais de rocha. A história mais famosa envolvendo tais peças ocorreu em 1924, nas ruinas de Lubaantun (Belize). Naquele ano, o aventureiro inglês Frederick Albert Mitchell-Hedges veio à América com sua filha Anna, em busca de provas de uma civilização avançada da época de Atlântida. O crânio de cristal foi descoberto no dia do aniversário de Anna, e é conhecido como “Caveira de Cristal de Lubaantun”. O artefato esculpido em um único bloco de quartzo mede 13 cm de altura por 18 cm de comprimento. Mitchell-Hedges alegou que a peça possuia 3.600 anos.

Anna excursionou com o crânio durante anos – cobrando pela exibição e por entrevistas – até falecer em 2007. O problema deste e de todos os demais crânios espalhados pelo mundo, é que nenhum possui registro científico de sua descoberta. Nenhum deles foi documentado por um arqueólogo. Pesquisas realizadas no Museu Britânico (1967, 1996 e 2004) comprovaram que o cristal de rocha utilizado em muitas das esculturas são encontrados apenas no Brasil e em Madagascar! Ou seja, a rocha não é mesoamericana. Microscópios revelaram também riscos no cristal, provenientes de máquinas giratórias e aplicação de abrasívos sintéticos, utilizados apenas na virada do XIX-XX.

Outro artefato, pertencente ao Instituto Smithsoniano (EUA), revelou uso de diferentes abrasivos, como o carbeto de sílico, uma substância sintética fabricada com tecnologia industrial. Já o exemplar conhecido como “Crânio de Paris” (Musée du quai Branly - Paris), foi submetido por engenheiros a um acelerador de partículas e revelou vestígios de água em suas micro ranhuras, datada do XIX.

Definitivamente, os crânios não pertencem às culturas Mexica (Asteca) ou Maia. Foram produzidos basicamente para promover pesquisas arqueológicas falsas, colocar determinadas pessoas em evidência ou gerar lucro com seu comércio. Acredita-se que muitos desses artefatos tenham sido criados na escola alemã de lapidação (Idar-Oberstein), famosa por trabalhar cristais de quartzo brasileiro no final do XIX. O mistério dos Crânios de Cristal aos poucos, é revelado. Agora, a dúvida recai sobre os prováveis autores desta que é uma das maiores farsas arqueológicas de todos os tempos!

Dalton Delfini Maziero é historiador, arqueólogo, explorador e escritor. Especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria. Autor de “Titicaca – Em Busca dos Antigos Mistérios Pré-Colombiano” e “Sacralizando o Solo: o uso simbólico e prático dos geoglifos sul-americanos”. Visite o Blog: Arqueologia Americana (http://arqueologiamericana.blogspot.com.br/)

Escrito por Dalton Delfini Maziero, 15/07/2016 às 09h52 | daltonmaziero@uol.com.br

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Cerâmica Mochica - A arte em representar a vida

É possível uma sociedade se comunicar através da arte? Será que no passado, alguma civilização alcançou um refinamento tão alto, que pôde desafiar o tempo registrando sua visão do mundo, pela manifestação artística em artefatos de cerâmica? Embora polêmica, essa realidade existiu ao menos de forma parcial no litoral norte do Peru! A cultura Mochica viveu nessa região entre I e VIII dC. Formaram uma nação de guerreiros, uma sociedade estratificada, que se dedicava com igual paixão à guerra, aos sacrifícios humanos e também à arte da cerâmica e metalurgia.

Não é nenhum absurdo dizer que a cerâmica mochica está entre as melhores e mais representativas dos povos do passado. Possuíam uma sensibilidade estética extraordinária! Criaram vasos e esculturas com um realismo impressionante, que superava em muito, o de outros grupos pré-colombianos como os mexicas, maias ou incas. Suas peças mais famosas são conhecidas como “huacas-retratos”: vasos com gargalos, normalmente de uso cerimonial.

Esses vasos representavam vários aspectos de sua sociedade, como o cotidiano das pessoas e até mesmo cenas de sexo explícito! Esses últimos, de grande sucesso nos museus peruanos!

É surpreendente também o humor, a humanidade e a representação da natureza em suas peças. Podemos encontrar cenas de mulheres grávidas tendo seus bebês, representações de cães, macacos, pássaros, vegetais, idosos trabalhando, pessoas rindo, tocando instrumentos musicais, vestindo trajes típicos ou pescando. A representação social era tão profunda, que até mesmo anões e deficientes físicos eram retratados. Arqueólogos conseguiram inclusive, identificar diversas doenças do passado, retratadas nas deformidades físicas existentes nos vasos mochicas.

Enfim, uma infinidade de temas que incluía também sua relação com o mundo mitológico, de onde surgiam seres monstruosos e deuses pouco amigáveis, como Ai-Apaec: deus do céu e das montanhas, quase sempre representado segurando um machado e uma cabeça degolada.

Dois fatores foram fundamentais para essa produção fabulosa dos vasos mochicas: existia uma casta especializada e financiada pela elite, que se dedicava unicamente a produção dessa arte e; os ceramistas mochicas tinham amplo conhecimento e domínio sobre o uso da argila e de seu processo de queima. E ao contrário de outros povos americanos, a totalidade de seus trabalhos era feita basicamente sobre duas tonalidades: o branco-creme e o vermelho-ocre! Hoje, pela sua qualidade, as coleções de arte mochica ganhar destaque nos museus peruanos e mundiais.

Dalton Delfini Maziero é historiador, arqueólogo, explorador e escritor. Especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria. Autor de “Titicaca – Em Busca dos Antigos Mistérios Pré-Colombiano” e “Sacralizando o Solo: o uso simbólico e prático dos geoglifos sul-americanos”. Visite o Blog: Arqueologia Americana (http://arqueologiamericana.blogspot.com.br/)

Escrito por Dalton Delfini Maziero, 30/06/2016 às 14h11 | daltonmaziero@uol.com.br

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Frederick Catherwood - Artista da cultura Maia

Artista do século XIX, Catherwood teve sua vida ligada definitivamente às antigas civilizações graças aos seus belíssimos desenhos de ruínas ainda não exploradas. Poucos homens na história conseguiram reunir de forma tão soberba, a técnica da reprodução visual, o conhecimento artístico e a capacidade em se deslocar por locais perigosos e isolados!

A fama de Catherwood deriva em parte da associação com John Lloyd Stephens, o "pai da arqueologia maia". Juntos, revelaram ao mundo todo o esplendor da cultura mesoamericana. A maior parte dos interessados na cultura Maia já ouviu falar dessa parceria, ou pelo menos do livro de viagens “Incidents of Travel in Yucatán” (1842) escrito por Stephens e ilustrado por Catherwood.

Em 1839, Stephens decidiu investigar o número crescente de relatos de civilizações perdidas nas selvas de Yucatán. Ele já era um escritor de viagens bem conhecido, e seu convite à Catherwood reforça a importância deste como profissional na época. Enquanto o primeiro escrevia sobre as cidades perdidas da América, o segundo as desenhava, com um senso de estético inigualável!

Catherwood nasceu na Inglaterra em 1799. Estudou arquitetura, desenho e pintura na Academia Real; e arquitetura clássica e escultura na Itália e Grécia. Após completar seus estudos, viajou pelo Oriente, fazendo ilustrações de antiguidades do Egito, Arábia Saudita e Terra Santa.

Em 1823 foi contratado como consultor de arquitetura na restauração das mesquitas do Cairo. Em 1839, Catherwood estava em Nova York montando uma exposição de seus trabalhos, quando Stephens o abordou com a ideia de explorar a península de Yucatán e América Central. A seriedade de Stephens em organizar expedições era notória, de forma que, em poucos meses, partiram para a floresta.

A expedição viajou inicialmente a Copán (Honduras). A fim de ter liberdade de trabalho, Stephens comprou o terreno das ruinas por meros US$50 dólares! Trinta quilômetros ao norte, Catherwood descobre Quiriguá, ilustrando ambos os sítios, enquanto Stephens partia em viagem de negócios à Guatemala.

Os dois visitaram em seguida Palenque (Chiapas, México) e Uxmal (Yucatan, México) antes de voltar à Nova York para a publicação de seu primeiro trabalho em parceria, Incidentes de viagem na América Central, Chiapas e Yucatán (1841). Em 1842, a dupla retorna à região.

Trabalham juntos em Chichen Itzá, Cozumel, Tulum, Dzilam, Izamal e Ake. Após sete meses no campo, e com a saúde abalada, Catherwood retorna a Nova York. Lá publicam “Incidentes de viagens no Yucatan” (1843), com a descrição de 44 sítios arqueológicos.

A Stephens é creditada a fama de nos revelar o mundo dos Maias, mas foi Catherwood quem forneceu as provas com sua magnífica arte!

Dalton Delfini Maziero é historiador, arqueólogo, explorador e escritor. Especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria. Autor de “Titicaca – Em Busca dos Antigos Mistérios Pré-Colombiano” e “Sacralizando o Solo: o uso simbólico e prático dos geoglifos sul-americanos”. Visite o Blog: Arqueologia Americana (http://arqueologiamericana.blogspot.com.br/)

Escrito por Dalton Delfini Maziero, 15/06/2016 às 11h31 | daltonmaziero@uol.com.br

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