Jornal Página 3
Coluna
América Misteriosa
Por Dalton Delfini Maziero

Pakal, o grande: rei do palenque!

K’inich Janaab Pakal I – ou simplesmente Pakal – foi um grande rei da cultura Maia (México), que colocou a cidade de Palenque definitivamente entre as grandes cidades pré-colombianas. Seu esforço em se destacar, veio de toda uma vida de luta, por provar seu direito legítimo ao trono. Pakal nasceu em 603 dC, e assumiu o poder em 615 dC, com apenas 12 anos de idade! Sua posição nesta época não foi conquistada, mas legada por sua mãe ainda em vida.

Para afirmar seu poder e dignidade real, Pakal investiu na grandiosidade arquitetônica de Palenque. Cada novo Templo construído, trazia imagens e textos glíficos de Pakal e de seu filho (K’inich Chan B’alam II), na tentativa de proclamar sua linhagem real. Entre as estruturas vistas em Palenque hoje, grande parte datam do reinado combinado de Pakal e seu filho. Entre as obras que merecem destaque, podemos citar: o Palácio Real, o Templo da Cruz, o Templo do Sol, o Templo do Olvidado e o magnífico Templo das Inscrições.

O Templo das Inscrições serviu como tumulo para o rei. A câmara mortuária encontra-se abaixo da linha do solo, e recebeu uma das mais inacreditáveis sepulturas da antiguidade. É uma peça única da arte maia clássica. Foi descoberta em 1948, pelo arqueólogo Alberto Ruz Lhuillier. Contudo, os entulhos que bloqueavam o acesso à sepultura levaram quatro anos para serem retirados. Ao final, um enigmático sarcófago abrigava ainda o corpo de Pakal, com uma máscara de jade, colares, fios de ouro e várias oferendas. Vale ressaltar, que a sepultura nunca saiu de seu lugar. Impossível transportá-la pelo estreito corredor e escadaria de acesso! Ela sempre esteva lá, mesmo antes da pirâmide que a cobre. O corpo do rei é que foi transportado para o local de seu descanso definitivo.

O relevo em estuque, que orna a tampa do sarcófago, é uma das mais poderosas e polêmicas imagens da arqueologia. Na década de 60/70, muitos escritores da chamada “pseudo-arqueologia” – queriam ver na representação, um homem pilotando uma nave espacial. Não é difícil imaginar isso, quando não se conhece a mitologia maia! A ideia é empolgante, mas tão empolgante é a própria realidade. Na verdade, a imagem mostra Pakal partindo em direção a Xibalba, o infra mundo maia (Reino dos Mortos), dominado por forças espirituais. No centro da imagem, podemos ver a árvore do mundo em formato cruciforme, e representações do sol, da lua e de diversas estrelas. Abaixo de Pakal, a Serpente Celestial de duas cabeças. Sua postura acreditam alguns, pode indicar o renascimento em Xibalba.

Pakal faleceu em 683 dC, com 80 anos. Seus 68 anos de reinado foram fundamentais para a consolidação do poder maia, e também para afirmar seu poder legítimo como governante.

Dalton Delfini Maziero é historiador, arqueólogo, explorador e escritor. Especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria. Autor de “Titicaca – Em Busca dos Antigos Mistérios Pré-Colombiano” e “Sacralizando o Solo: o uso simbólico e prático dos geoglifos sul-americanos”. Visite o Blog: Arqueologia Americana (http://arqueologiamericana.blogspot.com.br/)

Escrito por Dalton Delfini Maziero, 07/06/2017 às 09h54 | daltonmaziero@uol.com.br

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Pirâmide da Lua – Adoração ao Deus da montanha

Pode o sacrifício de guerreiros, aplacar a ira dos deuses e conceder benefícios a alguém? Durante muito tempo, uma elite de sacerdotes fez prevalecer essa visão, construindo impressionantes templos cujas ruinas sobrevivem até nossos dias.

Por cerca de 600 anos, uma construção em especial - no litoral norte do Peru - funcionou como espaço de adoração ao Deus Ai Apaec, também conhecido como “O Degolador”. Chamada hoje de Huaca de La Luna (Pirâmide da Lua), esse gigantesco edifício celebrava um importante calendário ritual da cultura Mochica. Diferentes das pirâmides egípcias, as pirâmides mochicas não serviam exatamente como sepulturas: eram palcos de rituais quase teatrais, de sacrifícios e domínio ideológico sobre a população! No caso da Pirâmide da “Lua”, eles não cultuavam esse astro, mas sim Ai Apaec, Senhor da Montanha (Cerro Blanco) e do Céu. Os antigos peruanos acreditavam que montanhas ou rios eram possuidores de vontade própria. Como as montanhas eram provedoras de água para a agricultura, era comum sua adoração. Hoje, sabemos que os efeitos climáticos do “El Niño” arrasaram os mochicas, dando motivo para muitos rituais de sacrifício, na esperança de climas mais amenos.

Os Mochicas viveram na costa peruana entre 50 e 750 d.C. Tiveram uma estreita relação com as forças da natureza. Foram guerreiros famosos e exímios artistas. Nos deixaram algumas das cerâmicas mais bonitas do mundo pré-colombiano. Também foram hábeis construtores! A Pirâmide da Lua foi inteiramente erguida com tijolos de adobe (barro seco ao sol), composta por plataformas, pátios e rampas. Era a simulação de uma montanha escalonada.

Os rituais que aconteciam no pátio interno da pirâmide eram violentos. Guerreiros capturados em batalhas eram ali sacrificados (degolados), e seu sangue oferecido ao deus Aiapaec. Mas antes, eram preparados, despidos, amarrados e despojados de suas armas. Todo ritual foi representado em frisos, compondo murais enormes e coloridos. Nos impressionantes desenhos, podemos ver a procissão dos degolados e a imagem do deus a quem era o ritual, dedicado. O sacerdote esperava dessa forma, manter a ordem no universo mochica.

A Pirâmide da Lua tem aproximadamente 290 x 210 metros de comprimento. Assim como outros edifícios pré-colombianos, passou por várias reformas e ampliações. Cada uma delas durou cerca de 100 anos! Ela possui várias rampas e quatro pátios cerimoniais! Calcula-se em 40 milhões de tijolos de adobe para sua construção. Seus espetaculares murais, com representações da flora, fauna, guerreiros capturados e do Deus Ai Apaec formam hoje um dos pontos turísticos mais incríveis da região, atraindo turistas do mundo todo!


Dalton Delfini Maziero é historiador, arqueólogo, explorador e escritor. Especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria. Autor de “Titicaca – Em Busca dos Antigos Mistérios Pré-Colombiano” e “Sacralizando o Solo: o uso simbólico e prático dos geoglifos sul-americanos”. Visite o Blog: Arqueologia Americana (http://arqueologiamericana.blogspot.com.br/)

Escrito por Dalton Delfini Maziero, 19/05/2017 às 10h22 | daltonmaziero@uol.com.br

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Kiva - Arquitetura do Sagrado

A Kiva é, provavelmente, um dos espaços sagrados mais antigos das Américas, ainda em uso. Tipicamente norte americano (EUA), a estrutura foi utilizada por todos os povos chamados genericamente de Pueblos, ou seja, os Hopis, Anazasis, Mogollon, Hohokam, Taos, Zunis, entre outros. Mas podemos afirmar que uma Kiva surgiu desde seu princípio, como um espaço ritualístico?

Arqueólogos apontam que sua origem remonta a um estilo de casa pré-histórica chamada “Pit House”, geralmente em formato circular, escavada abaixo da linha do solo. Seu telhado, apoiado em toras de madeira e revestido com galhos mais finos, era montado a partir da linha do solo, e depois recoberto de barro. O resultado - para quem olhava por fora - era o de vislumbrar uma pequena elevação no horizonte. O espaço interno, arredondado, era utilizado como moradia, dormitório, espaço de cozinha e também de rituais. Com o tempo, esses espaços rituais se destacaram dos residenciais, formando as Kivas.

Existem evidências de Kivas em 500 dC, utilizadas pelas comunidades como espaço ritual e cerimonial. Em antigos povoados como Pueblo Bonito e Mesa Verde, existe uma kiva para cada 50 habitações. Em outras localidades, apenas uma grande kiva para toda comunidade. Esse espaço tipicamente masculino, com o tempo, foi utilizado também para tomada de decisões políticas. Atualmente, ele funciona para atividades socialmente domésticas, integrativas e também espirituais, inclusive com a participação do sexo feminino.

Uma grande kiva chegava a atingir cerca de 30m², e era composta por uma série de particularidades, como um fosso para atear fogo, sistema de ventilação, plataformas utilizadas para assentos, nichos de parede e “sipapus”, também conhecidos como “lugar de origem”, por onde os falecidos emergiam do submundo. Entre 1150 e 1300 dC, as kivas tornaram-se mais elaboradas, profundas e em formato de torres. Neste tipo de comunidade maior, existiam cerca de cinco ou seis “residências” diretamente associadas ao espaço da kiva.

Em Mesa Verde, podemos encontrar uma profusão de kivas que se sobrepõem lado a lado. Arqueólogos se perguntam qual a antiga necessidade nesse tipo de construção tão compacta e repetitiva. Afinal, não bastava um único espaço para atender a comunidade? Uma possível explicação está na utilização da kiva como uma antiga “igreja”. Cada um de seus “quartos” eram destinados a um ritual específico. Sabemos que a oração pela chuva, boa colheita, caça abundante ou cura de doenças eram praticadas. Desta forma, existe a possibilidade de um ritual antigo ser composto por diversas etapas, realizado em espaços separados.

Dalton Delfini Maziero é historiador, arqueólogo, explorador e escritor. Especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria. Autor de “Titicaca – Em Busca dos Antigos Mistérios Pré-Colombiano” e “Sacralizando o Solo: o uso simbólico e prático dos geoglifos sul-americanos”. Visite o Blog: Arqueologia Americana (http://arqueologiamericana.blogspot.com.br/

 

Escrito por Dalton Delfini Maziero, 08/05/2017 às 11h06 | daltonmaziero@uol.com.br

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A grande pirâmide Cahokia

Muitas pessoas sabem que o continente americano está repleto de pirâmides. Algumas sabem que essas pirâmides são bem diferentes das egípcias, em sua estrutura e concepção: são pirâmides escalonadas, compostas por plataformas sobrepostas. Mas poucos sabem que uma das maiores pirâmides do mundo, se encontra justamente no interior dos EUA.

O nome dessa pirâmide é “Monte dos Monges” (Monks Mound), e pertence ao sítio arqueológico de Cahokia, em Collinsville, Illinois. Em 1988, arqueólogos calcularam suas dimensões em cerca de 30 metros de altura, com uma base de aproximadamente 291 x 236 metros, ocupando cerca de 14 hectares. Isso faz de Monks Mound, uma pirâmide maior - em sua base - que a de Quéops (Egito) que possui 230 x 230 metros. Contudo, a egípcia é mais alta, atingindo 146 metros. Comparada com outra gigantesca construção americana - a Pirâmide do Sol em Teotihuacán (México) - também a supera em sua base, com seus 222 x 225 metros. Contudo, a de Teotihuacán atinge 64 metros de altura. Segundo o arqueólogo Tim Pauketat (Universidade de Illinois), Monks Mounds é a terceira ou quarta maior pirâmide do mundo, em termos de volume!

Os habitantes de Cahokia – Mississippians – não deixaram registros escritos, mas apenas símbolos gravados em madeira, pedra e cerâmica. Contudo, sua sociedade era bastante complexa e organizada, capaz de elaborar templos, sepulturas e espaços sagrados com enormes totens em madeira. O nome original de Cahokia até hoje é desconhecido.

A construção de sua maior pirâmide teve início em 900 dC - em 1300 Cahokia já se encontrava desabitada - mas a localização de lajes de calcário e restos de cedro vermelho aponta para uma ocupação do terreno no Arcaico Tardio (3000-1000 aC). Ela foi inteiramente erguida com argila transportada em cestos de vime. O historiador Rick Osmon calcula que foram necessárias mais de 43 milhões de cestas para compô-la. Uma incrível demonstração de esforço humano! Um dado importante: a argila utilizada apresentava cores diversas, depositadas em camadas, proveniente de locais à centenas de quilômetros de distância. Originalmente, a pirâmide era visualizada como um mosaico de cores – argila vermelha, laranja, branca, azul, cinza, castanho e preto – arranjadas em camadas de diversas espessuras.

O nome “Monks Mound” surgiu no início do século XIX. Em 1809, monges franceses haviam construído uma pequena comunidade ao lado da pirâmide, utilizando as plataformas para plantar trigo. Em 1813, Hugh Henry Brackenridge (escritor, advogado e juiz da Suprema Corte da Pensilvânia) visitou o local, e publicou uma pequena descrição do sítio, chamando o morro de “Monte dos Monges”!

Dalton Delfini Maziero é historiador, arqueólogo, explorador e escritor. Especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria. Autor de “Titicaca – Em Busca dos Antigos Mistérios Pré-Colombiano” e “Sacralizando o Solo: o uso simbólico e prático dos geoglifos sul-americanos”. Visite o Blog: Arqueologia Americana (http://arqueologiamericana.blogspot.com.br/)

Escrito por Dalton Delfini Maziero, 17/04/2017 às 10h03 | daltonmaziero@uol.com.br

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QUIPUS – Sistema de registro Incaico

 

Pode uma antiga cultura, registrar informações de sua história, sem possuir uma escrita ou alfabeto? No caso da civilização Inca, isso de fato ocorreu! Os Incas ocuparam boa parte da América do Sul, em especial, ao longo do século XV e início do XVI de nossa era.

O sistema de registro desenvolvido pelos Incas é conhecido como “Quipus”, e foi único no mundo. A palavra “quipo”, em quêchua (língua Inca) significa “nó”. Foi utilizado em especial, para registrar informações administrativas e contábeis, mas não só isso! Os quipos eram formados por uma série de cordões e nós (geralmente algodão), atados a uma linha mestra. Todo detalhe auxiliava na definição da informação registrada: as cores dos cordões, a quantidade de nós e até mesmo a distância entre os nós. Como os Incas possuiam um sistema baseado em ordenamento decimal, conseguiram registrar desde unidades até dezena de milhares de um determinado produto estocado (colheitas) ou mesmo de recenseamento populacional ou militar; impostos e até mesmo a história de seu povo.

Também determinava a informação, a “direção” em que os cordões eram amarrados partindo da linha mestra, geralmente um cordão mais grosso. Assim, se o cordão era atado voltado para baixo ou para cima, podia significar soma ou subtração do que registrava. É interessante saber que os quipus evoluiram com o passar do tempo. Os mais antigos eram elaborados em cordões brancos. Com a ampliação e sofisticação do Estado Inca, os cordões ganharam cores, e novas possibilidades de registrar informações.

Os “Quipucamayocs” – profissionais que manipulavam os quipus – eram capazes de distinguir inclusive o gênero da informação. Por exemplo: através dos nós e cores dos fios, sabiam que um aldeiamento possuia 3.800 pessoas; e que destas, 2.000 mil eram mulheres e as demais, homens; assim como o tipo de produção que geravam. Eram sem dúvida, profissionais com grande conhecimento em matemática.

Segundo o antropólogo Gary Urton (Universidade de Harvard-EUA), a população inca “tinha que trabalhar um número específico de dias por ano em projetos do Estado e as autoridades tinham que registrar cuidadosamente essa contabilidade "tributária" nos quipus”. Gary sugere que alguns quipus foram usados também como calendários. Pois alguns foram encontrados próximos a sepulturas, com formação equivalente a dias e meses de um ano.

Quanto mais avançam os estudos sobre os quipus incaicos, mais percebemos que eles não foram usados como meras calculadoras, mas sim, como uma espécie de banco de dados!

Dalton Delfini Maziero é historiador, arqueólogo, explorador e escritor. Especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria. Autor de “Titicaca – Em Busca dos Antigos Mistérios Pré-Colombiano” e “Sacralizando o Solo: o uso simbólico e prático dos geoglifos sul-americanos”. Visite o Blog: Arqueologia Americana (http://arqueologiamericana.blogspot.com.br/)
 

Escrito por Dalton Delfini Maziero, 29/03/2017 às 10h21 | daltonmaziero@uol.com.br

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CHAN CHAN – A MAIOR CIDADE DE BARRO DO MUNDO


 O poderoso império Chimu ocupou uma área de aproximadamente 1.000 Km² no litoral norte do Peru. Atingiu seu auge entre 800 e 1470 de nossa era. Tamanho eram seu poderio e refinamento, que acabaram entrando em confronto com os Incas, que os derrotaram em 1470 dC.

Chan Chan está dividida em nove grandes recintos – chamados “Cidadelas” -, algumas com muros de 10 metros de altura para sua proteção. Cada cidadela era composta por pirâmides, cemitérios, jardins, residências, pátios, reservatórios de água e palácios. No interior das muralhas, foram encontrados recintos com grande quantidade de tecidos. Os chimus eram hábeis tecelões, tanto que, na derrota para o império Inca, estes levaram a Cusco vários profissionais para produção de tecidos a sua nobreza. Os arqueólogos acreditam que esses recintos abrigavam o “tesouro” chimu, formado justamente pelos tecidos habilmente confeccionados, uma vez que não possuíam moedas como nós conhecemos hoje.

Fora das muralhas, existem vestígios de residências irregulares, como as encontradas ainda hoje na região dos camponeses. Todo esse complexo gigantesco era habitado por cerca de 100 mil pessoas! Em seu auge, Chan Chan ocupou mais de 22 Km², dos quais somente 14 Km² restam atualmente.

A grande cidade de barro foi alvo de saques e roubos após sua queda. No período colonial peruano, os espanhóis acreditavam que seus enormes muros escondiam ouro e outros metais. Muitas pirâmides foram derrubadas, muros destroçados e buracos abertos em plataformas funerárias. Atualmente, os visitantes podem conhecer apenas uma das nove cidadelas, chamada “Nik An”. Esse espaço aristocrático abriga um palácio, habitações e espaços funerários. Seus muros exibem inúmeras esculturas em relevo de motivos naturais, como peixes, aves e ondas do mar.

Uma das principais estruturas de Chan Chan é a “Huaca del Dragón”, um templo cerimonial e administrativo cujos muros (60 x 54m de comprimento) estão ricamente decorados com motivos zoomorfos e naturais, fazendo relação com símbolos de fertilidade e chuva. Trata-se na verdade de uma pirâmide com dupla plataforma e rampas. Ao que tudo indica – devido aos seus 14 depósitos – a construção teve função religiosa, mas também de depósito de alimento.

O confronto com os Incas não é surpresa, quando descobrimos que Chan Chan foi um dos maiores destinos de peregrinação e adoração religiosa das Américas. Povos vinham de longe oferecer suas oferendas à nobreza da grande cidade de barro. Conquistar Chan Chan foi, portanto, uma forma de se apoderar dessa demanda religiosa, muito lucrativa por sinal! Em 1986, Chan Chan foi declarada Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO.

Dalton Delfini Maziero é historiador, arqueólogo, explorador e escritor. Especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria. Autor de “Titicaca – Em Busca dos Antigos Mistérios Pré-Colombiano” e “Sacralizando o Solo: o uso simbólico e prático dos geoglifos sul-americanos”. Visite o Blog: Arqueologia Americana (http://arqueologiamericana.blogspot.com.br/)

Escrito por Dalton Delfini Maziero, 14/02/2017 às 11h45 | daltonmaziero@uol.com.br

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