Associação de docentes denuncia "terrorismo" na Univali

A Associação dos Docente do Ensino Superior de Santa Catarina emitiu hoje uma nota com duras críticas à direção da Univali que estaria promovendo demissões em massa desde o ano passado. A íntegra da nota é reproduzida abaixo: 

A diretoria da Associação dos Docentes do Ensino Superior de Santa Catarina, ADESSC, denuncia publicamente o clima de terrorismo que predomina nas últimas semanas na Universidade do Vale do Itajaí, Univali. Demissões em massa estão ocorrendo nos quadros da instituição. Nos últimos dias, dezenas de docentes e funcionários foram dispensados pela reitoria. A estimativa é de que 600 trabalhadores serão demitidos até o final do semestre. No ano passado, foram 400 demitidos. Desde o começo da gestão Provesi, benefícios vem sendo cortados e a carga horária dos professores reduzida, com constantes ameaças de demissão. A qualidade de ensino vem decaindo a cada semestre.
As medidas autoritárias e sem transparência, tomadas pela reitoria, ainda, não foram publicamente justificadas. Nas conversas nos corredores, comenta-se o endividamento financeiro da universidade na ordem de R$ 25 milhões, cuja alternativa de equacionamento implicará no afastamento dos trabalhadores.
Dois campi da instituição deixarão de funcionar no próximo semestre: Piçarras e São José. Sessenta bolsas de iniciação científica foram canceladas. A TV Univali demitiu 12 profissionais na última semana, deixando de produzir programação local como televisão educativa na cidade, limitando-se a reproduzir o sinal da TV Futura. A Rádio Univali demitiu oito, metade dos funcionários.
Os estudantes, também, estão mobilizados diante da crise instalada na instituição. Na noite desta segunda-feira (16/6) reuniram centenas de pessoas em passeatas pelo campus de Itajaí, denunciando a situação.
As contas da universidade permanecem secretas. Como vem sendo aplicado o dinheiro da instituição é uma incógnita. Não são explicitadas nem mesmo os critérios utilizados para as demissões. Entre os professores predomina apreensão e angústia pela possibilidade de demissão. Os coordenadores de curso já passaram o recado aos docentes, recomendando que procurem alternativas de trabalho a partir do próximo semestre.
Os poderes públicos, também, estão omissos diante da situação. A Univali é uma instituição de ensino superior pública, propriedade da Prefeitura de Itajaí. No entanto, nem mesmo esta prefeitura mantenedora se manifestou sobre a situação. O impacto econômico das demissões já é perceptível entre os comerciantes de Itajaí, que perdem uma grande fatia de consumidores, que dependem financeiramente da Univali.
Diante da crise, a ADESSC, em nome dos docentes, conclama a comunidade universitária para a luta, reivindicando:
 
- imediata transparência nas contas financeiras da Univali;
- nenhuma demissão de professores e funcionários;
- audiência pública, com a participação da reitoria e comunidade universitária, para discutir a crise;
- intervenção da prefeitura de Itajaí e demais poderes públicos para resolver a situação;
- democratização da Univali com eleições diretas para os dirigentes;
- luta pela estatização da Univali, tornando-a plenamente pública e gratuita.


Quarta, 18/6/2008 11:47.


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